Posts Tagged ‘Fé com obras’

vida-simples-generosidade-560Emmanuel nos leciona que “fé representa visão [e] visão é conhecimento e capacidade de auxiliar.”

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Comporta-se, portanto, nossa fé de duas maneiras: dentro de uma introspecção entre quatro paredes, onde nos conectamos com nossa Divindade e Lhe votamos louvores, súplicas e agradecimentos; e aquela em que agimos perante nossas próprias necessidades e as dos que nos rodeiam:

Ambas possuem seu devido valor e a sua hora! Podemos dizer também que a segunda afirma a primeira.

O Benfeitor, entretanto, nos dará a entender que precisamos enxergar os fatos que nos rodeiam, compreendê-los e reunirmos em nós a capacidade do auxílio; e isso é a fé como visão. De forma nenhuma Emmanuel desconsiderará a introspecção, mas dá-nos o entendimento – ou ratifica – que nossa fé sem a obra do auxílio poderá ser vã.

Pitágoras afirmaria que “filosofia é a crítica do conhecimento.” Não desejaremos, – nem poderemos – estar filosofando perante as necessidades dos que nos cercam, mas para exercitarmos nossa fé também o conhecimento nos dará maior capacidade de auxílio.

Convém lembrar-nos que nem Jesus, nem os apóstolos e nem seus discípulos mais abnegados, se comportaram de forma estática: lutaram, serviram e sofreram pela causa Crística; percorriam, numa época de locomoção rudimentar, longas distâncias; para termos uma ideia, mais de 150 km separam Cafarnaum de Jerusalém. Percorrendo tais distâncias, eles interagiam com doentes do corpo e do Espírito, exercendo sua fé travestida de misericórdia. Esses homens também confraternizavam entre si e se reuniam em orações. É possível que na Casa de Pedro, às margens do lago de Genezaré, haja se realizado o primeiro Evangelho no Lar.

Se eles nos deram tal roteiro, será natural que nossa fé se evidencie na prática das ajudas efetivas, que bem caracterizam a fraternidade.

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Se por um lado a introspecção, reflexão e oração são nosso lubrificante sutil, nossos sentimentos, raciocínios, braços, mãos, pernas e pés, são as sagradas alavancas que irão validar a fé que dizemos possuir.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 69, Firmeza e constância, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

galrioacre5Hoje Emmanuel nos dirá que “o ideal mais nobre, sem trabalho que o materialize, em benefício de todos, será sempre uma soberba paisagem improdutiva.” E mais adiante: “A crença religiosa é o meio. O apostolado é o fim.”

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Compreendemos que a fé é uma difícil peregrinação entre a teoria e a prática cristã. Ou nossa fé enquanto teoria é nula e passa a ser viva no momento em que praticamos aquilo que acreditamos.

Agoniados, muitas vezes nos perguntamos ‘onde estarão essas obras’ que precisaremos realizar para vivificarmos nossa fé? Estarão do outro lado da cidade? Ou n’alguma atitude complexa? Muito pelo contrário, as oportunidades da prática cristã poderão estar ao nosso lado e nas coisas mais simples do dia a dia:

A fé se concretiza quando atendemos à ‘periferia moral’ que há dentro de nossa casa, junto à família que escolhemos. Não precisamos nos dirigir à periferia da cidade. Aí a fé viva!

Toda vez que negligenciamos os trabalhos com os quais nos comprometemos perante uma causa, através da falta de assiduidade, atrasos, desleixo e vulgarização, estaremos qualificando nossa fé como morta.

Quando, analogamente, funcionarmos como um motor; irradiarmos luz e, como a fonte, irrigarmos corações… a fé será viva!

Enquanto nossos talentos estiverem enterrados; nossa inteligência e genialidade for escondida; ou nossas capacidades não frutificarem… a fé será morta!

Se sementes guardadas, nossa fé será morta; Se semeadas, germinadas, florescidas e frutificadas… a fé será viva!

Automóvel reluzente, na garagem, para não sujar, é fé morta. Transformado em utilitário, serviço, ambulância, lazer… é fé viva!

Se madeiras armazenadas, mofaremos sem utilidades: é a fé morta! Se transformados pela enxó, martelo e serrote em utilitário, seremos tal qual a fé viva!

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O êxtase religioso exige o posto de serviço: Enquanto só no primeiro, teremos a morta; se aliarmos o primeiro ao segundo teremos a fé viva…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 39 Fé inoperante, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

tirando-as-duvidas“Não te concentres na fé sem obras (…), todavia não te consagres à ação, sem fé no Poder divino e em teu próprio esforço.” (Emmanuel).

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Dá-nos a entender Emmanuel que nossas obras são uma espécie de vitrine de nossa fé; que fé e obras estabelecem entre si uma dependência. Em analogia simples são como para os mineiros, queijo e goiabada ou para nós gaúchos churrasco e chimarrão, juntos…

Em dias bicudos que vivemos, mormente em solo pátrio, parece-nos que o devotamento individual às boas causas é abandonado; se não temos fé nas causas, desertamos delas, pois nem acreditamos em melhoras nem cumprimos nossa parte.

Desejamos os benefícios de nosso credo, esperando dele o esclarecimento e o consolo, mas quando temos o primeiro e o segundo não vem, colocamos dúvidas na doutrina da terceira revelação.

