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Conectar-nos à rosa é agradabilíssimo! Conectar-nos à roseira é necessário!

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Os que jardinamos, entendemos que a rosa é a rainha do jardim; compreendemos, porém, quão difícil é lidar com a roseira:

Com seus espinhos felinos, fere-nos as mãos, por mais cuidadosos que sejamos.

Sempre que despertamos do sono físico e nos conectamos a um todo diverso, espinhoso, é como se nos plugássemos à bendita tomada do Criador, antes da lida:

Como Pai de todos, indistintamente, desejará que tomemos conta de seu jardim por inteiro; incluindo as diferenças; roseiras incluídas!

Ora, nosso Planeta ainda não é um jardim perfeito: longe disso, nele ainda há muito a realizar; plugar-nos ao todo, sem exceções, é desejarmos realizar:

Como aprendizes sabemos que, para cuidarmos, realmente, das mais belas rosas, precisamos arrojar-nos entre seus espinhos.

Não só isso: precisaremos conviver com perigos vorazes; formigas; ervas daninhas; temperaturas hostis; solos impróprios…

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Conectar-nos ao bom, ao belo, ao útil, é fácil; difícil será entendermos a utilidade do mau, do feio ou aparentemente inútil:

Qual foi o conselho do Jardineiro mais perfeito? “Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam…” 

Rosa e roseira, juntas, conectadas, se constituem na mais pedagógica analogia para entendermos a dificuldade e a importância de convivermos com as diferenças:

E nosso Planeta está semeado delas: ainda é um jardim heterogêneo!

(Inverno de 2017).

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A generosidade (…) propõe ajuda ao próximo, validando, acima de tudo, sua realidade pessoal.

Uma cooperativa de laticínios – o assunto da moda… – se faz recolhendo o produto de inúmeros fornecedores e reunindo-os na sede para beneficiamento e produção de uma diversidade de itens. Também a partir da validação, recolhimento e utilização das verdades de cada indivíduo se constrói um conjunto maior, diferenciado e real de verdades, ou uma ampla visão de Mundo.

Sou de uma época em que as vizinhas pediam às outras um açucareiro de açúcar, quando este faltava e a venda era muito longe. Coisa muito natural naquela época era este recíproco exercício de generosidade, pois… logo ali adiante a que pediu o açúcar iria emprestar uma quota de farinha…

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No momento em que vou chegando ao final de mais uma relida em Prazeres da alma e cada vez me apaixono mais pelas obras deste querido Orientador, percebo que todas as virtudes, que constroem o Céu no interior dos indivíduos, convergem ao grande anseio do Pai a respeito de seus filhos: A evolução! A generosidade não ficará para trás, porque quando se pensa numa pessoa que já adquiriu essa virtude, imagina-se uma pessoa notoriamente doce, desprendida, de colaboração e convívio fácil.

Se alguém perguntar na escola ao menino baixinho, de cabelo e pele descuidados, negro e pobre, com quem ele desejará estar à hora do recreio, e ele responder que ‘com aqueles que não pegam de meu pé’, não tenham a menor dúvida que ele estará se referindo aos seus colegas generosos.zeca-pagodinho-chuvas

Dir-se-ia que o generoso não ‘manga’ dos diferentes ou não os bullyiniza, mas que possui uma profunda compreensão de seus gostos e maneira especial de ser. Generoso ‘e’ esperto porque ainda aprende com as diferenças.

Sendo os indivíduos distintos, – diversos, diferentes… – qual deles que não gostaria de ter sua diversidade validada, reconhecida? Partindo-se do pressuposto que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer e nem tão rico que não tenha algo a receber, a generosidade é a virtude que homologa este ditado tão popular quanto verdadeiro. Se a realidade pessoal é tão única e a maior verdade que um indivíduo possa ter no presente momento, reconhecê-la como proveitosa à minha vida poderá ser, ao mesmo tempo, além de atitude inteligente, um ato de nobreza.

