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Francesco De Vito 2Pedro, o apóstolo sobre o qual Jesus ergue a fortaleza de sua Boa Nova, era um homem extremamente rude: Diríamos hoje, em linguagem menos rebuscada, que num só momento, esse pescador de fé poderia ‘descer do céu ao inferno…’

Citando alguns de seus equívocos, numa ordem mais ou menos cronológica, perguntaria ele certa vez ao Mestre: “E nós, que deixamos tudo e te seguimos, que receberemos?” Por ocasião da prisão do Rabi, negaria ao seu amigo por três vezes, antes mesmo que o galo cantasse; e na hora derradeira, confunde-se, toma da espada e corta a orelha do soldado Malco, o que lhe vale séria reprimenda do Cristo. Mas…

… Este o amava! Tanto que a casa do apóstolo, em Cafarnaum, às plácidas margens do Mar da Galiléia era seu refúgio favorito, além de ficar bem afastada (aproximadamente 150 km) dos perigosos ‘desafetos’ de Jerusalém. Na casa do amigo, realizaria memoráveis reuniões de orações e aí se desenvolveria a fraternidade. É bem possível que aí tenham sido realizados os primeiros Evangelhos no Lar…

Mas Pedro era tosco! E alternando petruscadas equívocos, vacilos, claudicânciascom manifestações de fé, Simão Pedro ia conquistando o coração do Mestre e se preparando para a liderança de sua igreja, para um futuro em que não mais estivesse encarnado.

– Simão, lhe diria certa vez o Mestre, “tu és Pedro e sobre esta pedra – petrus – edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!”

Que consolo para nós, que queremos estar perto do Mestre, servi-lo, divulgá-lo, mas ainda nos equivocamos constantemente!

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Simão, Pedro, Cefas (pedra em aramaico), Petra (pedra em grego), Petrus (pedra em latim), príncipe dos apóstolos, pescador de homens, primeiro bispo de Roma, primeiro papa… todos nomes e títulos dedicados a este Espírito de muita fé, mas que, de quando em vez cometia suas petruscadas!

O Mestre não nos deseja trabalhadores perfeitos; só dedicados!

Em ato de humildade, aos ser martirizado, Pedro pediria e seria atendido na graça de ser crucificado de cabeça para baixo, em sinal de total submissão ao Mestre e Amigo de Cafarnaum.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 22 A retribuição, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

Amizade-criançasQuem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.

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Quando tínhamos nossos dez anos, ficávamos ‘de mal’ à toa, mas também ‘fazíamos as pazes’ com facilidade. Parecia-nos, então, que a amizade se fortalecia. Não nos aflorara, ainda, a maldade dos adultos. Nessa época, ainda pequeninos, possuíamos o benefício de esquecermos pequenos perrengues rapidamente. Éramos incondicionalmente generosos.

Todos os esforços sempre deverão ser feitos na direção do perdão; possível também é o perdão real, de coração; porém, dentro da naturalidade dos fatos, – e da Lei Natural não poderemos duvidar – a parte reservada ao esquecimento da ofensa sempre será a mais delicada. Somente com o passar do tempo uma chaga poderá cicatrizar por completo. Não se sentir ofendido ou esquecer rapidamente a ofensa faz parte de almas especiais…

Admitimos o perdão incondicional no sentido de perdoarmos o equívoco alheio e não ficarmos lamuriando em torno do fato; popularmente falando, não ficarmos ‘jogando em cara’ do ofensor seu mau feito no passado. Afinal de contas, se assim não procedermos, o caminho do esquecimento, preconizado no Evangelho, sempre será percorrido através de sagrados atalhos.

De mais a mais, é inegável que o olvido completo, sempre será diretamente proporcional ao tamanho do ‘estrago’ e também à nobreza da alma ofendida.

Emmanuel nos dá a entender, na questão de hoje, que o perdão deverá sempre vir automática e incondicionalmente antes do esclarecimento, pois desta forma este já poderá estar dissipado de possíveis mágoas e até de ódios.

