Posts Tagged ‘Emoção’

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Francisco de Paula Figueiredo, ou Dr. Francisco, ou professor Francisco – eu prefiro ‘Chiquinho’ -, na sexta-feira última, desembarcava em minha casa e trazia na bagagem uma penca de lembranças. 44 anos dele me separavam desde que deixamos o noviciado Salesiano de Taquari – RS, em 1967. A primeira timidez, logo deu lugar a um turbilhão de recordações. Já não éramos mais os guris que deixaram o noviciado em 67 e muito menos os que em 1960 adentraram o Leão XIII, cada qual com seu quase drama particular.

Liceu Salesiano Leão XIII – Quando lá cheguei em 60, ele já estava por lá. Confidenciou-me, com excelente memória que me viu chegar. Elencou, ainda, nomes de muitos colegas daquela época que lá chegaram, cada qual com seu motivo. De 60 até o final de 64 lá permaneceríamos… Zeloso, padre Francisco S. Sobrinho de nós cuidava; éramos, digamos os seus ‘peixinhos’. Este querido, mais que padre foi não só nosso pai, mas pai de inúmeros necessitados que lá chegaram carentes de tudo. Todas as melhorias que promovia no Liceu eram em benefício principalmente dos internos. Sua grande meta era atingir mais de cem internos, todos na faixa dos 10 aos 14 anos. Quando o fez, ficou imensamente eufórico e promoveu festividades. Éramos, ali, mais de cem motivos reunidos num grande colégio e cada qual portador de uma grande necessidade.

Seminário de Ascurra – SC – 65 e 66 ficaríamos no seminário menor da pequena cidade catarinense. Lá completaríamos nosso ginásio. Novamente, com memória de elefante, meu amigo desfiou mais um rol de nomes aos quais minha memória ficou a dever. Confidenciei-lhe que me recordava de mais coisas do Leão XIII, e de mais coisas daqui – de Ascurra – do que do noviciado, a despeito das idades menores.

Noviciado de Taquari – RS – Junto a uma turma de 30 noviços, somente nós dois seríamos irmãos coadjutores – leigos – o restante seriam padres. Nosso noviciado, que não mais lá existe era cercado por um enorme laranjal. Novamente meu amigo repetiu nomes, de padres – Mestre e diretor -, assistentes e colegas dos quais já me esquecera.

No sábado, almoçamos minha velhinha, eu, ele e sua esposa. À tarde fizemos um pequeno tour pela orla, onde tantas vezes tivemos nossos folguedos de guris, nos imensos passeios que padre Francisco promovia. Emocionamo-nos com a praia, com as dunas e com os molhes da Barra, esse local privilegiado do extremo sul e vocacionado geograficamente ao progresso. Entre uma lorota e outra de pescador, meu amigo ia contando histórias e o entusiasmo e a emoção eram visíveis em seu rosto – isso porque não enxergava o meu.

Obrigado meu querido amigo pela gentileza e fineza de me visitar… Éramos apenas dois dos mais de cem motivos que na década de 60 lá estavam no Liceu. Sobrevivemos! Marcados ou não, estamos aí, felizes, com nossas famílias.

Um forte abraço e o meu reconhecimento pelo ombro que tive e reencontrei!

(Outono de 2012, semana santa com fortes emoções).

                           Para Maria Clara, filha querida, que hoje aniversaria!

Abro os olhos nesta manhã chuvosa e percebo a graça de ter a meu dispor toda uma bondosa Corte Espiritual a se preocupar com o último dos súditos!

Como acontece costumeiramente, não me preocuparam os trovões e relâmpagos da madrugada, pois a chuva benfazeja emprenhava a areia castigada pela estiagem dos últimos dias!

O pátio, ontem limpo, estava coalhado de folhas, certificando ciclos renovadores. Goiabas maduras espalhadas pelo chão me alertavam: Que dia para fazer goiabada!

Os dois velhos lingüicinhas latiram cedo e me acordaram como sempre o fazem; não me incomodei como de costume, pois seus ‘apelos’ mostravam vivacidade a despeito de suas senilidades!

Do alto de minha terceira idade, abracei minha amada, sem dizer muita coisa… A cumplicidade o fazia!

Que belo dia para ocultar cismas, ‘poréns’, talvez, mais ou menos, reticências… Desfazer-me de interrogações e utilizar exclamações. Não dizer, farei? Conseguirei? Mas farei! Conseguirei!

Corruíras e beija-flores em seu próprio frenesi, ‘andaram’ por aqui, aproveitando a chuva mansa…

Percebo que mais de uma lágrima verte de meus olhos vermelhos pela emoção, driblam as marcas de meu rosto e quase se afogam no mate verde e topetudo… Mas qual a importância? Elas, mais que salgarem meu rosto são evidências da emoção diante do equilíbrio da vida!

A chuva amainou; abro porta e vidraça e respiro profundamente o frescor a substituir os últimos dias áridos…

Volta o beija-flor que, com sua excitação, me anuncia que meus devaneios se encerram por aqui… Que precisarei ir à luta, pois, afinal de contas, neste dia molhado, farei! Realizarei!

 (Outono de 2012, 5 Abr, 9h AM, chuvinha boa!)

Tive a felicidade de ‘criar’ meus três filhos dentro de CTG sérios. É lógico que em um determinado momento eles crescem, mudam o rumo de suas prioridades, como para estudo, trabalho, casamento… Assim aconteceu e julguei que a flama do nativismo tinha ficando de lado. Engano! Neste final de semana em Capão do Leão-RS, me emocionei com o 4º Levante da Canção Gaúcha.

Quatorze canções previamente classificadas por um júri sério, composto pela professora Maria da Conceição, Mauro Moraes e João Chagas Leite, foram defendidas nas noites de 2 e 3 de março por ocasião da 9ª Festa da Melancia.

Shows dos três jurados e mais Marco Aurélio Vasconcelos, César Oliveira e Rogério Melo, embalaram também as duas noites do Levante.

Mas o que é levante? Tiro de levante é a prática utilizada pelos graniteiros para partir a rocha bruta. Daí o nome do festival, apropriado à vocação do simpático município da Zona Sul e próximo a Pelotas.

Obrigado, Capão do Leão, por proporcionar à gente desta Zona um festival organizado, apaixonado e emocionante. Obrigado por tua gente trabalhadora, ordeira e fiel depositária dos mais puros sentimentos nativistas.

Capão do Leão talvez tenha mostrado, mais uma vez a municípios maiores, como se faz uma festa: Com um Tiro Caprichoso e Emocionado.

(Verão de 2011/12).