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tumblr_m6htfiPQXo1qka5jeo1_r1_500Corria o mês de abril e em nosso terceiro ano do ESDE, estudávamos o roteiro Esferas espirituais da Terra e mundos transitórios. Comentávamos de como a tônica do bem e do mal se faria presente em nossos estudos no corrente ano. E falávamos, é evidente, de como seria nosso desencarne e a qual dessas ‘esferas’ seríamos candidatos…

Em determinado momento a pergunta de um dos companheiros tornou-se inevitável:

– ‘Para onde’ iremos, após o nosso desencarne?

Ante os olhos arregalados da maioria, propusemos-lhes uma pequena analogia: Imaginemos que todos estejamos nos preparando para ‘essa partida’, para a nossa ‘viagem’ e que nossa mala já esteja preparada. Coloquemos nossa mala sobre a mesa e passemos a examiná-la:

Se estiver com muitas roupas leves, bermudões e camisas floreadas, sandálias multicoloridas… venderemos a idéia de que iremos passar temporada no Caribe ou, se nossos recursos não o permitirem, poderemos ir para mais perto; Florianópolis, por exemplo.

Entretanto, se nossa mala estiver atopetada de agasalhos, muitas roupas de lã, luvas, toucas… é muito provável que estejamos indo para o Alaska, ou, se para mais perto, bem para o Sul; Patagônia, quem sabe?!

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Nas questões espirituais, e mais propriamente com relação à morte de nosso corpo físico, o ‘para onde nós iremos’, poderá ter a sua resposta exatamente dentro da mala que temos preparado. Ou, o ‘do que’ estiver ela repleta, denunciará o local para onde estaremos indo:

Golpe-do-BauSe nossa mala estiver cheia de tudo aquilo que doamos, e aqui não estamos falando em linguagem paradoxal, mas exatamente dentro da Lei de justiça amor e caridade, nosso ‘destino’ será a esfera compatível com essa Lei e com o nosso apronto.

Mas se em nossa mala houvermos reunido todos aqueles pertences materiais aos quais estivemos até agora muito apegados, e vários baús não chegará, pois precisaremos reunir casa, carros, terras, roupas, sapatos, ouro… tenhamos a certeza que todos estes penduricalhos não nos levarão de imediato a lugar nenhum, pois ficaremos conectados, por muito tempo, às tralhas da crosta que passamos uma reencarnação inteira amando e endeusando.

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“Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus (‘há muitas moradas na casa de meu Pai’) também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha (…). Também nisso, portanto, há muitas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.” (ESE, Cap. III, item 2).

(Inverno de 2015).

Sábado, primavera de 2013. Em meio ao frenético vai e vem da pista central da Avenida Duque de Caxias, bairro Fragata, fazíamos, minha velhinha e eu, a caminhada que deveria ser mais amiúde, não fora os encargos da recente instalação.

A primeira constatação é que tal pista, construída inicialmente para ser um corredor de coletivos, continua à deriva do progresso, com imensas rachaduras, desníveis, mal sinalizada, e com inadequações em todos os seus retornos, como a própria avenida em seu todo.

Mas não é propriamente ao estado da pista que desejo me reportar, mas aos personagens que naquele momento a freqüentavam:

Muito próximo aos trailers de alimentação, as moças da limpeza realizavam suas tarefas, – árduas por sinal – de retirar todo o lixo que, sobretudo às sextas, sábados e domingos à noite é jogado inescrupulosamente naquela área. Também, aqui, e o deixo claro, não havia insatisfação por parte das profissionais; muito pelo contrário, exibindo todos e os possíveis looks próprios de suas feminilidades, cumpriam de forma risonha suas tarefas com o maior capricho possível.

Após as cumprimentarmos e elogiarmos seus trabalhos, minha amada e eu comentávamos de como tal área deveria estar imunda nas primeiras horas das segundas feiras, ao que concordaram, referindo-se ao caos e ressaca no início da semana.

Nesse mesmo instante e olhando para os lados da avenida, distraí-me ao pensar na diversidade de seus moradores e de como a felicidade está desvinculada do possuir ou não possuir. Questionamentos me ocorreram, tais como: Será que na mansão próxima haveria felicidade e que tipo de felicidade seria? Ou nas casas mais humildes, qual seria o significado dela? Entre o ter e o ser, quanto distanciamento do conceito felicidade!

Desatento, voltei a encarar as ‘meninas’ da limpeza e seus rostos humildes, porém francos pareciam me declarar que ‘eram’ muito mais do que ‘tinham’: Eram responsáveis, eram caprichosas, eram habilidosas, eram verdadeiras, eram ou… pareciam ser felizes!…

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“A Nigéria é líder entre os países com maior porcentagem de pessoas que se consideram felizes. (…) Situada na África, continente considerado paupérrimo, [conclui-se que] nem sempre a condição econômica é motivo de felicidade.” (World Values Survey, investigadora de valores socioculturais e políticos a cada cinco anos).

Conclui a mesma pesquisa que Rússia, Romênia e Armênia são os países menos felizes, donde é forçoso se coloque em dúvida que a origem e influência marxista não tenham completado o quesito felicidade dos povos.

Mas qual, então a ‘receita’ da felicidade? É possível que seja ‘a’ dada pelas moças da limpeza da ‘minha’ Avenida? Sim! É possível! A paz da consciência do dever cumprido, a satisfação que sentem de ver seu trabalho usufruído por ordinários e anônimos usuários e caminhantes como eu, a humildade de suas tarefas, o sentirem-se pequeno-grandes obreiras… as fazem felizes e disso eu não tenho dúvidas.

É possível que se o Mestre por ali passasse, num flash back e ao verificar suas fainas, as incluísse em seu ‘time’, – o das pequenas criaturas – como o fez com Zaqueu, com o Centurião, com Madalena, com a Viúva do óbolo, com o Publicano em rogativa no templo, com a mulher do poço e com tantos outros pequeninos perdidos no tempo e nas vielas da poeirenta Palestina e capital Jerusalém de Seu tempo.

Pensa nisso, minha querida e meu querido!

(Sintonia: Cap. Países mais felizes, pg. 47 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).