Posts Tagged ‘Caráter’

Perdidas-e-ingresos-patrimoniales“Presta conta da tua administração!…” (Lucas, 16:2).

* * *

Sempre que ouvimos o termo recursos, o associamos, automaticamente, a bens pecuniários, dinheiro; ao material. O Mestre Jesus, filósofo por excelência, no parabolismo de suas colocações nos deixa a do “administrador infiel”, para que livremente a interpretemos e sobre ela reflitamos.

A doutrina dos Espíritos, a qual vem para esclarecer – e, automaticamente para consolar – nos dirá através de sua codificação e das obras complementares de seus colaboradores que administrar recursos é muito mais amplo do que possamos imaginar:

Visto que a doutrina não se faz com recursos pecuniários, ou só pelos que os possuem, precisamos entender que administrar recursos pode referir-se, principalmente, aos recursos sutis, muito fora do ouro ou da prata; do papel moeda; moeda cartão de plástico; ou do níquel…

Emmanuel nos afirmará no estudo ora proposto que, sejam tais recursos densos, mais ou menos ou totalmente sutis, que nos foram dados pelo Pai para administrarmos, mais dia, menos dia, seremos chamados a dar conta de tal administração:

Do corpo físico, da saúde, do trabalho, do serviço, do aprendizado, do tempo, do lar, amigos, experiências… são todos recursos, a nós confiados, alguns emprestados, outros incorporados a nosso caráter e perante os quais precisaremos responder, consciencialmente e a cada aportada no cais da erraticidade.

Pegarmos carona nos vícios egoísticos do mundo atual e mal versarmos os talentos a nós confiados, sejam eles de quaisquer ordens, como nos conta a parábola do Mestre, implicará em repetirmos nossa contabilidade a pesadas penas e trabalhosos ‘cálculos…’

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 75, Administração; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

escolha-mi_1351162165018

Numa língua em que uma palavra poderá ter mais de um significado, será apropriado emitir aqui alguns conceitos necessários ao estudo: Natureza (1) – Constituição ou essência das coisas; índole, temperamento, caráter. Natureza (2) – O Planeta em seu estado natural ou a parte dele que ainda não foi tomada pelos aglomerados urbanos. Estado natural – É o estado primitivo. (Questão 776 de O Livro dos Espíritos). Lei Natural – Contribui para o progresso da Humanidade (Idem)…

* * *

Dessa forma, reformulo aqui a enunciada questão: O estado natural e a Lei Natural não são a mesma coisa: O estado natural é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o estado natural, enquanto que a lei natural contribui para o progresso da humanidade.

Posso dizer, então, que os seres se posicionam todos dentro de uma grande moldura que é a Natureza ou Mãe Natureza, mas cada um com sua natureza – essência, índole, temperamento, caráter – própria e determinada, qual mestra sábia e dedicada, a ensinar e desejar dividir com todos os lucros de suas características…

Toda a diversidade dos seres, com características ou natureza própria, cada um dentro de um determinado reino, e perfeitamente harmônica, estará compartilhando ensinamentos de uma forma tão explícita que deduções, suposições e apreciações não poderiam fazê-lo:10_curiosidades_del_ornitorrinco_shsc-10

  • Rios e mares; praias e mangues; campinas e montanhas; solos áridos, úmidos, alagadiços, nevados; águas correntes ou paradas; árvores frutíferas ou não, espinheiros, caatingas, matas, selvas; espigas de milho com a arquitetura de Niemayer e o amarelo vibrante de Van Gogh; Flores de matizes e formas diferentes… não perderão os encantos de sua natural diversidade, atividade e utilidade por se apresentarem sob características tão diversas;
  • Aves que se alimentam de frutas, outras de grãos, outras são de rapina; aves que põem e chocam, ora a fêmea, ora o macho os próprios ovos; aves que põem ovos, mas não os chocam; aves que põem seus ovos em ninho alheio; aves que são ‘fiéis’ ao companheiro e quando ‘traídas’ até morrem; répteis e quelônios que aproveitam as areias mornas para que seus ovos eclodam; mamíferos tão somente vegetarianos e outros totalmente carnívoros; raridades bizarras como o ornitorrinco, mamífero, semi-aquático, carnívoro e ovíparo… Enfim, animais de muitas espécies e naturezas diversas habitam este Planeta, muitos em seu habitat natural, outros em cativeiro e ainda, uma terceira situação, em que esses seres tentam retomar o habitat que lhes foi subtraído por conta do progresso ou mera ambição do homem; e
  • Ao indivíduo humano, criado simples e ignorante, mas perfectível, o Criador lhe põe à disposição dez Leis Naturais e um livre arbítrio que lhe confere a capacidade de, como a nenhum outro ser, administrar o seu avanço intelectual e moral. Perfectível deseja dizer exatamente isso, a gerência de seu progresso rumo à perfeição. Não poderá, portanto, o homem permanecer sempre em seu estado natural porque a civilização é incompatível com [esse estado] enquanto que a lei natural contribui para o progresso da humanidade e esse progresso pressupõe todos os avanços intelectuais e morais.mae_adotiva_animal041

Como único detentor de um livre arbítrio, diria de uma forma um tanto chula que este irá ‘ajudar’ ou ‘atrapalhar’ o homem. Do bom ou mau uso de sua liberdade os indivíduos forjarão as suas naturezas e caracteres. Serão bons, educados, cultos e morais configurando um indivíduo sábio; ou serão maus, com avanços intelectuais ou não, mas ainda amorais e de duvidosos costumes o que caracteriza estacionar ou abortar a presente encarnação.

Há ainda outras implicações estas sob o comando da Mãe Natureza: Uma carga genética poderá determinar a opção sexual de um determinado indivíduo: Neste caso, a Mestra Científica pedirá à abjeta intolerância que conceda espaço para que a compreensão se torne objeto de ensinamento para que conflitos e enigmas sejam esclarecidos. Indivíduos serão naturalistas e vegetarianos, outros carnívoros, conforme suas compleições e particularidades físicas o exigirem ou sua moralidade os orientar. Do entendimento ou não da natureza das coisas e de suas mensagens, os indivíduos estabelecerão uma maior ou menor conexão com a sua Divindade. Finalmente, e não poderia faltar, o homem ao satisfazer o orgulho e à toda a sua corte, e ainda sentado no trono de seu ego possivelmente não terá uma percepção sobre esses naturais ensinamentos; cego a esses sinais, cego à Divindade, cego à progressão.

* * *

A essência das coisas, inserida na moldura da Mãe Natureza, sempre será a Mestra dedicada a ensinar, esclarecer, guiar, surpreender e estimular a humanidade, através das Leis Naturais, a sair de um estado de natureza e embarcar no progresso projetado pelo Criador.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Compreensão, pag. 131 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).