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“… Para que você obtenha luz e auxílio é indispensável adote duas atitudes fundamentais: estudar e raciocinar, a fim de se instruir; trabalhar e servir para merecer.”

Aeronaves normalmente possuem um par de turbinas; há Airbus que possuem dois pares e cargueiros com até três pares… Quando uma só das turbinas do avião entra em pane, a aeronave como um todo entrará em desequilíbrio. O pássaro que tenha uma das asas machucadas, não conseguirá a estabilidade e a harmonia do vôo…

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Começo hoje minha sintonia com Chico e André Luiz justamente pelo final do capítulo abordado: Esteja o indivíduo na maior ‘fossa’, com o problema aparentemente mais insolúvel, sentindo-se culpado de algo, doente do corpo ou da alma, desanimado, enfraquecido ou criticado… a solução está exatamente em suas mãos através do estudo e do trabalho.

Estudo e trabalho – as duas asas da Doutrina Espírita – serão as atitudes desobsessivas que facultarão ao indivíduo ora citado começar a sair de equivocados estados de saúde mental e física para a sanidade da alma e do corpo. Estudo e trabalho com seus conseqüentes resultados – raciocínio, instrução e serviço – reverterá um quadro de obsessão, trazendo esse indivíduo de volta à utilidade, visto ter retomado a sintonia com os Bons Amigos do Alto.

Toda a atividade de um Centro Espírita sempre será norteada pelas asas sadias do estudo e do trabalho:

  • No estudo, particularmente no Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE), no qual todos os trabalhadores de uma Casa deverão estar engajados, há uma explosão de idéias. Naquela horinha semanal, abre-se um parêntesis na vida do trabalhador/estudante, para que um determinado quesito doutrinário receba uma multiplicidade de opiniões, conforme seja a quantidade de alunos presentes ao estudo do momento. Dúvidas, polêmicas, controvérsias, todas serão ouvidas atentamente pelo grupo, mediadas por um coordenador que, sem meias palavras, irá examiná-las exatamente dentro da correta informação doutrinária do quesito ora proposto;
  • Não deverá ser desconsiderado o estudo mediúnico. Sempre que o coordenador de tal atividade achar necessário, bons temas sobre o assunto deverão ser discutidos, a fim de que a teoria contida em obras sérias seja exposta, assimilada pelos médiuns e conduzida à prática dentro da sala de socorro e informação;
  • O hábito da leitura deverá fortalecer o espírita. Ler, raciocinar, compreender, instruir-se… eis o alimento do Espírito! Aos que gostam das escritas, ler e escrever são como queijo e goiabada: os dois são gostosos juntos;
  • No trabalho há um leque de possibilidades dentro da Casa Espírita: É na sala de aula que os coordenadores agirão como ‘caça talentos’, visto que a intuição desses coordenadores deverá direcionar o futuro trabalhador para uma área na qual se sinta capacitado e possa render satisfatoriamente em proveito da casa toda. Recepcionistas, diretores de públicas, condutores de preces e irradiações, atendentes fraternos, expositores, passistas, coordenadores de mediúnicas ou de estudos, militantes junto à infância, juventude e aos pais, todos são trabalhos que serão realizados pelo ‘operário’ que um dia mostrou certa queda ou talento para tal;
  • O trabalho é a prática da teoria. E aqui me refiro ao trabalho voluntário ou aquele no qual a remuneração é ‘tão somente’ a tranqüilidade do Espírito. Não haveria sentido para o homem possuir toda uma teoria e  invalidar-se não se engajando à prática.

