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12376016_1023487627713766_3655852493391827333_nMeu posto de abastecimento de combustível, como muitos o fazem, oferece uma lavagem expressa para clientes que abastecem uma quantia ‘x’ de álcool ou gasolina.

Não tenho muita paciência para enfrentar a fila da lavagem que, na maioria das vezes, é muito extensa. Mas quando se ‘quadram’ meu tempo, a fila e a ‘sede’ do automóvel, aproveito o serviço.

O prestador de tal serviço é um jovem muito simpático, alegre, atencioso e com os dentes ‘adornados’ por aparelhos corretivos.

Percebi que, quanto mais assíduo ficava, mais o jovem caprichava na lavagem (não que desleixasse com os demais).

Fico imaginando que inúmeros clientes ali comparecem com seus automóveis portando adesivos e, como sabemos, os mais freqüentes são: adesivos-família; ‘Jesus salva’ (concordo parcialmente com este); ‘Deus é fiel’ (será que o condutor é?); ‘Eu respeito os pedestres’ (educativo); ‘Foi Deus que me deu’ (os meus comprei-os todos!); ‘Conduzido por Deus’ (o melhor dos Pilotos automáticos). Além de muitos partidários, religiosos, esportivos e promocionais. O mais curioso que tenho visto foi este: ‘Deus é fiel! Já a vizinha do 501…’

Como cada adesivo transmite um recado, fico imaginando que o jovem trabalhador fique fazendo comparações entre a mensagem do adesivo e o comportamento do cliente (aqui, suposições minhas…)

Embora gratuito, gosto de colaborar com o jovem trabalhador: Para não constrangê-lo, na primeira vez consultei-o. Agora sempre lhe entrego o tíquete do vale lavagem e algo a mais que lhe informo ser para colaborar com sua merenda. E ambos ficamos satisfeitos…

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Após todas estas reflexões, enquanto esperava minha lavagem, percebi que também meu automóvel possuía, no vidro traseiro, adesivo de nosso querido Recanto de Luz, onde, entre outras coisas assim se expressava: “Disciplina, paciência e união – Dedica um dia ao Evangelho no Lar.”

Tomara tenha sido eu aprovado se, por acaso, o jovem tenha visto meu adesivo e reflexionado sobre meu comportamento…

(16 de dezembro, primavera quente de 2015).

Atravessei a adolescência e a juventude embalado pelos acordes e seguindo os ditames do vestir  me comportar e adquirindo trejeitos da jovem guarda e dos Bitles. Calças justas com boca de sino, cabelos compridos e bigodes mandarinescos. Minha mãe sempre me fazia dois pedidos: Que não me envolvesse com ‘boleta’ e não ‘casasse grávido’. Quatro décadas e meio depois adolescentes e jovens se divertem com o Restart e Michel Teló; vestem-se, falam, dançam e também adquirem seus trejeitos. Vejo, também, as mães preocupadas com esses miúdos…

Qual a diferença, então, meio século depois? Nenhuma! Simplesmente as décadas se sucederam e, em cada uma, moda, hábitos, costumes e comportamentos diferentes. E o que importa! Desde que não se maculem progressão moral, acervo intelectual e preservação física… O que é da moda, nunca incomodará…

Comer com as mãos é costume de alguns povos africanos. Comer frango sem talheres poderá ser normal para a metade da humanidade. Pessoas utilizarão talheres diferentes para o consumo de carnes ou de peixe. Água, vinho, cervejas, licores, destilados… são bebidos em copos ou taças diferentes…

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Freqüentemente ouço dizer: ‘Fulano é uma boa alma’! Isto significará que esse indivíduo já consegue se evidenciar pela sua moralidade, interesse em instruir-se, cuidados com seu corpo físico e, principalmente, em se utilizando de sua franqueza e liberdade, não serão seus costumes, hábitos ou trejeitos que o impedirão de ser uma pessoa confiável, ou…

… “Não é o que entra na boca que enlameia o homem, mas o que sai da boca do homem…”

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Se Jesus vivesse hoje – encarnado – neste mundo globalizado, onde todo mundo toma contato com tudo e com todos, certamente se divertiria com os costumes de cada povo e não perderia a oportunidade de realizar suas prédicas em se aproveitando dos costumes de cada um.

Dando asas às Suas recomendações, talvez dissesse aos heterogêneos povos e seus costumes, que vivessem exatamente e libertos dentro de seus diferentes hábitos, sem, entretanto, prevaricarem de elevação moral, de deveres intelectuais e do zelo pelo corpo físico, vítima, justamente, de ‘certos costumes’.

Inspirado por sua Boa Alma, talvez dissesse a todos os povos de diferentes culturas:

  • Que aproveitassem o sábado para todo o tipo de elevação, pois este – o sábado – teria sido feito para os homens de todas as épocas e não estes para o sábado. Que realizassem todo o tipo de curas nos ‘dias santos’; que nesses dias confraternizassem conforme seus costumes, visto a fraternidade ser prioritária;
  • Que se hospedaria na casa de pessoas de diferentes castas não se importando que o maldissessem por se alojar com ‘pecadores’, nobres ou plebeus;
  • Que vestiria, quem sabe, as roupas de cada povo e se embalaria aos seus particulares ritmos;
  • Que, à frente de uma máquina de última geração, responderia e-mails, postaria mensagens, curtiria e compartilharia as novidades que trouxera do Alto;
  • Que falaria ‘em cadeia’ a todos os povos sobre os lírios dos campos e as aves do céu; enalteceria a dracma da viúva, falaria da importância de pedir, da gratidão do décimo leproso, da fé do centurião, da amabilidade de Marta e Maria e do honesto arrependimento da adúltera;
  • Que tanto faria comer com as mãos ou se utilizar de talheres finos ou nem tanto; tomaria vinho em copos de cristal ou de cerâmica; e que, e principalmente,
  • Diria a povos de cabelos curtos ou compridos, sem barbas, com barbas longas ou aparadas que o preconceito é injusto, pois não é a imagem que declina o homem, mas todo o conteúdo que verte de seus lábios e toda a ação que flui de seus braços e perfumam aos quais servem.

Em fim, esta Boa Alma diria o que já dissera tantas vezes, há dois mil anos, aos fariseus de sua época: Que a hipocrisia a superstição, o preconceito, o estigma, a calúnia, a insensibilidade já ‘não estão mais em moda’ nos dias atuais, quaisquer que sejam as culturas, os povos, castas, credos e que a moda, qualquer que seja a cultura é a ditada pelo coração e que somente dessa forma “as leis de uma época conviveriam com as Leis Eternas.”

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Padrões de comportamento, etiquetas comuns a povos, costumes de povo para povo serão totalmente secundários no contraste com a elevação moral, aprimoramento intelectual e preservação do corpo físico.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Imposições, pag. 157 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera quente de 2012).