Posts Tagged ‘Egoísmo’

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Entendamos sobrenome, como o de família; alcunha é, normalmente, depreciativo; e apelido é o cognome não necessariamente depreciativo.

Amar pressupõe sempre despendermos uma quantidade, direção e intenção de energias. Não variando a quantidade de energia despendida, será possível que a direção e a intenção classifiquem nosso amor com sobrenome, apelido ou alcunha:

Amor avareza – Diz respeito ao mau gerenciamento de bens materiais que nos é dado administrarmos: se nosso automóvel não for um utilitário; se nossa casa for ‘só’ casa e não for o lar que acolhe, educa e regenera; se nossa alimentação não tiver frugalidade adequada; se nosso vestir e calçar for só exibicionismo; se nosso ter se sobrepuser ao ser… energias gastas nesse amor terão a alcunha de avareza.

Amor egoísmo – Nada de material nos pertence; tudo é empréstimo: quando fazemos do material o centro de nossas atenções e consumo de energias, nosso amor recebe o cognome depreciativo de egoísmo. Entenderemos, dessa forma, que todo o nosso material é o melhor, quando o ideal seria que todos, com o ‘seu’ material, formassem cooperativa a serviço de todos.

Amor inveja – Uma grande concentração de amor no que temos e – mais grave – no que não temos, no que os outros têm e gostaríamos de ter. Evolução, esforços, e capacidades diferentes; vocação para administrar quantidades e valores diferentes: é o que defende a meritocracia. Se não entendemos isso, passamos a administrar um amor sob a alcunha de inveja.

Paulo de Tarso, ao ilustrar esta reflexão nos afirma que “o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa aprovar as coisas que são excelentes.” (Filipenses 1:9). Ou, só conhecimento (informação, notícia) e discernimento (critério no diferenciar coisas, fatos, circunstâncias) irão nos conduzir ao amor excelente. Vejamos:

Enquanto só amarmos a beleza, o nome e o patrimônio de nosso cônjuge, (ou de outros conviventes) esse amor, de apelido ou alcunha cobiça, interesse, vaidade, se esvairá ainda nesta vida, pois beleza ‘enfeia’; nome em sociedade séria não é suporte; e patrimônio acaba. Nenhum dos três estabelece laços duradouros. Estamos então perante o vulgo amor querer, desejar.

Já o amor servir (sobrenome verdadeiro), aproxima-se da excelência, porque prevê conhecimento e discernimento: conhecemos a Lei, mormente a Regra de Ouro; temos informações de causa e efeito, de reencarnação; pressupomos débitos; diferenciamos patamares evolutivos; e já entendemos coisas, fatos e circunstâncias como educativas. Dessa forma estaremos aptos a respeitar, tolerar e configurar nosso amor como forma de serviço.

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Indivíduos a respeitar, tolerar e servir, não estão distantes de nós: normalmente dormem conosco; ou vivem sob nosso teto!

“Tão somente com o ‘querer’ é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida.” (Emmanuel). Ou ‘desfiguramos’ nosso material, cônjuge, familiares e a nós mesmos!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 91, Problemas do amor; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

photo“O orgulho e o egoísmo têm a sua fonte num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porque Deus nada pode fazer de inútil. Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arbítrio. Esse sentimento, encerrado em seus justos limites, portanto, é bom em si; é o exagero que o torna mau e pernicioso…” (Allan Kardec, Obras Póstumas, 1ª Parte, O egoísmo e o orgulho, § 3º).

Passados 148 anos (no mínimo, pois Kardec escreveu isto ‘em vida’), conseguimos enxergar no texto uma linguagem atual. Não se trata de obra ‘ditada’ por Espíritos Superiores, mas de autoria da ‘anima’ do Codificador. E com isto conseguimos entender a sua também Superioridade.

Continuará o ilustre Lionês, na mesma obra: “… Ocorre o mesmo com todas as paixões que o homem, frequentemente, desvia de seu objetivo providencial. De nenhum modo Deus criou o homem egoísta e orgulhoso; criou-o simples e ignorante; foi o homem que se fez egoísta e orgulhoso, exagerando o instinto que Deus lhe deu para sua conservação. Os homens não podem ser felizes (…) se não estão animados de um sentimento de benevolência, de indulgência e de condescendência recíprocos, (…) enquanto procurarem esmagar uns aos outros…”

Entendemos que nosso orgulho, vaidade, inveja e até egoísmo, originalmente tinham (e têm) ‘pitadas’ de bons (ou de úteis). Desenvolvemos nossa inteligência e utilizando nossa liberdade os transformamos em ‘picaretagem’; passamos, com esta, a nos “esmagar uns aos outros!”

