Posts Tagged ‘Desânimo’

“Muitas vezes: o progresso aparente dos ímpios desencoraja o fervor das almas [desanimadas]; a virtude vacilante recua ante o vício que parece vitorioso; e [aflige-se] o crente frágil, perante o malfeitor que se destaca, aureolado de louros.” (Emmanuel).

“A ordem do inverso” é uma canção de Yuseff Leitão, Paraense, defendida por Juliana Franco no VII Festival de Música Popular Paraense, em 2015, que aborda política, pilantragens e frustrações do povo de nosso País… (A interpretação, integral, pode ser apreciada no YouTube).

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Tanto a exortação sacra do Benfeitor, como a profana na composição do autor supracitado, abordam aparências, vícios, malfeitores. Ambas expressam a frustração dos bons ante o progresso aparente dos ímpios.

Tentemos, timidamente, dissecar o pensamento de Emmanuel sobre as frustrações em geral do Cristão, por ele aqui abordadas, e por Yuseff em sua oportuna composição:

Todas as nossas frustrações são frutos de nossas expectativas. São tais frustrações mais afilhadas da desconfiança do que da Fé inabalável, fundamentada; e que é o galardão dos nossos bons feitos.

É larga a estrada do progresso aparente. É, porém, estreita, espinhosa, pedregosa, difícil a estrada das almas que não caem no desânimo.

O vício, que é “a ordem do inverso” e que parece vitorioso, nos pega de surpresa aos que ainda possuímos vacilante a virtude da confiança.

Existe atrativo ‘mais atraente’ do que os que a mídia tenta nos convencer, todos os dias, de que são realmente atrativos? E o trocadilho aqui nos remete à letra de “a ordem do inverso” que recomendamos seja examinada…

Dessa forma, o crente frágil, que constata o ‘picareta’ sendo aureolado, perguntará a si próprio: “Espera aí!… Vale a pena ser honesto, quando todos os ‘malfeitores’ estão se dando bem e sendo ovacionados?”

Reflitamos que o Mundo não é um educandário perfeito e que Seu Governador não tem poupado esforços para que a população do Orbe se realinhe às Divinas ou Naturais Leis.

Um Espírito Protetor, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XVII, 10, O homem no mundo) nos orienta que “vivamos com os homens do nosso tempo, como devem viver os homens (…). Sois chamados a estar em contato com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos.” Mas também nos exortará “sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia.”

Resumindo, que vivamos no Mundo sem a ele pertencermos; e que muito mais que frivolidades, a corrupção, o mau-caratismo, as pilantragens são vícios que emperram a Regeneração Planetária, prescrita nos Divinos Propósitos.

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Não é interessante que pelas ações de alguns o Planeta deixe de ser um Educandário e passe a ser um ‘Reformatoriozinho de quinta!’ Este é “a ordem do inverso”; aquele o caprichoso propósito do Pai…

… E sob os auspícios zelosos do Governador!…

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Parece-nos que o inverso tornou-se a regra e o direito; a ordem, a exceção!…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 128 Não rejeites a confiança; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).

No-BBB-664x374Será impedimento às nossas lutas, sentirmo-nos fracassados, até perante nossos próprios confrades, quando não encontramos eco aos nossos combates a realitys exibidos periodicamente em nossa TV?

Que fazer com as pessoas e circunstâncias que nos compelem ao retardamento e à imobilidade?

“É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm! (Lucas, 17: 1).

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O Apóstolo dos Gentios, Paulo, vem assistir aos Hebreus, nesta questão e não deixa de nos socorrer, na atualidade, respondendo-nos: “Pondo de lado todo o impedimento.” (Hebreus 12: 1).

Se o próprio Cristo, através de Lucas, nos adverte que “é impossível que não haja escândalos” e Paulo de Tarso nos pede que “ponhamos de lado todo o impedimento”, tais impedimentos, naturais nas lides Crísticas, já deixarão de serem impedimentos.

