Posts Tagged ‘Atributos da divindade’

criacao-do-mundo“Ninguém duvide, porém, quanto à expectativa do supremo Senhor a nosso respeito. De existência em existência, ajuda-nos a crescer e a servi-lo, para que um dia nos integremos, vitoriosos, em seu divino amor e possamos glorificá-lo.” (Emmanuel).

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Costumamos afirmar que Deus não se aborrece ou se azeda perante nossa pouca vontade de progredir. Embora isto se configure numa ingratidão, – pois reencarnação é dádiva – também não se sentirá Ele desagradecido. Aqui a onipotência e imaterialidade divinas.

Mas também é verdade que, por fazermos parte de um Plano do Criador, – todos o fazem – o de atingirmos a perfeição, Deus mantém, sim, a nosso respeito uma grande expectativa, porque, criados a partir de seu ‘hálito’, contido no fluido cósmico, possuímos uma destinação superior que é a excelência de nossos Espíritos.

Também há outra ‘conveniência’ de nossa divindade: que colaboremos com sua incessante obra criativa.

Quanto a isso, temos várias perguntas a fazer-nos; entre elas: Não estaríamos colocando Deus num patamar pequeno, quase que antropomorfo, ao compará-lo com as imperfeições humanas? Não somos pequenos demais, frágeis demais, imperfeitos demais, para nos desejarmos seus colaboradores?

Em princípio ‘não nos desejamos’; Ele nos deseja! Se, popularmente afirmamos que ‘não somos tão pobres que não tenhamos nada a oferecer’ ou ‘tão ricos que não tenhamos nada a receber’, é claro também que para Deus nossos patamares evolutivos diversos são-Lhes convenientes na criação incessante do Universo.

De tal forma que amarmos em plenitude – e o amor será sempre o termômetro da evolução – e quando já servirmos em absoluto – e o serviço será o termômetro do amor – já seremos perfeitos e integraremos o amor Universal.

E as expectativas divinas acabam por aí? Não! Porque a obra divina é ininterrupta e esse Pai amoroso e zeloso continuará a ‘desejar precisar’ de nossa colaboração.

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O recado nos vem de Jesus, através de João 15:8, “que demos muito fruto” e assim seremos ‘os’ discípulos e o Pai será glorificado.

Se Deus obra incessantemente, não nos desejaria Ele ociosos… Reflitamos!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 45, Somente assim, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

136200792“… Toda correção no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” (Paulo aos Hebreus, 12: 11).

Que Deus é sábio não temos a menor dúvida: A questão número 1 de O Livro dos Espíritos nos responde que “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” Mas a pergunta de Kardec também é proposital: Perguntaria ‘que’ é Deus e não ‘quem’ é Deus, pois quem poderia enquadrar Deus como algo comparável; e nossa Divindade é ‘incomparável’…

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Pois esse Deus, em sua sapiência, atrelada a todos os demais atributos – gosto de salientá-Lo como Onipotente e Soberanamente Justo e bom – estabelece para os seres e coisas por Ele criados exercícios corretivos:

O rio não se considera perfeito ao ser nascente: precisará antes contornar obstáculos; lançar-se em quedas audaciosas; e finalmente prestes a chegar ao grande mar perceberá toda sua majestade. Dá-se conta que todas as suas peripécias só fizeram fortalecê-lo.

A árvore sabe que para o seu crescimento precisará de esteios que a deixem ereta. Enfrentará podas a cada ciclo antes da produção, mas ao colocar novas folhas, galhos e flores se achará pronta para o fruto. Tudo resultado das correções recebidas.

E a terra para produzir? Será arada, gradeada, adubada e regada para que propícia produza todos os frutos, hortaliças e sementes necessárias ao abastecimento do homem. Consola-se, pois bruta nada produziria…

E os pássaros que nos avisam que os frutos estão prontos! Não serão os figos bicados, os mais prontos, mais doces, e os mais saborosos? Foi a Mãe Natureza, através dos seres menores da criação quem nos avisou!

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O homem não escapa a tais correções: não serão as coisas fáceis que o tornará forte, mas todos os exercícios corretivos que, por força ainda de seus próprios equívocos o fará se emendar e crescer.

De onde lhe vem a experiência, o conhecimento e a compreensão da justiça, senão de todos os exercícios corretivos que o nosso Deus, lhe impõe? Aquele da questão número 1, a “inteligência suprema!”

(Sintonia: Fonte viva, Cap. Aceita a correção, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino; verão de 2016).

Querido Deus de poder absoluto e de imensurável grandiosidade, talvez assim não Te deseje ver neste momento de recolhimento e oração… Como poderia assim Te vislumbrar, visto que na intimidade de minha súplica Te trato por Tu?

Prefiro imaginar-Te onipotente sim, mas onipotentemente justo e bom visto que todos os teus emissários assim se referiram a Ti… Nenhum deles conseguiu passar Tua imagem de uma forma divergente dessa:

  • Teu próprio filho não filosofava nas praças a respeito de todos os atributos que possuías, mas referia-se a um Pai Nosso que possuía sim um poder, mas que, sobretudo, possuía uma imensa bondade; um Pai que desejava que o sol se fizesse diariamente para bons e maus; um Pai que em zelando pelos seres menores da criação jamais deixaria de reparar seus diletos filhos;
  • Francisco de Assis desejou mostrar a Tua onipotente bondade e harmonia através dos efeitos da natureza… Esse querido Chico – o de lá –abandonou a opulência de suas posses, desejou confundir-se com a bondade de Tua criação e tornar-se um instrumento de Tua paz, amor e perdão;
  • E o nosso Chico de cá – o de Pedro Leopoldo, candidamente bom e justo que nem Tu – em uma de suas máximas, talvez a mais acertada dizia, referindo-se ao poder que “quem sabe, pode muito, mas quem ama pode muito mais”. Quem teria na passagem do segundo para este terceiro milênio vivido sua última encarnação exatamente dentro desta máxima?
  • Querido Deus, a onipotência de Tua bondade me faz lembrar a freirinha de Calcutá que com seu metro e meio de matéria e imensidão de alma amorosa dizia a um repórter que “nem por todo o dinheiro do mundo deixaria de fazer o que fazia” quando este lhe argumentava que não realizaria as tarefas da madre por nenhum dinheiro;
  • E o outro indiano, meu Pai! Mahatma Ghandi idealizou e fundou o moderno Estado Indiano através do processo de não-violência;
  •  Permite-me, Pai Bom, reverenciar e recomendar-me a Kardec que apesar da grandiosidade – e por que não dizer potência da terceira revelação –, norteou-a através da máxima fora da caridade não há salvação, renovando e remendando sentenças morais enxovalhadas com os vícios da idade média;
  • Emociona-me, Pai Querido quando o grande Apóstolo da Juventude – São João Bosco – acolhia embaixo de suas asas, jovenzinhos das camadas mais carentes de Turim e preceituava da mihi animas, coetera tolle – Dai-me almas e ficai com o resto -; apesar de todas as carências materiais, Bosco preocupava-se tão somente em manter seus pupilos com as almas saudáveis.

Que poder é este, meu Pai, que provém tão somente do amor? Tenho a absoluta certeza que todos os mensageiros, aqui citados ou não – arremedos comparados a Ti – me possibilitam medir não o teu poder, mas a tua onipotente justiça e bondade.

Guarda-me sempre e consente-me transformar-me, também, ao menos numa cópia grosseira de Tua justiça e bondade.

Com Tua bondosa anuência, que assim seja!

(Finalzinho do inverno de 2011, preparando estudo sobre os Atributos da Divindade) – Pub ‘O Clarim’, Mar 2012.