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Por entendermos que: Espíritos Superiores se manifestam em uma mesma linguagem, também superior; esses Iluminados não se contradizem; alguém seria ‘escolhido’ pelo Espírito de Verdade para ombrear a codificação; e que o ‘predileto’, para a época seria Allan Kardec… somos obrigados, não a reconhecer, mas a testemunharmos sua Superioridade de Espírito.

(Outono de 2017).

ego-blog-slide“Quando em verdadeira comunhão com o Senhor, não podemos desconhecer a necessidade de retraimento de nossa individualidade. (…) Em assuntos da vida cristã, as únicas paixões justificáveis são as de aprender, ajudar e servir.” (Emmanuel).

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Em nossas exposições, palestras ou considerações evangélicas, quando contamos nossas próprias histórias, condimentadas até de fanfarrices, gabolices e bravatas, desviamo-nos quase sempre do propósito apostólico, qual seja termos o Cristo como grande Planificador da Obra. ‘Pecamos’, portanto, quando não retraímos nossa individualidade.

Aprender, ajudar e servir, quando em verdadeira comunhão com o Senhor, dispensa, portanto, na nossa prosa, toda a inclusão do ‘eu’; em último caso, ou quando esta possibilidade for realmente útil, que sejam histórias curtas e as mais edificantes possíveis…

Em todas as situações em que tivermos aprendendo, ajudando ou servindo, termos o Mestre como centro de nossas explanações e/ou atividades, será a grande estratégia, pois as mensagens, os gestos e os feitos do Rabi sempre serão os mais assertivos; isentos de quaisquer equívocos.

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A nossa única interferência sensata; a única paixão que nos competirá; e a única justificativa plausível nas Obras do Mestre será aprender, ajudar e servir. O resto será por conta dos ainda cacoetes de nosso personalismo…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 55 Elucidações, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

“… As paixões podem levá-lo [o homem] à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal”. E “Estudai todos os vícios [todas as ‘paixões’] e vereis que no fundo de todos há egoísmo”. (Questões 907 e 913 de O Livro dos Espíritos).

Uma pessoa egoísta – e todos são em maior ou menor grau – sofre porque outras pessoas não correspondem à sua expectativa. O egocêntrico é um fantasioso ao imaginar que o mundo gira em torno de si…

Vacino-me contra a gripe desde os cinqüenta anos… De lá para cá, – e aí se vão treze anos – é possível que conte nos dedos de uma só mão, as vezes em que me gripei gravemente.

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‘Todos são em maior ou menor grau’. Uma constatação, um ‘consolo’ e a seguir a reação: Preciso imunizar-me! E se há hoje no Planeta vacinas para tantos males que outrora vitimaram grandes populações, por que ainda não descobriram a imunização contra o egoísmo? É possível que esta chaga seja imanente ao tipo de população que povoa o planeta Terra e aos de igual categoria. Somente com a ‘promoção’ desses indivíduos e conseqüentemente de seu habitat é que o egoísmo irá se dissipar. E enquanto e para que isso aconteça, Chico e Emmanuel vão apresentando algumas vacinas ou preventivos com o poder de resguardar de tal chaga:

1. A caridade como simples dever – A caridade não é nenhum favor e quem explica isso de forma categórica é a alternância de ‘status’ em vivências diversas. Possuo o dever – velado, é claro – de realizar a caridade porque em pretérita existência eu já fui socorrido por aquele que ora pretendo socorrer. O auxílio, aqui, é a vacina!

2. Se vingança, ódio, desespero, inveja ou ciúme são as infecções, indubitavelmente o amor é a vacina. Não há outro que imunize essas defecções mentais.

3. A fogueira do mal deverá ser extinta na fonte permanente do bem – Antes de afirmar que a cada dez chamadas a mídia reserva ao bem somente uma, deverei me perguntar que tipo de espaço ‘eu’ estou roubando ao mal!?

4. O bem como dissolvente das mágoas – Mágoas são como aquele acúmulo de tinta grossa que nem o solvente comum retira… somente com ácido ou tíner! O serviço aos outros é como esse removedor poderoso que vai amolecendo os corações e dissipando as nódoas das rusgas.

5. O trabalho como Lei – Não falam os autores aqui do trabalho remunerado, que é útil e promove o bem estar dos indivíduos e de suas famílias, mas do trabalho voluntário, onde a moeda envolvida é a Lei de Justiça e do amor. Como por exemplo, consumir-se o indivíduo como a vela que se gasta iluminando gratuitamente.