Todos os nossos fracassos merecerão nosso autoperdão; e todos os fracassos de nossos confrades, – aqueles mesmos que ainda curtem realitys – também deverão merecer nossa compreensão e tolerância.

Nosso Cristo – o da doutrina dos Espíritos – não é diferente do Cristo dos católicos, evangélicos, luteranos… Pensamos que Cristo, independente do credo, nivela-nos as responsabilidades perante nós próprios e os outros. Credos, portanto, não será o impedimento…

O divulgador não espera retorno: se tiver que esperar algum que seja o fel de todos aqueles aos quais a verdade da Boa Nova ainda perturba. Nem a fealdade de alguns poderá se transformar em impedimento ao difusor.

Os dogmáticos, – os há dentro da própria doutrina dos Espíritos – aqueles que ainda colocam afirmações doutrinárias acima de postulados fraternos, não serão impedimentos para todos os cristãos que crêem que “a fraternidade será a única religião do futuro.” Exumar, dissecar e alardear velhos pensamentos dogmáticos? Impedimento nenhum!

Realitys, – ‘realidades’ – pegando carona no termo, fazem parte, ainda, da realidade de cada um. Cada estágio evolutivo pressupõe ‘uma’ realidade. Haverá um tempo no qual a realidade de indivíduos que acena para tais programas, já não mais acenará…

… Quanto aos seus criadores e divulgadores, esses responderão conforme as palavras do Sábio que já os houvera acautelado: “Ai daquele!”

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 12, Impedimentos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino; verão de 2016).

Sabe o bom livro? O bom livro sempre será o bom conselheiro… Próximo a completar cem dias de intensa turbulência envolvendo mudança de domicílio e cidade, comentava com minha amada Maria de Fátima do ‘cansaço de minha cabeça’; sabe pilha fraca? Essa a minha queixa!

Oportunamente me cai às mãos o presente capítulo, onde Irene Cardotti, paulista, psicoterapeuta familiar sistêmica e devotada à saúde da alma de seus pacientes relaciona num estudo, algumas maneiras de ganhar e não perder energia. Enumero algumas, com comentários próprios paralelos por estar vivendo no momento uma ‘perda de energias’ e julgando poder ser útil aos queridos leitores:

1º – Escutar – Dar oportunidade ao interlocutor. (…) De quem menos se espera pode vir um bom ensinamento. Saber ouvir é uma arte. Amar ao próximo:

Sempre que ouço este conselho, me lembro das abnegadas atendentes fraternas das Casas Espíritas: Elas possuem a arte de ouvir. Falam? Aconselham? Sim! Mas ouvem muito mais do que falam! A maior carência do necessitado que se põe à sua frente é a de ser ouvido.

2º – Aceitar-se – Ter consciência dos seus próprios valores, mas também das suas limitações. Aceitá-las de bom grado:

Ou seja, sem perder a consciência de meus valores, eu saber admitir que no momento e por uma série de estorvos eu estou fragilizado e que naturalmente esse momento delicado vai passar e retornarei à minha ‘audácia’ normal; a aceitação, por hora é a normalidade;

3º – Eleger prioridades – Visualizadas as tarefas, (…) escolher as prioritárias. Realizar as possíveis:

Quando às vezes me queixo a mim próprio do ritmo lento e por ainda não ter ‘engrenado’ todas as tarefas, este conselho me cai “como uma luva”. As tarefas não possíveis, possivelmente deverão ficar preteridas; postergar tarefas não prioritárias, no momento é economia de energia da minha pilha já fraca.

