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Distante 120 km de Porto Alegre, Bento Gonçalves, sem nenhuma ‘maquiagem’, esbanja trabalho e simpatia. Desde a volta ao passado, através de um passeio de Maria Fumaça ou pela rota dos Caminhos de Pedra, passando pelo famosíssimo e promissor Vale dos Vinhedos e dando uma esticada até o Vale do Rio das Antas, tudo é de encher os olhos.

1. Maria Fumaça – O passeio de Maria Fumaça é um culto ao passado. Com duas rotas – Bento/Garibaldi/Carlos Barbosa e vice versa – seis vagões são puxados por uma antiga máquina a vapor. Sempre lotados, os comboios param em pequenas e antigas estações de trem muito bem cuidadas, onde há degustação de espumantes e sucos naturais de uva. Com a composição em movimento de 20km/h há apresentações teatrais, musicas gauchescas e muita música italiana, quando homens e mulheres dos grupos ‘tiram’ os passageiros para dançar.

2. Vale do Rio das Antas – No Vale está situada a vinícola Salton, onde é possível uma visitação por passarelas superiores muito seguras de toda a ‘engrenagem’ da empresa incluindo uma linha de produção totalmente robotizada. Diria que no início da linha entra a garrafa com a bebida e a rolha e no final da linha o

produto sai encaixotado. Há muitas outras atrações no Vale, mas o visitante que para ali se dirige deseja ver mesmo é o desenho que o rio faz entre as montanhas, como a ‘ferradura’, por exemplo. A ponte sobre o rio, com sua arquitetura ímpar, faz parte desse maravilhoso cenário.

3. Vale dos vinhedos – Impossível ir a Bento e não visitar o Vale dos vinhedos. Além do charme das encostas caprichosamente cultivadas com vinhedos, no Vale estão localizadas importantes vinícolas como a Miolo e a Casa Valduga. Inúmeros produtores que aí detém seus lotes desde 1875 – chegada dos primeiros imigrantes – os conservam produtivos e, na qualidade de associados, sempre ‘entregarão’ sua safra a uma das importantes vinícolas da região, em número de trinta, mais ou menos.

4. Caminhos de Pedra – Situados na direção oposta ao Vale dos Vinhedos, no distrito de São Pedro, Caminhos de Pedra preservam as primeiras casas de pedras ocupadas pelos imigrantes desde 1875. O silêncio e a ‘calmaria’ imperam em Caminhos de Pedra, onde descendentes dos imigrantes – quarta geração – tocam diversos negócios. Em Caminhos de pedras há pousadas, restaurantes e cantinas e pode-se destacar a Cantina Strapazzon, Casa Madeira, Casa da Ovelha, Casa da Erva Mate Ferrari… Em cantina Strapazzon, por exemplo, é possível se ver, muito bem cuidadas, a primeira casa, de pedra – onde foi filmado parte de O quatrilho – a segunda, em madeira, que está sendo restaurada, a terceira, onde funciona a cantina e a quarta casa, mansão da família, construída recentemente com o intuito de sediar uma pousada. Caminhos de Pedra é tudo silêncio e harmonia; ótimo lugar para quem sai do agito passar todo o tempo de refazimento que for possível.

Impossível, ainda, deixar de citar aqui a Vinícola Aurora, maior do País e terceira do mundo, que fica no centro da cidade e parte abaixo dela, pois avenidas da cidade passam por cima dos ‘porões’ do estabelecimento.

Como esquecer, ainda, no vizinho município de Garibaldi a Vinícola de mesmo nome e a Peterlongo, especializadas em espumantes. Aliás, esta última, a única no País que seus espumantes atingem o status de champagne,

título esse adquirido judicialmente, pois quinze anos antes que a Cidade de Champagne, França, a Peterlongo produziria seu primeiro champagne.

Como não citar Carlos Barbosa, município também vizinho, seu Futsal e a Tramontina com seu Show Roon onde se entra e não se quer mais sair.

Em fim, muito trabalho e simpatia numa região que sabe receber o visitante e que, nua e crua, é exatamente o que é ‘sem nenhuma maquiagem’, como diria um dos tantos guias que atendem aos visitantes.

Fotos: 1. Passeio de Maria Fumaça; 2. Barris de carvalho na Vinícola Salton; 3. Curva da Ferradura no Rio das Antas; 4. Modernidade na Vinícola Miolo; 5. e 6. Igreja construída ‘com’ vinho; 6. Encostas do Vale dos vinhedos; 7. Casa de Pedra da Cantina Strapazzon; e 8. Presépio no Show Roon da Tramontina, feito dos resíduos de material inox. – (Final de uma primavera quente de 2012).