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Como neste Planeta existem encarnados – técnicos, mestres, conselheiros, profissionais de diversas áreas, ajudantes, serventes – que se dedicam aos outros indivíduos, através do estudo e do trabalho, não posso duvidar que na Dimensão dos desencarnados – onde deve abundar estudo e trabalho – outros tantos Abnegados nos assistam – e aqui me refiro materialmente, visto vivermos num mundo ainda denso – nos sufocos e perrengues que por vezes passamos. São Amigos de jornadas anteriores que, por estarem ora desencarnados, não deixaram de nos amar e nos atender dentro de suas possibilidades e dos Divinos Planos a nosso respeito…

Desatinos, aflições, doenças, desenganos, prejuízos e fracassos, conflitos, desânimos, críticas… todos encontrarão luz e auxílio no estudo e no trabalho, as asas que permitem ao espírita sair de terríveis turbulências para o vôo do equilíbrio.

(Sintonia: Cap. Terapêutica desobsessiva, pg. 141 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013 e ainda no Cassino).

“O homem, para progredir, [e] porque não dispõe de todas as faculdades, precisa se relacionar com os outros homens. No isolamento se embrutece e se enfraquece. [Dessa forma], há um objetivo providencial [na Lei de Sociedade]…” (Questão 768 de O Livro dos Espíritos).

Em relações ecológicas, as harmônicas ou positivas se caracterizam pelo benefício de ambos os seres ou de somente um sem o prejuízo do outro. Neste assunto há que se considerar a protocooperação: Na relação entre anu/bovinos a ave se alimenta dos indesejáveis carrapatos aos bovinos; bem-te-vis se servem de insetos inoportunos a eqüinos e bovinos; o pássaro-palito além de restos alimentares come as sanguessugas da boca dos jacarés. Inquilinismo: As orquídeas se grudam no topo das árvores, para alcançar os raios de sol, sem, no entanto ser-lhes prejudiciais. Comensalismo: A rêmora, que acompanha o tubarão, aproveita-lhe os restos de comida… 1

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Ao compor as Obras Básicas com a colaboração dos Clarões Celestiais, Kardec não ignoraria, de forma nenhuma, exemplos que a Mãe Natureza sobejamente dita aos filhos da Terra nos quesitos parceria. Deus, em sua Infinita Sabedoria, a fim de consolidar a Obra de sua Criação, desejou ‘precisar’ do homem como parceiro do próprio homem. Estes indivíduos, de Espíritos ímpares e possuidores de evoluções diferenciadas, faculdades diferenciadas e competências também diversas, precisariam colocar-se à disposição uns dos outros para que cumprissem a Lei de Sociedade, de Progresso e de Igualdade: “O que um não pode ou não sabe fazer, o outro faz” (Idem, questão 804).

Portanto, mais que um ‘toma lá, dá cá’, estabelecer-se-ia entre os viventes uma relação de dependência, visto darem-se de conta que o Pai lhes providenciou – de Providência Divina – viver num Planeta de parcerias, e que esse consórcio lhes exigirá não esquecer que:

1. O indivíduo é um Espírito ‘nômade’, vive se mudando daqui para ali, dali para acolá ou retornando ao ponto de partida. A sua estima sempre será avaliada pelo frisson que causará nas outras pessoas por ocasião de sua partida ou do retorno a um lugar em que já viveu. Se ele deu ele receberá – também ‘o’ que deu, receberá; se ele estimou, será estimado; sua partida será chorada e seu retorno será aplaudido; ou não! Nesse caso a lei de ação e reação será implacável.

2. Gentilezas geram gentilezas: Por ocasião de suas chegadas e partidas que tipos de auxílios e compreensões os indivíduos receberão? As mesmas que um dia jogaram no Universo! Vizinhos farão sentidas despedidas ou calorosas recepções consoante às gentilezas de que foram objeto pela parceria… Ou não!

3. Parceiros são heterogêneos: Por entenderem coisas desiguais e possuírem faculdades desiguais é que eles se completarão; volta-se ao “o que um não pode ou não sabe fazer, o outro faz”. E os indivíduos também possuirão deficiências. E cada qual terá as suas. Então por que eu anunciar em alto falante ou megafone as ainda insuficiências alheias se eu também possuo as minhas? A desculpa às próprias faltas pressupõe o indulto às dos outros!

