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481678__open-book-of-love_pExistiu uma época, que aos poucos foi ficando para trás, em que a igreja (de Roma) tinha necessidade de ingerência sobre os Estados. Seu poder de decisão sobre eles era elevado. Confundia-se Estado e igreja. O poder era paralelo…

E o povo? Bem este era a massa manobrada por essa mesma igreja e o instrumento de tal astúcia chamava-se dogma: não precisariam os fiéis compreender determinadas coisas, mas que apenas ‘acreditassem piamente’ nelas, visto se tratar de um ‘dogma de fé…’ Aqui os dogmáticos!

Os espíritas devem evitar as expressões dogmáticas, compreendendo que a doutrina é progressiva, esquivando-se de qualquer pretensão de infalibilidade…

Kardec teria o maior cuidado de, em lutando contra a infalibilidade e o dogmatismo, declarar em A Gênese, Cap. I, item 55: “O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Não cabe ao trabalhador espírita inovar com rituais e formalismos. Na qualidade de dirigentes, coordenadores, facilitadores… iremos nos equivocar amiúde. Estudos doutrinários sempre serão uma explosão de novas idéias que deverão ser discutidas exaustivamente, mas conduzidas a um fecho sensato pelo facilitador no papel de mediador.

Equivocar-nos em questões doutrinárias, não significará demérito para a doutrina. Se, ao final de todos os equívocos, a fraternidade for preservada, o saldo sempre será positivo… Aqui os adogmáticos!

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Não existe mais a ingerência da igreja (o dogma). Estado e credos (religiões) precisarão ser mais harmônicos do que interferentes. A fraternidade (adogmática) impor-se-á como a crença comum da transição.

(Sintonia: questão 360 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

9fx8ov38oyqxabxcexybg8i53O episódio do lava pés é eminentemente apostólico/instrutivo. Em João 13, 8-9, tomando a iniciativa de lavar os pés dos seus, trava-se o diálogo entre Jesus e Pedro:

– “Jamais me lavarás os pés!…”

– “Se eu não os lavar, não terás parte comigo.”

– “Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça…”

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Necessário se diga que Jesus não conseguiria higienizar cem por cento pés ‘encascurrados’ pelo uso contínuo de sandálias na poeirenta Galiléia. Trata-se, portanto, de episódio didático.

Emmanuel dirá que queria o divino Mestre testemunhar às criaturas humanas a suprema lição da humildade [e que] na coletividade cristã, o maior para Deus seria sempre aquele que se fizesse o menor de todos. Mais adiante, que quis proceder desse modo para revelar-se o escravo de amor à humanidade, à qual vinha trazer a luz da vida.

Termos parte com Jesus: Não somos mais os iniciantes das lides Crísticas. Embora nos consideremos eternos aprendizes dele, é-nos imperiosa a condição principal do Mestre para que sejamos conhecidos como seus lidadores e aprendizes:  a de que nos amemos uns aos outros e se nos amarmos que estejamos aptos a também escravizar-nos por sua causa junto a todos aqueles que precisam ter os pés, mãos e cabeças ‘lavados.’

Conduzir pés: Quantas vezes nós e nossos irmãos andamos ‘em círculos?!’ Mas se já conseguimos experimentar caminhos retos, por que não ajudarmos a tirar nossos irmãos ‘das quebradas?’ É possível que seus pés estejam precisando da água, toalha e os calçados de nossa generosidade.

Mãos engessadas: A soberba engessa mãos. A boa vontade e humildade será sempre aquela escrava do amor que as liberará.

Cabeças lavadas: Não estamos mais sob ditaduras dogmáticas. Tão pouco, queiramos introduzi-las em nossa doutrina liberta, já que, a partir do século das luzes, – iluminismo, 1650 a 1790 – e precursor da codificação, a razão passa a não mais compactuar com dogmas. Poderemos equivocar-nos em questões doutrinárias, em direções e coordenações… mas não em fraternidade! Fé advém da razão e de obras; e para obrarmos impõe-se a virtude do humilde servir.

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Do ‘varredor’ ao diretor, quem é o maior em nossa coletividade cristã hoje? Não será o apequenado pela humildade e pelo serviço?

Queridos confrades: Que possamos lavar, diariamente, todos os pés, mãos e cabeças que sejam necessários!

(Sintonia: Questões 314/15 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).