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“‘Sois a luz do mundo’, exorta-nos o Mestre e a luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.” (Emmanuel).

“Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.” (Emmanuel).

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Quando o Mestre pediu aos seus que fossem “Luz do Mundo”, sabia da capacidade de cada um:

Homens toscos, heterogêneos; também suas luzes assim eram.

Entretanto, sabemos que ao final do século I d.C., cada qual se houve muito bem na missão delegada:

Faróis ou candeias iluminaram aos gentios oferecendo-lhes o melhor de si, fortalecidos pela Luz Maior do Santo Espírito.

Tal missão, não foi dada somente aos discípulos, mas a todos nós de todos os tempos.

A busca desse Senhor das Luzes supõe gestarmos o ‘óleo’ de nossa candeia ou a força de nossa usina a favor dos outros.

Nesse mister, como os apóstolos, importará iluminarmos.  Candeias ou faróis? Tanto faz! O potencial é o de menos!

Há caminheiros, navegantes, que precisam de muita luz; outros de pouca: portanto nosso serviço de alumiar nunca será descartado.

Não argumentando, então, iremos socorrer esclarecendo e ajudar iluminando. Desde que desejemos ser Luz, nossa potência em ‘watts’ será irrelevante!

Conectar-nos ao todo (a tudo e todos) é nos plugarmos à Fonte; capacitar-nos à transmissão de Luz e Força.

Faróis ou candeias, em tempos prósperos ou de negritude, clarearam caminhos, varreram sombras, salvaram vidas.

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O Sol não tem mesmo potencial nos diversos rincões do Planeta; mas a gratidão dos povos por ele sempre é igual!

E a Lua? Não se mostra mais clara quando a escuridão é maior?

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 105, Sois a luz; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

rm_92-05“Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio (…) ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos…” (Emmanuel).

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A Terra ainda é território desequilibrado. Dessa forma, o Benfeitor Emmanuel irá dividi-la entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina. Mas não só assim a divide, mas convoca e apela a ambos:

Aos primeiros para que sejam o instrumento divino do reequilíbrio e aos segundos para que, tomando conhecimento da verdade divina, se realinhem às Suas Leis.

O Mestre das ponderações já não mais está encarnado entre nós exercitando diuturnamente atos de equilíbrio explícitos, como o fez nos territórios da longínqua Palestina Antiga; tão pouco nos exigirá através de inspirações que pratiquemos atos heroicos em favor dos que precisam se realinhar. É possível que nos solicite mais misericórdia do que heroísmo e que nosso estoicismo moral se preste à restauração da harmonia dos que ainda não conseguiram se ajudar no realinhamento moral; e para que sejamos os olhos e os ouvidos dos que ainda jazem cegos e surdos aos apelos celestes.

Jesus não foi herói; não na concepção infeliz que damos ao termo nos tumultuados dias atuais. Ele foi misericordioso! E o foi porque misericórdia bastava como o principal pressuposto do amor que a sua Revelação acabara de implantar.

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Para nós, que vivemos a revelação do esclarecimento, que este, estoica e misericordiosamente, sirva de ajuda, olhos e ouvidos aos que ainda os reclamam.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 68, Sementeira e construção, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

hqdefault“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas, 23: 34).

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A expressão do Mestre, talvez a penúltima que proferiu já sentindo os estertores do aniquilamento físico pela cruz, é, ao mesmo tempo, de nobreza e profundidade abismais: Com tal rogativa ao Pai, convergia-a aos seus carrascos e ao povo ainda ignorante que não compreendera sua missão e pedira sua crucificação; tanto os algozes, como a turba, uns porque comandados e outros por falta de conhecimento, eram considerados pelo Messias como ignorantes. Sem cultura, eram considerados pelo Mestre como merecedores de sua profunda comiseração…

Didática não falta na expressão de Jesus, que roga ao Pai que nos perdoe, porque ainda somos:

Intolerantes – Nos dias atuais, o que mais nos falta é o respeito às opções alheias. Indispomo-nos facilmente com todos aqueles que não pertencem ao nosso credo, partido, clube, opção sexual… Somos categóricos: “Não é do meu rebanho!”

Maledicentes – Quer seja com a lâmina da palavra ou da pena, desferimos ainda os mais sórdidos e anônimos golpes contra indivíduos indefesos e inocentes. Movidos, na maioria das vezes pela inveja, – ou porque somos ainda maus, mesmo! – fantasiamos, falseamos e inventamos, espalhando nossas maledicências tal qual rastilho de pólvora.

Desertores – Não “agüentamos o tirão!” Se bem que o Mestre nos tenha afiançado que seu “jugo é leve”, a cláusula única desse contrato é muito pesada: Precisamos “amar-nos!” Então desertamos!

Ingratos e indiferentes – Primas irmãs, uma gera a outra: A ingratidão produz a indiferença; ou esta sempre será o filhote malquisto da primeira. Dizem os sábios que a ingratidão ainda é ‘menos pior’ que a indiferença, pois que esta dilacera menosprezando.

Egoístas – Contrário a todos os pressupostos da fraternidade, o vício moral desconhece desprendimento, cooperação, partilha, civilidade… Possui um irmão gêmeo, chamado orgulho e ambos comandam um imenso séquito maléfico e destruidor.