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Que fique o esquecimento para ‘amanhã’, pois sua importância sempre será relativa perante o fato de as partes já terem dado o primeiro passo para ‘as pazes’; as afeições já terem retomado seu curso; e os laços reaverem a chance de se fortalecerem, exatamente como quando tínhamos dez anos e éramos, ainda, simples de coração.

(Sintonia com a questão 334 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

P1 (9)Nossas almas conversavam curiosas:

– Seremos, por acaso gêmeas?

– Completamo-nos, por ventura, em comum vôo?

– Ou seríamos tão somente participativas, afins, seladas?…

Minhalma concluiu que se com a tua fosse gêmea,

Como, claudicante, absorveria teus ensinos;

Como, usufruiria de amoroso contrato; e

Como, dependente, ‘lucraria’ da partilha?…

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Minhalma curva-se perante a beleza da tua;

De seus ensinos, livre, compartilha, compactua!

Obrigado alma de minha alma,

Amada alma!

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PARABÉNS, MINHA AMADA ALMA!

(Verão de 2014, 31 de dezembro)

(Minhas) verdades sobre o Facebook têm origem na queixa que querida amiga virtual colocaria outro dia naquela página de relacionamento referindo-se às ‘mediocridades que lá são publicadas’ e também a expressões grotescas de pessoas – cultas – ao se referirem ao ‘face’ tal como ‘esse tal de Facebook’… Minhas verdades aqui expostas poderão ser também as tuas, ou não. Cada um possui as suas, mas quando estas entram num consenso esse senso comum deveria ser avaliado:

  • Pessoas heterogêneas, – medíocres, medianas ou cultas – se utilizam do Facebook… Conseqüentemente também as publicações – status, links, comentários, imagens… – serão heterogêneas, de nenhuma, pouca ou muita qualidade;
  • Pessoas cultas que não fizerem uso desse espaço para realizar boas publicações, estarão cedendo à mediocridade, um espaço que poderia ser destinado ao bem;
  • Usuários, a partir do momento que publicam suas idéias, informações, links, status, imagens… precisarão se responsabilizar por esses atos e estarem abertos a críticas, a favor ou contra. Essas pessoas, normalmente se utilizando da primeira pessoa, falam por si e dão suas caras a tapa;
  • Cada pessoa faz do ‘face’, de acordo com a sua índole, necessidade, aspirações, interesses, o instrumento que desejar;
  • Pelo ‘face’ eu poderei ‘afundar’ uma pessoa ou um grupo, mas também o poderei utilizar como instrumento de promoção do bem estar, do entretenimento sadio, do apostolado…
  • Já aconteceu de eu estar muito mal e ser consolado por amigos que só conheço virtualmente. Como também já aconteceu de eu fazer intensivas junto a queridos amigos virtuais ou não, sabendo que eles não se encontravam muito bem;
  • Pessoas usuárias do ‘face’ – como também de outras páginas – não poderão ser estigmatizadas, visto ser um instrumento de dupla via; e
  • Finalmente – e o pior – já ouvi pessoas falando mal do ‘face’ sem dele serem assinantes, sem conhecê-lo!

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Quem já não ouviu a expressão ‘conheço até seus pensamentos’? Na verdade, força de expressão à parte, pensamentos são divinos segredos…

…O pensamento é a única forma segura e privada de expressão. No momento que me faço ouvir, ler, interpretar, publico, curto, compartilho, replico, treplico… passo a compartilhar minhas idéias com pessoas heterogêneas: O preço da democracia!

Não há exposição no pensamento… Enquanto não os exponho serão segredos somente meus.

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Por ocasião de meu aniversário, da centena de abraços e congratulações que recebi, uma pequena parte foi fisicamente, em recepção que realizei, mas a sua grande maioria foi pelo Facebook… Onde estaria a mediocridade nisso!? Poderão vocês avaliar a minha felicidade e gratidão?

Os ‘arquitetos’ do mal possuem tanta inteligência quanto os do bem… Suas ‘artes’ é que são de sentidos opostos!