4º – Fazer suas vontades – Dar uma “colher de chá” a você mesmo. (…) Comprar um objeto de desejo. (…) Acreditar nas intuições:

Minha linha franciscana raramente me permite acatar o conselho da doutora… Quanto a acreditar nas intuições, sim! As boas intuições são o Sopro Divino, os Salutares Bafejos das Companhias que o indivíduo compreende serem as melhores para si e para aqueles a quem ama. Acreditar, aceitar e seguir esses cintilos é uma questão de sobrevivência, sobretudo em situações singulares;

5º – Respeitar o corpo – Saber encontrar o limite de suas energias a cada tempo e momento:

Determinadas peças do automóvel sofrem desgaste em cascata. Com o corpo físico e mental é a mesma coisa. Ansiar por ultrapassar os limites poderá ocasionar perdas dificilmente reparáveis em curto prazo. Amar meu próximo sempre considerando que meu mais próximo sou eu mesmo! Ultrapassar limites esgota a pilha…

6º – Evitar explosões – Ataques de ciúmes, inveja, raiva ou melancolia recolhem energias [e] deixam seqüelas em você mesmo. Usar o perdão [e lembrar] André Luiz/Chico Xavier: “Toda a irritação é um suicidiozinho para nossas energias orgânicas”:

Todos os ‘ataques’ supracitados, bem como a falta de perdão e as irritações descarregam, automaticamente a pilha. Entrar em oração, locupletar-se do estado alfa, pensar perdão… é um convite à calma, à economia de energias e ao preenchimento da carga energética. Não desejaria para um momento de exceção uma condição mais adequada que tal tipo de relaxamento; e

7º – Desligar o turbilhão da mente – Evitar remoer pensamentos, recalcar problemas, (…) dedicar-se a coisas triviais, como molhar plantas, alimentar pequenos animais, varrer a casa, arrumar uma estante; enfim, realizar tarefas físicas que não carecem de avaliações mentais:

Os chamados hobbys, passatempos úteis, desobrigações, aficionismos, relaxamentos necessários… Estas atividades sem compromisso proporcionam um bom ‘recreio’, principalmente quando se vive uma situação excepcional.

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Pilha fraca? Nada que um Deus Forte, um perdão forte e uma forte e verdadeira intuição não resolvam… Lógico, e mais as dicas de Dra. Irene, todas salutares!

(Sintonia: Cap. Economizando energias, pg. 49 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

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O indivíduo, – Espírito – tal qual o rudimentar e primeiro automóvel a vapor inventado em 1678, pelo padre Ferdinand Verbiest, de Flandres (Norte da Bélgica), foi criado simples e ignorante, mas com um ‘futuro promissor’. Se o automóvel, de lá para cá teve um avanço estupendo, também ao indivíduo foi facultado avançar intelectual e moralmente. Quando o automóvel de hoje atinge uma complexidade fantástica, com recursos inimagináveis aos tempos do padre Ferdinand, o Espírito, detentor de ‘experiências acumuladas’ bem maiores que o invento, possui capacidades inatas já e por serem desenvolvidas…

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Como o automóvel, e por maior ‘bagagem tecnológica’ que possuam, os indivíduos também enguiçam. Há aqueles dias em que, ‘estacionado’ no acostamento, o indivíduo vê passarem por si todos os demais, nos seus diversos afazeres e ele ali, pifado, desanimado.  Enquanto todos – transporte, utilitários, coletivos – produzem, ele se sente à deriva, tal qual um barco no estaleiro, temporariamente inútil.

Esses indivíduos, ainda não possuidores da ‘angelitude’ e competência dos modernos carros e por viverem num Planeta susceptível a ocasionais transtornos, desalentos e abatimentos, precisarão, volta e meia, de mecânicos da Providência Divina para socorrê-los, tirá-los da deriva, dos acostamentos a que se lançaram pela própria invigilância ou descuido dos ‘sinais vitais’ que os manteriam ‘rodando’.

O que é o desânimo senão o corte ou a descontinuidade da energia e do combustível da fé e da esperança, – motivação que move a máquina fantástica que é o indivíduo – e o põe temporariamente no acostamento? As fraquezas e invigilâncias emperrarão sua caixa de câmbio e o deterão em determinado momento de sua marcha…

O veículo físico do Espírito, poderá se apresentar com seus equipamentos perfeitos: rodas, faróis, buzina, instrumentos, palancas, volante… o que há é a pane momentânea da ‘alma motor’ desse veículo, e o desânimo faz com que o combustível e a corrente elétrica não lhe chegue à parte vital.

