Posts Tagged ‘Arrependimento’

o-filho-prodigo2“Levantar-me-ei”, expressão utilizada pelo filho pródigo, e inserida nos ensinos parabólicos de Jesus, talvez tenha sido a expressão mais audaciosa de alguém que, no fundo do poço, reflexionasse sobre seus equívocos, desejasse se autoperdoar e ‘partir’ para a reparação.

Como o ensino é totalmente alegórico e o filho pródigo é um personagem fictício, embora de grande valia para o Pedagogo Rabi, precisamos penetrar o íntimo desse jovem esbanjado e imaginar-lhe o âmago bem antes e após o resoluto “levantar-me-ei!” Como ficção é a parábola, ficcionalmente o faremos, conjeturando o antes e o depois dessa ‘batida de martelo’:

Muito antes da resolução arrojada, o desperdício, a distribuição farta dos bens do pai a ‘amigos’; muita comida, muita bebida e muitas orgias; todos o adoravam, pois distribuía a mancheias a parte da fortuna que lhe tocara, pensando que ela nunca acabaria… Mas acabou! E o inexperiente jovem vê-se solitário, pois os amigos haviam sumido. Por que ficariam a seu lado, se só desejavam o seu dinheiro? Vê-se obrigado a empregar-se cuidando de porcos e desejou alimentar-se com a comida destes. É nessa hora que, investido de coragem resolve levantar-se: “O menor dos empregados de meu pai vive melhor que eu”, diz a seu íntimo e isso o faz tomar a decisão. Mas quais conseqüências lhe adviriam?

Poderia ser tratado como um menor em seu retorno à casa do pai; certamente que se sentiria muito envergonhado, perante o pai, o irmão e a criadagem. Mas que importava? Era filho e não só mereceria como aproveitaria a segunda chance. O mais importante, ou a decisão de arrepender-se e resolver retornar já estava tomada, agora seria só executar seu plano audacioso. Entrevistos o antes e o depois de sua decisão, sabemos o desfecho: O pai não só o perdoa como o cobre de mimos; o irmão mais velho se aborrece e o pai o repreende amorosamente, mas com autoridade…

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Todo o soerguer-nos é uma resolução íntima. Ninguém o fará por nós! A toda a resoluta decisão de levantar-se, há uma investida, para frente e para o alto. Uma evolução também se faz dessa forma. Evidente que, a partir de uma decisão dessas, toda ajuda dos Bons Amigos nos será dispensada, mas nós precisaremos desejar, como desejou o jovem.

Evolução pede-nos esforço e uma visão panorâmica nos requererá primeiro a escalada. Jesus, ou os padrões de Jesus, – todos e somente eles – nos conduzirá de retorno à casa do Pai.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 13, Ergamo-nos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

casal-abracado-perdao-22634Pedaladas fiscais são manobras irregulares para aliviar momentaneamente as contas públicas de um governo. É o atraso de repasses, de forma proposital, a bancos públicos ou privados que financiaram programas públicos. Tais manobras maquiam as contas do governo que exibe ao invés de déficits, superávits. Dessa forma, apresentando indicadores ‘melhores’, o governo confunde o mercado e seus analistas…

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Todas as expressões de ódio que sobrepomos ao processo ou fases do perdão são tais quais o adiamento de dívidas que temos a saldar. Agindo dessa forma, nos comportamos como tais governos ou ‘nos desgovernamos’ perante a Lei de Justiça amor e caridade, realizando as pedaladas fraternais.

O ódio é sempre o resultado de um falso amor (a paixão), do qual o perdão não teve nenhuma participação. Popularmente chamaríamos tal efeito de ‘uma paixão mal resolvida’ na qual o amor (altruísmo) nem coadjuvante foi. O ódio é aqui o resíduo mais imperfeito dessa ‘paixão’.

Nas questões afetas ao perdão (pedir e ofertar perdão), bem como no processo que o envolve – arrependimento, perdão, reparação – é possível que o ódio lhe seja o maior entrave, oponente direto, o mais instintivo e animalesco sentimento. O ódio sempre nos levará a transferirmos para o exercício seguinte (‘restos a pagar’ ou pedaladas fraternais), todas essas questões que deveríamos resolver ainda por aqui, “enquanto estamos a caminho”. Com as pedaladas, teremos de repetir encarnações mais encarnações, tais quais alunos pouco aplicados.

Constituindo-se o Evangelho de Jesus no maior e mais completo código de ética moral ou regra de bem viver e proceder, será muito natural que amor e ódio, sentimentos antagônicos, sejam, respectivamente, diretamente proporcionais à vivência ou ao desprezo da Boa Nova do Mestre. Dessa forma é impossível que amor e ódio coabitem em uma mesma pessoa, pois que sentimentos opostos.

No princípio, quando éramos simples e ignorantes, vivíamos de instintos, pois nossas sociedades eram primitivas e toscas. Após tantas reencarnações, que deveriam ter-nos proporcionado burilamento, tais pedaladas já não são mais aceitáveis.

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Quando realizamos ainda tais pedaladas fraternais, obrigamo-nos, como alunos que repetem diversas vezes uma mesma série, a revivermos encarnações e mais encarnações, expondo-nos, as partes envolvidas, a sérios desconfortos que serão todos resíduos expiatórios…

O perdão liberta! Adiá-lo com pedaladas fraternais, é continuarmos agrilhoados.

“O ódio é o gérmen do amor que foi sufocado e desvirtuado – pedalado – por um coração sem Evangelho.” (Emmanuel).