(Fotos: Homenagens feitas pelo Facebook, 1. Por Euridice Santana; 2. Por Inacelita Damasceno, queridas amigas do face as quais só conheço virtualmente.

(Primavera quente de 2012).

Quando desejo, numa página de relacionamento desfazer uma amizade, uma das opções que me é oferecida é desfazer amizade…

Não é aqui o caso de Filoca Poester, visto que ‘amizade espiritual’ tão pouco ‘parentesco espiritual’ não é desfeito; muito pelo contrário, de encarnação para encarnação esses laços são cada vez mais apertados.

Meu amigo – nosso – Filoca Poester, desligou-se hoje pela amanhã após um ano quase que contínuo de sofrimentos físicos… e digo físicos porque soube bem ‘utilizar’ as desditas para perfumar sua alma, maquiá-la, para retornar esplendoroso ao ‘torrão Celeste’.

Conheci-o lá por 2006, quando me mudei com minha velhinha em definitivo para este lugar que escolhi para morar, ‘trabalhar’ e curtir minha aposentadoria. À época ainda o chamava de Ildefonso Mario Poester, professor Poester, depois Poester e recentemente, Filoca Poester.

Não me cabe aqui enumerar suas virtudes, pois minha pequenez fica até rubra como rubro ‘é’ seu – nosso – time do coração. Cabe-me, sim dizer que o amo, que o amarei sempre e que o Plano Espiritual e as vidas sucessivas serão os palcos em que o reencontrarei.

Maria de Fátima, que tanto ‘afinava’ contigo, tu, eu e tantos outros amigos continuaremos a nos encontrar, a trabalhar na mesma causa, sendo colorados e jamais desfazendo a amizade!

‘Até loguinho’, querido amigo!

(Inverno de 2012).

Francisco de Paula Figueiredo, ou Dr. Francisco, ou professor Francisco – eu prefiro ‘Chiquinho’ -, na sexta-feira última, desembarcava em minha casa e trazia na bagagem uma penca de lembranças. 44 anos dele me separavam desde que deixamos o noviciado Salesiano de Taquari – RS, em 1967. A primeira timidez, logo deu lugar a um turbilhão de recordações. Já não éramos mais os guris que deixaram o noviciado em 67 e muito menos os que em 1960 adentraram o Leão XIII, cada qual com seu quase drama particular.

Liceu Salesiano Leão XIII – Quando lá cheguei em 60, ele já estava por lá. Confidenciou-me, com excelente memória que me viu chegar. Elencou, ainda, nomes de muitos colegas daquela época que lá chegaram, cada qual com seu motivo. De 60 até o final de 64 lá permaneceríamos… Zeloso, padre Francisco S. Sobrinho de nós cuidava; éramos, digamos os seus ‘peixinhos’. Este querido, mais que padre foi não só nosso pai, mas pai de inúmeros necessitados que lá chegaram carentes de tudo. Todas as melhorias que promovia no Liceu eram em benefício principalmente dos internos. Sua grande meta era atingir mais de cem internos, todos na faixa dos 10 aos 14 anos. Quando o fez, ficou imensamente eufórico e promoveu festividades. Éramos, ali, mais de cem motivos reunidos num grande colégio e cada qual portador de uma grande necessidade.

Seminário de Ascurra – SC – 65 e 66 ficaríamos no seminário menor da pequena cidade catarinense. Lá completaríamos nosso ginásio. Novamente, com memória de elefante, meu amigo desfiou mais um rol de nomes aos quais minha memória ficou a dever. Confidenciei-lhe que me recordava de mais coisas do Leão XIII, e de mais coisas daqui – de Ascurra – do que do noviciado, a despeito das idades menores.

Noviciado de Taquari – RS – Junto a uma turma de 30 noviços, somente nós dois seríamos irmãos coadjutores – leigos – o restante seriam padres. Nosso noviciado, que não mais lá existe era cercado por um enorme laranjal. Novamente meu amigo repetiu nomes, de padres – Mestre e diretor -, assistentes e colegas dos quais já me esquecera.

