Por ocasião da codificação, estava ‘a mil’ o sacramento da penitência, confissão ou confiteor... Não foi por coincidência que na questão 1000 de O Livro dos Espíritos Kardec ao se preocupar com o tema reparação, indaga à Espiritualidade Benfazeja se “desde esta vida poderemos ir resgatando as nossas faltas?”

“Sim – responderiam Eles. Mas não creiais que as resgateis mediante privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuirdes depois que morrerdes, quando de nada mais precisais. Deus não dá valor a um arrependimento estéril e que custa o esforço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, quando se esteja prestando um serviço, apaga mais faltas do que o suplício da carne com objetivo pessoal. Só por meio do bem se repara o mal. De que lhe serve privar-se de alguns gozos fúteis, se permanece integral o dano que causou a outrem?”

O indivíduo que, enquanto encarnado, lesou a tudo e a todos e não achou tempo para ir resgatando suas faltas, de repente desencarna e fica ‘bonzinho’. Suas posses poderão até beneficiar terceiros, mas beneficiarão os verdadeiros lesados?

Bater no peito, confessar-se próximo ao desencarne ou receber a sagrada unção não irá ressarcir pessoas a quem prejudicou; no entendimento do Criador o seu arrependimento é improdutivo.

No livro contábil do Senhor, estéril é o ato que não germina, não cresce e tão pouco produz. Não produz, no caso, reparação, ressarcimento.

O desgaste de minha saúde em trabalho voluntário é mais válido que os cilícios e mortificações da vida monástica e contemplativa.

O bem, tal qual um seguro total, sempre reparará todos os prejuízos. Só o desamor não estará coberto pelo amor.

O mal é o orgulho e todos os seus correligionários. O bem é o amor, forte blindado, reparador.

A vida de absorção em conventos poderá até me trazer alguma inspiração e produção de obras literárias. A reparação, entretanto, jamais virá através de suplícios da carne.

A oração, a sintonia, poderá até estabelecer o preâmbulo de meu acordo com o prejudicado, ofendido, lesado, mas somente atos concretos iniciarão a reparação.

Sábia a questão nº 1000… Reparação aqui e agora, enquanto há tempo!

(Subsídios e sintonia são do capítulo Depressão, pg. 187 de As dores da alma de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

6 Comentários para “Questão nota 1000: Reparação enquanto há tempo…”

  • Fernanda says:

    Meu amigo
    Estou lendo um livro que fala exatamente sobre isso: “20 dia em coma” conta a história de um homem que após um acidente e alguns dias em coma, acorda pra vida renovado, buscando resgatar todo o mal que fez. Não esperemos essas chamadas da vida, não esperemos pela dor para começar a reparar os nossos males!!!

    • Velhinho says:

      Obrigado, queridas amigas Fernanda e Euridice… Estamos na luta, pois não adianta só bater no peito e dizer ”mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa”; hay que se enveredar para o bem e este ”repara” tudo. Um abraço fraterno do Cláudio.

  • Euridice says:

    acho que ja estou “reparando” por minhas faltas do passado amigo querido,nossa! Mas,ainda bem que Deus me ajudando a suportar esses trancos da vida rsrsrsrsrs.Nao adianta me descabelar!!! Se bem que tenho muito cabelo rsrsrsrsrs…a vida é para sorrir…colorir…amar…e nao deixar que momentos assim sejam superiores às alegrias nela existente,abço fraterno amigo querido,adoro vc!

  • Véra Lúcia Dreilich da Silva says:

    As vezes pequenos tombos na vida nos fazem pensar e reparar as nossas faltas, mas infelizmente nem sempre todos que caem conseguem enxergar ou escutar a sua própria consciência,levantam e continuam cometendo os mesmos erros ou até outros bem piores.Abraço fraterno Sr.Cláudio!

  • fatima says:

    Bem oportuno meu amor, obrigada pelo consolo.

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