6. O ciúme como patologia da mente – Pior que a bronca, a reivindicação e até o azedume de alguém para com alguém é ignorar o próximo, não notá-lo, atestando-o insignificante… O ciúme poderá protagonizar desatenção, desestímulo e insensibilidade!

7. A bênção do socorro ou o querosene da discórdia? – Em ‘clamores da paz’ diria eu que ‘é possível que paz, em teoria, seja um dos termos mais leves e belos. É mais possível, ainda, que na sua prática, a paz seja um dos desafios mais difíceis dos dias atuais… ’ Cóleras, irritações, discórdias deverão ser ‘apagadas’ com o extintor apropriado. E o adequado, aqui, é o da compreensão e do socorro que abrirão brechas para a Paz.

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Em todos os casos que se apresente o perigo do egoísmo, todas as precauções, todas as vacinas, todos os extintores serão úteis, mas o mais importante serão os profissionais dessa área – ‘bombeiros, enfermeiros’… – que se disponham a arregaçar as mangas e buscarem o livramento do egoísmo, do orgulho e da vaidade, para realizar a imunização.

(Sintonia: Cap. Quando…, pg. 101 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 201).

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Meu orgulho mora na torre mais alta do castelo de minha vida;

Particularmente, tenho muita dificuldade em administrar e compreender o orgulho dos outros, pois o meu não permite;

Meu orgulho, em mirante espetacular só olha de cima para baixo e vê coisas e seres pequenos, insignificantes;

Meu orgulho possui um irmão gêmeo – chamado egoísmo – que mora com ele em seu prazeroso castelo;

Meu orgulho está sempre acompanhado da donzela vaidade que, caprichosa, sempre influi em suas atitudes;

Meu orgulho possui também outras companhias: A arrogância é uma balzaquiana que não se dobra; a soberba é quase sua irmã ou ao menos em muito se lhe parece. Há ainda outras jovens ou nem tanto que compõem o seu séqüito, como a presunção que lhe toma conta da agenda, o controlador na ‘pasta’ da hipocrisia e o perfeccionista ‘quase’ pudico;

Nas cercanias do castelo de meu orgulho – num ‘ladeirão’ – há um vilarejo onde moram personagens humildes e fraternos; meu orgulho não se relaciona muito bem com essa ‘estranha’ vizinhança;

Meu orgulho dita normas de bem proceder que, na verdade, só não conseguem normatizar a sua vida;

Meu orgulho tem carro bom e quase que intocável… Não é desses utilitários que carregam pessoas necessitadas por ruas esburacadas a qualquer hora da noite; ‘ambulância’, nem pensar!

Meu orgulho doutor em regras de trânsito é, na maioria das vezes, inflexível, não admitindo exceções tão pouco falhas alheias;

Meu orgulho quando confronta guardadores, catadores, frentistas, lavadores… Os considera todos subempregados e servis acomodados… Moedas para eles só as pequeninas; a que possui a ‘República na cara’, nem pensar! Uma palavra boa é perda de tempo com esses ‘vadios’.

Amigos queridos, se passarmos os olhos nas constatações da crônica acima – e lhes pedimos que o façam com naturalidade -, certamente nos identificaremos em mais de um item. O meu orgulho ou o nosso orgulho não é coisa de hoje e sua comitiva o acompanha ao longo de nossas diversas encarnações.kjdfgh

“Todos (os espíritos inferiores e imperfeitos) têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício não concorre o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” nos responde de forma categórica a questão 559 de O livro dos Espíritos. Todos, de pequenos, médios e grandes talentos, somos responsáveis pela melhoria do Planeta, mas somente a humildade nos fará perceber este poder de transformação. A humildade e a disponibilidade de nossas habilidades, nesse caso, deverá ser tal qual o farol que iluminará a caminhada de nossos parceiros, porém o roteiro será, inevitavelmente, traçado por cada um.

Em uma unidade de saúde há diagnósticos clínicos ou geriátricos que só terão total sucesso com o concurso da fisioterapeuta, anônima e muitas vezes relegada ao segundo escalão do posto médico; e o fracasso do cirurgião experiente se faria se os instrumentos não estivessem religiosamente esterilizados.

É mais construtiva a humilde colaboração dos pequenos empreendedores do que a empáfia dos grandes gênios.

As pessoas humildes chegam à nossa praia e vão logo nos convidando para jantar; os abonados chegam à orla já comendo o nosso lanche.