Quando em janeiro último Zeca Pagodinho, que é de Xerém, Duque de Caxias, esteve em auxílio às vítimas das cheias da Baixada Fluminense, até levando desabrigados para sua casa, esteve lá ele como um comum… Ele não foi lá cantar ou fazer demagogia, mas, como todos os de boa vontade, se uniu a propósitos da maioria. Primeiros socorros não prevêem de mim o declinar de um acervo que eu possa ter ou que meu curriculum proporcione a socorridos discursos de uma moral humilhante; todas as minhas ‘verdades’, nesse momento, deverão ficar em segundo plano. A regra mais básica de minha generosidade nessa hora será eu me nivelar, o mais que puder à situação de penúria do socorrido.

Quem generaliza, não socorre: Se eu encarar o problema de meu próximo como algo comum ou minimizá-lo ao compará-lo aos meus, dificilmente socorrerei, pois estarei a léguas da principal máxima evangélica.

Mas a generosidade, longe de somente prover, prevê o encorajamento, a capacitação, a singeleza no servir e um profundo respeito pela realidade pessoal do assistido material ou moralmente.criancas-na-escola-31062

É possível que muitos indivíduos não desejem grandes coisas de outros indivíduos, mas tão somente sua generosidade em forma de respeito à sua realidade de vida. Ou então cada qual não possuiria sua parcela de verdade! A missão do homem neste Planeta não é modificar o seu semelhante, mas a partir de uma modificação própria, promover a evolução da Terra e aí sim, com seu exemplo, levar de roldão, possíveis ‘retardatários’.

O que um não faz, o outro faz,assim se expressariam com sabedoria na questão 804 de O livro dos Espíritos os Benevolentes da Codificação, desejando informar que nem todos os espíritos possuem o mesmo adiantamento ou que tiveram vontade de desenvolver todas ou iguais faculdades; talentos diversos oportunizarão e estimularão o exercício do devotamento. Imagine-se um Mundo só de médicos, dentistas ou advogados… quem apagaria incêndios, quem construiria estradas, onde se comprariam mantimentos, quem fabricaria os móveis, quem cortaria ou pintaria cabelos?…

Cada talento não é melhor nem pior que os demais, apenas diferente e útil aos propósitos da Providência Divina ou Divinas Intenções.

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Em nada contribuirá ou influirá o acervo de um dentista que se coloca à frente de um carpinteiro e lhe encomenda uma mesa; como de nada valerá toda a capacidade profissional do carpinteiro que na cadeira do dentista lhe suplica que o livre de uma terrível dor. Sim, porque…

… O que um não faz, o outro faz!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 197 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Diriam os Sábios Espirituais que o homem se desenvolve, ele mesmo, naturalmente. Mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma forma; é então que os mais avançados ajudam o progresso dos outros, pelo contato social. E Hammed aqui empunharia a bandeira do ‘naturalmente’ explicando que a Natureza não faz nada em série. Toda pessoa possui uma tendência inata de ser ela mesma…

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A padronização, neste caso, sempre será uma aberração. Ao me queixar do indivíduo desigual, ou fora do padrão – do meu, é claro! – perco o tempo e a oportunidade de usufruir da diferença que ele tem a me oferecer.

Dessa forma, passo mais tempo me queixando das anomalias que invento meu parceiro possuir do que propriamente aproveitando as virtudes que ele tenha a me ofertar.

Se, segundo Heráclito, em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo lugar, ou as águas que me banham agora não serão as mesmas que me banharão amanhã, por que não aproveitar todas as ‘águas da diversidade’ que ora se aproximam de mim? A oportunidade que o indivíduo ‘A’ me oferece agora já não será a mesma que o ‘B’ me proporcionará daqui a pouco…

Como são dinâmicas as ‘águas de Heráclito’, também o serão os indivíduos e a começar por mim: Minha atual maneira de ver os indivíduos ‘A’ e ‘B’, acima, poderá não ser a mesma forma de vê-los amanhã. Como também a maneira como esses dois indivíduos se mostrarão amanhã, poderá não ser a mesma de como se mostram hoje… Aqui a dinâmica das águas à qual se refere o filósofo grego e a importância de não desperdiçá-la, colocando-a a jogar a meu favor.P4180078

Daí ser a questão 779 de O Livro dos Espíritos, supracitada, a mais sábia e apropriada ao tema, principalmente quando fala em naturalidade e convívio social, visto que a sociedade não só me compete, mas me convoca e sempre será a “sopa nutritiva” onde todos os diferentes terão a oportunidade de se nutrir intercambiando os elementos necessários à sua evolução e que ainda não possuem, mas que seus próximos possuem.

