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pegasus_LARGE_t_1581_106268182Todas as fontes (nascentes) darão origem a regatos, arroios, riachos, rios que um dia se lançarão no grande mar. Fontes, regatos, arroios, riachos, rios, são todos os ensaios que as grandes águas que habitam os oceanos fizeram um dia…

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O amor das almas gêmeas não pode efetuar restrição ao amor universal (…) porquanto, atingida a culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do amor divino.

Amor universal ou amor divino é o grande mar em que todas as almas anseiam em se lançar um dia; almas gêmeas estão aí inclusas. Todo o percurso que realizam é um grande ensaio. Todas as dificuldades de percurso lhes proporcionarão experiências.

O percurso das almas gêmeas, que nem sempre será florido e nem sempre parecerá geminado, tal qual o caminho das águas, com curvas, precipitações e ações contrárias ao curso, foram, todos, o grande ensaio para atingirem algo maior.

Tudo! Todos os grandes sobressaltos, até atingirem o amor universal, será um grande ensaio!

Todo esse grande ensaio resultará num grande encontro: O encontro com o grande mar – aquele de nossa analogia – ou com o amor universal ou divino.

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Não estamos aqui falando de “metades eternas.” Espíritos serão sempre inteiros. Referimo-nos a Espíritos que precisam ser diferentes, para melhor se encaixarem: Qual o côncavo e o convexo, cavado e elevado, saliente e reentrante…

Simples rascunhos, passando por exaustivos ensaios, até atingirem esboços quase que perfeitos do amor divino: Essas as almas gêmeas!

(Imagem: Romeu e Julieta, britânico, 2013, drama… De exaustivos ensaios ao filme. Sintonia com a questão 326 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).

afetividade

Em 2009, quando iniciei os estudos na Casa Espírita, – sou ‘novato’ – me vi o ano todo cercado por mulheres, pois era o único homem de um grupo relativamente grande. Caçoava: ‘Vocês são o meu harém!’ Hoje a situação não é muito diferente: Normalmente participando de grupos de estudos e trabalhos se não sou o único homem, sou um dos poucos. Às despedidas, as coordenadoras fraternalmente se dizem ‘tchau, gurias! Boa semana, gurias!’ No embalo retribuo-lhes os votos afirmando a elas não me importar, pois que já me sinto meio ‘assexuado’…

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Pois hoje Hammed toca no assunto e me dou conta que sendo um ser de natureza espiritual e não o contrário, minhas pilhérias estão consoantes à questão 220 de O livro dos Espíritos: Os Espíritos não têm sexo (…) como o entendeis, pois, os sexos dependem do organismo. Entre eles há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos.

Continua meu querido Orientador: Onde a imposição e a repressão prevalecem, o amor está ausente. A autêntica afetividade está associada a uma ampliação de consciência e um amadurecimento espiritual.intimidade

A grande sacada da vida é o caminho do meio, ou a pessoa manter um equilíbrio entre o profano e o sagrado. Amadurecer espiritualmente sem perder o contato com o ‘secular’, talvez estabeleça esse balanceamento.

Amor – prefiro afetividade, fraternidade, bem… – verdadeiro é representado pelo puro equilíbrio ou aquela relação matrimonial, social, de trabalho, causa comum… onde imposição e repressão sejam zero! Tornada respirável a afetividade, sem imposições e repressões, a caridade, a generosidade e a benevolência passarão a controlá-la:

  • Se a caridade, na visão de Paulo Apóstolo é uma das mais complexas, exigentes, abrangentes e caprichosas das virtudes ao ponto de limitar o ‘clube dos caridosos’, não se pode imaginar afetividade sem a virtude. Segundo o Codificador, a virtude não é “uma das exigências” para se alcançar a Vida, senão a única!
  • Ser generoso é ser filho de Deus, irmão de Jesus: Deus é a Generosidade Absoluta; o Mestre a exemplificou! “Infinitamente Justo e Bom” é o atributo que demonstra a generosidade do Pai. Os trinta e três anos do Bom Rabi foram só generosidade; e
  • Benevolência é o atributo humano, mas de origem Divina, que diferenciará pessoas de pessoas: O benevolente não é maledicente, ou possui profunda compreensão sobre os equívocos alheios ao não os espalhar aos quatro ventos; o benevolente é possuidor de ‘bene volentia’ ou aquela boa vontade de relevar, compreender, entender… compreender que o erro alheio poderá ser o seu de amanhã. O benevolente consegue fazer uma ótima leitura dos desacertos do semelhante.

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O caridoso, generoso e benevolente está muito próximo da questão 220 e das pessoas que na sua identidade de sentimentos sobrelevam-se com amor e simpatia.

