razão-e-coração-660x389De 1854, quando, pela primeira vez o professor Rivail ouviu falar em mesas girantes, passando por 1855 quando resolveu freqüentar reuniões com fenômenos espíritas a 1857 quando lançou a primeira versão de O Livro dos Espíritos, o tempo passou muito rápido para Allan Kardec – pseudônimo então adotado.

Descrente a princípio, Kardec trazia da escola Pestalozzi o raciocínio. Aquele pedagogo e educador suíço o estimularia e aos seus alunos o exercício do raciocínio. Com a implantação da nova doutrina não seria diferente: Todas as respostas Espirituais que reuniria, a partir de 1855, para a elaboração do Pentateuco Espírita seriam exaustivamente discutidas dentro da lógica da razão…

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Mas, que é sentimento e o que é raciocínio? Será fé acreditar sem raciocínio?

A pergunta seria formulada por Chico Xavier e sua equipe a Emmanuel na obra O Consolador em sua questão 355.

Inicialmente precisamos informar-lhes que, dentre os sete centros de força (xacras) que possuímos, três se relacionam ao nosso estudo: coronário e frontal referem-se à razão ou ao raciocínio; cardíaco está intimamente ligado ao sentimento.

Antes da codificação e de acordo com a ‘crença dominante’ imperavam os dogmas: Postulavam estes que pontos fundamentais, embora distantes do raciocínio, seriam indiscutíveis; traduzindo, pediam-nos que acreditássemos muito fora da razão…

O próprio codificador, a esse respeito, viria a publicar em A Gênese, Cap. I, item 55 que “o Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Quanto à resposta da pergunta de Chico, Emmanuel a espiritualiza e dulcifica dando-nos a entender que não somos somente raciocínio, mas que o ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio e é desejável que a razão esteja [sempre] iluminada pelo sentimento, de maneira que:

Primeiro: Admitirmos afirmativas estranhas será como exumarmos todos os velhos dogmas, nos quais acreditamos, em todos os tempos, sem nenhum concurso da razão;

Segundo: A razão sem o sentimento, ou sem a parceria do coração ficará às escuras e aí estaríamos buscando o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos equívocos.

Terceiro: Não desejamos mais os apelos dogmáticos; nem a negação impiedosa; sabemos que a fé é fruto das obras e do desejar (atração/inteiração fluídica); e sabemos que o importar-se e o servir sempre será, das obras, as melhores…

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Iluminar a razão significa muitas vezes nosso coração contrariar nosso raciocínio atendendo aos postulados mais sagrados da caridade, indulgência e compaixão…

Por que darmos a esmola ao infeliz quando sabemos que ele vai novamente se alcoolizar? Isso é razão!

Darmos a esmola ao infeliz mesmo sabendo que ele vai novamente se alcoolizar! Isso é sentimento! Ou sentimento e raciocínio, um iluminando o outro!

Em nossa pequena analogia, tão perigoso quanto necessário!…

(Sintonia: Questão 355 de O Consolador, ditado por Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, editora FEB) – (Primavera de 2015).

One comentário para “Sentimento e raciocínio”

  • Silvia Gomes says:

    Bela crônica Claudio! Razão e sentimento caminham juntos. Cabe a nós adquirirmos a sabedoria para encontrar o equilíbrio.
    Obrigado pela partilha e desculpe a ausência por estes dias. Como trabalho no Regatas, e é temporada de verão, o trabalho aumenta. Além disso, também ando meio cansada física e mentalmente, por isso estou dando um tempinho na internet e venho menos por aqui.
    Mas já estava sentindo falta de ler o teu blog. Abraços fraternos!

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