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É possível que três irmãos, nascidos de um ‘mesmo ninho’ apresentem comportamentos diferentes na questão razão/sentimento: o primeiro será só razão; o segundo só sentimento; e o terceiro equilibrará esta sagrada parceria.

Impossível, também, raciocinarmos com “metades eternas”, já que somos Espíritos não fracionados: quando nos referimos à nossa alma gêmea (admissível, segundo Emmanuel), reportamo-nos a “Espíritos afins”, aqueles que, num dueto, participarão de exaustivos ensaios até atingirem o amor em Plenitude.

Citando ainda Pascal (Blaise Pascal), existem “dois excessos: excluir a razão – só admitir a razão.”

Qual o ideal? Superiores apontam-nos o equilíbrio: Paulo de Tarso vai mais além: que “não sejamos temerários, não desdenhemos e nem suspeitemos mal.” O ‘mais além’ que Paulo solicita é o sentimento de Pascal.

Em muitos momentos a misericórdia nos pedirá mais sentimento; e menos razão. Ou que, a caridade, muitas vezes precisará que o coração tenha suas próprias razões.

Quanto à individualidade das almas, é assunto inequívoco e representa o aprendizado auferido por cada Espírito, através das vivências!

Observemos ‘lá em casa’!…

(Inverno de 2017).

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”, diria Blaise Pascal (França, 1623–1662), matemático, físico, filósofo, teólogo, pré-iluminista.

“Em favor do êxito desejável na missão de amor a que nos propomos, em companhia do Cristo, antes de tudo é indispensável preservar o coração.” (Emmanuel).

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Embora razão e sentimento sejam parceiros, a experiência nos mostra que, amiúde, o coração do cristão deverá surpreender sua razão:

‘Por que contribuirmos, em dinheiro, com o infeliz que guarda nosso carro, se ele vai novamente se embriagar?’ Uma interrogação racional.

‘Contribuiremos, em dinheiro, com o infeliz, mesmo que venha a novamente se embriagar!’ É afirmação do coração; é sentimento!

Paulo de Tarso, em I Tessalonicenses, 5:8, diz que a “couraça da fé e da caridade nos dará sobriedade.” Ora, ‘sobriedade’ significa o equilíbrio de nossos sentimentos; ou a harmonia entre razão e coração.

Entretanto, e voltando à nossa analogia acima, e ainda citando o Apóstolo dos Gentios, lembramos a vez em que disse que “a caridade não é temerária, não desdenha e não suspeita mal”, ou seja, na maioria das vezes a caridade (Couraça, segundo Emmanuel), é quem irá validar nossa fé e, segundo Paulo, precisará mais do acólito coração do que da razão.

São as razões do coração. Ou o coração como couraça e tomando as rédeas da parceria.

Irritação, indignação, ira e severidade são espinhos cúmplices da razão. Serenidade, calma, mansidão e misericórdia, são arrojos do sentimento.

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Enquanto a razão pede só frieza, o sentimento nos exigirá audácia!…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 98, Couraça da caridade; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

caminho do meio balança“… A paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.” (Emmanuel).

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Como em dois pratos de balança (das antigas), o equilíbrio se firmará quando nossos desejos e os propósitos do Senhor a nosso respeito estiverem com pesos idênticos. Equilíbrio que gera a paz – a verdadeira!

Para obtê-la, fruto do equilíbrio dos pratos, convém fazermos considerações:

Nossos desejos – Possuímos, neste pobre Orbe, desejos diversos; inúmeras influências; aliás, influímos e influenciam-nos; temos bons e maus desejos; diante destes venceremos arrastamentos ou sucumbiremos; nossos pensamentos fermentam os desejos; e nossa liberdade arbitrará por quais optaremos, transformando-os em falas e realizações.

Propósitos do Senhor – O Criador, ao nos gerar Espíritos simples, mas fadados à angelitude, mantém expectativas a nosso respeito: Sim! Pois Ele tem seus desígnios; é esperançoso sobre o que criou. Não esperaria de nós?!