4. Se gentilezas geram gentilezas, as irritações também provocarão irritações! Ir abaixando o volume da prosa até deixá-la no ‘mute’, muitas vezes poderá ser a solução. Quem sabe o silêncio da palavra não poderá aplacar a ira do destempero?!

5. O chulo ditado “pergunta idiota, tolerância zero” também poderá ser aplicado ao consórcio. Indivíduos com perguntas e respostas comedidas e que sabem elevar o trabalho de seus parceiros, verão valorizados seus trabalhos e se sentirão no meio de consortes também reverentes.

6. A parceria seja feita não só no trabalho, mas também no estudo: Se fiquei sabendo de algo que não sabia, mas que o parceiro me explicou, já estarei apto a passar adiante essa explicação. Dessa forma serei a ‘rêmora’, o ‘pássaro-palito’ ou a ‘orquídea’ a buscar socorro junto aos mais sábios. Não há maior sabedoria que ocupar o ‘tempo vago’ em estudar, aprender, ensinar.

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Parceria é luz. O parceiro ou consorte é aquele que, ao me livrar da agonia de uma dificuldade promove um clarão que iluminará não somente a mim, mas a todos os que o rodeiam. Que esse clarão seja promovido dentro de uma possível gratuidade. Se provindo de uma faculdade gratuita, que seja também distribuído gratuitamente!

1. Wikipédia, a enciclopédia livre; Protocooperação (imagens 1 e 2); inquilinismo (imagem 3); e comensalismo (imagem 4) – (Sintonia: Cap. Desobsessão sempre, pg. 129 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

“Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da auto desobsessão” (André Luiz/Chico).

Devido a frieiras nas mãos, – inchaços por falta de circulação em climas frios e úmidos – sempre tive dificuldades com algumas lides caseiras, como estender uma cama, lidar com água, e, principalmente, lavar a louça…

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Pegando ‘carona’ com os autores e fazendo uma co-relação às minhas frieiras que hoje já não me atormentam tanto, considero a maior hipocrisia eu pretender auxiliar o próximo fora de casa, se ainda não consigo auxiliar o meu ‘mais próximo’ dentro de casa. Não por isto deixarei de abordar o tema e que Deus me ajude a que o primeiro efeito dele seja em mim mesmo.

O “seremos auxiliados” dos autores, não deseja significar um ‘toma lá dá cá’, interesseiro e vulgar, mas o indivíduo se sintonizar, através do auxílio, com as claridades. Muitas vezes a claridade que provém do auxílio poderá me imunizar contra tristezas, marasmos, preguiças, vazios e colaborar sobremaneira com minha auto-desobsessão.

Ora, esses auxílios, que vão muito além do material, – de lavar a louça, por exemplo – são a ajuda que colabora comigo no aclaramento e poderá significar:

1. Evitar a ‘fofoca’: O que eu escutar ou presenciar de maldoso, não precisará ser levado adiante, pois ‘a fofoca me distancia da luz como ao diabo da cruz’.

2. Domar a intemperança: Uma luta diuturna. Digo diuturna porque a cada minuto do dia precisarei vigiá-la e as ‘atividades’ de minha noite serão o reflexo da calma ou da intemperança de meu dia.

3. Transmitir conhecimentos: Tenho estudado? Estudando, tenho aprendido? Estudando e aprendendo, tenho passado adiante os conhecimentos que julgo úteis? Eis aqui uma ajuda importante!

4. Dar o primeiro passo: Dou o primeiro passo na direção do perdão ou espero que o outro, o acaso ou o Universo o realize? Pois bem, acaso não existe e o Universo é que ficará ‘esperando’ a minha boa vontade, visto não avançar nunca em meu livre arbítrio.

5.  Aceitar minhas limitações: Este Orbe ‘é’ de limitados. Neste Planeta não urgem tarefas – ajudas – maiores ou menores; urgem ajudas!

