A obsessão – ser molestado, assediado, afligir-se com isso – sempre carrega consigo o pesado fardo da ilusão. É possível que ‘viver em realidade’ seja o caminho mais equilibrado entre o fictício e o verdadeiro; entre o fantasioso e o legítimo. Legitimar uma situação poderá auxiliar as pessoas a fugir de muitas obsessões:

  •  Sonhar, realizar planos, estabelecer mudanças, fixar metas… são todas atitudes saudáveis; não há nisso nem obsessão nem ilusão, muito pelo contrário, demonstram obstinação. A obsessão invadirá sonhos, planos, mudanças, metas, sempre que todos eles fugirem à real compatibilidade entre o planejar e o realizar;
  • Possuir uma pessoa amiga e confiável para abrir o coração e aliviar alguns fardos, é muito bom; possuir várias dessas, então é ótimo! O que não é desejável é proporcionar aflição a esses ombros amigos, imputando-lhes um verdadeiro vale de lágrimas;
  • Palavras possuem o poder de resolver ou embaraçar; salvar ou arruinar; enaltecer ou depreciar… Talvez, quando não se tenha algo útil a proferir, o silêncio seja o melhor conselho da desobsessão;
  • Viver é o sagrado exercício da liberdade de cada Espírito, único e de degrau ou patamar ímpar… Uma coisa será eu desejar ser parceiro dos indivíduos que me circunvizinham, amparando-os sem tolher seu livre arbítrio. Outra coisa será eu interferir em seu ‘modus vivendi’ ou, pior ainda, desejar viver a vida ‘dele’ que, como a expressão está afirmando, é tão somente, ‘dele’;
  • Se há uma grande ilusão nesta vida é de que as coisas ‘caiam do céu’. Como diria o próprio Emmanuel, “a preguiça é o retrato mais fiel da morte”. Trabalhar, servir, consumir-se tal qual uma vela iluminando, significa trabalhos que poderão driblar muitos impulsos aflitivos;
  • Praticar o mal neste Planeta de Provas e Expiações ou desertar do bem é extremamente fácil, pois esta ainda é uma das características do Orbe. Difícil é praticar o bem e perseverar nessa prática. Quem pratica o bem não parece estar na contramão de um Planeta ainda delituoso? Não poderá ser taxado de ‘trouxa’?
  • Desilusões – amorosas, conjugais, fraternais, por fracassos ou equívocos… poderão se tornar o ingrediente da tenacidade. “Não é o fogo que tempera o aço e dá beleza à porcelana?” e…
  • … Quase esqueço: Somente quando abordo o problema é que me investirei da capacidade de solucioná-lo!

 * * *

 Sonhar sem fugir da realidade; confiar sem ser indesejável; falar construindo; viver, deixar viver, ser parceiro; acreditar na eficácia do trabalho; ‘ser trouxa’ por amor; travar batalhas, sem me importar com vitórias ou fracassos… são os sagrados remédios à minha disposição  contra a obsessão, o assédio e a ilusão!

Inevitável é a visita do assédio como contumaz deverá ser a minha luta contra ele. ‘Salteá-lo’ ao máximo, fugir à ilusão e ser derrotado não me dando por vencido. A cada reação ao assédio, uma batalha ganha…

(Sintonia: Cap. Evitando obsessões, pg. 81 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

One comentário para “Reação ao assédio”

  • Silvia Gomes says:

    “Se há uma grande ilusão nesta vida é de que as coisas ‘caiam do céu’. Como diria o próprio Emmanuel, “a preguiça é o retrato mais fiel da morte”. Trabalhar, servir, consumir-se tal qual uma vela iluminando, significa trabalhos que poderão driblar muitos impulsos aflitivos”

    Estamos sempre esperando que as coisas agradáveis caiam do céu,sem que precisemos gastar nosso precioso tempo e nossas valiosas energias, mas um dia invariavelmente perceberemos que sem esforço próprio, sem trabalho árduo elas não virão e não adianta se desesperar pois essa lei Divina é imutável.
    Grande crônica Claudio! Grata pela partilha! Abraço!

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