Posts Tagged ‘Consciência’

“O próximo a quem precisamos prestar imediata assistência é sempre a pessoa que se encontra mais perto de nós.” (Emmanuel).

* * *

Numa das páginas Evangélicas mais lindas (a parábola do Bom Samaritano), o Mestre das Misericórdias nos lembra quem é o nosso próximo mais próximo:

Esposa, marido, filhos, irmãos, via de regra, constituem-se no nosso próximo mais próximo. Mesmo depois de 25, 30, 50 anos de proximidade, quando filhos, naturalmente seguem destinos, o cônjuge torna-se o próximo preferencial; dificuldades, mormente físicas, tomam-nos conta.

Amiúde, em convivência no trabalho, estudo, recreação, atividade física… sempre haverá aquele próximo mais próximo, muitas vezes carente de um sorriso, bom dia, boa tarde, olá!… É a simpatia roubando espaços à indiferença!…

Nesta vida, como sempre, obedecemos e temos ascendências: nosso mais próximo, então, será o superior ou o subordinado.

Sabermos tratar um malfeitor poderá indicar-lhe o bom rumo. Com a proximidade, o mau pode ficar ‘menos pior’; e o bom, melhor ainda!

Quando adoecemos, o vizinho do lado torna-se o parente mais próximo; ele nos conduzirá aos primeiros socorros. E a recíproca é verdadeira!

Já a neutralidade emperra a evolução: nem avançamos na direção do bem; e não contribuímos com a progressão do próximo…

* * *

Mas voltemos ao início de nossa pequena filosofia sobre o mais próximo; à família! E percebamos o detalhe dos votos proferidos perante o juiz, sacerdote; perante nós mesmos:

Qual o significado de “na saúde e na doença… amando-nos, respeitando-nos, até que a morte nos separe?”

Renovarmos, amiúde, tais ‘promessas’, é termos a consciência da responsabilidade perante o próximo mais próximo!

Esse próximo poderá estar tão ferido e necessitado que precisará de nossos óleos, ataduras, talas, denários, boa vontade, “importar-se”, anonimato… Tal como aconteceu com o assaltado da parábola do Bom Samaritano, contada pelo Mestre.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 126 Ajudemos sempre; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).

Perdidas-e-ingresos-patrimoniales“Presta conta da tua administração!…” (Lucas, 16:2).

* * *

Sempre que ouvimos o termo recursos, o associamos, automaticamente, a bens pecuniários, dinheiro; ao material. O Mestre Jesus, filósofo por excelência, no parabolismo de suas colocações nos deixa a do “administrador infiel”, para que livremente a interpretemos e sobre ela reflitamos.

A doutrina dos Espíritos, a qual vem para esclarecer – e, automaticamente para consolar – nos dirá através de sua codificação e das obras complementares de seus colaboradores que administrar recursos é muito mais amplo do que possamos imaginar:

Visto que a doutrina não se faz com recursos pecuniários, ou só pelos que os possuem, precisamos entender que administrar recursos pode referir-se, principalmente, aos recursos sutis, muito fora do ouro ou da prata; do papel moeda; moeda cartão de plástico; ou do níquel…

Emmanuel nos afirmará no estudo ora proposto que, sejam tais recursos densos, mais ou menos ou totalmente sutis, que nos foram dados pelo Pai para administrarmos, mais dia, menos dia, seremos chamados a dar conta de tal administração:

Do corpo físico, da saúde, do trabalho, do serviço, do aprendizado, do tempo, do lar, amigos, experiências… são todos recursos, a nós confiados, alguns emprestados, outros incorporados a nosso caráter e perante os quais precisaremos responder, consciencialmente e a cada aportada no cais da erraticidade.

Pegarmos carona nos vícios egoísticos do mundo atual e mal versarmos os talentos a nós confiados, sejam eles de quaisquer ordens, como nos conta a parábola do Mestre, implicará em repetirmos nossa contabilidade a pesadas penas e trabalhosos ‘cálculos…’

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 75, Administração; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

Quem atura um fiambre ‘bafiado’, rançoso? O passado poderá ser que nem o quitute que ontem era o ideal, mas servia tão somente para ontem… Para hoje poderá não servir mais.

Assim como é uma arte reescrever velhos temas, utilizando-se de idéias novas, também o é saber viver coisas novas em cima de todos os ranços do passado, visando preparar um futuro menos penoso.

Assim pensando, minha Divindade me cobriu com o mais absoluto véu do esquecimento e me equipou com o semáforo da consciência – desconfiômetro, tendências instintivas, insights, evidências… para que, atendendo à diversidade de suas luzes, da advertência, de retenção ou liberdade eu recomeçasse, a cada dia, a escrever uma página nova na minha evolução…

De que adiantaria lembrar-me de todos os pretéritos ranços se estes nada contribuírem à minha alforria moral e ainda despertarem em mim rancores e mágoas a pessoas ou de pessoas muito próximas a mim?

Não há necessidade que o meu Deus me revele que o vizinho difícil que tenho, o filho problema, o parceiro que me incomoda, a operadora que me enlouquece… sejam os mesmos para com os quais não fui fácil, causei problemas, incomodei ou enlouqueci em meu passado rançoso… Todos eles, evidências desses maus efeitos, apontar-me-ão todas as causas que o meu Bom Pai julgou conveniente me fazer esquecer.

