Posts Tagged ‘Bondade’

Quem dá à terra uma só semente, recebe-a, por vezes, centuplicada: é a multiplicação por conta da generosidade do Universo.

Dar, ao invés de receber (Atos, 20:35), gera um multiplicador: dando, além de pluralizarmos, podemos exemplificar, contagiar!

A Regeneração (ou replantio) se faz com contágios: bons contágios, gentilezas; bons exemplos.

Todos os bons exemplos, ou atitudes contagiantes, têm como espelho nosso “Guia e Modelo”, e naqueles que Lhe seguiram os passos fidedignamente.

Plantador por excelência, nosso divino Semeador não só ensinou o “ofício”, como, e principalmente, colocou a mão na charrua: mostrou como fazer; exemplificou!

Embora haja colhido ingratidões (isso fazia parte de seu script), semeou, colheu e distribuiu gentilezas. Gentileza é imprescindível à Regeneração; esta não haverá sem aquela. Gentileza é a cereja do bolo!

Plantou Ele, milhares de sementes de perdão: de dificílimo cultivo, o perdão é o prato mais importante do cardápio servido na mesa da evolução; a melhor das culturas no campo das virtudes.

Utilizou a mancheias o insumo (adubo) da bondade: e com sua bondade levedou a Boa e Nova Mensagem que trazia. Poucas terras de sua época não “fermentaram” com sua bondade.

Acima de tudo, exemplificou! Se discorria sobre um conteúdo edificante do Evangelho, não se conteve na arte de levantar os caidinhos que desejaram se reerguer.

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O Universo do Criador é pródigo em recursos: essa generosidade dos seres menores (animais, plantas, minerais), proporciona ao homem roteiro, ensinamento, exemplificação: é do Pai, Criador, essa prodigalidade.

O Benfeitor, ao nos informar que “serás ajudado pelo Céu, conforme estiveres ajudando na Terra” e “possuímos aquilo que damos”, está pressupondo…

… Que a Terra é o grande e maravilhoso solo a ser arado, gradeado, semeado e cuidado: é a nossa ajuda à terra (lavoura).

Que, se o plantio é “aqui”, a colheita não! Todo o resultado da boa safra (ou de sua quebra) será verificado no Céu (ou no céu) a que fizermos por merecer.

Que possuiremos nesses “céus”, tudo aquilo que houvermos dado:

Interessante, pois, verificarmos “o que” estamos semeando, plantando, dando… “por aqui!” Ou o quanto estamos, ou não, ajudando a outros, mas, e principalmente, a nós!…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 117 Possuímos o que damos; 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2017).

o-filho-prodigo2“Levantar-me-ei”, expressão utilizada pelo filho pródigo, e inserida nos ensinos parabólicos de Jesus, talvez tenha sido a expressão mais audaciosa de alguém que, no fundo do poço, reflexionasse sobre seus equívocos, desejasse se autoperdoar e ‘partir’ para a reparação.

Como o ensino é totalmente alegórico e o filho pródigo é um personagem fictício, embora de grande valia para o Pedagogo Rabi, precisamos penetrar o íntimo desse jovem esbanjado e imaginar-lhe o âmago bem antes e após o resoluto “levantar-me-ei!” Como ficção é a parábola, ficcionalmente o faremos, conjeturando o antes e o depois dessa ‘batida de martelo’:

Muito antes da resolução arrojada, o desperdício, a distribuição farta dos bens do pai a ‘amigos’; muita comida, muita bebida e muitas orgias; todos o adoravam, pois distribuía a mancheias a parte da fortuna que lhe tocara, pensando que ela nunca acabaria… Mas acabou! E o inexperiente jovem vê-se solitário, pois os amigos haviam sumido. Por que ficariam a seu lado, se só desejavam o seu dinheiro? Vê-se obrigado a empregar-se cuidando de porcos e desejou alimentar-se com a comida destes. É nessa hora que, investido de coragem resolve levantar-se: “O menor dos empregados de meu pai vive melhor que eu”, diz a seu íntimo e isso o faz tomar a decisão. Mas quais conseqüências lhe adviriam?

Poderia ser tratado como um menor em seu retorno à casa do pai; certamente que se sentiria muito envergonhado, perante o pai, o irmão e a criadagem. Mas que importava? Era filho e não só mereceria como aproveitaria a segunda chance. O mais importante, ou a decisão de arrepender-se e resolver retornar já estava tomada, agora seria só executar seu plano audacioso. Entrevistos o antes e o depois de sua decisão, sabemos o desfecho: O pai não só o perdoa como o cobre de mimos; o irmão mais velho se aborrece e o pai o repreende amorosamente, mas com autoridade…

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Todo o soerguer-nos é uma resolução íntima. Ninguém o fará por nós! A toda a resoluta decisão de levantar-se, há uma investida, para frente e para o alto. Uma evolução também se faz dessa forma. Evidente que, a partir de uma decisão dessas, toda ajuda dos Bons Amigos nos será dispensada, mas nós precisaremos desejar, como desejou o jovem.

Evolução pede-nos esforço e uma visão panorâmica nos requererá primeiro a escalada. Jesus, ou os padrões de Jesus, – todos e somente eles – nos conduzirá de retorno à casa do Pai.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 13, Ergamo-nos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

pecados_virtudes_soberbaO perdão sincero é filho do amor e como tal não exige reconhecimento de qualquer natureza.

