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“Capacete é indumentária de luta, esforço, defensiva.” (Emmanuel).

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O que têm a ver esperança e salvação com luta, esforço, defensiva? Qual sua co-relação?

Salvação é uma aspiração: ‘desejamos’ nos salvar! Embora outros nutram tal expectativa a nosso respeito, só nós sustentamos tal desejo.

Mas, tal qual a fé, a esperança precisa de acólitos: está, então, alavancada pela luta, esforço e defensiva:

Luta e esforço pressupõem vigiar, que é a parte mais prática do “vigiai e orai.” Lutamos e nos esforçamos com serviço, tolerância e respeito a nós e ao próximo.

Defensiva, a parte mais teórica; o “orai.” Se vigiar nos blinda contra más influências, oração e contemplação completam nossa imunização.

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Não há Agente externo de salvação; há um Roteiro: nós nos salvamos!

A Boa Nova do Mestre é o roteiro. Este não nos salva, se não o desejarmos. Possuímos a esperança; mas esta precisa de suporte:

A caridade (respeitar, tolerar, servir), apresenta-se como suporte da fé e da esperança. Ela é o capacete que nos dá segurança e autentica nossa evolução; contém os imperativos da salvação.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 94, Capacete da esperança; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

rosabranca2Normalmente nos referimos a indivíduos que desencarnaram com expressões irresponsáveis e até genéricas tal qual: ‘Como fulano era bom!’ É como se o desencarne melhorasse os Espíritos. Menos mal, pois isto poderá significar que entre nós e o desencarnante não restou pendengas significativas ou que o indivíduo pode ser bom mesmo…

Pelo contrário, quando em mesmo caso, nos utilizamos da expressão ‘morreu! Antes ele do que eu!’, há uma conotação de que algo ficou pendente entre nós e o ‘falecido’; que mágoas restaram ou que nem todas as nossas questões de perdão foram equacionadas.

O que precisamos compreender é que não é pelo fato de alguém nos haver antecedido no túmulo que deixará de ser um Espírito vivente e como tal nossos débitos estarão saldados. Muito pelo contrário! Espírito livre, ele terá maior liberdade de, em nos assediando, cobrar, e de uma forma velada, dissimulada e persistente, a ‘conta’ que lhe ficamos devendo.

“Rei morto, rei posto” não se aplica nas questões pendentes do perdão, pois sempre o “rei morto” – o desencarnado – terá tido apenas a falência do corpo físico; ele, Espírito, continua vivinho, vivinho e em liberdade para nos cobrar tudo o que é seu de direito.

Tanto no caso do ‘fulano que era bom’ ou do ‘antes ele do que eu’, será inteligente e cristão orarmos pelo primeiro para que o intercâmbio de regozijo se estabeleça e pelo segundo em contristado e humilde pedido de perdão, pois certamente pendências restaram.

Emmanuel nos orienta que Espíritos de nossa convivência na Terra e que partiram para o Além, sem experimentar a luz do perdão (…) muito sofrem com o juízo ingrato ou precipitado que, a seu respeito, se formula no mundo.

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No momento em que começamos a encerrar nossos assuntos sobre o perdão e estamos prestes a iniciar estudos sobre a fraternidade, prestemos atenção nas palavras do Benfeitor: Lembrando aquele que nos precedeu no túmulo, tende compaixão dos que erraram e sede fraternos. E ainda, rememorar o bem é dar vida à felicidade. Esquecer o erro é exterminar o mal.

(Sintonia com a questão 341 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

01NOVEMBRO2014-COMO-PERDOAR-Num postulado da geometria primitiva, a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana…

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Nas questões do amor – verdadeiro, altruísta – sempre estará incluso o perdão, apresentado como o caminho mais curto ou o melhor atalho para nossa reforma íntima. Poderemos ter a certeza absoluta de que quando já navegarmos pelas águas tranqüilas dessa virtude, estaremos na vereda correta de homens e mulheres de bem.

