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Uma pequena reflexão sobre culpa em apenas dois itens: A culpa em sua naturalidade e a “indústria” da culpa:

1. Peregrino que sou neste Planeta de Provas e Expiações, encaro a culpa como sendo um efeito natural de todos os equívocos que cometi, cometo ou cometerei; ou seja se estou ‘por aqui’ é porque tenho ‘culpa no cartório’. O Bondoso e Justo Pai deu-me inteira liberdade para arbitrar entre o bem e o mal e fazer minhas escolhas. Todas as vezes que optei pelo mal, acumulei culpas; as vezes que enveredei pelo bem realizei, digamos, uma ‘pequena

plástica’ nos estigmas – cicatrizes – que trouxe de passadas vidas ou que adquiri nesta. É assim que funciona a questão culpa – a verdadeira – dentro da causa e efeito. Sou eu mesmo o meu ‘cirurgião plástico’ e cada reencarnação é o meu ‘bloco ambulatorial’. É assim que me responde a questão 631 de O Livro dos Espíritos: “… Deus [me] deu a inteligência para distinguir um do outro.” (O que é bem do que é mal).

2. Mas nem sempre foi assim; em tempos mais bicudos – e ainda hoje -, e a fim de estabelecer dependência religiosa, produzir temor nos fiéis, determinar comportamentos e posturas convenientes às suas “nobres causas missionárias”, religiosos ortodoxos criaram a “indústria” da culpa. Como ovelhas acuadas os cristãos apresentam-se ante seu confessor para serem absolvidos através do ‘sacramento da confissão’ ou ‘confiteor’ ficando, a partir daí, isentos de suas culpas e sem nenhum ressarcimento; fácil, não?! Chamo de “indústria” porque dessa forma os incautos continuarão no cabresto de alguns, com medo do ‘fogo eterno’. Aliás, na questão 974-a, quando a Espiritualidade é perguntada se “o temor desse fogo não produzirá bons resultados”, a primeira parte da resposta é categórica: “Vede se serve de freio, mesmo entre os que o ensinam…”

Abomino aqui a “indústria” da culpa. Fico com meu livre arbítrio, tentando distinguir entre o bem e o mal. E quando me sentir culpado, serei meu próprio ‘cirurgião plástico’, esticando daqui, puxando dali, tentando reparar acolá…

Ou quem sabe, juntando meus caquinhos não construa um belo mosaico.

(As expressões em itálico são do cap. Culpa do livro As dores da alma, de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Final do verão de 2011/12).