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Conta-me o livro do Levítico que o bode expiatório era um animal apartado do rebanho e deixado sozinho na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas do Yom Kippur, o dia da expiação. Exemplo clássico de instrumento de propaganda é os judeus no período nazista, apontados culpados pelo colapso político e problemas econômicos da Alemanha…

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Corria o ano 30 d.C. e naquela terra quem não teria pecado? Do escravo comum ao jugo romano aos fariseus e sumo sacerdotes, subservientes e escravos morais do império, todos eram pecadores. Todos? Não, Um não era! E esse Um, que não era pecador e que conhecia o íntimo e as potencialidades de cada Espírito, soergueria da terra arenosa e pedregosa de Jerusalém, a ‘bola da vez’, o bode expiatório.

Conhecedor profundo da alma humana, o Nazareno ‘espantaria que nem galinhas’ os que se achavam no direito de apedrejar a adúltera, em lhes proferindo palavras mortais às suas vaidades mais íntimas: “Aquele que estiver sem pecado, lhe atire a primeira pedra…”

E depois? Bem, depois os gestos do Messias foram os de um cavalheiro, o olhar foi meigo e a sua fala balsâmica sem deixar de ser firme: “Mulher, onde estão os que te condenaram? Eles não estão mais aqui e tão pouco Eu te condenarei… Porém vai e não peques mais!”

O Mestre conseguia ver na alma daquela mulher o que nenhum algoz popular inflamado ou fariseu inescrupuloso conseguiria perscrutar: Toda a soma de seus pecados e toda a soma de seu potencial!

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Carl Gustav Iung, psiquiatra suíço (1875-1961), se aqui estivesse hoje me diria e a ti querido leitor que tanto os fariseus de ontem como todos os neo fariseus da humanidade atual, projetam nos outros todas as mazelas que eles próprios possuem mas que não gostariam de ter e nem ver em si mesmos…

Qualquer indivíduo terráqueo é possuidor de defeitos e virtudes próprias de seu degrau… O que não pode é outro semelhante – que se lhe ‘assemelha’ em defeitos e virtudes – transformá-lo em bode expiatório e ‘encabidá-lo’ com todas as mazelas de que é portador…

Defeitos e virtudes a humanidade os têm fifth/fifth… Bipolaridade é característica de um Planeta de Provas e Expiações.

No episódio da adúltera o Mestre conseguiu vê-la com os olhos de Sua alma; e somente Ele conseguiu… Nenhum outro porque todos os demais tinham ‘pecados’!

Se valer de consolo… Ele consegue assim ver Sua humanidade, diuturnamente!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Os opostos, pag. 105 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012). 

Fiel depositário dos anseios do Pai a meu respeito, o Mestre, nas rogativas do Pai Nosso me ensinou “perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos…” Do alto de meu orgulho, ainda prefiro, às vezes dizer-lhe ‘inútil me perdoares, Pai, pois ainda não quero perdoar meu irmão’; prefiro com ele duelar!

Ainda vibrando na faixa de meu ofensor, me deleito com a contenda; a vacina do perdão contra o vírus da inimizade… Essa eu prefiro deixar para depois!

Divino mediador, o perdão estabelece um divisor de águas entre o bem e o mal, entre o encarceramento e a liberdade, entre a vingança e a compreensão.

Tal qual um alvará de soltura o perdão me abre as portas do cárcere para a liberdade, para a luminosidade, para o sol, para a brisa no rosto…

O perdão é a sandália havaianas que coloco nos pés após uma longa jornada de sapato apertado. Raiva, ódio, contenda, incompreensão, apertam o sapato de minha alma.

Brisa no rosto, pés na areia, o chute da água, a sandália frouxa são analogias aos prazeres que me proporcionam o perdão, a complacência, a misericórdia, a benevolência.

Perguntaram certa vez ao Mestre das Levezas quantas vezes seria necessário perdoar… Foi categórico: “Setenta vezes sete”! Ele era leve porque, mais que ensinar, sabia perdoar…

Quando a gravata, ou o cinto, ou o sapato… Estiver apertado, o bom é fazer-lhes uma co-relação com o perdão. O perdão ‘desenosa’ gargantas, clareia vistas, desencarcera almas…

Só não venham me perguntar ‘se’ ou ‘dizer que’ é fácil!

Perante ‘apertos’ do duelo, da vingança, da inimizade… Havaianas, havaianas!

(Sintonia com os cap. Reconciliação com os adversários e Perdoar, perdoar, perdoar, pg. 65 e 66 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Inverno de 2012).