Nossa posição – Esse Pai-nosso respeita nossa vontade e nosso patamar evolutivo: possuindo caprichoso ‘sistema de informações’, tem ciência de nossa exata posição; de nossas possibilidades; ou do quanto podemos produzir em serviço, respeito e compreensão às demais criaturas.

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Se já entendemos que alguém só dá o que tem, quanto mais, nosso Pai dos Céus, tem desígnios ajustados a cada degrau. Tudo é natural e razoável no Seu Universo.

Valorizar oportunidades é render-nos às Suas expectativas. A paz é proporcional a esse equilíbrio; ou, proporcional ao bom uso de nosso potencial.

(Sintonia : Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 79 Sigamos a paz; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

rm_92-05“Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio (…) ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos…” (Emmanuel).

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A Terra ainda é território desequilibrado. Dessa forma, o Benfeitor Emmanuel irá dividi-la entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina. Mas não só assim a divide, mas convoca e apela a ambos:

Aos primeiros para que sejam o instrumento divino do reequilíbrio e aos segundos para que, tomando conhecimento da verdade divina, se realinhem às Suas Leis.

O Mestre das ponderações já não mais está encarnado entre nós exercitando diuturnamente atos de equilíbrio explícitos, como o fez nos territórios da longínqua Palestina Antiga; tão pouco nos exigirá através de inspirações que pratiquemos atos heroicos em favor dos que precisam se realinhar. É possível que nos solicite mais misericórdia do que heroísmo e que nosso estoicismo moral se preste à restauração da harmonia dos que ainda não conseguiram se ajudar no realinhamento moral; e para que sejamos os olhos e os ouvidos dos que ainda jazem cegos e surdos aos apelos celestes.

Jesus não foi herói; não na concepção infeliz que damos ao termo nos tumultuados dias atuais. Ele foi misericordioso! E o foi porque misericórdia bastava como o principal pressuposto do amor que a sua Revelação acabara de implantar.

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Para nós, que vivemos a revelação do esclarecimento, que este, estoica e misericordiosamente, sirva de ajuda, olhos e ouvidos aos que ainda os reclamam.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 68, Sementeira e construção, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

xlarge_home-page-october1. Não somos os melhores nem os piores secretários das tarefas a nós afetas; secretariamos estritamente dentro de nossa escala evolutiva; não façamos além do que possamos e tão pouco deixemos de fazer o que já podemos. Possuímos, sim, parceiros que conosco dividirão tarefas da causa comum, já que alguns farão coisas que outros ainda não podem nem sabem realizar.

2. Não nos elejamos os mais eficientes propagandistas da causa; também não nos consideremos os contrapropangandistas, aqui representados pelos fanáticos deslumbrados. Os desvairados correrão o risco de ‘não venderem a mercadoria.’A naturalidade será a ferramenta adequada da propaganda.

3. Nossos princípios não estarão imunes a equívocos; também os equívocos freqüentes não deverão vitimar nossos princípios. A cada equívoco uma reflexão, um autoperdão, um soerguimento e a retomada natural da perseguição aos princípios.

4. Não almejemos atingir altíssimos padrões de ensinos superiores, nem arquitetemos aflições gratuitas através do desleixo, da prostração e da indiferença aos Iluminados. A regularidade poderá estar nas conquistas lentas, graduais, mas perseverantes.

5. Abominemos a pretensão de sermos bons exemplos sempre, mas também não sejamos sempre a imagem da escória e da destruição. O equilíbrio poderá estar na franqueza e transparência de nossas vidas, não aparentando o que não somos, mas sendo exatamente o que não aparentamos…

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Como vemos, poderemos ser ao mesmo tempo, nosso maior amigo e o pior inimigo. Nas questões de moralidade, não optemos por extremismos. Busquemos o equilíbrio!

