Posts Tagged ‘Esquecimento das ofensas’

tumblr_lqay62FydR1qisllmo1_500‘Perdôo, mas não esqueço’, expressamo-nos vulgarmente quando ofertamos nosso perdão ‘como esmola’ a quem nos tenha ofendido. A estupidez se torna ainda maior quando exclamamos para quem queira ouvir: ‘essa ofensa levarei para o túmulo… ’

Reconhecemos, dentro de uma prática evangélica ainda claudicante que se o perdão já é difícil (pedi-lo ou ofertá-lo), o esquecimento da ofensa é ainda mais delicado.

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O Benfeitor Emmanuel vem em nosso socorro, respondendo a pergunta que lhe é proposta por Chico e sua equipe: “Perdão e esquecimento devem significar a mesma coisa?”

Sem consultarmos a resposta de Emmanuel e dentro de nossas fragilidades evangélicas, vamos logo dizendo que não, que é possível perdoar, mas quanto ao esquecimento vamos logo dizendo que é antinatural, quando não repetimos as expressões grosseiras do início de nossa conversa.

Mas a resposta será sim após considerarmos a resposta do Benfeitor, que dirá a Chico que para o Espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos.

Emmanuel passa a declinar as razões de seu sim, que, basicamente, são duas:

Primeira: Que somente pautando nossas vidas no maior código de ética, que é o Evangelho do Mestre, conseguiremos associar perdão e esquecimento. Convencionou-se em nosso mesquinho Planeta de provas e expiações, ainda afastado da Boa Nova, que perdoaremos, mas que o esquecimento virá após muito, mas muito tempo…

Segunda: A própria lei da reencarnação nos leciona ser apropriado, que a partir de nosso berço esqueçamos as dívidas de todas as nossas vidas pregressas e passemos, nesta nova oportunidade, a viver de observação das evidências que os relacionamentos nos apresentarão. É como se zerássemos nosso cronômetro e aproveitássemos a revivência como nova alvorada da redenção.

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Arrepender-se? É importante! Perdoar ou ofertar o perdão? Mais importante ainda! Reparar? Fundamental! Mas precisaremos avançar através do esquecimento, este próprio das almas nobres ou já banhadas nas águas límpidas das lições evangélicas.

(Sintonia com a questão 340 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Amizade-criançasQuem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.

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Quando tínhamos nossos dez anos, ficávamos ‘de mal’ à toa, mas também ‘fazíamos as pazes’ com facilidade. Parecia-nos, então, que a amizade se fortalecia. Não nos aflorara, ainda, a maldade dos adultos. Nessa época, ainda pequeninos, possuíamos o benefício de esquecermos pequenos perrengues rapidamente. Éramos incondicionalmente generosos.

Todos os esforços sempre deverão ser feitos na direção do perdão; possível também é o perdão real, de coração; porém, dentro da naturalidade dos fatos, – e da Lei Natural não poderemos duvidar – a parte reservada ao esquecimento da ofensa sempre será a mais delicada. Somente com o passar do tempo uma chaga poderá cicatrizar por completo. Não se sentir ofendido ou esquecer rapidamente a ofensa faz parte de almas especiais…

Admitimos o perdão incondicional no sentido de perdoarmos o equívoco alheio e não ficarmos lamuriando em torno do fato; popularmente falando, não ficarmos ‘jogando em cara’ do ofensor seu mau feito no passado. Afinal de contas, se assim não procedermos, o caminho do esquecimento, preconizado no Evangelho, sempre será percorrido através de sagrados atalhos.

De mais a mais, é inegável que o olvido completo, sempre será diretamente proporcional ao tamanho do ‘estrago’ e também à nobreza da alma ofendida.

Emmanuel nos dá a entender, na questão de hoje, que o perdão deverá sempre vir automática e incondicionalmente antes do esclarecimento, pois desta forma este já poderá estar dissipado de possíveis mágoas e até de ódios.

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Que fique o esquecimento para ‘amanhã’, pois sua importância sempre será relativa perante o fato de as partes já terem dado o primeiro passo para ‘as pazes’; as afeições já terem retomado seu curso; e os laços reaverem a chance de se fortalecerem, exatamente como quando tínhamos dez anos e éramos, ainda, simples de coração.

(Sintonia com a questão 334 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).