No sábado, almoçamos minha velhinha, eu, ele e sua esposa. À tarde fizemos um pequeno tour pela orla, onde tantas vezes tivemos nossos folguedos de guris, nos imensos passeios que padre Francisco promovia. Emocionamo-nos com a praia, com as dunas e com os molhes da Barra, esse local privilegiado do extremo sul e vocacionado geograficamente ao progresso. Entre uma lorota e outra de pescador, meu amigo ia contando histórias e o entusiasmo e a emoção eram visíveis em seu rosto – isso porque não enxergava o meu.

Obrigado meu querido amigo pela gentileza e fineza de me visitar… Éramos apenas dois dos mais de cem motivos que na década de 60 lá estavam no Liceu. Sobrevivemos! Marcados ou não, estamos aí, felizes, com nossas famílias.

Um forte abraço e o meu reconhecimento pelo ombro que tive e reencontrei!

(Outono de 2012, semana santa com fortes emoções).

Amigos os tenho muitos, armazenados no PC de meu coração.

Quando processo o teclado de minha saudade, encontro-os no M, no C, no E, no W, no F, no S, no L…

Tenho-os, em fim, do A ao Z, todos em caracteres maiúsculos… E em fonte grande!

Amigos, “é coisa prá se guardar” na tecla direita do mouse e quando bate aquele desejo de com eles navegar, os copio e os exibo no painel de meu peito… E em tela cheia!

Com um só clique ou um só enter, os transporto do conforto, particularidade e maximização de suas vidas para as carências da minha… E como as tenho, armazenadas na memória de minha alma!

 Meus amigos, os quais salvei em itálico e negrito em meu coração, não serão facilmente deletados; muito pelo contrário, encontram-se bem à feição, na área de trabalho do computador que é minha existência.

Meus amigos protegem a tela da minha alma quando o vírus da angústia teima em se acomodar em meus nichos mais escuros; aí entra em ação o super Avast daqueles que elegi não como conhecidos, mas como melhores amigos. Quantos já promoveram um verdadeiro download nas amarguras de meu peito!

E o socorro, o da minha lista de amigos, não possui a velocidade de um mega… É de oito para cima!

Enquanto arrasto o pequeno ratinho no mouse pad, fico a pensar: No dia em que a mão falhar e não puder mais curtir, comentar, compartilhar todas as alegrias de meus amigos virtuais…

… Certamente eles estarão inserindo em mim uploads de pensamentos positivos, orando por mim e me amando, incondicional e virtualmente!

 (Nostalgia em um outono, 2012).

Nestes quase 6 anos morando efetivamente no Balneário Cassino, amealhei bons amigos. Sem dúvida, meu vizinho da esquerda é um destes: Quase 20 anos mais velho, meu vizinho só me deu, até hoje, ótimos exemplos; ensinou-me, por exemplo, que depois dos 60, posso sim, realizar grandes feitos em minha casa física e em meu lar. Meu vizinho, juntamente com a vizinha – pessoas de muita fé -, possui família íntegra: Filhos, netos, bisnetos, todos oriundos de uma mesma cepa. Se visito muito meu vizinho? Em 6 anos umas três vezes… A primeira foi numa agonia grande que sua família passou, a segunda quando me ausentei por longo período e dele precisei e a terceira em seus 80 anos e lá estava ele, orgulhoso, rodeado quase que na integralidade por sua família… Os intrusos eram minha velhinha e eu. Quando meu vizinho tosse ou espirra, me anteno porque pode ser nada ou pode ser tudo… Normalmente– o que bom! – é nada! Nossas conversas são no muro, através de uma escadinha; pela escadinha, também, trocamos, mimos de pequeno vulto: Agradinhos para não deixar enfraquecer a amizade. Sinto-me imensamente privilegiado em ter como o meu parente mais próximo, este meu vizinho da esquerda que é cem por cento direito. (Primavera de 2011).