Quando de sua encarnação missionária o Mestre do perdão não nos diria à toa: “o amor cobre uma multidão de pecados.” Não que precisasse, mas cumprindo os desígnios do Pai, o Messias pisava em solo de Planeta de Provas e Expiações, conhecia o íntimo dos que o habitavam e compreendia suas dificuldades relacionadas ao perdão.

Desejando ver-nos desvencilhados de certas esquisitices da lei Mosaica, o Mestre das misericórdias utilizou-se até de uma linguagem matemática para orientar-nos que deveríamos “perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes”, configurando dessa forma que a lei de Talião, que o dente por dente e o olho por olho já não mais se enquadrariam na Revelação do Amor e que estaria traçando [através do amor] a linha reta da vida para as criaturas e representando a única força que enterraria de vez todos os disparates de uma controvertida ‘justiça injusta’ porém ainda necessária aos filhos de Abraão de outrora.

Também nas questões do perdão, as revelações são feitas em tempos certos: Se à época de Moisés, tudo o que a humanidade desejava era justiça, justificava-se aí a lei de Talião; se ao tempo de Jesus, a revelação do amor – ou “central”, segundo Emmanuel – se instaurou, o olho por olho já era desnecessário; e finalmente a revelação de Kardec, esclarecedora, nos dirá que o perdão é uma questão de justiça, mas, e sobretudo, uma questão que requer exclusivamente altruísmo.

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Como a linha reta, exercitar o perdão é o menor percurso, o melhor atalho entre o homem velho que desejamos abandonar e o novo que desejamos ser.

Se a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana, o perdão, ainda imperativo em orbes semelhantes ao nosso, sempre será a via mais rápida e apropriada à salvação.

Sendo o perdão imperativo à caridade e se “fora da caridade não há salvação”, ignorar a virtude será estabelecer para nossas vidas, tais quais alunos repetentes, encarnações e mais encarnações expiatórias…

(Sintonia com a questão 336 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

vacina-contra-rotavirus_0“A caridade e a fraternidade não se decretam em leis. Se uma e outra não estiverem no coração, o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.” (ESE, XXV, 8)

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Enquanto que fraternidade é o conveniente consórcio de talentos a benefício de uma comunidade, caridade é nossa quota de retribuição aos consorciados, mormente aos menos aquinhoados de possibilidades materiais, morais e intelectuais.

Sempre que numa confraria, estivermos exercitando mais o ‘seja feita a vossa vontade’ do que o ‘venha a nós o vosso reino’, estaremos utilizando ambas as virtudes como imunizantes contra nosso egoísmo.

Como se salvam nossas ‘almas’; como se salva uma confraria; e como bem sobrevive uma sociedade? O Espiritismo nos faz penetrar tal ensinamento através de sua máxima maior: “Fora da caridade não há salvação!” A caridade e a fraternidade não nos levam somente ao Reino dos Céus, mas tornam-nos possuidores da Terra e amados pelos quais nos dedicarmos.

Mas por que dar crédito a Kardec? Porque ele não era um aventureiro! O ilustre Lionês ‘largou’ emprego bem remunerado, – era um professor de renome – passou a viver do ‘patrocínio’ de sua esposa Amélie Gabrielle Boudet, para que, com conhecimento de causa, observações e Informações, esclarecesse tais verdades que nos libertam.

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Nossas iguarias, lar, bem-estar, inteligência, autoridade… estão todos ancorados por confrades dedicados que diuturnamente por nós se devotam. Todo o retorno em forma de caridade e bem querença a eles retribuídos, vacinar-nos-á contra o egoísmo e homologará nossas verdadeiras associações.

(Sintonia: Cap. Comunidade, pg. 224, Livro da Esperança, Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Outono de 2015).

mulher-bracos-cruzados-desconfianca-duvida-suspeita-1347984383070_300x420“[O homem] responderá pelo mal que resulte de não haver praticado o bem.” (Q. 642)

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“Sede bons e caridosos; essa a chave do Reino dos Céus…”, nos advertiria São Vicente de Paulo em sua valiosa colaboração à codificação e constante do item 12 do capítulo XIII de O Evangelho segundo o Espiritismo.