6. A não deserção: Qual o conceito que gozo entre aqueles com os quais ombreio tarefas? Se ruim, mais ou menos, bom… mesmo assim não desisto e me esforço na sua qualificação?

7. Respeitar às diferenças: Dou aos outros o direito de serem como desejam ser, dentro de seu estágio evolutivo? Preocupo-me mais com a evolução alheia, desleixando a minha?

8. Compreender que o bem é difícil e exigente: Apesar dos amargores que o bem poderá me resultar, adoço-o com a perseverança e a humildade?

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Lembras da história das frieiras? Hoje liberto das frieiras físicas, restam-me – ou restam-nos! – outras frieiras que preciso combater todos os dias, como este ‘octálogo’ que precisarei ler diariamente para não adquirir as frieiras da desajuda!

(Sintonia: Cap. Auto-desobsessão, pg. 125 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno gelado de 2013).

Certificado ou diploma – do latim ‘diploma, atis’ e do grego ‘diploma, atos’ – é uma permissão por escrito emitida por instituição de ensino a qual testemunha que alguém completou, com sucesso, determinado curso. Em Portugal denominam-se ‘cartas’. Já a Carteira Nacional de Habilitação, carta ou carteira de motorista, confere a um condutor de veículo automotor terrestre a permissão legal para trafegar…

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Na vida também os indivíduos ‘colecionarão’ certificados, habilitações, diplomas, e os colocarão em suas paredes, normalmente para impressionarem ou se imporem sobre seus semelhantes, quando não para hostilizá-los.

A proposta de hoje é de se examinar a parede de cada um e, quem sabe, ‘fazer uma limpa’, descartando velhos, opressores e rabugentos atestados, diplomas, permissões, delegações, tais quais:

1. O certificado da felicidade – Felicidade não é algo que se adquire por decreto, concessão ou certificado; tão pouco ‘cai do céu’! A felicidade é um resultado diário de tudo aquilo que de bom eu dôo aos outros; quanto mais ofereço, mais me é acrescida a felicidade.

2. O diploma de bom pai, mãe, marido, esposa, filho, irmão – Também este é fantasioso e precisa ser retirado da parede. Familiares, na tentativa de acertarem irão errar todos os dias. Tentar acertar é ‘o’ certificado e único aceitável em um agrupamento que aqui está para corrigir, sanear ou reparar antigos e até milenares agravos.

3. Os certificados de grandeza – As pessoas – familiares, amigos, colaboradores – são como são; não se pode exigir-lhes certificado de grandeza. Depor tal certificado e amar incondicionalmente pessoas de ‘pequena, média ou grande’ evolução, é a receita!

4. O certificado da saúde perfeita – Tal certificado é incompatível com os terráqueos. Mais dia, menos dia, a saúde física irá falhar, a mental irá ficar atrapalhada por dificuldades ou provações. Dores físicas, morais, vicissitudes de qualquer ordem são a bênção da maquiagem de cada Espírito.

5. Atestado de equilibrado – Perseguir a estabilidade e a harmonia diariamente é uma meta. Os indivíduos, entretanto, fatalmente sairão do prumo principalmente sempre que o egoísmo do desserviço lhes rondar. Quando retomarem a utilidade e o ‘servir’, reaverão o caminho do equilíbrio.

6. Certificado de sábio – De qual escola? Partindo-se do pressuposto que sempre se terá algo a aprender ou a ensinar, nenhum indivíduo é formado nessa matéria ou suficientemente sábio. É possível que esse ‘diploma’ esteja restrito aos que estão na ponta de cima do roteiro evolucional.

7. Atestado de solidez – Aos fanáticos está reservado o direito de se dizerem sólidos. Mil vezes melhor guardar a humildade de ser flexível, moldável, e até submisso sem, contudo, perder a identidade.

8. Comprovante de auto-suficiência – A crítica sempre será o cilício contra as feridas da empáfia, do orgulho e da vaidade. Acolher a crítica e utilizá-la qual bálsamo nessas chagas é retirar da parede o certificado de auto-suficiente.