(Sintonia: Cap. Você mesmo, pg. 95, Agenda cristã, André Luiz e Francisco Cândido Xavier, Ed. FEB) – (Outono de 2015).

equilibrio

I – As Nações buscaram, até hoje, fazer as mais sensatas leis possíveis… Em vão! Somente as Divinas Leis ou Naturais se apresentam cem por cento equilibradas;

II – Não existe maior satisfação para o indivíduo do que imprimir à sua tarefa de agora o que de melhor ele possuir hoje;

III – Pensamentos, palavras e atos; cabeça, tronco e membros fugindo a todos os extremos: Centrados no e ao bem;

IV – O interesse é a mais vil das moedas da caridade e não só desequilibra qualquer ação como também a anula. O “meio-bem” assim é chamado pelos Orientadores, por ser realizado somente na busca de prestígio;

V – Equilibrado é o nobre: Não só não se amofina com as conquistas alheias como estas lhe fazem bem. Entende que a evolução – com a felicidade inclusa – chega para os Espíritos em épocas diferentes;

VI – Se há na história dos Espíritos etapas ‘a pular’, os equilibrados entendem serem as negativas ou aquelas que nada acrescentam à evolução;

VII – O equilibrado, frente aos acometidos de necessidades, ouvirá muito mais, falará muito menos e no que se pronunciar procurará consolar e minimizar as privações alheiasO-senso-de-equilíbrio-em-crianças

VIII – Nobreza estimula nobreza: Por que não pegar carona no estímulo dos que já conseguiram se equilibrar através dessa virtude?

IX – A pessoa que sistematicamente se queixa de tudo e de todos demonstra destempero perante situações comuns e próprias do Orbe tipo Terra. A queixa, a má notícia, o comercial medíocre e apelativo… poderão afiançar uma informação errônea de que o Planeta ‘não tem jeito’; e

X – A cada equívoco percebido no próximo, realizar um check-in nos próprios: Nada como estar preocupado com o próprio burilamento, para não se ter tempo ou fazer ‘vistas grossas’ aos alheios.

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São, portanto, palavras chaves na busca do equilíbrio: Deus, aplicação, bem, servir, nobreza, positivismo, alegria e esperança, estímulo, benevolência e uma obstinada fuga às queixas.

A estabilidade, é lógico, não depende exclusivamente deste decálogo do equilíbrio, mas de todas as atitudes que me mantiverem afastado das extremidades.

(Sintonia: Cap. Saúde e equilíbrio, pg. 25 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

451- Nascente do Rio Vez

O agora grande rio que se mistura ao oceano, mas ainda guarda a identidade de suas águas, nasceu de um pequeno olho d’água ou da captação de geleiras nas grandes alturas. Ao longo de seus vários quilômetros, contornou montanhas a procura de vales; ora quietou-se ora se precipitou; quem sabe um descanso em lagos formados às suas margens;

Os pássaros que vorazes comem as frutas que lhes ofereço a partir da minguante de julho, logo após as podas, e que me encantarão até o início da primavera, por ocasião desta se recolherão aos seus ninhos para procriarem e ver crescer seus filhotes. No próximo julho serão mais, pois os filhotes lhes farão companhia; e

As árvores possuem um tempo para germinar, crescer, florar e frutificar. Muitas delas ciclicamente, na hora certa e atendendo as necessidades dos homens, perderão suas folhas, tornarão a brotá-las, novos galhos surgirão e enchê-los-ão de sombra quando o escaldante verão chegar. Quando o inverno rigoroso aparecer, a partir de maio, suas folhas cairão para a penetração dos necessários raios do sol…

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Dizem os sábios que a vida poderá ser o fruto de aproximadamente cinco bilhões de anos, ou que o “princípio inteligente” inoculado e gerando vida é fruto de paciencioso e natural processo…

Hammed ao abordar o tema, me diria o que ‘é’ e o que ‘não é’ paciência: Que paciência ‘é’ a capacidade de persistir numa atividade com constância e perseverança, ou o potencial da serenidade, persistência e constância a ser desenvolvido. Que paciência ‘não é’ passividade, estagnação, ociosidade ou paralisação.