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Num Planeta de tantas inferioridades, onde o mal ainda estabelece predominância, quem é superior?

Até que sejamos ‘promovidos’ a regenerados – ou que o Planeta o seja – ainda gravitaremos mais em torno do ódio; menos em torno do amor.

Nos Planetas das diversas categorias, desde o Primitivo até os Celestes ou Divinos, o grande diferencial entre um Espírito e os outros, será a quantidade de amor real que já conseguiu incorporar ao seu curriculum.

É, portanto, o amor o fiel da balança ou o termômetro através do qual se mede a superioridade dos Espíritos.

Para respondermos quem é superior, precisaremos verificar a já capacidade de amar de determinado indivíduo. E as questões do perdão estarão sempre inclusas em tal capacidade: Aquele que mais ama, o mais nobre, o de Espírito mais inteligente e elegante, sempre será aquele que possuir menor dificuldade de solicitar ou oferecer o perdão.

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A superioridade de um Espírito é diretamente proporcional à sua capacidade de amar praticamente.

Desejaríamos prática mais efetiva do amor que perdoarmos ou pedirmos perdão?

(Sintonia com a questão 335 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

mulher-bracos-cruzados-desconfianca-duvida-suspeita-1347984383070_300x420“[O homem] responderá pelo mal que resulte de não haver praticado o bem.” (Q. 642)

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“Sede bons e caridosos; essa a chave do Reino dos Céus…”, nos advertiria São Vicente de Paulo em sua valiosa colaboração à codificação e constante do item 12 do capítulo XIII de O Evangelho segundo o Espiritismo.

Mas, à primeira vista, perguntaríamos ao Iluminado: ‘Bom e caridoso’ não será a mesma coisa? Não estará o Colaborador se redundando?

Primeiro, as citações, tanto de uma obra como da outra não poderiam divergir, mas, e aqui é o caso, vêm se completar. Segundo, poderemos ser simplesmente bons por não fazermos o mal a ninguém, porém não chegamos a ser caridosos porque não efetivamos o nosso bem. Analogamente, é como se disséssemos: ‘Fulano não tem boca para nada!’ ou ‘beltrano não mata uma mosca!’

Explicando: Fulano não tem boca para nada, nem para consolar, nem para aconselhar, nem para defender, nem para intermediar, nem… Beltrano não mata uma mosca, mas também não as espanta, não move um recurso, não se comove, não serve, não…

Os autores do estudo de hoje vêm nos informar que o bem é um exercício e que para treiná-lo precisaremos desinstalar-nos de desculpas as mais esfarrapadas para que não ‘faltemos ao treino’, quais sejam confessarmo-nos incompetentes, alegamos cansaço, afirmarmo-nos sem tempo, declararmo-nos enfermos…

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Na verdade, realizamos inúmeros cálculos para lançar-nos ao bem; para o mal, inimaginamos as conseqüências.

Responderemos, sim, por todo o bem que soubermos e pudermos fazer e não o fizermos sob as mais fúteis desculpas!

(Sintonia: Cap. Exercício do Bem, pg. 108, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno muito frio de 2014).

1º de abril. Não lhes falarei mentiras, mas a verdade de minha matéria sobre a Compreensão, publicada na RIE de abril/2012. O estudo foi exposição feita no verão 2010/11. Nele realizei um paralelo entre o capítulo Tua CompreensãoTua Casa, Ayrtes/João N. Maia – e o Poema de São Francisco de Assis. Sendo o texto muito longo, transcrevo alguns fragmentos – diferentemente do blog, na 1ª pessoa do plural. A íntegra poderá ser lida na revista ou, se o desejar, adquirida através de e-mail. Assim:

Todas as ferramentas das quais a compreensão se utiliza, levam à paz. A condescendência, a indulgência e a bondade são geradoras de luzes capazes de instalar o verdadeiro terreno fértil à transformação…

Sairíamos a catar na rua pessoas, com atitudes diversas para exercitar nossa compreensão? É evidente que essas primeiras oportunidades estão muito próximas, bem ali no ambiente de nosso lar… Quando essa compreensão estiver transbordando em nossa casa, estaremos aptos a compreender nosso vizinho, o atendente da padaria, o estoquista do supermercado, o guardador de nosso carro…

Resolvemos fazer aqui um dueto, confrontando exortações da Oração da Paz e as de Ayrtes – Condescendência, indulgência e bondade:

  • “Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a …” Os irmãozinhos que ainda odeiam a tudo e a todos, os que ofendem, os desinteligentes e os incrédulos, necessitam de nossa condescendência.
  • “…Onde houver errro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz!” O indulto – ou a indulgência – aos nossos queridos emparelhados na caminhada que aderiram a possíveis erros, desesperos, tristezas ou enveredaram por caminhos mais estreitos é pura compreensão.
  • “…Ó Mestre, fazei que eu procure mais: Consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna!” Consolar, compreender, amar, doar, perdoar é [o] entendimento maior que nos levará a uma bondade discernida.

Diferente de simplesmente compreender, a percepção faculta-nos esquadrinhar com os olhos do coração e acionar as mãos sagradas da misericórdia [que] nos levará a uma série de atitudes todas elas conciliadas com a Paz e com o concurso de um dos seus principais componentes, a Compreensão.

 “Uma pessoa, para compreender tem que se transformar” (Antoine de Saint-Exupéry).

cvs1909@hotmail.com  (Verão de 2010/11).