9. Diploma de procurador – Espíritos ímpares, as individualidades são responsáveis apenas por si; no máximo – e olhe lá! – co-responsáveis amorosos pelo próximo. Ninguém possui o diploma de procurador da vida alheia. Ajeitar a sua já é suficiente e difícil!

10. Certificado de melindrado – O susceptível é um cativo. Desalienar-me de quaisquer melindres, me assegurando de que ninguém me fará mal se não o permitir, é me libertar de influências ruins que me impedirão de viver feliz e independente.

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Depor da própria parede todos esses certificados, diplomas, comprovantes, auto-procurações… poderá deixar a parede de cada um mais livre e apta a receber um único diploma necessário a conduzir a sua Vida: O de aprendiz!

(Sintonia: Cap. Pessoa menos obsedável, pg. 109 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 201).

Quem está no ‘comando’, meu corpo ou minha alma? É a pergunta mais apropriada aqui, para desenvolver questões sobre auto-desobsessão, “vigiai e orai”, autocontrole, tipos de pensamentos e principalmente de atitudes que revelarão, categoricamente, qual destes dois ‘personagens’ está no controle da grande dádiva que é reviver.

 O homem – indivíduo – longe de ser um corpo que comporta um Espírito, é segundo os lógicos ensinos doutrinários, um Espírito que se utilizando de suas alternâncias serve-se de um efêmero veículo chamado corpo ora homem, ora mulher, preto, branco, moreno ou amarelo, gordo ou magro, pobre ou rico, bonito ou nem tanto. Cessado o ‘prazo de validade’ desse veículo ou quando ele vier a sucatear, logra o Espírito uma nova liberdade do corpo do qual era mais consorte que cativo; termina, então, a parceria com ‘esse’ corpo.

Vê-se então que o Espírito, que na verdade é ‘rodado’, muito antigo, portador de muitas experiências, assume um determinado corpo que possui todos os ‘equipamentos’ que o permitam manifestar, através dessa parceria, todas as experiências que já acumulou.

Se o Espírito for de boa índole é muito provável que sua ação de comando prevaleça sobre as paixões que, não poucas, certamente assediarão o corpo a exteriorizá-las. As ferramentas ou componentes desse corpo estarão à disposição da alma para expressar-lhe – e aqui se estabelece o confronto – tanto os bons quanto os maus pendores:

  • Os olhos, janelas da alma, provocam sempre no indivíduo um turbilhão de sensações. É através dos olhos que as primeiras lideranças de sentimentos se manifestarão: Que tipo de sentimentos meu cérebro poderá comandar ao meu coração ao me deparar com uma jovem muito formosa? Os mais vis ou os mais sublimes; os mais extravagantes ou os mais discretos! Esses sentimentos, dos mais nobres aos mais torpes serão fruto do tipo de comando atinente ao Espírito; o corpo somente os traduz. E assim sucederá com todas as imagens que meus olhos fotografarem;
  • Se o indivíduo possui ‘ouvidos de tuberculoso’, provérbio usado aqui para expressar o que ouve muito e bem, ou que forçosamente seja obrigado a escutar de tudo, há uma necessidade que seu falar seja muito discreto. Um Espírito equilibrado saberá exercer também um comandamento harmônico, ‘filtrado’ e prudente sobre estas duas ferramentas que o veículo físico lhe oferece;
  • Após colher as impressões que os utilitários olhos e ouvidos do corpo lhe facultaram, o Espírito poderá se manifestar verbalmente. As palavras aqui serão as que vão ferir ou consolar. Soltar a voz é exalar o ‘hálito’ acumulado nesta e nas inúmeras vivências do velho Espírito. Verifique-se, portanto, que esse hálito, fétido ou refrescante é atributo ‘do’ Espírito, pois também aqui ele estará no comando;
  • Mãos, pés, braços e pernas são alavancas amorosas… A que se prestarão? Todos os grandes e nobres cérebros sempre souberam o que deles fazer. Chico, por exemplo, quando se sentia muito aborrecido, quando a alma lhe doía, punha-se a caminho, ia para a periferia e dizia de lá ter voltado ‘curado’. Chico Xavier, portanto, era um destes que a Alma – nobre por sinal – lhe comandava os passos, os gestos, os acenos de bondade; e
  • Em determinada época o abraço sobressaiu-se ao amasso; hoje a situação se inverte… Sexo não é algo aviltante: O tabu que se desejou imprimir à humanidade de todos os tempos foi o do ‘pecado original’ decantado no folclórico livro do gênesis. É comum mulheres dizerem ‘não estarem com cabeça’ quando convidadas aos ‘deveres’ matrimoniais. Elas não estão muito longe da verdade, pois o melhor sexo ainda se faz com o cérebro, ou com o Espírito no comando…

