Posts Tagged ‘Desencarne’

rosabranca2Normalmente nos referimos a indivíduos que desencarnaram com expressões irresponsáveis e até genéricas tal qual: ‘Como fulano era bom!’ É como se o desencarne melhorasse os Espíritos. Menos mal, pois isto poderá significar que entre nós e o desencarnante não restou pendengas significativas ou que o indivíduo pode ser bom mesmo…

Pelo contrário, quando em mesmo caso, nos utilizamos da expressão ‘morreu! Antes ele do que eu!’, há uma conotação de que algo ficou pendente entre nós e o ‘falecido’; que mágoas restaram ou que nem todas as nossas questões de perdão foram equacionadas.

O que precisamos compreender é que não é pelo fato de alguém nos haver antecedido no túmulo que deixará de ser um Espírito vivente e como tal nossos débitos estarão saldados. Muito pelo contrário! Espírito livre, ele terá maior liberdade de, em nos assediando, cobrar, e de uma forma velada, dissimulada e persistente, a ‘conta’ que lhe ficamos devendo.

“Rei morto, rei posto” não se aplica nas questões pendentes do perdão, pois sempre o “rei morto” – o desencarnado – terá tido apenas a falência do corpo físico; ele, Espírito, continua vivinho, vivinho e em liberdade para nos cobrar tudo o que é seu de direito.

Tanto no caso do ‘fulano que era bom’ ou do ‘antes ele do que eu’, será inteligente e cristão orarmos pelo primeiro para que o intercâmbio de regozijo se estabeleça e pelo segundo em contristado e humilde pedido de perdão, pois certamente pendências restaram.

Emmanuel nos orienta que Espíritos de nossa convivência na Terra e que partiram para o Além, sem experimentar a luz do perdão (…) muito sofrem com o juízo ingrato ou precipitado que, a seu respeito, se formula no mundo.

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No momento em que começamos a encerrar nossos assuntos sobre o perdão e estamos prestes a iniciar estudos sobre a fraternidade, prestemos atenção nas palavras do Benfeitor: Lembrando aquele que nos precedeu no túmulo, tende compaixão dos que erraram e sede fraternos. E ainda, rememorar o bem é dar vida à felicidade. Esquecer o erro é exterminar o mal.

(Sintonia com a questão 341 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

tumblr_m6htfiPQXo1qka5jeo1_r1_500Corria o mês de abril e em nosso terceiro ano do ESDE, estudávamos o roteiro Esferas espirituais da Terra e mundos transitórios. Comentávamos de como a tônica do bem e do mal se faria presente em nossos estudos no corrente ano. E falávamos, é evidente, de como seria nosso desencarne e a qual dessas ‘esferas’ seríamos candidatos…

Em determinado momento a pergunta de um dos companheiros tornou-se inevitável:

– ‘Para onde’ iremos, após o nosso desencarne?

Ante os olhos arregalados da maioria, propusemos-lhes uma pequena analogia: Imaginemos que todos estejamos nos preparando para ‘essa partida’, para a nossa ‘viagem’ e que nossa mala já esteja preparada. Coloquemos nossa mala sobre a mesa e passemos a examiná-la:

Se estiver com muitas roupas leves, bermudões e camisas floreadas, sandálias multicoloridas… venderemos a idéia de que iremos passar temporada no Caribe ou, se nossos recursos não o permitirem, poderemos ir para mais perto; Florianópolis, por exemplo.

Entretanto, se nossa mala estiver atopetada de agasalhos, muitas roupas de lã, luvas, toucas… é muito provável que estejamos indo para o Alaska, ou, se para mais perto, bem para o Sul; Patagônia, quem sabe?!

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Nas questões espirituais, e mais propriamente com relação à morte de nosso corpo físico, o ‘para onde nós iremos’, poderá ter a sua resposta exatamente dentro da mala que temos preparado. Ou, o ‘do que’ estiver ela repleta, denunciará o local para onde estaremos indo:

Golpe-do-BauSe nossa mala estiver cheia de tudo aquilo que doamos, e aqui não estamos falando em linguagem paradoxal, mas exatamente dentro da Lei de justiça amor e caridade, nosso ‘destino’ será a esfera compatível com essa Lei e com o nosso apronto.

Mas se em nossa mala houvermos reunido todos aqueles pertences materiais aos quais estivemos até agora muito apegados, e vários baús não chegará, pois precisaremos reunir casa, carros, terras, roupas, sapatos, ouro… tenhamos a certeza que todos estes penduricalhos não nos levarão de imediato a lugar nenhum, pois ficaremos conectados, por muito tempo, às tralhas da crosta que passamos uma reencarnação inteira amando e endeusando.

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“Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus (‘há muitas moradas na casa de meu Pai’) também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha (…). Também nisso, portanto, há muitas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.” (ESE, Cap. III, item 2).

(Inverno de 2015).

Em recente visita a uma importante vinícola da Serra Gaúcha, tive o privilégio de acompanhar uma robotizada linha de produção que, no início, recebia a garrafa, seu conteúdo e a rolha… Ao final da linha o produto final acabava encaixotado e pronto para, diria, sua ‘morte’ ou o consumo. Mas antes de tudo isso, onde estaria a ‘essência’ de tudo isso? Na videira! Ou na planta que a cada ano irá se renovar, espocando seus brotos, florescendo e produzindo novos cachos que novamente reiniciarão o ciclo produtivo…

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Dir-me-ia Hammed que “os fenômenos de nascimento e morte são etapas de um processo natural da vida”… Nascer – ou renascer – o espírito, ou essência, num corpo de carne e com ele conviver, zero, cinco, cinqüenta, cem… anos, para depois entregá-lo ao túmulo, será só uma das etapas a ser cumprida pelo meu espírito.

O que minha alma fará e como encarará as provas oferecidas pela presente etapa é o que será considerado: Ou o processo terá avançado na ‘linha de produção’ se minha alma não houver desperdiçado essa etapa benfazeja.

Em encarnar, desencarnar, novamente reencarnar e na repetição de todas essas etapas não há, em momento sequer, por parte de meu espírito a interrupção de sua essência e tão pouco tais processos deixarão de serem os aliados de minha alma/espírito. De nada me serviria, portanto, encarar essas etapas como adversárias, pois todos os infortúnios que se me apresentarem será divinas ou regeneradoras razões.

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Neste nomadismo em que eu, minha família, meus amigos e minha grande família universal vivem cada qual encarará de uma forma diferente as suas ‘perdas’… Independente de credos e crenças, todos sentirão o apartamento da alma do corpo de seus queridos de uma forma muito doída; seriam antinaturais se assim não procedessem.

O que a Doutrina Espírita tenta elucidar aos seus simpatizantes, estudiosos e militantes é que a essência, a vida, – como a essência/seiva das videiras – essa não cessa; muito pelo contrário, numa alternância de encarnada/desencarnada, se perpetuará e cumprirá sempre todas as etapas de um natural processo.

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“E, quando este (corpo) mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (I Cor 15:54 e 55).

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Pesos inúteis, pag. 173 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) –

Foto nº 1 –  Linha de produção da Vinícola Salton, Bento Gonçalves-RS – (Primavera de 2012).