Desejar voltar à ativa, desvencilhar-se dos enguiços da alma será o primeiro passo, pois a partir do momento em que o carro desejar sair do acostamento, uma equipe de motoristas, mecânicos, eletricistas e socorristas será movimentada pela Divina Providência, para que o doente volte a trabalhar, por singelas que sejam as tarefas afetas no lar, na comunidade, na sociedade…

Recuperar-se, reorganizar a mecânica de sua vida, ajustar o ‘ponto’ e a partir da singeleza de sua capacidade, transportar necessitados, encurtar caminhos alheios, transportar um sortido… será a melhor maneira de, saindo do meio fio, voltar a ser útil.

(Crédito inicial: Wikipédia. Sintonia: Cap. Sem desânimo, pg. 9 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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Quando meu particular PC está carente de alguns aplicativos ou ‘plugins’, poderei ficar impossibilitado de acessar vídeos, filmes ou outras necessidades; diria então que minha máquina está capenga…

Pessoas muito competentes e talentosas em resolver diversas situações muitas vezes poderão estar com um amontoado de coisas por realizar. Ninguém duvida que essas pessoas estejam ‘desanimadas’, ou surdas às vozes da ‘anima’. Dir-se-ia que essas pessoas estão – temporariamente, é claro – sem o ânimo que a coragem pode lhes patrocinar…

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Indivíduos desencorajados, ou desanimados, passam a mascarar a força que seus talentos lhes proporcionam. Tal qual meu PC, esses indivíduos estariam, também, temporariamente capengas.

A falta de coragem me deixará capenga sempre que eu ignorar que a atitude de mantermos um constante intercâmbio com a “voz da alma” nos daria segurança e coragem para nos guiar por nós mesmos.

Quando reflexiono e volto a me apropriar de meus valores inatos, ou recobro a consciência, o domínio e a aplicação de minhas potencialidades, tal qual minha máquina com aplicativos ou plugins, retomo realizações que haviam ficado marginalizadas por conta de meu desânimo.

“Vós sois o sal da terra; (…) vós sois a luz do mundo”: Ao me fazer estas exortações, pela pena de Mateus, o Mestre deseja me dizer que através da coragem precisarei colaborar no tempero de minha vida e dos que comigo caminham; que precisarei aumentar a mecha de minha lamparina e colocá-la ‘sobre’ e não ‘sob’ o alqueire para que possa iluminar toda a ‘minha família’. Uma chamada às minhas responsabilidades próprias e coletivas.1781897

Desencorajados, claudicantes, desanimados, – capengas! – são os indivíduos que temporariamente perderam a noção de que não há problema insolúvel ou que nenhum fato ou acontecimento está além de nossa aptidão de lidar com eles.

Crescer, evoluir de forma autônoma e saudável, exigirá que eu não precise das muletas de outrem para tomar minhas decisões, mas que ouça as Boas Intuições dos Amigos Socorristas. Se, por outro lado, a necessidade de consentimentos se tornar genérica, passarei a precisar de bengalas, muletas, próteses e outras alavancas financiadas por minha falta de autonomia.

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A sociedade poderia ser regida somente pelas leis naturais, sem o concurso das leis humanas, (…) se os homens as compreendessem bem e se houvesse vontade de praticá-las. (Questão 794). Ou é a sociedade – incluindo-me nela! – se utilizando das escravizadoras bengalas das leis humanas, tendo em vista coxear por falta de compreensão ou vontade.

O incentivo, de suma importância, sempre será necessário, – caso contrário não estaria aqui animado pela alma em lhes escrever – mas toda a vez que eu precisar de lisonjas e aprovações para empreender, é possível que minha coragem esteja capengando, pois como diria São Paulo aos Tessalonicenses, falamos não para agradar aos homens, mas, sim, a Deus que perscruta o nosso coração: Haveria estímulo maior?!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Coragem, pag. 123 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).