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“Não existem razões que justifiquem os tormentos dos aprendizes do Cristo, angustiados pelas inquietudes políticas da hora que passa (…). Devemos saber que os homens falíveis não podem erguer obras infalíveis. Compete [aos] partidários do Mestre servir e cooperar na obra paciente e longa.” (Emmanuel).

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Impossível não enveredarmos para o sítio político quando importante e providencial recorte do Benfeitor nos cai às mãos mais precisamente dentro de uma Casa de Esclarecimento e Consolo.

Comprometemo-nos, entretanto, que as considerações serão poucas, apartidárias, distantes de uma polarização e mais próximas da conciliação: muito próximas!

Os tormentos, angústias e inquietações do pré, durante e pós pleito, dão-se por razões totalmente compreensíveis, que citaremos sucintamente e sem delongas:

  • “Homens falíveis não erguem obras infalíveis”: por mais boa vontade que possuam eleitos, ineleitos e eleitores, todos nos enquadramos na falibilidade;
  • Não é próprio no ainda Planeta de Provas e Expiações o bem se sobrepor ao mal; dos acertos anteciparem equívocos; e
  • Ainda não “decoramos” a Regra de Ouro (ou Ética da Reciprocidade): se o orgulho e a ambição campeiam nas instituições Cristãs mais veneráveis, por que não estariam nos parlamentos de todas as instâncias? Dessa forma, em todas as circunstâncias, vamos nos distanciando da ética e da sacralidade.

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“Servir e cooperar na obra paciente e longa” pressupõe a missão do Cristão verdadeiro, presente num mundo sacro e profano e que verá apenas na tolerância e no respeito, as sagradas soluções para a conciliação.

O verdadeiro espírita não é aquele que “atingiu” a perfeição moral, mas aquele que “se esforça”, todos os dias, em persegui-la. Também as boas políticas estão implícitas nesse esforço.

Não existe, na presente questão (nem nas demais), fórmula mágica. Mas é possível que tolerância e respeito seja a mais aproximada…

Sempre é tempo! Porque política se faz todos os dias; porque tolerância e respeito devem ser exercitados todos os dias!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 148, O herdeiro do Pai, 1ª edição da FEB) – (Reunião Pública no CEDS; primavera de 2018).

“Consagremo-nos à tarefa do bem, e o argueiro que incomoda o olho do vizinho, tanto quanto a trave que nos obscurece o olhar, se desfarão espontaneamente, restituindo-nos a felicidade e o equilíbrio.” (Emmanuel).

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Sábio, o Mestre das alegorias solicita-nos, perante a trave de nosso olho, relevar o argueiro do olho alheio.

Compreendendo-nos terrenos e ainda imperfeitos, possuímos, alguns, traves nos olhos; outros argueiros…

… Pois o Planeta Terra ainda é habitat de Espíritos encarnados desequilibrados, portanto infelizes.

Mas essa situação de cegueira, desequilíbrio, infelicidade, não será para sempre: retirados trave e argueiro, em revivências abençoadas, possuiremos “olhos de ver.”

Desentravando-nos, com a beneficência dos séculos, nos reequilibraremos; seremos felizes!

Antes disso, e para que tal aconteça:

Precisaremos, a despeito de nossa trave, perceber o lado aproveitável daquele que conosco combate.

Precisaremos que nossa trave não nos ludibrie na avaliação alheia.

Precisaremos entender que tanto o nosso, como o defeito dos outros, se dissipará nas oportunidades das tarefas.

Precisaremos compreender que os nódulos da madeira poderão dar o charme ao móvel; e que as pedras do terreno poderão vitalizar as videiras.

Precisaremos compreender que na análise das arestas alheias, há tempo perdido; e o aproveitamento de suas virtudes é tempo ganho.

Por compreendê-los falíveis, entravados, o Mestre não deixou de estender a mão aos seus; e por extensão a nós!

Com tais considerações, compreensões e percepções, iremos nos desentravando naturalmente:

Nossa trave se converterá em argueiro; e o argueiro do olho do irmão desaparecerá.

O caminho natural da evolução, por esforço, ou “pela força mesmo das coisas” nos possibilitará tal desentrave:

É o plano perfeito, amoroso, justo e sábio de nosso Criador.

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A tarefa no bem retira-nos traves e argueiros dos olhos!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 113 Busquemos o melhor; 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2017).

Conta o livro do Gênesis (2, 16 e 17), de uma forma muito fantasiosa, que o Pai Eterno colocou nossos ‘primeiros pais’ num paraíso de delícias, onde havia a árvore da ciência do bem e do mal; proibiu que lhe provassem os frutos e caso isso acontecesse, ‘morreriam’. O devaneio do livro não é quanto ao bem/mal, mas quanto ao tolhimento da liberdade…

Na questão número 120 de O Livro dos Espíritos Kardec me clarifica que, não precisaria o homem “passar pela fieira do mal para alcançar o bem, mas pela da [santa…] ignorância”. Ou seja, criado simples e ignorante, ‘mas’ possuidor da centelha de Deus, portanto ‘liberto’, tal qual He-Man possuindo o poder de ‘Grayskull’, me arvorei a bradar em alto e bom tom: “Eu tenho a força”!

Mas à proporção que me sentia com força – ou herdeiro dela –, me apercebia também falível… E aí estava estabelecido o paradoxo – contradição – que eu precisaria decifrar; quem sabe a luta de He-Man contra esqueleto ou a ‘coragem’ de ‘Adão e Eva’ me ajudariam. Usar minha liberdade e transformar meus instintos em pensamentos, idéias, sentimentos… A ‘fieira’ de Kardec significa ‘experiências’, e quantas já não passei, passo e passarei nesse meu roteiro constante?

Tomando uma em cada mão, dei de rédeas na liberdade e em meu germe perfectível, e nunca ignorando minha falibilidade atravessei milênios – e ainda o faço -, tentando reverter a ignorância para ciência, minha insensatez para acertos e desassossegos para equilíbrio.

Os ‘esqueletos’ estão por aí… Preciso “recorrer à sabedoria de iluminados que vivem em [minha] época, que vieram antes de [mim, mas e, sobretudo], tomar posse da força espiritual que há em [meu] interior”.

Preciso ter a força!

(Sintonia e expressões em itálico são do capítulo Falibilidade, pg. 89 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012; muito frio!)