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Quem atura um fiambre ‘bafiado’, rançoso? O passado poderá ser que nem o quitute que ontem era o ideal, mas servia tão somente para ontem… Para hoje poderá não servir mais.

Assim como é uma arte reescrever velhos temas, utilizando-se de idéias novas, também o é saber viver coisas novas em cima de todos os ranços do passado, visando preparar um futuro menos penoso.

Assim pensando, minha Divindade me cobriu com o mais absoluto véu do esquecimento e me equipou com o semáforo da consciência – desconfiômetro, tendências instintivas, insights, evidências… para que, atendendo à diversidade de suas luzes, da advertência, de retenção ou liberdade eu recomeçasse, a cada dia, a escrever uma página nova na minha evolução…

De que adiantaria lembrar-me de todos os pretéritos ranços se estes nada contribuírem à minha alforria moral e ainda despertarem em mim rancores e mágoas a pessoas ou de pessoas muito próximas a mim?

Não há necessidade que o meu Deus me revele que o vizinho difícil que tenho, o filho problema, o parceiro que me incomoda, a operadora que me enlouquece… sejam os mesmos para com os quais não fui fácil, causei problemas, incomodei ou enlouqueci em meu passado rançoso… Todos eles, evidências desses maus efeitos, apontar-me-ão todas as causas que o meu Bom Pai julgou conveniente me fazer esquecer.

Lembrar de todos esses ranços seria promover a desforra, desafios a antigos desafetos, a mágoas reprimidas… Desarticula Deus com o véu distraído, todas as altercações, ódios adiados, duelos doídos, por ninguém vencidos e tão pouco concluídos…

Porque isso devia ser útil o meu Deus – o teu Deus – providenciou para que os meus – e os teus – atos de um passado encardido me passassem despercebidos e que por santa e divina providência muitas coisas para mim – e para ti – fosse omitido…

Este tipo de entorpecimento é, sem dúvida, o maior e mais divino antídoto contra todos os ranços do passado!

* * *

Que dádiva, meu Pai, poder adormecer sobre meus cacos e não me machucar. Acordar e poder abraçar minha amada e ter suaves lembranças de todos os meus, sem as restrições que todos os meus pretéritos mal feitos me imporiam…

…Esta é só uma amostra do que o véu do esquecimento pode fazer por mim e por todos aqueles que eu tenha machucado!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Vantagens do esquecimento, pag. 137 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012).