Mas, à primeira vista, perguntaríamos ao Iluminado: ‘Bom e caridoso’ não será a mesma coisa? Não estará o Colaborador se redundando?

Primeiro, as citações, tanto de uma obra como da outra não poderiam divergir, mas, e aqui é o caso, vêm se completar. Segundo, poderemos ser simplesmente bons por não fazermos o mal a ninguém, porém não chegamos a ser caridosos porque não efetivamos o nosso bem. Analogamente, é como se disséssemos: ‘Fulano não tem boca para nada!’ ou ‘beltrano não mata uma mosca!’

Explicando: Fulano não tem boca para nada, nem para consolar, nem para aconselhar, nem para defender, nem para intermediar, nem… Beltrano não mata uma mosca, mas também não as espanta, não move um recurso, não se comove, não serve, não…

Os autores do estudo de hoje vêm nos informar que o bem é um exercício e que para treiná-lo precisaremos desinstalar-nos de desculpas as mais esfarrapadas para que não ‘faltemos ao treino’, quais sejam confessarmo-nos incompetentes, alegamos cansaço, afirmarmo-nos sem tempo, declararmo-nos enfermos…

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Na verdade, realizamos inúmeros cálculos para lançar-nos ao bem; para o mal, inimaginamos as conseqüências.

Responderemos, sim, por todo o bem que soubermos e pudermos fazer e não o fizermos sob as mais fúteis desculpas!

(Sintonia: Cap. Exercício do Bem, pg. 108, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno muito frio de 2014).

bali“Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele.” (ESE, XII, 10)

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Perante indivíduos que ‘parecem’ ser ruins, maus, culpados, folgados, desinteligentes, que possuem jeito, cor, credo e gostos diferentes dos nossos… aproveitarmos o que possuam de bom, além de inteligente e cooperativo, nos aproxima de Deus.

Como diria padre Fábio de Melo, julgarmos os indivíduos apenas ‘pela capa’, – tal qual livro que deixamos de folhear e dizemos não gostar – poderá nos distanciar de nossa Divindade.

Sensibilizar-nos por alguém ou por algum fato e acionarmos a partir daí nossa ação benevolente e reparadora, se essa estiver ao nosso alcance, certamente nos aproximará de Deus.

Lançarmos um olhar de bondade sobre encarcerados do corpo ou da alma, entendendo que o destino de todos é a perfeição, que o ódio é apenas um bem gravemente enfermo; orar e enviar boas emanações a esses temporários aprisionados de si mesmo, serão reações que nos aproximarão de Deus.

Ódios e restrições aos que desertaram do serviço ou que refugaram temporariamente o bem, em nada os ajudarão no seu repatriamento ao bem e certamente nos distanciarão de nossa Divindade.

A todo tipo de delinqüência cometida pelos outros a que lançarmos nosso olhar benevolente, entendendo que somos todos frágeis, falíveis e passíveis de semelhantes equívocos, o crédito de que estaremos nos aproximando de Deus.

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Próximos ou distantes de Deus? Fica aqui o recado de Chico Xavier quando se referindo ao tema ódio, por entendê-los – amor e ódio – como filhos de Deus: “O ódio é, simplesmente, o amor que adoeceu temporária e gravemente…”

(Sintonia: Cap. Compaixão sempre, pg. 98, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono gelado de 2014).

640px-Mother_Teresa“A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolação, [mas também] na benevolência de que useis sempre e em todas as causas para com o vosso próximo.” (ESE, XI, 14).

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Se, acidentalmente, fraturamos uma costela, perna, braço, recursos médicos nos socorrerão; a curto, médio ou longo prazo estaremos ‘novos’. Já nas inquietações de ordem moral, necessitaremos bem mais da benevolência do que de cirurgias, talas e muletas.

