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Quem está no ‘comando’, meu corpo ou minha alma? É a pergunta mais apropriada aqui, para desenvolver questões sobre auto-desobsessão, “vigiai e orai”, autocontrole, tipos de pensamentos e principalmente de atitudes que revelarão, categoricamente, qual destes dois ‘personagens’ está no controle da grande dádiva que é reviver.

 O homem – indivíduo – longe de ser um corpo que comporta um Espírito, é segundo os lógicos ensinos doutrinários, um Espírito que se utilizando de suas alternâncias serve-se de um efêmero veículo chamado corpo ora homem, ora mulher, preto, branco, moreno ou amarelo, gordo ou magro, pobre ou rico, bonito ou nem tanto. Cessado o ‘prazo de validade’ desse veículo ou quando ele vier a sucatear, logra o Espírito uma nova liberdade do corpo do qual era mais consorte que cativo; termina, então, a parceria com ‘esse’ corpo.

Vê-se então que o Espírito, que na verdade é ‘rodado’, muito antigo, portador de muitas experiências, assume um determinado corpo que possui todos os ‘equipamentos’ que o permitam manifestar, através dessa parceria, todas as experiências que já acumulou.

Se o Espírito for de boa índole é muito provável que sua ação de comando prevaleça sobre as paixões que, não poucas, certamente assediarão o corpo a exteriorizá-las. As ferramentas ou componentes desse corpo estarão à disposição da alma para expressar-lhe – e aqui se estabelece o confronto – tanto os bons quanto os maus pendores:

  • Os olhos, janelas da alma, provocam sempre no indivíduo um turbilhão de sensações. É através dos olhos que as primeiras lideranças de sentimentos se manifestarão: Que tipo de sentimentos meu cérebro poderá comandar ao meu coração ao me deparar com uma jovem muito formosa? Os mais vis ou os mais sublimes; os mais extravagantes ou os mais discretos! Esses sentimentos, dos mais nobres aos mais torpes serão fruto do tipo de comando atinente ao Espírito; o corpo somente os traduz. E assim sucederá com todas as imagens que meus olhos fotografarem;
  • Se o indivíduo possui ‘ouvidos de tuberculoso’, provérbio usado aqui para expressar o que ouve muito e bem, ou que forçosamente seja obrigado a escutar de tudo, há uma necessidade que seu falar seja muito discreto. Um Espírito equilibrado saberá exercer também um comandamento harmônico, ‘filtrado’ e prudente sobre estas duas ferramentas que o veículo físico lhe oferece;
  • Após colher as impressões que os utilitários olhos e ouvidos do corpo lhe facultaram, o Espírito poderá se manifestar verbalmente. As palavras aqui serão as que vão ferir ou consolar. Soltar a voz é exalar o ‘hálito’ acumulado nesta e nas inúmeras vivências do velho Espírito. Verifique-se, portanto, que esse hálito, fétido ou refrescante é atributo ‘do’ Espírito, pois também aqui ele estará no comando;
  • Mãos, pés, braços e pernas são alavancas amorosas… A que se prestarão? Todos os grandes e nobres cérebros sempre souberam o que deles fazer. Chico, por exemplo, quando se sentia muito aborrecido, quando a alma lhe doía, punha-se a caminho, ia para a periferia e dizia de lá ter voltado ‘curado’. Chico Xavier, portanto, era um destes que a Alma – nobre por sinal – lhe comandava os passos, os gestos, os acenos de bondade; e
  • Em determinada época o abraço sobressaiu-se ao amasso; hoje a situação se inverte… Sexo não é algo aviltante: O tabu que se desejou imprimir à humanidade de todos os tempos foi o do ‘pecado original’ decantado no folclórico livro do gênesis. É comum mulheres dizerem ‘não estarem com cabeça’ quando convidadas aos ‘deveres’ matrimoniais. Elas não estão muito longe da verdade, pois o melhor sexo ainda se faz com o cérebro, ou com o Espírito no comando…

“Não é o que entra pela boca que contamina o homem…”, mas o tipo de comandamento que teu, meu Espírito exerce sobre os sagrados e úteis equipamentos que o veículo físico lhe dispõe, tais quais cérebro, coração, boca, olhos, mãos, pés, braços, pernas, sexo!…

Pensa nisso, e um beijo! Aquele beijo fraterno que aqui é meu Espírito que, no comando, te envia!

(Sintonia: Cap. Pensamento e desobsessão, pg. 45 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Primeiro dia do inverno chuvoso de 2013).