“Se estás, portanto, para fazer a tua oferta, diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: Dali não sairás antes de teres pago o último centavo”1

Em nosso convívio diário, quer seja no lar, no trabalho remunerado ou no voluntário, estaremos convivendo com pessoas mais ou menos próximas, mais ou menos afetuosas e a nossa oferta estará aí representada pela atividade que desenvolveremos, principalmente em se tratando da espontânea.

Nossas oblatas que aqui chamaremos de ofertas, para inserir-nos no contexto de Mateus, depositadas na Casa Espírita ou noutro segmento de nosso voluntariado, deveriam sempre estar precedidas de um culto aos desafetos: Uma rápida irradiação, um pedido de desculpas ou uma prece sincera endereçada àqueles que ainda não amamos tanto. Podemos ter a certeza que tais gestos, além de humildes e em consonância com a máxima de Jesus, ensetarão uma predisposição para que a Providência Divina se encarregue de um bom desfecho para esses desamores.

Como começaremos as diversas atividades específicas do altar da Casa Espírita se não nos sentimos perfeitamente reconciliados?

  • Como aspirar uma reconciliação com um próximo às vezes nem tão próximo se estamos longe de reconciliar-nos conosco mesmos, estorvando novas investidas em nossa recuperação?
  • Como iniciar uma reconciliação com um próximo distante, ante nossas asperezas com o cônjuge que está vinte e quatro horas ao nosso lado?
  • Como intermediar a caridade através do passe, ante nossa claudicância em resolver as pendências com nosso filho problema?
  • Como realizar nosso intercâmbio mediúnico, atendendo irmãozinhos que não vemos se ainda somos ásperos com aqueles que vemos?
  • Como adentrar numa sala de estudo para receber ou transmitir as lições de nosso Divino Professor se nas intervenções práticas que a vida nos cobra estamos muito aquém da média que o Mestre nos recomenda?

Urge, pois, nossa boa vontade para um acordo com nosso adversário! A reconciliação deverá se realizar enquanto estivermos em caminho com ele, senão correremos sérios riscos de ficar aprisionados à sua  faixa de vibração e esta poderá ser muito estreita e, ainda… Quando pagarmos o último centavo a inflação poderá estar altíssima!

De mais a mais, com que cara prosseguiremos a realizar nossas empreitadas amorosas, se não tornarmos efetivo o ditame do Mestre do Perdão, Reconciliar primeiro, depois ofertar?

(Subsídio: Mateus, V, 23-26).

(Verão de 2010/11, “já bem abaixo do meio”) – Pub. ‘O Clarim’, Jan 2012.

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