Orbes de Provas e Expiações pressupõem acidentes físicos e intervenções apropriadas; os calvários morais, entretanto, aqueles que necessitam da ajuda de almas já requintadas, abundarão nesses Planetas.

Ah! Se no refúgio doméstico houvesse somente as dores do parto e outras físicas que demandam naturais cuidados! Bem pelo contrário, no cadinho familiar, onde se moldam almas e se extraem impurezas de pretéritos equívocos, a benevolência deveria ser o cardápio diário: Ao mesmo tempo forte e branda; exigente e elástica; reverente e reverenciada; compreensível e compreendida.

Se o ir e o vir, a liberdade de ação, o direito de opinar, decidir, realizar, nos abençoam diariamente, quanta benevolência no pensar, no agir, no emanar precisaremos diariamente ante as vítimas de manicômios, cárceres ou leitos de expiação!

Se já podemos compreender a necessidade da dor física e também da moral, entendemo-las como expiações; mas se já cultivamos no coração a sementeira da benevolência como requinte e aroma da caridade, plantemos o serviço, alegria, a esperança até onde nossa influência o permitir.

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Madre Tereza, Irmã Dulce, Dr. Bezerra de Menezes, Chico Xavier não possuíam recursos próprios para beneficência; os angariavam. Entretanto, é possível que tais vultos, no século XX, sejam o exemplo máximo de benevolência.

Entendamos benevolência como o requinte da caridade. Ora, pessoas refinadas não o ficam perante tal ou tal situação; da mesma forma, indivíduos não ficam benevolentes no ato; trazem consigo tal virtude! Questão de cultivo…

(Sintonia: Cap. Em favor da alegria, pg. 94, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono frio de 2014).

bom_samaritanoA Regra de Ouro ou Ética da Reciprocidade, “fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam” (Mt, 7:12), não é exclusividade do Cristianismo, mas máxima aproveitada, com variantes na formulação,  pelo Zoroastrismo, Judaísmo, Confucionismo, Islamismo, Budismo, Hinduísmo e também na filosofia. (Wikipédia).

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Não há nas Sagradas Escrituras exemplo mais contundente sobre o assunto do que a parábola do Bom Samaritano, narrada com exclusividade por Lucas (10: 30-37):

“Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando foi assaltado e deixado semimorto”: Almas ‘por atender’ a nós não importa suas identidades. Basta-nos que possuam a cor do socorro e nós o RG da compaixão.

“Sacerdote e levita, ante o episódio, passaram ao largo”: No Plano Espiritual não será levado em conta se usávamos batina, a cor dela, se túnica ou paramento, paletó e gravata… Ser-nos-á considerado se ‘não passamos ao largo’.

“Samaritano, que ia de viagem viu-o e moveu-se de compaixão”: Na Palestina Antiga Samaritanos eram ‘persona non grata’ aos demais povos e tratados com diferença. Mas que importava isso ao socorrista já que a ninguém se identificaria?!

“Tratou suas feridas, colocou-o sobre o animal, levou-o até hospedaria próxima, cuidou-o”: Sem medo da exposição, usando de seu tempo e de seus linimentos como primeiros socorros, instalou-o em hospedaria. Caracterizados aqui a caridade moral e material, a isenção e o desprendimento.

“Pela manhã entrega ao estalajadeiro dois denários e recomenda-o a cuidar bem do ferido, pois em sua volta ao estabelecimento o ressarciria se algo a mais gastasse”: Sem cobrar tributos de gratidão, abonando o ferido como se fora um familiar e sem identificar-se ao ferido e ao hospedeiro, o samaritano segue sua viagem. Tudo o que fez foi agir, auxiliar e passar…

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Sintética a regra de ouro ou ética da reciprocidade das religiões, culturas e da filosofia; dilatadas suas aplicações. Ante o resumo de deveres, um leque de opções.

A indulgência é o zíper sob o qual se fecha um fato, nossas opiniões e as considerações alheias.

(Sintonia: Cap. Psicologia da Caridade, pg. 86, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono frio de 2014).

Março! Matricula-te já!

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