Quando abordam o tema Orgulho, à pg. 31 de As dores da Alma, Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed dizem que “nosso orgulho quer transformar-nos em ‘super-homens’, fazendo-nos sentir ‘heroicamente estressados’, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.” Ou seja, o nosso orgulho do alto de sua torre, nada construirá, pois só verá o que lhe convém. Julgará, mancomunado com seu séqüito, que todo aquele Zé povinho do ladeirão, nenhuma utilidade tem para o paço em que pensa reinar.

Perguntamo-nos, então, como encaixar “o último dos serventes” nessa corte tão perversa? Todos nós sabemos que o contrário é mais salutar: Depor o monarca!

(Verão de 2011/12) – Pub O Clarim Jun 2013.

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A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua essência. Aquele que está agarrado ao ‘ego’, está vazio do ‘sagrado’; aquele que se liberta do ‘ego’ descobre que sempre esteve repleto do ‘sagrado’ (Hammed).

Depositário do Sagrado que sou, por ser de essência Divina, não posso ignorar, porém, que tenho aquerenciado em meu íntimo o ego e toda a sua corte: Orgulho, vaidade, inveja, intolerância, maledicência, ciúme… e tantos outros, todos ‘cc’ – cargos de confiança – de meu egocentrismo.

Constatar isso não significa eu estar desatento a esse conflito que se trava em meu âmago entre o Sagrado e o meu egoísmo: Travar luta diária contra esses naturais parasitas do ‘governo de meu interior’ já se trata de grande avanço para que o Sagrado se instale em definitivo no ‘gabinete de meu coração’, pois…

… De mais a mais, se Deus não é egoísta também não desejou que minha essência o fosse.

Apegar-me a fatos, acontecimentos e pessoas, inevitavelmente dividirá espaço em minha vida com o Sagrado visto eu fazer parte de um orbe a que a isso é próprio:

  • Fatos e acontecimentos sempre causarão em mim impressões de várias dimensões. Meu ego sempre terá a ‘melhor’ opinião sobre o mais trágico acontecimento, como a catástrofe de Santa Maria ao corriqueiro incidente no supermercado;
  • Contrariada que for a minha opinião sobre qualquer ocorrido, logo minha vaidade ficará aborrecida ante as vaidades e opiniões alheias;
  • Opiniões alheias mais precisas ou mais corretas sobre assuntos poderão deixar minha vaidade em apuros;
  • Minhas intolerância e maledicência, perante fatos desagradáveis – para mim até ‘pecaminosos’ – sempre terão o dedo comprido e a lâmina cortante ao apontar culpados e aumentar, promover e divulgar suas culpas; e
  • Pessoas das quais dependo ou que de mim dependem, se tornam o centro das atenções. Esqueço-me que indivíduos são ímpares, que cada qual precisará cuidar de si e que interferências deverão ser rigorosamente as preconizadas por São Paulo, quando estabelece um caminho muito afunilado para o ingresso de indivíduos no ‘clube dos caridosos’.

* * *José e o retorno a Nazaré

Para deixar aflorar meu lado Sagrado eu não precisarei me afastar de necessários fatos, acontecimentos e das pessoas que amo ou nem tanto… Precisarei tão somente estabelecer uma convivência harmoniosa entre eles e a minha essência.

Ganhar o mundo sem perder minha alma significa conviver com fatos e pessoas e deles tirar o melhor aproveitamento possível, continuando dono de minha essência Divina.

Percorrer os fatos, me assenhorear dos acontecimentos discorrendo com lucidez sobre eles e, principalmente, conviver com pessoas respeitando-as é a arte de viver no mundo sem arruinar a minha Vida.

Como me afastar de fatos, acontecimentos e principalmente das pessoas se a doutrina da reencarnação aumenta os deveres da fraternidade? (Questão 205). E não há maior manifestação do Sagrado em cada um do que a sua fraternidade!

Quando, em detrimento do Sagrado, começo a enxergar tudo e todos feios à minha volta, é provável que minha alma esteja precisando de óculos.

Assim como os ecos da natureza se fazem ouvir quando a mata está silenciosa, também eu, quando silenciar o egoísmo e todos os seus ‘cc’, poderei ouvir dentro de mim os ecos de minha essência, a Sagrada.

 * * *

Fatos, acontecimentos e novas amizades virão e passarão… Todos eles, se aproveitados, somente farão aumentar o acervo da essência Divina que possuo.

