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“Consagremo-nos à tarefa do bem, e o argueiro que incomoda o olho do vizinho, tanto quanto a trave que nos obscurece o olhar, se desfarão espontaneamente, restituindo-nos a felicidade e o equilíbrio.” (Emmanuel).

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Sábio, o Mestre das alegorias solicita-nos, perante a trave de nosso olho, relevar o argueiro do olho alheio.

Compreendendo-nos terrenos e ainda imperfeitos, possuímos, alguns, traves nos olhos; outros argueiros…

… Pois o Planeta Terra ainda é habitat de Espíritos encarnados desequilibrados, portanto infelizes.

Mas essa situação de cegueira, desequilíbrio, infelicidade, não será para sempre: retirados trave e argueiro, em revivências abençoadas, possuiremos “olhos de ver.”

Desentravando-nos, com a beneficência dos séculos, nos reequilibraremos; seremos felizes!

Antes disso, e para que tal aconteça:

Precisaremos, a despeito de nossa trave, perceber o lado aproveitável daquele que conosco combate.

Precisaremos que nossa trave não nos ludibrie na avaliação alheia.

Precisaremos entender que tanto o nosso, como o defeito dos outros, se dissipará nas oportunidades das tarefas.

Precisaremos compreender que os nódulos da madeira poderão dar o charme ao móvel; e que as pedras do terreno poderão vitalizar as videiras.

Precisaremos compreender que na análise das arestas alheias, há tempo perdido; e o aproveitamento de suas virtudes é tempo ganho.

Por compreendê-los falíveis, entravados, o Mestre não deixou de estender a mão aos seus; e por extensão a nós!

Com tais considerações, compreensões e percepções, iremos nos desentravando naturalmente:

Nossa trave se converterá em argueiro; e o argueiro do olho do irmão desaparecerá.

O caminho natural da evolução, por esforço, ou “pela força mesmo das coisas” nos possibilitará tal desentrave:

É o plano perfeito, amoroso, justo e sábio de nosso Criador.

* * *

A tarefa no bem retira-nos traves e argueiros dos olhos!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 113 Busquemos o melhor; 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2017).

Conta o livro do Gênesis (2, 16 e 17), de uma forma muito fantasiosa, que o Pai Eterno colocou nossos ‘primeiros pais’ num paraíso de delícias, onde havia a árvore da ciência do bem e do mal; proibiu que lhe provassem os frutos e caso isso acontecesse, ‘morreriam’. O devaneio do livro não é quanto ao bem/mal, mas quanto ao tolhimento da liberdade…

Na questão número 120 de O Livro dos Espíritos Kardec me clarifica que, não precisaria o homem “passar pela fieira do mal para alcançar o bem, mas pela da [santa…] ignorância”. Ou seja, criado simples e ignorante, ‘mas’ possuidor da centelha de Deus, portanto ‘liberto’, tal qual He-Man possuindo o poder de ‘Grayskull’, me arvorei a bradar em alto e bom tom: “Eu tenho a força”!

Mas à proporção que me sentia com força – ou herdeiro dela –, me apercebia também falível… E aí estava estabelecido o paradoxo – contradição – que eu precisaria decifrar; quem sabe a luta de He-Man contra esqueleto ou a ‘coragem’ de ‘Adão e Eva’ me ajudariam. Usar minha liberdade e transformar meus instintos em pensamentos, idéias, sentimentos… A ‘fieira’ de Kardec significa ‘experiências’, e quantas já não passei, passo e passarei nesse meu roteiro constante?

Tomando uma em cada mão, dei de rédeas na liberdade e em meu germe perfectível, e nunca ignorando minha falibilidade atravessei milênios – e ainda o faço -, tentando reverter a ignorância para ciência, minha insensatez para acertos e desassossegos para equilíbrio.

Os ‘esqueletos’ estão por aí… Preciso “recorrer à sabedoria de iluminados que vivem em [minha] época, que vieram antes de [mim, mas e, sobretudo], tomar posse da força espiritual que há em [meu] interior”.

Preciso ter a força!

(Sintonia e expressões em itálico são do capítulo Falibilidade, pg. 89 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012; muito frio!)