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“Ainda que nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova dia a dia.” (Paulo, II Coríntios, 4:16).

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“O corpo se origina do corpo; o Espírito não é proveniente do Espírito, porque este já existia antes do corpo” (ESE, XIV, 8), constitui-se numa das colocações mais sábias da doutrina dos Espíritos.

Perecível, nosso corpo herda dos genitores características físicas, jeitos, trejeitos, cacoetes, tiques…

Imperecível, imortal, o Espírito é herdeiro de si próprio: um acumulado de virtudes ou equívocos.

Ambos são, pois, de procedências diversas e Paulo Apóstolo nos adverte sobre o fato:

De que, embora faleça nosso corpo atual um dia, nosso Espírito, ao qual chama de interior, tem o dever de se carregar de energias salutares dia a dia.

Não seria Sábio, Justo e Bom nosso Pai, se não nos destinasse à perfeição; e renovação é o termo usado por Paulo como pressuposto de encaminhamento à perfeição.

Emmanuel nos lembra que “cada dia tem a lição; cada experiência o valor correspondente; e cada problema determinado objetivo.”

Embora de procedências diversas, corpo e Espírito tornam-se parceiros, pois:

  • A lição é para ambos: ela pode ser salutar ao corpo, também, mas imprescindível à ascensão do Espírito;
  • Significativas mais ao Espírito, as experiências boas ou más estabelecem o aprendizado: é desejável que quanto mais maduro seja o corpo, mais contribua com a parceira alma; e
  • Os problemas, inerentes à categoria Planetária serão o cimento que solidificará tais parceiros.

Encararem lições, experiências, problemas, juntos, sob o comando do Espírito, será tarefa para tal parceria.

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As procedências de corpo e Espírito, (conforme citação supra), são de origens diversas, mas a cada reencarnação nova parceria se estabelece, em corpos alternados, diversificados, anômalos (se necessário), para que o “interior se renove dia a dia,” ano a ano, revivência a revivência.

Pobreza, enfermidades, velhice, são, já, o ocaso, a decadência física; o encerramento de mais um ciclo corporal; mas o início de novo ciclo para o Espírito que já será com novo parceiro.

Parceiros? Parceiros!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 141, Renova-te sempre, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

Antigos folguedos de criança, – quando ainda não existiam os eletrônicos – remetem minha lembrança às brincadeiras de ‘polícia e ladrão’, ‘mocinho e bandido’, ‘bang-bang’. Assistia-se aos inocentes filmes de faroeste e logo após ‘exibia-se’ em palcos improvisados, as cenas testemunhadas no telão. Alguns, conforme as índoles, desejariam ser o ladrão, bandido ou o vilão, outros polícia, ou mocinho…

Utilizo-me da presente alegoria para falar do corpo físico, coadjuvante da alma e tantas vezes taxado de vilão em cenas de deslizes promovidas pelo espírito ora atuando por aqui, na atual encarnação.

Nos empreendimentos que meu espírito realiza nas diversas reencarnações, todos os seus feitos positivos ou negativos, tal qual polícia e ladrão, mocinho e banido, deverão ser a ele – ao espírito – atribuído e não ao meu corpo físico. Este apenas exteriorizará as inclinações de minha alma, esta sim a agente de meus ‘bem feitos’ ou ‘mal feitos’.

Visto que meu corpo físico somente manifestará as inclinações boas ou más de minha alma, ele não poderá ser por elas responsabilizado; então, nem vilão, nem mocinho!

Corpos esculturais e muito bem definidos de homens e mulheres poderão gerar licenciosidades e degradação, como também gerar empregos honestos com destinações louváveis, dança, arte… Tanto uma como a outra atitude será o resultado do espírito impondo ao seu coadjuvante – o corpo – suas escolhas, resultado do livre arbítrio do pensante. Seria então o corpo a ferramenta de que se utiliza o espírito para externar suas boas ou más inclinações…

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Cilícios, açoites, espartilhos, confinamentos… reparadores de outrora; bulimias, medicamentos, cirurgias, tatuagens… escravizadoras de hoje, impunham e impõem macerações ao corpo físico, tido como vilão, quando o espírito, qual um ‘bom moço’ é que é o responsável por todos os abusos que se cometiam no ontem e ainda se cometem no hoje.

Tanto o cilício não reparava ontem, como as técnicas bizarras de hoje somente provocarão desconforto no utilitário da alma.

Quando o corpo ‘cai na gandaia’ e por ela é penitenciado com drogas lícitas e ilícitas obedece unicamente a comandos da alma que ao se utilizar de sua liberdade impõe ao corpo físico os mais cruéis desgastes.

Mais tarde quando esse veículo do espírito voltar ao pó, o perispírito se ressentirá pelas mazelas nele acumuladas.

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Amar com as mãos, bem conduzir os pés, boca que consola e aconselha, olhares de ternura, braços que enlaçam e acarinham, pernas que dão colinho, ombros que proporcionam suportes, arte, dança, expressões corporais diversas… serão as ações sempre bem comandadas pela alma; ou corpo e alma dependentes e parceiros no bem.

O corpo físico não é vilão nem mocinho. Se há vilão, mocinho, polícia ou ladrão nessa história esse é tão somente o Espírito, cativo ou liberto sob os impulsos do livre arbítrio.

“Não o castigueis [ao corpo] pelas faltas que o vosso livre arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa…”

(Expressão em itálico e sintonia são do cap. Extensão da alma, pag. 77 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera ventosa de 2012).