Se o homem se desenvolve ele mesmo, naturalmente, o conceito de ‘normal’ dado à diversidade de indivíduos do orbe, não é verdadeiro; o que passa a predominar é a naturalidade de estágio de cada povo, seus hábitos, suas crenças, suas verdades, suas realidades, suas dificuldades ou suas facilidades… Dessa forma não há normalidade nos grupos de indivíduos, apenas há naturalidade, ou a naturalidade de cada um qualificará a sua normalidade, ou, ainda…

… Nem todos possuirão normalidades iguais. Anormal eu? Não! Apenas ‘qualificado como tal’!

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Brigar com as diferenças é perder o sagrado tempo de usufruir delas.

O pessimista dirá sempre que os diferentes o atrapalham; já o otimista sempre saberá deles se valer, pois o intercâmbio das diferenças sempre o beneficiará…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Naturalidade, pag. 99 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Finalzinho do verão de 2013).

BonitoXFeio

O riacho que ora caminha manso, será o mesmo que logo ali adiante, já ‘promovido’ a rio, terá que alterar sua rotina: Em respeito às grandes montanhas que à sua frente se elevam, as contornará, tornando-se sinuoso e desenhado na procura dos vales. No encontro com grandes rochedos e ainda em harmonia com estes, por sobre eles se precipitará, formando quedas magníficas…

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Cada cantinho deste belo Planeta Terra sempre se apresentará com suas peculiaridades e… não preciso ir longe: Há duzentos quilômetros de meu belo litoral, aberto e espraiado, já conseguirei, viajando pela região da Campanha, desfrutar de suas ondulações, culturas e criações diversas. Mais acima e no centro do estado a região Missioneira apesar de seus imensos trigais, não me privará da moldura do antigo ao me apresentar o maior acervo de vestígios da Pátria Guarani.2455021902_b653cdee86_z Nos Campos de cima da serra, encontrarei nada mais nada menos que sessenta cânions de inigualável beleza. Na Serra Gaúcha de culturas ímpares e cheia de sotaques italianos e germânicos a região me mostrará imensas encostas de parreirais, trabalho duro, simpatia e honestidade. Partindo para a fronteira oeste já poderei ouvir um bom ‘portunhol’ e encher meus olhos com rebanhos diversos sob a tutela de fazendas muito bem gerenciadas. Torres me mostrará o litoral gaúcho mais recortado, totalmente em contraste com o ‘longilíneo’ e ‘aberto’ das demais praias. A beleza da Costa Doce apresentará um sistema lagunar de fazer inveja às mais belas regiões do mundo. Não posso aqui esquecer a região em que vivo: Rio Grande e São José do Norte, completamente vocacionadas às atividades portuárias e à construção naval. Os aglomerados urbanos de cada uma dessas regiões seguem suas particularidades e dentro de suas harmoniosas diferenças, sempre incentivarão a troca de culturas e experiências.DIFERENÇAS 

Tal quais as diferenças regionais, os indivíduos dessas diversas regiões sempre terão algo de novo a me ensinar, colaborar ou a repartir comigo. Exatamente dentro de suas peculiaridades, compartilharão de um particular acervo que ainda não possuo.

Voltando um pouco à comparação do riacho que se transforma em rio e convive em harmonia e com respeito aos seus ‘parceiros de percurso’, Hammed me informa hoje que a Natureza é, para indivíduos com diferenças e culturas regionais diversas, o maior exemplo de uma troca incessante de uma vitalidade amorosa…

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Saber conviver com as diferenças é beneficiar-me de todas as novidades que cada individualidade, lugar ou região têm a me oferecer.

“Minerais, vegetais, animais e seres humanos, ao mesmo tempo  que vibram também recebem essa ‘vitalidade amorosa’ – a Onipresença Divina que habita em tudo – num fenômeno de trocas incessantes” (Hammed).

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Os olhos do amor, pag. 207 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2013).