Lembrar de todos esses ranços seria promover a desforra, desafios a antigos desafetos, a mágoas reprimidas… Desarticula Deus com o véu distraído, todas as altercações, ódios adiados, duelos doídos, por ninguém vencidos e tão pouco concluídos…

Porque isso devia ser útil o meu Deus – o teu Deus – providenciou para que os meus – e os teus – atos de um passado encardido me passassem despercebidos e que por santa e divina providência muitas coisas para mim – e para ti – fosse omitido…

Este tipo de entorpecimento é, sem dúvida, o maior e mais divino antídoto contra todos os ranços do passado!

* * *

Que dádiva, meu Pai, poder adormecer sobre meus cacos e não me machucar. Acordar e poder abraçar minha amada e ter suaves lembranças de todos os meus, sem as restrições que todos os meus pretéritos mal feitos me imporiam…

…Esta é só uma amostra do que o véu do esquecimento pode fazer por mim e por todos aqueles que eu tenha machucado!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Vantagens do esquecimento, pag. 137 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012). 

Por anos, séculos, nesta ou em outras vidas, a humanidade sentiu medo de Deus ao infringir o decálogo – os dez mandamentos… ‘Representantes’ divinos agiam como mediadores entre o Pai e as ovelhas para mantê-las dóceis no aprisco; reportavam-se a um Pai severo que punia seus filhos, por ocasião de suas ‘infrações’. Instituído estava o cabresto religioso!

Dores físicas ou morais, das quais nunca estarei livre enquanto num Planeta de provas e expiações, não são nenhum castigo de meu Pai, mas uma luz amarela que se acende no semáforo de minha consciência a me indicar que logo, logo, o vermelho se fará se minha incúria me conduzir ao desamor.

Avançar no amarelo seria como eu optar pela estrada larga que jamais me conduzirá à porta estreita ou à paciente espera pelo sinal verde que me permitirá avançar na direção da disciplina, do bem, do amor, da benevolência; a partir daí a autonomia de meu tráfego…

O semáforo de minha consciência estará sempre me estabelecendo os limites para uma boa convivência no trânsito da vida.

Independente de suas cores, os sinais não são ruins… São apenas necessários. Meu Pai não me ‘castigará’ quando de minhas infrações; tão somente amorosa e justamente me apresentará a conta proveniente dos efeitos de causas equivocadas. Os sinais que se apresentarão, então em meu semáforo, me darão o tempo certo para disciplinar o meu tráfego nas pistas do Mundo.

Nenhuma dor terá o poder de permanecer ‘in aeternum’ – para sempre – em mim. Muito pelo contrário, caberá a eu entender que logo após o amarelo e estagiando pouco ou muito no vermelho virá o verde de minha liberdade… Liberto da dor, de conflitos, do desamor!…

Perceber os sinais do amarelo, exercitar no vermelho usufruindo do aprendizado das dores para logo após libertar-me e pilotar no verde, além de natural é a arte de dirigir a minha vida…

A coisa mais certa: A dor permanecerá comigo até eu prescindir de sua necessidade, ou que ela produza os efeitos de que precisar… “Toda dor demanda tempo para se equacionada, geralmente o tempo necessário à nossa transformação”.

Há muito que realizar em meu mundo interior em favor de minha saúde, só não o faço, muitas vezes, porque estou preocupado demais com as ações dos outros – para ser mais honesto, com suas vidas… Então permaneço doente!

Se eu “harmonizasse meus sentimentos, equilibrasse o raciocínio, enxergasse sem maldade [e] ouvisse sem distorções”, e ainda, seguindo os conselhos de Santo Agostinho, “interrogasse a minha consciência, ao fim de cada dia, sobre o bem e o mal praticado”, me propiciaria permanecer menos tempo nos sinais amarelo e vermelho, teria mais saúde e galgaria mais rápido o verde da liberdade!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Autoconhecimento, pg. 124 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Inverno de 2012).

Quando criança, quem já não brincou com o eco da própria voz? Ainda hoje, se ‘pintar’ um local adequado, seria capaz de ensaiar um daqueles gostosos gritos!…

Quando guri, qualquer local servia: Uma casa abandonada e vazia, uma canhada – dobras do terreno – mais profunda… Cavernas e cânions já eram mais escassos para o tipo de brincadeira.

As igrejas mais antigas possuem boa acústica; e as possuem porque são de uma época em que não haviam os sofisticados sistemas de som de hoje; os celebrantes faziam se ouvir e entender no ‘gogó’ mesmo, e lógico, com o auxílio da acústica as suas oratórias se propagavam como nas brincadeiras de crianças: ‘Irmãos, mãos, ãos… ’

Mas por que acústica, eco, ouvir, entender?

A consciência é a sala acústica de cada um: Conselhos, sugestões, diretrizes, reprimendas retumbam nessa sala e ela – a consciência – os ficará repetindo e realizando uma verdadeira triagem até que nosso livre-arbítrio os assimile ou o descarte.

Aconselhar-me junto à Vida Maior e a toda a sua Hierarquia do Bem é receber na acústica da consciência todos os ecos dos bons procederes; eles me dirão, por exemplo, que todas as atitudes que forem refletidas do ‘Salvador’ estarão corretas; que todas as minhas – atitudes – que forem consoantes aos procedimentos do Cristo sempre serão de ‘bom retumbo’.

“Aconselhar-me com Jesus”, ‘sentir o que Jesus sentia’, e, principalmente, ‘amar como Jesus amava’, será sempre o melhor ecôo para a minha vida.

A pergunta que ‘fecha todas’, portanto, é: “O que Ele – Jesus – faria, se estivesse em meu lugar?” Seguir o eco de suas recomendações e, sobretudo, de suas atitudes é saber aproveitar bem a “acústica da minha consciência”.

(Expressões em itálico e sintonia são do cap. Aconselhar-se com Jesus, pg. 24 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Outono muito frio de 2012).