Crônicas doutrinárias

“Rei morto, rei posto?”

Normalmente nos referimos a indivíduos que desencarnaram com expressões irresponsáveis e até genéricas tal qual: ‘Como fulano era bom!’ É como se o desencarne melhorasse os Espíritos. Menos mal, pois isto poderá significar que entre nós e o desencarnante não restou pendengas significativas ou que o indivíduo pode ser bom mesmo…

Pelo contrário, quando em mesmo caso, nos utilizamos da expressão ‘morreu! Antes ele do que eu!’, há uma conotação de que algo ficou pendente entre nós e o ‘falecido’; que mágoas restaram ou que nem todas as nossas questões de perdão foram equacionadas.

O que precisamos compreender é que não é pelo fato de alguém nos haver antecedido no túmulo que deixará de ser um Espírito vivente e como tal nossos débitos estarão saldados. Muito pelo contrário! Espírito livre, ele terá maior liberdade de, em nos assediando, cobrar, e de uma forma velada, dissimulada e persistente, a ‘conta’ que lhe ficamos devendo.

“Rei morto, rei posto” não se aplica nas questões pendentes do perdão, pois sempre o “rei morto” – o desencarnado – terá tido apenas a falência do corpo físico; ele, Espírito, continua vivinho, vivinho e em liberdade para nos cobrar tudo o que é seu de direito.

Tanto no caso do ‘fulano que era bom’ ou do ‘antes ele do que eu’, será inteligente e cristão orarmos pelo primeiro para que o intercâmbio de regozijo se estabeleça e pelo segundo em contristado e humilde pedido de perdão, pois certamente pendências restaram.

Emmanuel nos orienta que Espíritos de nossa convivência na Terra e que partiram para o Além, sem experimentar a luz do perdão (…) muito sofrem com o juízo ingrato ou precipitado que, a seu respeito, se formula no mundo.

* * *

No momento em que começamos a encerrar nossos assuntos sobre o perdão e estamos prestes a iniciar estudos sobre a fraternidade, prestemos atenção nas palavras do Benfeitor: Lembrando aquele que nos precedeu no túmulo, tende compaixão dos que erraram e sede fraternos. E ainda, rememorar o bem é dar vida à felicidade. Esquecer o erro é exterminar o mal.

(Sintonia com a questão 341 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.