“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós mais que elas?” 1

Mateus, através desta citação evangélica, concita-nos a refletir sobre a incondicionalidade do Amor de Deus e Seu zelo para com todas as suas criaturas:

Mesmo que, ao acordarmos ou ao deitar-nos não nos lembremos d’Ele ou de seus Emissários, a Sua Divina Providência continua operando. A fidelidade ou a infidelidade das criaturas não é um condicionante para as reações do Criador.

Diariamente, o sol se levanta, sobre bons e maus2 independente das suas percepções, assim como também, diariamente, esse mesmo sol se põe, cambiando-se por miríades de estrelas que nos cobrem tal qual um manto… E nem sempre as admiramos… Ou sequer as percebemos!

As benesses de Seu Universo presenteiam-nos, diariamente, embora não lhes prestemos atenção, ou seja, continuam a obrar apesar de nosso descaso: O sol, o vento, as estações, a chuva, as marés, a própria estiagem ou os tufões “corretivos”, em fim, a Natureza abrangente e atuante mostra aos humanos, supostamente inteligentes e atentos, os cíclicos trabalhos do Cosmos e dos seres menores da criação:

  • As uvas, maduras e perfumadas e os figos inchados anunciam a sabiás, calhandras e bem te vis que chegou a hora de fartarem a si e aos seus filhotes.
  • O artesão que enfileirou os grãos de milho na espiga e os coloriu de amarelo ouro, certamente impressionaria a Niemayer e a Van Gogh.
  • As alamandas – flores de um amarelo intenso – não se importam com sua efemeridade; sabem que irão encantar os transeuntes por apenas algumas horas, mas que novos botões se preparam para substituir-lhes, amanhã, a mesma beleza.
  • As formigas, tal qual soldados disciplinados, desenvolvem serviço de intendência exemplar, pois o agora e o hoje serão questão de futura sobrevivência; de suas marchas diárias resulta a provisão de seus paióis.
  • As lagartas e taturanas, umas simpáticas outras nem tanto, precisarão fartar-se de toda a folha verde possível e necessária a uma época em que viverão hibernadas no casulo, rumo à metamorfose.
  • O mar diuturnamente irá murmurar ou rumorejar, independente de o percebermos ou isso nos satisfazer.
  • As dunas, não obstante nossos gostos estarão, quase sempre, num movimento aleatório e frenético.
  • A Terra em sua rotação diária dá-nos uma falsa impressão elíptica do sol que, invariavelmente, parecerá nascer e se por e poderá ter um brilho mais ou menos intenso ou… Nenhum.

Dr. Bezerra de Menezes, o “Médico dos Pobres” nos afirma que “Se Deus ajuda as criaturas através das próprias criaturas, será justo pensar que, quando nos dispomos a socorrer alguém em suas aflições físicas ou morais, o socorro de Deus passará primeiramente por nós mesmos” 3.

Quanto “valemos”, pois, para o Pai? Não há como negar que a Criação, no seu todo, conspira em nosso favor lecionando-nos Divinamente. Nosso ilustre e abnegado doutor cearense nos mostra, na citação acima, a dimensão de nossa valia perante o Criador, a ponto de esse Divino Zelador delegar-nos socorro, guarda, recuperação e salvação recíprocos. 

(Bibliografia: 1. e 2. Mateus 5, 45 e 6, 26; 3. Dr. Bezerra de Menezes/De Luca – Recados do meu Coração, Pg. 27).

Foto: Sanhaço papa-laranja, alimentado solto em meu quintal – (Verão 2010/11, 35 graus e seca intensa; época de figos e uvas maduras, alamandas radiantes e taturanas perigosas, empanturrando-se nos plátanos)(Pub em ‘O Clarim’, Abr 2011).

2 Comentários para “Quanto “valemos” para o Pai?”

  • Fernanda says:

    Teu texto me fez lembrar a citação do Cristo: “Meu Pai obra até agora, e eu também trabalho”. E em como nós reclamamos o descanso, quando tudo ao nosso redor segue silenciosamente em seu trabalho constante.
    O que seria de nós se a natureza também descansasse, e se o Pai também nos peddise umas férias?
    Acho que estou divagando…

  • Velhinho says:

    Exato! O ‘Artesão’ que enfileirou os grãos de milho na espiga e os coloriu de amarelo ouro, certamente impressionaria a ‘Niemayer’ e a ‘Van Gogh…’ O primeiro, o nosso gênio das formas, o segundo adorava um ‘amarelo’.

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