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Passados 1983 anos do enunciado amoroso, é possível que ainda estejamos divididos na Terra entre os ignorantes e os esclarecidos. Se ignorantes, ainda respiramos os auspícios amorosos da expressão. Mas…

… Se já colocamos a mão na charrua, dispusemo-nos a lavrar, arar, adubar e já temos a semente em mãos, somos detentores do esclarecimento. Dessa forma, já acumulamos conhecimento ao longo de nossas revivências. E aí irmãos, ‘a coisa pega!’

Pensemos nisso!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 38 Se soubéssemos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

razão-e-coração-660x389De 1854, quando, pela primeira vez o professor Rivail ouviu falar em mesas girantes, passando por 1855 quando resolveu freqüentar reuniões com fenômenos espíritas a 1857 quando lançou a primeira versão de O Livro dos Espíritos, o tempo passou muito rápido para Allan Kardec – pseudônimo então adotado.

Descrente a princípio, Kardec trazia da escola Pestalozzi o raciocínio. Aquele pedagogo e educador suíço o estimularia e aos seus alunos o exercício do raciocínio. Com a implantação da nova doutrina não seria diferente: Todas as respostas Espirituais que reuniria, a partir de 1855, para a elaboração do Pentateuco Espírita seriam exaustivamente discutidas dentro da lógica da razão…

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Mas, que é sentimento e o que é raciocínio? Será fé acreditar sem raciocínio?

A pergunta seria formulada por Chico Xavier e sua equipe a Emmanuel na obra O Consolador em sua questão 355.

Inicialmente precisamos informar-lhes que, dentre os sete centros de força (xacras) que possuímos, três se relacionam ao nosso estudo: coronário e frontal referem-se à razão ou ao raciocínio; cardíaco está intimamente ligado ao sentimento.

Antes da codificação e de acordo com a ‘crença dominante’ imperavam os dogmas: Postulavam estes que pontos fundamentais, embora distantes do raciocínio, seriam indiscutíveis; traduzindo, pediam-nos que acreditássemos muito fora da razão…

O próprio codificador, a esse respeito, viria a publicar em A Gênese, Cap. I, item 55 que “o Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Quanto à resposta da pergunta de Chico, Emmanuel a espiritualiza e dulcifica dando-nos a entender que não somos somente raciocínio, mas que o ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio e é desejável que a razão esteja [sempre] iluminada pelo sentimento, de maneira que:

Primeiro: Admitirmos afirmativas estranhas será como exumarmos todos os velhos dogmas, nos quais acreditamos, em todos os tempos, sem nenhum concurso da razão;

Segundo: A razão sem o sentimento, ou sem a parceria do coração ficará às escuras e aí estaríamos buscando o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos equívocos.

Terceiro: Não desejamos mais os apelos dogmáticos; nem a negação impiedosa; sabemos que a fé é fruto das obras e do desejar (atração/inteiração fluídica); e sabemos que o importar-se e o servir sempre será, das obras, as melhores…

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Iluminar a razão significa muitas vezes nosso coração contrariar nosso raciocínio atendendo aos postulados mais sagrados da caridade, indulgência e compaixão…

Por que darmos a esmola ao infeliz quando sabemos que ele vai novamente se alcoolizar? Isso é razão!

Darmos a esmola ao infeliz mesmo sabendo que ele vai novamente se alcoolizar! Isso é sentimento! Ou sentimento e raciocínio, um iluminando o outro!

Em nossa pequena analogia, tão perigoso quanto necessário!…

(Sintonia: Questão 355 de O Consolador, ditado por Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, editora FEB) – (Primavera de 2015).

save-your-love-for-someone-to-reciprocate-your-feelings1_largeAfirmamos já amarmos o próximo. Mas quando um desses ‘nosso próximo’, ainda menos educado na lição evangélica não nos poupar brutalidades, deveremos nos comportar de maneira passiva? Em tal situação a fraternidade tem prioridade? Ou deverá haver esclarecimento com energia?

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Neste caso, Emmanuel nos recomenda que as três opções sejam válidas: Ou a fraternidade como prioridade e com o concurso do esclarecimento e da energia.

Dirá o Benfeitor: Esclarecer é também amar. Toda a questão reside em bem sabermos explicar, sem expressões de personalismo, ainda que com a maior contribuição de energia, para que o erro ou o desvio do bem não prevaleça. Dessa forma:

Primeiro: A fraternidade tem prioridade, sim! Passividade ou sujeição em nada contribuirá. Não confundamos esclarecimento e energia com comportamentos anti fraternais. Tais atitudes sempre serão necessárias, sempre que o ego de uma das partes prevalecer.

Segundo: O esclarecimento cordial sempre será o melhor escudo da fraternidade. Argumentos sensatos, bem colocados, poderão ‘desarmar’ a parte ainda mais ‘desalinhada evangelicamente’, proporcionando-lhe luz e instrução. Como disse Emmanuel, o esclarecimento sempre se confundirá com fraternidade, conquanto esclarecer é também amar.

Terceiro: A energia – sem o individualismo, ou predominância do ego – sempre será a arma do prudente. Quantas vezes já defendemos aqui que estarmos alinhados é agirmos de conformidade com os postulados da Boa Nova: Pois bem, O Mestre era incisivo, quando necessário. Sermos enérgicos não nos desalinhará, de forma nenhuma, dos postulados Crísticos…

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Fraternidade, esclarecimento e energia poderão estar sempre juntos e estabelecer uma bela tríade, mas sem esquecermos que estará sempre no comando…

… A fraternidade!

(Sintonia: questão 344 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).