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cutucar

Um sábio já disse que “na raiz do problema poderá estar a sua solução”. Como problemas abundam neste Orbe, é provável que mais do que inconvenientes eles sejam a guiada que nos tanja ou os cutucos que redirecionem os indivíduos que enveredaram por rotas inadequadas…

Às pessoas que ainda não aprenderam a se equacionar pelo amor, certamente estará reservada a vergasta da dor como metodologia de aprendizado. Se não, vê:

Como os indivíduos avaliariam suas possibilidades e potencialidades sem os obstáculos? Não são eles o ‘potenciômetro’ que avaliará todas as capacidades? A atualidade mostra à humanidade verdadeiros exemplos de superação de pessoas que driblam as mais diversas deficiências e saem vencedoras. Cutucados pelas vicissitudes, elas são exemplos de superação.

As decepções ‘enquadram’ os indivíduos. Sendo chamados à razão por suas frustrações, eles se ‘sacodem’ das ilusões que só eram realidade em suas mentes fantasiosas: O amigo que parecia sê-lo e não era; o articulista que se imaginava muito bom; o orador que parecia eloqüente; o que se achava bom pai, mãe, tio, irmão, avô; o que pensava ser equilibrado, ouvinte, solidário, desapegado, forte… e a sua decepção lhe aponta tudo ao contrário.

E os enfermos físicos que somente chegando ao fundo do poço buscam o recurso?! Poucos, dado a gravidade do processo, logram o sucesso da melhora e esta somente acontece após a cutucada do martírio da dor; às vezes o que a prevenção – ou o amor – não realiza, a vicissitude o realiza penosamente.eva e a serpente

A tentação obstaculiza e servirá para avaliar a força de vontade dos indivíduos. A resistência medirá forças diariamente com as tentações da modernidade. Esta, a par e passo com o progresso inventará todos os comodismos que aí estão a ditar maus conselhos: ‘A libertinagem é boa’; ‘melhor ficar acomodado’; ‘melhor ir de carro’; ‘somente tal sapato te fará feliz’; ‘não adianta mesmo, a mídia me afiança que o mundo está perdido’; ‘fulano é um inútil… por que me preocupar com ele’? ‘a catástrofe é reluzente e dá ibope’… Não estará a tentação cutucando e medindo a minha resistência a todas essas ‘novidades’ infelizes?

E a “lei de Gérson”, então? Essa, a qualquer preço, na ânsia de levar vantagem e assessorada pelo orgulho não admitirá prejuízos na corte ao meu egoísmo. E qual a função do prejuízo senão justamente domar todo esse séquito vaidoso que teimo em aquerenciar no paço de meu alto castelo de areia? A perda, a destruição, a ruína, se bem compreendidas, sempre serão o remédio amargo da cura desses vícios, os mais vis!

E o amigo que julgava amigo? E a companheira na qual confiava? E o encarnado que me obseda? Todos ingratos! Insultos à minha confiança! Também todas as demonstrações que penso serem ingratidão, são sacrossantos cutucos na consolidação de meus verdadeiros acervos afetivos.

‘Morte’, ‘perda’, desencarnaçãoComo lidar com ela? “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”: Não há assertiva melhor que esta escrita sobre o túmulo de Kardec. Cita-me, entretanto, uma só ‘morte’, por maior compreensão que se tenha dos ditames kardecistas, que não traga o aguilhão da dor aos que perdem seus entes queridos! No entanto a desencarnaçãorenovadora – é a Lei se cumprindo, para que a Vida oportunize ao Espírito novas experiências.

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Obstáculos, decepções, enfermidades, tentações, prejuízos, ingratidões, desencarnes: Todos eles aguilhões, estímulos, incitamentos… Cutucos, que sob a ‘batuta’ afinada da causa e efeito, regem a humanidade na busca da harmonia, sensatez e equilíbrio.

(Sintonia: Cap. Chaves libertadoras, pg. 33 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).