 À luz destes ensinamentos, e voltando às analogias iniciais, parece-me desconfortável imaginar o rio, os pássaros e as árvores sem uma constância, perseverança e ritmicidade próprios de suas naturezas. Inimaginável, também, vê-los acomodados, ociosos ou paralisados, interrompendo o sagrado fluxo que lhes são impostos pela Mãe Natureza.

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Paciência também é a grande mensagem passada pelos Espíritos Superiores através da questão 801 de O livro dos Espíritos: Eles – os Orientadores Maiores – ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desnaturaram, mas que podem compreender atualmente… O decálogo mosaico não foi bem compreendido e até foi desnaturado à época em que foi ditado. Apesar de resumido a dois por Jesus, continuou não bem entendido. O ilustre professor Rivail, em meados do século XIX, ao simplificar o já simples, estabelece o “amar’ não como uma das, mas a única condição de alcançar a Vida, afirmando que “fora da caridade não haveria salvação”. E junto com esta máxima, o Séquito de Amor do Espírito da Verdade daria à humanidade, já considerada madura, todas as informações que poderiam compreender atualmente, ou daquele tempo em diante.

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Paciência – ou a ‘ciência da paz’ – é a virtude que transborda todas as qualidades e equilíbrios da Mãe Natureza.

Quando, dentro de minha natureza ‘afoita’ convivo com uma pessoa paciente, equilibrada, essa me transmite uma paz imensa… Torna-se, para mim, aquele ‘objeto de desejo’, ante a algariação que me é peculiar.

A Natureza está aí a me ditar os mais belos exemplos daquele sossego, quietude, tranqüilidade e paciência que falta à humanidade moderna que se acostumou – ou mal acostumou – com máquinas velozes, tarefas para ontem, intercomunicação de ‘n’ megas, alvoroço nas ruas, repartições e lojas de serviço.

O sossego e a calma interioranos ou da época de meus avôs, parece que ficou no saudosismo dos contadores de histórias e causos.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Paciência, pag. 41 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

Em diversos segmentos da sociedade, mormente nos espíritas, há sérias restrições quanto a elogios, atenções, reverências, agradecimentos… Julga-se que tais manifestações ‘estragam’ pessoas, estimulando-lhes o orgulho e a vaidade.

Em meu entendimento, ‘nem a deus, nem ao diabo’. Neste caso o equilíbrio do fiel da balança é o mais apropriado: Tanto ignorar a criatividade alheia como a adulação servil afastarão o ponteiro do ponto ideal.

Feito isto, passo-lhes considerações que escrevi a respeito do assunto. Se entenderem oportunas… Um bom proveito:

  • Prefiro ver meu companheiro envaidecido por meu elogio do que fracassado e desanimado ante minha insensibilidade;
  • Parabéns e muito obrigado, além de combustível, poderão ser antídoto à insensibilidade que uso como máscara;
  • Às pessoas maduras e responsáveis, o elogio será sempre salutar e a indiferença sempre compreensível…
  • O elogio, o agradecimento, o reconhecimento é obrigação minha… Administrar sua vaidade compete ao outro;
  • Para salvaguardar a fraternidade, louvarei, retribuirei e serei reconhecido, mesmo em detrimento de recomendações, bitolas e regrinhas anti-vaidade;
  • Orgulho e vaidade são naturais fantasmas do mal. Não acredito, porém que elogios e atenções – temperos do bem e da fraternidade – os alimentem!
  • Parabéns, aquela desgastada palavrinha de aniversário, precisa ser reinventada e utilizada mais no dia-a-dia! e
  • E pensar que muitas vezes, o muito obrigado, é sufocado – orgulhosamente! – em gargantas doentias para não estimular o orgulho e a vaidade!

Pois é, meus amigos! Lembram de quando o Divino Mestre curou os dez leprosos? Somente um – o samaritano, persona não grata – veio lhe agradecer… Jesus não desperdiçou a deixa para ensinar princípios de gratidão, reconhecimento, fraternidade…  “Não ficaram curados todos os dez?” – (Lucas, XVII, 17).

(Final do verão de 2011/12, com águas de março maravilhosas!)