“Não é o que entra pela boca que contamina o homem…”, mas o tipo de comandamento que teu, meu Espírito exerce sobre os sagrados e úteis equipamentos que o veículo físico lhe dispõe, tais quais cérebro, coração, boca, olhos, mãos, pés, braços, pernas, sexo!…

Pensa nisso, e um beijo! Aquele beijo fraterno que aqui é meu Espírito que, no comando, te envia!

(Sintonia: Cap. Pensamento e desobsessão, pg. 45 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Primeiro dia do inverno chuvoso de 2013).

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Sempre que saio com alguém, e minha ‘velhinha’ é a maior vítima dessa lengalenga, costumo submeter meus acompanhantes a um folclórico e interminável check-in, para verificar se nada foi esquecido: Carteira, bolsa, celular, chaves, insulina… e por aí vai! Cacoete residual de trinta e um anos de caserna em que as verificações eram rotina…

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Mas agora, e falando sério, um Check-in das ‘interferências’ deveria fazer parte do dia-a-dia das pessoas. Sempre propenso a naturais imposturas de encarnados e desencarnados, o homem deveria se verificar e policiar mais, no sentido de promover sua auto-desobsessão. Julgo, portanto, procedentes algumas perguntinhas nesse sentido:2711808093_18f13b1d43

  • No tratamento diário ao meu semelhante, sou mais do tipo ‘venha a nós o vosso reino’ ou ‘seja feita a vossa vontade’?
  • Vivendo num Planeta de Provas e Expiações onde não há um só dos sete bilhões de indivíduos que seja perfeito: Já consegui me convencer que nessa passarela do Planeta Terra não me será lícito ver meus semelhantes desfilarem sem escorregões?
  • Nos quesitos compromissos assumidos e pontualidade, tenho acumulado mais bônus ou mais os débitos responsáveis pelas atrações obsessivas inconvenientes?
  • Em meu devotamento ao estudo, leitura, escrita, diálogos… desenvolvo-os de forma séria, alegre e fraterna ou prolixa, desnecessária e pífia, ‘abrindo a guarda’ à obsessão?
  • Quanto à qualidade e quantidade, minha fala é: Via de mão única onde só eu falo? Fere ela mais do que socorre? Está mais para feras do que para flores?
  • Ainda considerando minha fragilidade e a de meus ‘conterrâneos’, tenho passado diariamente uma borracha nos ressentimentos de meu caderno para que sobrem espaços para novas e lúcidas escritas? Quem sabe traçados tratando de bons eflúvios e emanações salutares para eles?
  • A minha contagem dos bons amigos, não só nas páginas virtuais, mas entre os de ‘carne e osso’ e os ‘sem carne nem osso’, tem aumentado ou diminuído? Não andará um tanto escassa?

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Realizar diariamente um check-in da qualidade das interferências em mim e de mim, poderá se tornar uma forma salutar de zelar pela saúde de minha evolução.

(Sintonia: Cap. Teste do processo desobsessivo, pg. 21 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).