O amoramor, fraternidade, afetividade… é uma espécie de equação matemática: A soma de toda a caridade, generosidade e benevolência, já descontadas as imposições e as repressões.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 57 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

fraternidade

18 de fevereiro, 09:30h – Numa das capelas mortuárias do cemitério local, uma pequena multidão de familiares, amigos e conhecidos dava sincero adeus ao pai de querida amiga de minha filha mais moça. Nesse exato horário, um jovem sacerdote da paróquia a que pertencia a família, começava uma impecável, comovida e fraterna celebração acompanhada por católicos em sua maioria e talvez por cristãos de outros credos. Eu era um deles. Mas o que importaria naquele momento é que a mais afetuosa fraternidade se revelava nas lágrimas sentidas dos presentes e de credos de cores diversas. O mais importante, no momento, não era a religião, mas a religiosidade!

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Ora, se as mãos de Deus me criaram perfectível, será impensável atingir um dia a perfeição sem que essa minha ‘nave’ navegue pelos ‘céus’ da fraternidade. Aliás, a condição única! Perfectível também significa que Deus ao me integrar à Natureza não me fez de maneira ‘pronta’; aprontar-me seria a ‘minha’ tarefa…

Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos da Terra. O homem não tece a teia da vida: ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia ele faz a si mesmo, diria um chefe Seattle norte americano. Hammed também diz que no futuro, a religião superior ou natural só será fundamentada na mais afetuosa fraternidade e professada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Ou, se me importar com o navegante meu companheiro, sempre haverá um retorno a mim e em auxílio de minha navegação rumo à perfeição. Parafraseando o chefe indígena sou fio e tecelão, associado a tantos outros fios e tecelões.afetividade-dia-do-amigo

Se dez credos diferentes se utilizarem do mesmo fio – a fraternidade – é muito provável que os credos percam a importância de suas ‘cores’, mas que a teia da perfeição seja construída.

Talvez a fraternidade – amor, caridade, afetividade, benevolência, boa vontade, bem… – seja o melhor traço pelo qual Deus deseje se revelar aos seus filhos… Ou a melhor ou única forma de os filhos de Deus legitimar a sua filiação.

Diversas religiões ao se digladiarem pela supremacia de suas idéias serão tão somente seitas separatistas e não estarão construindo malha nenhuma. Todas, entretanto, as que participarem com o fio da fraternidade, estará ligando ou religando fios a fios… Ou a religiosidade se sobrepondo à religião. Perceber o outro, importar-se com ele, é religiosidade; o egocentrismo de indivíduos, malbaratando recomendações Crísticas, pode ser tão somente religião. A religião poderá ser mais moralizadora, já a religiosidade sempre será a mais ética.

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Bons filhos somente demonstrarão seu amor ao Pai se forem fraternos, ou a afetividade terá o poder de mensurar a qualidade dessa filiação.

Se Deus tivesse assinado os diversos quadros que pintou, Sua assinatura, aposta na humanidade, seus filhos, seria a da fraternidade.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 53 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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A riquíssima mitologia greco-romana conta a seguinte lenda: “Em uma diferente civilização, os seres possuíam duas cabeças, quatro braços e pernas e dois corpos distintos – masculino e feminino – mas com apenas uma alma… Viviam em pleno amor e harmonia, e justamente esse equilíbrio provocou a ira de alguns deuses do Olimpo. Enfurecidos, enviaram àquela civilização uma tormenta repleta de trovões e relâmpagos, que dividiram os corpos, separando a parte feminina da masculina, repartindo as almas ao meio… Diz a lenda que até hoje os seres lutam na busca de sua outra metade, a sua alma gêmea”.

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O espiritismo, que existiu em todos os tempos, mas que só foi codificado a partir de Kardec começa aí a informar à humanidade que:

  • Os espíritos se comprazem tanto no bem, como mal; mais perfeitos, menos perfeitos… Uma espécie de afinidade;
  • Cada espírito, totalmente individualizado, ocupará ‘um’ corpo e este tão somente exteriorizará o que a alma ‘produzir’;
  • Os espíritos, a cada vivência se alternarão, ora ocupando corpos masculinos, ora femininos. Nada impedirá os Divinos Planos que um espírito ocupe ‘outro’ tipo de constituição física, fora de um padrão ‘dito normal’; e
  • Embora não exista união particular e fatal entre duas almas, espíritos ‘repetirão’ suas companhias, tanto para efetuar ajustes como os iluminados e aprazeirados no bem, para fins de rgozijo…

Portanto, não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os espíritos, mas em graus diferentes, segundo a categoria que ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram; quanto mais perfeitos, mais unidos… (questão 298).

Necessário se faz um esforço no bem, uma busca pela perfeição, para que minha companheira e eu ‘repitamos’ vivências cada vez mais unidos.

Se o amor deixar de ser banalizado, se deixar de ser um amor simplesmente abaixo da cintura e passar a ser um amor acima da cintura, com sentimento, coração, preocupação, zelo… não precisarei estar procurando por aí minha ‘alma gêmea’ que os deuses apartaram, pois os reencontros acontecerão naturalmente!

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O bem é o único amor verdadeiro que existe, pois consegue sublimar qualquer tipo de afetividade!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 49 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).