(Sintonia com o item 9 do Cap. IX do ESE e questão 339 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

perdao-casalNa Lei Divina, há perdão sem arrependimento?

Nas considerações feitas sobre a Magnanimidade da Lei, ou a forma justa e bondosa como Deus rege os seres e as coisas da sua criação, desfeitear as questões sobre o perdão, seria uma ininteligência.

Para desenvolvermos nosso raciocínio, imaginemos que um dia, por infeliz infortúnio tenhamos subtraído a vida física de inocente filho de uma família.

Em tal caso, todo o processo do perdão passará, inevitavelmente, pelo ajuste das partes envolvidas e se débitos lhes restarem, a Infinita Justiça Divina, mais cedo ou mais tarde, entrará em ação.Vejamos:

  1. Ajuste das partes envolvidas – Todo o processo inicia-se com o arrependimento do faltoso, passa pelo perdão ofertado pelo ofendido e culmina com uma reparação. Falamos aqui de um processo ainda nesta vida.
  • Arrependimento: mais do que dizer, mostraremos aos que choram a falta do inocente que estamos profundamente arrependidos de nosso equívoco;
  • Perdão: à parte ofendida caberá a nobreza do perdão, até por dever considerar que tal ato infame é, e tão somente, efeito de uma causa anterior, possivelmente também infame, mas que as partes desconhecem; e
  • Reparação: aqui a parte mais importante e delicada. Repor uma vida? Não é impossível! Poderemos, se o desejarmos, repor não só uma, mas muitas. Quantos inocentes, à deriva no mar bravio da sociedade, que poderão ser colocados na rota do mar calmo por esse infrator? Não é fácil, mas nem por isso impossível!
  1. Ação da Infinita Justiça Divina – Se as partes não se entenderem nesta vida e se a reparação não for completa, a reencarnação [será] a sagrada oportunidade [como] uma nova experiência [que] já significa, em si, o perdão ou a Magnanimidade da Lei.

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Não equacionarmos questões de perdão será desejarmos escapar à Lei Divina – que se fará ‘aqui’ ou ‘acolá’ – sendo que ela é a única capaz de cicatrizar nossas feridas, por mais complexas que sejam.

Ainda nesta vida, onde ofensor e ofendido precisarão ficar curados, arrepender-se, perdoar e reparar, é sarar!

(Sintonia com a questão 333 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).

Jesus, em sua curta encarnação e em sua também curta vida pública, utilizou-se, inúmeras vezes, de alegorias para transmitir-nos algo superior. E uma de suas mais célebres parábolas, foi, sem dúvida, a do Filho Pródigo.

Escolhemos justamente esta bela história do Nazareno para ensejarmos este pequeno estudo e defendermos que, em nossa maioria, aproximamo-nos, um dia, de uma Casa Espírita, devido à nossa prodigalidade.

Evitaremos aqui narrar toda a parábola; analisaremos nossos esbanjamentos, à luz de, tão somente, quatro fragmentos da narrativa:

  • Após dissipar os bens que lhe coubera, o jovem filho cai em si e passa a questionar-se: “Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai…”. Faltou-nos um dia, em nossa evasão libertina, algum tipo de pão e as chagas dos excessos cobriram temporariamente nosso corpo. Mas talvez, a penalização do arrependimento e a fome do espírito mais nos atormentassem.
  • Não teve mais dúvidas o infeliz; urgia, agora, fazer o caminho de volta: “… quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’”. Foram os braços abertos e os beijos da prece, do estudo e do trabalho que, certamente, encorajaram, um dia, o nosso repatriamento. Não ambicionaríamos ser chamados de filhos, novamente, mas e daí se o amor do Pai é incondicional!?
  • Então aquele Pai faz uma auto-avaliação da incontida alegria: “Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés… pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!”. Também nós, um dia ao engajar-nos na Casa Espírita, nos reencontrados e revivemos ante a túnica da proteção, o anel da responsabilidade e as sandálias da segurança.
  • E conclui aquele felizardo Pai, perante a fúria do irmão mais velho: “… era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava… perdido e foi reencontrado!” Quanto não terá se rejubilado a espiritualidade na hora do nosso estalo; com um só clique, instalamos o programa para uma vida nova, tendo agora, como teto, uma Casa Espírita.

Não à toa, Batuíra, ao elencar as instâncias superiores de um Centro Espírita, define-o, entre outras, como uma Farmácia da Alma e uma Estalagem Fraterna: A farmácia, “promove a cura dos doentes do corpo, mas estabelece, acima de tudo, as metas para não mais adoecerem, revigorando-os com os ensinamentos espirituais.” A estalagem, “acolhe e socorre os cansados e desnutridos, dando-lhes guarida perante as lutas expiatórias e as dores provacionais que enfrentam…” 2     

Este novo rumo, porém, que a doutrina passa a nos proporcionar, envolve compromissos, responsabilidades. Retornamos à fartura da Casa do Pai, pela dor das feridas e da fome, mas ao engrenarmos a charrua, precisaremos prosseguir, progredir e fazer jus à confiança que o Pai nos devolveu.

Esse nosso retorno, através de uma Casa Espírita nos trará, certamente, farturas e, não morreremos de fome quando emparelhados e engajados na prece, estudo e labores diversos.

 (Subsídios: 1. Lucas 15, 11-32; 2. Batuíra/Francisco do Espírito Santo Neto –Conviver e Melhorar)

(Verão de 2010/11, preparando um estudo para um sarau artístico-literário, que o DAPS realizará em março, por ocasião do aniversário de nossa Casa Espírita) – Pub. RIE, Jul 2011.