Viver o profano é inevitável… A arte está em me voltar ao Sagrado sempre que o profano se afastar.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Desapego, pag. 29 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

Seria eu recluso apenas se vivesse uma vida monástica ou de clausura? Absolutamente! Torno-me recluso, encarcerado ou encerrado em torno de mim sempre que a insensibilidade a indiferença ou o culto de mesquinhas ilusões se apoderam de mim…

Fulano de tal me causa repulsa, beltrano me enjoa, sicrano me aborrece, fuão não fecha com meus anseios e assim, do alto de meu monastério, que não é nenhum convento, nenhuma abadia, mas apenas meu próprio eu, vou tarjando pessoas que comigo convivem.

Em Lei de Sociedade, a questão 770 de O Livro dos Espíritos me adverte que será um “duplo egoísmo [eu] viver em reclusão absoluta para fugir ao contato pernicioso do mundo”…

Mas por que, do alto de meu monastério vou apenas criticando e repelindo a fulano, beltrano, sicrano ou fuão? Porque, conforme ‘Don Aurélio’, todos esses seres de minha sociedade poderão me contaminar ou serem para mim, para minha família, maus, nocivos, ruinosos, perigosos… Dessa forma é melhor para mim que os afaste, que os olhe bem de longe e de cima… Sabe, com asco?!

Para viver estiolado ou isolado, portanto, palavras utilizadas amiúde no capítulo já citado, não precisarei – e aí a gravidade! – estar recluso em nenhum convento, mas apenas ao monastério de meu covarde egoísmo.

Indo ao fundo da questão deveria eu raciocinar que “pernicioso” é próprio deste meu Planeta de Provas e Expiações e, portanto, será inevitável expor-me a todas as ruínas e perigos que certamente ele me apresentará.

Nunca levarei um tapa se nunca expuser minha cara; ou haverei de perder algo que nunca ganhei?!

Escrever-lhes aqui e agora, na primeira pessoa do singular, expondo minhas franquezas e fraquezas é declarar-lhes minhas dificuldades e, de certa forma, lhes pedir socorro para minhas fragilidades… Isolado ser-me-ia bem mais difícil; juntinho a vocês fica leve!

Se eu viver intensamente, sempre tentando influir nos diversos segmentos de minha sociedade, certamente expor-me-ei muito mais que as pessoas ditas reservadas.

Sou, meu irmão – tu és, todos são – convidado a ser um arremedo do Cristo na difusão da sua Boa Nova e não penses que não advirão hostilidades por esse tipo de ousadia…

Isolado, jamais ‘ganharei’ o mundo; como que, isolado, absorverei os bons viveres dos maravilhosos que comigo convivem?

E a humanidade, fraudada dos grandes vultos que por aqui estiveram ou ainda estão? De quantas obras, descobertas, inventos, escritos, medicamentos, vacinas, máquinas, pronunciados, obras de arte, partituras, revelações… seria ela privada?

A mim não me basta ser partidário do Cristo… preciso tremular a bandeira com seu slogan! Do alto de meu monastério – o da indiferença -, como o conseguirei?

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Participação social, pg. 139 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 2012).

Três vícios detestados, criticados e que ainda os ‘amo de paixão’ – e não só eu… Eles não são mazelas só de pessoas amoedadas – endinheiradas. Não! Há pessoas extremamente egoístas e mesquinhas de solidariedade, compaixão, palavra… Sabe aquelas pessoas com fobia de povo; caracóis!?

Transcrevo aqui, com o devido consentimento de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, algumas considerações sobre o assunto, extraídas de As dores da alma (Pg. 125, capítulo Egoísmo):

“A vaidade é filha legítima do egoísmo, pois o vaidoso é um ‘cego’ que somente [vê] a si próprio”.

“A vaidade é… a ilusão dos que querem ter êxito diante do mundo e não dentro de si mesmo”.

“Ficaríamos envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse o que às motivou” (Francisco VI).

“[O] indivíduo vaidoso [falsifica] a si mesmo para chamar a atenção”.

 “As almas não são clichês [cópias]… Todos temos características individuais. Os ingredientes do sucesso do ser humano se encontram em sua intimidade”.

“A mesquinhez pode manifestar-se ou não com a acumulação de posses materiais, como também pode aparecer como um ‘auto-distanciamento’ do mundo”.

“O altruísmo é o amor desinteressado, enquanto a avareza é filha da ‘pobreza do mundo interior’”.

Parece uma grande contradição, mas quanto mais critico minha vaidade, orgulho e egoísmo, mais os ‘amo’!

(Outono de 2012).