Indisciplinamo-nos após assumir compromissos com o movimento e com os nele inseridos: trabalhos, reuniões, regras, horários, parecem-nos ditaduras criadas por sonhadores, quando deveríamos entender que somos ‘funcionários’ dum Mestre abnegado, nosso Guia e Modelo.

Por vezes fazemos tudo ‘mais ou menos’: assim dirigimos, coordenamos, facilitamos; e com obras mais ou menos, nossa fé se torna mais ou menos.

Entusiasmo e ação em pequenas ou grandes tarefas são sinais evidentes de fé verdadeira na causa e no Porvir. E que tais feitos não nos elevem o orgulho; e que tais tarefas venturosas não nos alcem a criadores, mas a simples instrumentos de serviço.

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Paradoxalmente, só nos tornaremos grandes na fé, através da perseverança nas pequenas tarefas. Que nossas obras sejam a vitrine de nossa fé; o mostruário mais razoável que irá autenticá-la como verdadeira.

Que acreditemos no Poder divino, mas que também acreditemos no potencial a nós conferido por esse mesmo Poder. Que acreditemos pelas obras e obremos pela crença!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 26 Obreiro sem fé, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

A-mulher-com-fluxo-de-sangueCremos – por crer – ou sabemos por que cremos?

Uma das mais fantásticas histórias sobre fé nos é contada no evangelho de Marcos a respeito de uma mulher que sangrava já há doze anos; dizia ela para si: “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.” Dessa forma “veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto…”

Fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar: “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento…

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A mulher doente não “cria” ser a fé uma virtude mística, mas “sabia” ser ela uma verdadeira força atrativa. Dessa forma, os fluidos curativos do Mestre, que estavam à disposição do restante da multidão, encontraram nela a atração suficiente para que fosse atendida. Também, entre tantos, somente ela buscou tocar direto na Fonte; digamos que mais que crer, ela sabia por que o tocava…

Jesus (através de Marcos), Emmanuel e Kardec, homologam-nos a verdade de que a fé, além de fazer parte de um entendimento (“eu sei”), precisará estar atrelada a um esforço que Emmanuel chama de trabalhar sempre para que intensifiquemos nossa iluminação através da dor e da responsabilidade, do esforço e do dever cumprindo.

Se a mulher doente houvesse permanecido estática, opondo-se à atração, em tendo repudiado a força curativa do Mestre, certamente o desfecho da história seria outro.

Está muito claro, então que: Primeiro, a fé precisa ser raciocinada (entendida, ou o “eu sei”), requisito que Kardec assimilou na escola Pestalozzi e aplicou amiúde na codificação. Segundo, “a fé sem as obras é morta”, nos dirá Tiago em sua epístola, dando-nos a entender que o esforço e o dever cumprido serão imprescindíveis à veracidade de nossa fé.

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Na fé raciocinada, o “eu sei” e o “eu me esforço”, poderá ser tão importante quanto o “eu creio”…

(Sintonia: Marcos, V, 27 e 28; questão 354 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB; e Cap. XV, item 11 de A gênese) (Primavera de 2015).

A-FE-REMOVE-MONTANHASSe Deus quiser! Graças a Deus! Jesus salva! Deus nos salve! Com o auxílio de Deus!… São expressões que usamos comumente e convenientemente. Ou por conveniência?

É possível que não caia um só fio de cabelo de nossa cabeça sem que Deus o saiba, entretanto possuímos a capacidade e o livre arbítrio de raspar toda ela. Ou seja, “nada de bom se efetua sem o auxílio de Deus, no entanto vale destacar que o Infinito Amor age na Terra, nas questões propriamente humanas, pela capacidade do homem, atendendo a vontade do próprio homem.”

Se “a fé remove montanhas”, precisaremos ter a vontade férrea de removê-la e aí sim a nossa fé estará além de solidificada, raciocinada e exercitada.

O que vem realizando a humanidade através dos tempos? Removendo montanhas! Descobrindo, redescobrindo, inventando, reinventando, construindo, remodelando, transformando, solucionando, reciclando, reaproveitando… E essas coisas Deus sempre quererá, visto nos ter elegido seus co-criadores numa escala menor e exatamente dentro das possibilidades de nosso atual estado evolucional. Um dia seremos co-criadores numa escala maior, Ministros de Deus! Mas isso levará muito tempo!…

Pronunciamos, muitas vezes, expressões como se Deus estivesse escravizado aos nossos caprichos, ou como se tais inflexões fossem varinha de condão ou golpe de mágica. O Mestre nos ensina, entretanto, a “ajudar-nos que o Céus nos ajudará” ou na hora que desejarmos “remover a montanha”, Equipe Salutar – dos Céus – estará à nossa disposição para nos ajudar na operação.

Remover a montanha significa exatamente darmos contribuição concernente ao talento, habilidade ou vocação que possuamos. Como não se colhem figos de espinheiros é provável que ao invés da montanha venhamos a remover somente um morro, ou uma colina ou… Está bem! Só um carrinho de terra!

Com o auxílio de Deus, sim! Com a Sua supervisão. Mas porque nós queremos; com a vontade que Ele nos deu e com nosso suor, compreendendo a necessidade de sermos serviçais da humanidade e do Planeta.

(Sintonia: Cap. Com o auxílio de Deus, pg. 165, Livro da Esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Início da primavera de 2014).