“O homem, para progredir, [e] porque não dispõe de todas as faculdades, precisa se relacionar com os outros homens. No isolamento se embrutece e se enfraquece. [Dessa forma], há um objetivo providencial [na Lei de Sociedade]…” (Questão 768 de O Livro dos Espíritos).

Em relações ecológicas, as harmônicas ou positivas se caracterizam pelo benefício de ambos os seres ou de somente um sem o prejuízo do outro. Neste assunto há que se considerar a protocooperação: Na relação entre anu/bovinos a ave se alimenta dos indesejáveis carrapatos aos bovinos; bem-te-vis se servem de insetos inoportunos a eqüinos e bovinos; o pássaro-palito além de restos alimentares come as sanguessugas da boca dos jacarés. Inquilinismo: As orquídeas se grudam no topo das árvores, para alcançar os raios de sol, sem, no entanto ser-lhes prejudiciais. Comensalismo: A rêmora, que acompanha o tubarão, aproveita-lhe os restos de comida… 1

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Ao compor as Obras Básicas com a colaboração dos Clarões Celestiais, Kardec não ignoraria, de forma nenhuma, exemplos que a Mãe Natureza sobejamente dita aos filhos da Terra nos quesitos parceria. Deus, em sua Infinita Sabedoria, a fim de consolidar a Obra de sua Criação, desejou ‘precisar’ do homem como parceiro do próprio homem. Estes indivíduos, de Espíritos ímpares e possuidores de evoluções diferenciadas, faculdades diferenciadas e competências também diversas, precisariam colocar-se à disposição uns dos outros para que cumprissem a Lei de Sociedade, de Progresso e de Igualdade: “O que um não pode ou não sabe fazer, o outro faz” (Idem, questão 804).

Portanto, mais que um ‘toma lá, dá cá’, estabelecer-se-ia entre os viventes uma relação de dependência, visto darem-se de conta que o Pai lhes providenciou – de Providência Divina – viver num Planeta de parcerias, e que esse consórcio lhes exigirá não esquecer que:

1. O indivíduo é um Espírito ‘nômade’, vive se mudando daqui para ali, dali para acolá ou retornando ao ponto de partida. A sua estima sempre será avaliada pelo frisson que causará nas outras pessoas por ocasião de sua partida ou do retorno a um lugar em que já viveu. Se ele deu ele receberá – também ‘o’ que deu, receberá; se ele estimou, será estimado; sua partida será chorada e seu retorno será aplaudido; ou não! Nesse caso a lei de ação e reação será implacável.

2. Gentilezas geram gentilezas: Por ocasião de suas chegadas e partidas que tipos de auxílios e compreensões os indivíduos receberão? As mesmas que um dia jogaram no Universo! Vizinhos farão sentidas despedidas ou calorosas recepções consoante às gentilezas de que foram objeto pela parceria… Ou não!

3. Parceiros são heterogêneos: Por entenderem coisas desiguais e possuírem faculdades desiguais é que eles se completarão; volta-se ao “o que um não pode ou não sabe fazer, o outro faz”. E os indivíduos também possuirão deficiências. E cada qual terá as suas. Então por que eu anunciar em alto falante ou megafone as ainda insuficiências alheias se eu também possuo as minhas? A desculpa às próprias faltas pressupõe o indulto às dos outros!

4. Se gentilezas geram gentilezas, as irritações também provocarão irritações! Ir abaixando o volume da prosa até deixá-la no ‘mute’, muitas vezes poderá ser a solução. Quem sabe o silêncio da palavra não poderá aplacar a ira do destempero?!

5. O chulo ditado “pergunta idiota, tolerância zero” também poderá ser aplicado ao consórcio. Indivíduos com perguntas e respostas comedidas e que sabem elevar o trabalho de seus parceiros, verão valorizados seus trabalhos e se sentirão no meio de consortes também reverentes.

6. A parceria seja feita não só no trabalho, mas também no estudo: Se fiquei sabendo de algo que não sabia, mas que o parceiro me explicou, já estarei apto a passar adiante essa explicação. Dessa forma serei a ‘rêmora’, o ‘pássaro-palito’ ou a ‘orquídea’ a buscar socorro junto aos mais sábios. Não há maior sabedoria que ocupar o ‘tempo vago’ em estudar, aprender, ensinar.

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Parceria é luz. O parceiro ou consorte é aquele que, ao me livrar da agonia de uma dificuldade promove um clarão que iluminará não somente a mim, mas a todos os que o rodeiam. Que esse clarão seja promovido dentro de uma possível gratuidade. Se provindo de uma faculdade gratuita, que seja também distribuído gratuitamente!

1. Wikipédia, a enciclopédia livre; Protocooperação (imagens 1 e 2); inquilinismo (imagem 3); e comensalismo (imagem 4) – (Sintonia: Cap. Desobsessão sempre, pg. 129 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

One comentário para “Planeta de parcerias”

  • Silvia Gomes says:

    “Parceria é luz. O parceiro ou consorte é aquele que, ao me livrar da agonia de uma dificuldade promove um clarão que iluminará não somente a mim, mas a todos os que o rodeiam. Que esse clarão seja promovido dentro de uma possível gratuidade. Se provindo de uma faculdade gratuita, que seja também distribuído gratuitamente!”
    Linda crônica meu amigo! Que possamos construir parcerias salutares e benéficas para a nossa evolução, compartilhando gratuitamente o que gratuitamente recebemos do nosso Pai amado!
    Obrigado mais uma vez pela partilha! Abraços com carinho!

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