Posts Tagged ‘Corpo e alma’

chico-xavierNão sou um corpo ocupando um Espírito, mas uma ora alma envergando um temporário e perecível corpo. Meu corpo não deverá ser hostilizado pelos desmandos que a alma lhe impuser, visto ser um mero executor das decisões que a alma tome…

Todos os êxitos ou fracassos exteriorizados por meu corpo são comandados por minha alma. Autores, Orientadores, Mentores Espirituais, muitas vezes e de uma forma até poética irão chamar o corpo de veículo físico, ferramenta, instrumento de trabalho, roupagem física…

Os Orientadores ‘da vez’, Chico e Emmanuel hoje a ele se referirão como refúgio, bastão, vaso, veste, pena, buril, harpa, enxada…

Como a mim também extasiam as flores e cada qual possui encantos e significados1, escolhi discorrer sobre o corpo como sendo o vaso da alma.

O flagelo ao próprio corpo, prática antiga, mas ainda existente em monastérios e clausuras, nada acrescentará a este consorte querido – o corpo – do qual preciso vigoroso para exteriorizar as tarefas que minha alma julgar edificantes… Como depositarei as flores, que minha alma por ventura produza, num vaso judiado, sujo e com má apresentação? Assim sendo o vaso de minha alma, bem apresentado, estará apto ao acolhimento de…

  • … Rosas de todas as nuances, simbolizando virtudes e equívocos exercidos por um Espírito que, na ânsia de amar e evoluir, constituirá um povo “santo e pecador”, mas na luta por uma evolução;
  • Arranjos de azálea, simbolizando a eterna aspiração de minha alma na busca da felicidade e na perseguição da elegância espiritual, que nada mais é do que a busca da angelitude;
  • Begônias, simbolizando a purificação das emoções, as quais concitam minha alma a ser pura como os pequeninos ou se lhes parecer na simplicidade dos sentimentos;
  • Bromélias, significando a amizade eterna e a felicidade plena, convidarão minha alma a uma generosa fidelidade a parcerias fraternas, fator de felicidade e garantia da subsistência dessas afetuosidades tanto no plano físico como no espiritual;
  • Cravos, sinônimos de liberdade, dando-me a entender que sou uma individualidade, que devo me amar e amar aos outros sem aprisioná-los; e que essas individualidades são desparecidas e como tal devem ser tratadas e respeitadas;
  • Orquídeas, representando perfeição e sabedoria; não o acervo que me alienará, bitolará ou humilhará a outrem, mas um repertório que oriente e console;
  • Margaridas, que representarão confiança e criatividade, imprimirão em meu corpo físico a força de um potencial para o desabrochar, para as artes e as descobertas úteis; e
  • Tulipas, significando a beleza, a prosperidade e independência, ditarão a meu corpo que o maior adereço da formosura é a simplicidade e que a progressão do Espírito em muito depende de sua autonomia de ser o melhor que puder no presente momento…

* * *

“… Enfraquecê-lo – o corpo – sem necessidade é um verdadeiro suicídio” (ESE, V, 26). Por que então não aformoseá-lo como a um lindíssimo vaso, qualificando-o a receber estas e todas as belas flores que a alma lhe ditar?!

(1. Giuliana Flores, Conheça o significado das flores. Sintonia: Cap. Perante o corpo, pg. 40, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes” (Mateus, X-8).

Ao codificar esta mensagem de Jesus, na forma do capítulo XXVI de O Evangelho segundo o espiritismo, Kardec, inspirado pela Coordenadoria Maior, realiza uma varredura na hipocrisia e um contraponto entre ela e o servir, abordando temas como o “dom de curar”, “preces pagas”, “mercado em templos de oração” e a “mediunidade gratuita”…

* * *

Eu, o indivíduo – parceria fantástica de Espírito mais eventual e alternativo corpo – recebi gratuitamente da Divindade poderes e possibilidades a desenvolver que eu próprio nem imagino. Convocado a realizar diariamente pequenos ‘milagres’ – curas, socorros, intercâmbios, desobsessões, irradiações – enfim, os serviços preconizados pelo Mestre “para o alívio daqueles que sofrem”, terei à minha disposição um corpo físico gratuita e amorosamente ‘equipado’ para retornar “o que de graça recebi”.

Dessa forma, e porque o Universo gratuitamente, me permitiu:

  • Mãos perfeitas, eu as estenderei; abençoarei; realizarei com elas amorosos e positivos acenos; erguerei caídos; intermediarei sagradas imposições; transportarei fardos dos desvalidos; utilizá-las-ei acalmando multidões; erguerei crianças infelizes; e também levantarei e regozijar-me-ei com as felizes… São os milagres das mãos perfeitas e que de graça recebi!
  • Cérebro equilibrado, eu raciocinarei na direção do bem; utilizá-lo-ei como órgão inovador; promoverei todos os ineditismos úteis; será oficina de fraternidade; planejará as boas soluções… São os milagres do cérebro equilibrado que de graça recebi!
  • Coração sadio e compassivo, dele não prescindirei para as decisões caritativas; será o aliado de razões que o próprio cérebro me desaconselha; realizará todos os lobbies, pressões ostensivas e veladas para que o bem se perpetue; fará com que a emoção tome conta do peito e os olhos vertam lágrimas úteis ante fatos tristes, emocionantes, edificantes, comoventes; não permitirá que passem em branco as atitudes honrosas, altruístas, construtoras; abominará o descaso, a indiferença, a insensatez… São as possibilidades de milagres de um coração sadio e compassivo que de graça recebi!
  • Pulmões preservados, continuarei zelando por eles para que sustentem os brados que se façam necessários fortes; me permitam respirar todos os ares perfumados; os fétidos das carências, também; ainda os leves e tranqüilos da harmonia; que eu fique sem ar quando a emoção tomar conta de mim ou de meus amigos; e que eu respire fundo quando a intolerância me rondar… São os milagres dos pulmões preservados que de graça recebi!
  • Olhos discretos, os utilizarei para olhar e enaltecer o belo; avaliar o nem tão belo; fotografar talvez o que me pede socorro e enviá-lo por uploads aos companheiros cérebro e coração; furtar-me-ei de ver o perverso onde não existe, o mal onde não reside, a incoerência e intolerância no que é natural; brilharão eles com o que é fantástico, tal como a fraternidade, o socorro, o esforço, a abnegação, a perseverança… São estes e muitos outros os milagres dos olhos discretos que de graça recebi!
  • Ouvidos abertos, para escutar o interessante ou o nem tanto, o aviltante e o edificante, o prazeroso e o desagradável; os farei moucos ou ‘de tuberculoso’ sempre que a necessidade da complacência sobressaia; se necessário ouvirei sem ouvir ou prestarei atenção ouvindo; falarei muito menos, ouvirei muito mais… São estes os pequenos milagres dos ouvidos abertos que de graça recebi!
  • Uma língua que se expressa, a dominarei para que ampare mais que destrua; socorra através do verbo; trabalhe para o bem e a verdade; que se cale ante a prioridade de ouvir; que seja discreta perante a maledicência; benévola ante a urgência do dialogo com infelizes encarnados e desencarnados… São estes os pequenos milagres de uma língua que se expressa e que de graça recebi!
  • Braços, pernas e pés saudáveis, que eles sejam as alavancas do socorro; que debréiem, acelerem e dirijam e realizem todas as curvas na direção do auxílio; que eles driblem a preguiça – o retrato mais fiel da morte; saltem, ou se já senis, nem tanto, para desembaraçar e iluminar caminhos e subtrair apuros; subam morros; contornem vielas; trafeguem no asfalto, na lama dos bairros, off Road ou através campos, onde a necessidade imperar… São estes os pequenos grandes milagres de braços, pernas e pés saudáveis que de graça recebi!…

* * *

Enumerada aqui está somente uma pequena parcela das fantásticas possibilidades desta parceria Espírito/corpo. Convocados a restituir, retornar, indenizar, quem sabe, pretéritos equívocos, o Espírito, mais que cativo de uma ‘máquina carnal de possibilidades’, lhe está no comando para realizarem, em cumplicidade, os mais sagrados auxílios.

(Sintonia: Cap. Auxilia também, pg. 61 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

corpo e alma

Não sobrevive uma sociedade – aqui, uma sociedade anônima – sem que seus parceiros, os sócios cumpram as cláusulas contratadas ou que moralmente cada indivíduo associado despenda todo o esforço necessário para que a empresa dê lucros, se expanda e proporcione progresso…

* * *

Para apaziguar ânimos de “ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo e o dos materialistas que se baseia no rebaixamento da alma”, o Espiritismo vem afirmar à humanidade que o convívio harmônico de ambos – corpo e alma – será necessário, pois a cada dia, mais e mais, pesquisadores descobrem relações de dependência entre ambos.

Corpo e espírito não são adversários. Embora o espírito anseie por sua libertação da carne, o que ocorrerá mais hoje ou mais amanhã, dado a efemeridade da matéria e a sua natureza espiritual, esse mesmo espírito precisará compreender que na presente vivência precisará estabelecer uma formidável parceria com o corpo do qual temporariamente é cativo, mas paradoxalmente associado.pagvip_1091_10148

Meu corpo físico não é, portanto, nem o vilão nem o mocinho da presente parceria: Todas as mazelas e todas as virtudes que meu corpo físico exteriorizar é uma produção única de meu espírito, ou…

… O indivíduo que possuir um corpo escultural e desejar prostituí-lo evidenciará tão somente um anseio do espírito. Roubar, matar, maltratar fisicamente familiares… são  ‘vontades’ do espírito as quais o corpo executa.

E aqui está a importância desta parceria: A boa índole do espírito ou o bom acervo que já conseguiu reunir nesta ou em outras vivências, proporcionará ao corpo também materializar boas ações; em caso contrário, este também exteriorizará ações de uma parceria nefanda.

* * *

Tal qual uma tela de cinema ou de computador, meu corpo somente exterioriza imagens que são geradas pelo projetor cinematográfico ou pelo PC que é o meu espírito.

(Item 11 do cap. XVII do ESE – Sede perfeitos) – (Evangelho no lar do dia 29 de janeiro deste verão quente de 2013).