Posts Tagged ‘Delicadeza’

32328w640“Pela linguagem o homem ajuda-se ou se desajuda (…). A palavra é o canal do ‘eu’” (Emmanuel).

Possuímos sete ‘centros de forças’, os chamados chacras (ou xacras). O terceiro desses centros é o ‘laríngeo’, situado à frente da laringe (ou caixa de voz). O laríngeo é responsável pela energização da boca, garganta e órgãos respiratórios. Digamos que seja o centro de comunicação do ser humano…

* * *

Vamos mais longe: Porque vivemos em sociedade, através de nossa comunicação, ajudaremos ou desajudaremos. Construiremos ou destruiremos. Palavras ferem ou balsamizam.

Sábios afirmam que palavra é tal qual bisturi: Se não cura, mata! Espíritos já muito adiantados conseguem mesmo acometidos pela dor, enunciar palavras que dão alívio a outrem. Não é o caso da maioria de nós humanos, que ainda ferimos mais do que balsamizamos com nosso verbo. Pessoas muito acabrunhadas o que menos desejam é que lhes aumentemos as aflições através de uma palavra mal expressa, de maneira atropelada ou com a voz mal modulada.

Quando expressamos nosso verbo, expomos todo o nosso interior, pois a boca declinará do que nosso coração estiver cheio: Nesse momento nossas paixões explodirão ou virtudes se estenderão.

Nosso Benfeitor ora em estudo, nos aconselhará o equilíbrio, o caminho do meio: que nossa palavra não seja nem doce ou amarga demais; nem branda, nem áspera demais; e que conserte, se for preciso, mas sem a contundência cruel.

* * *

Falar é desempenhar uma faculdade: não nos daria a Divindade a palavra para que não a utilizássemos. Mas a palavra, como todas as circunstâncias de nossas vidas necessita do equilíbrio.

Pensemos nisso, confrades!

(Imagem: Soldado britânico fala ao ouvido da namorada, antes de ir à guerra, 1939. Sintonia: Fonte viva, Cap. 43, Linguagem, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

Cheguei ao último capítulo do livro com os olhos marejados… Mas de que adiantariam as lágrimas se o livro não imprimisse em mim propósitos de melhora? O livro narra a história de Morrie Schwartz (1916-1995), acometido de uma ELA – esclerose lateral amiotrófica -; mais precisamente as últimas 14 semanas de sua última encarnação, nas quais ele – o treinador, mestre  – transmite a Mitch Albom – o treinado, discípulo -, máximas como:

“Para mim, viver significa poder se responsável pelo outro… Falar com os outros. Sentir com os outros… Quando isso acabar, Morrie acabou”;

 “Sejam responsáveis uns pelos outros… Amem-se uns aos outros ou pereçam!”;

“Não tem sentido ficar curtindo vingança ou teimosia… Dessas coisas eu me arrependo na vida. Orgulho. Vaidade…”;

“Não é só aos outros que precisamos perdoar… A nós também… Pelo que não fizemos. Por tudo o que devíamos ter feito”;

“A morte não é contagiosa. É natural como a vida. Faz parte do contrato… Se fazemos disso (da morte) um cavalo de batalha, é porque não nos consideramos como parte da natureza”;

“Enquanto pudermos amar uns aos outros… Podemos morrer sem desaparecer”; e

“A morte é o fim de uma vida, mas não de um relacionamento.”

Morrie não se definia católico, protestante, evangélico, espírita… Admitiu a Mitch que falava com Deus somente muito próximo de seu desencarne. Profundamente religioso, no sentido de religar corações, atitudes, conceitos… Essa era sua religião.

Morrie mudou a vida do autor Mitch, certamente de muitos dos 10 milhões que compraram o seu livro, mexeu com a minha e talvez possa mexer com a de meu leitor. “Amem-se ou pereçam!” (Primavera de 2011).

Nestes quase 6 anos morando efetivamente no Balneário Cassino, amealhei bons amigos. Sem dúvida, meu vizinho da esquerda é um destes: Quase 20 anos mais velho, meu vizinho só me deu, até hoje, ótimos exemplos; ensinou-me, por exemplo, que depois dos 60, posso sim, realizar grandes feitos em minha casa física e em meu lar. Meu vizinho, juntamente com a vizinha – pessoas de muita fé -, possui família íntegra: Filhos, netos, bisnetos, todos oriundos de uma mesma cepa. Se visito muito meu vizinho? Em 6 anos umas três vezes… A primeira foi numa agonia grande que sua família passou, a segunda quando me ausentei por longo período e dele precisei e a terceira em seus 80 anos e lá estava ele, orgulhoso, rodeado quase que na integralidade por sua família… Os intrusos eram minha velhinha e eu. Quando meu vizinho tosse ou espirra, me anteno porque pode ser nada ou pode ser tudo… Normalmente– o que bom! – é nada! Nossas conversas são no muro, através de uma escadinha; pela escadinha, também, trocamos, mimos de pequeno vulto: Agradinhos para não deixar enfraquecer a amizade. Sinto-me imensamente privilegiado em ter como o meu parente mais próximo, este meu vizinho da esquerda que é cem por cento direito. (Primavera de 2011).