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mostardaFrançois Marie Aruet – Voltaire (Paris, 1694-1778), diria certa vez que “o mundo me intriga, e não posso imaginar que este Relógio exista e não haja Relojoeiro.”

Sinapis Nigra, a Mostarda, é árvore de origem Palestina. De semente minúscula, dado margem a seu crescimento, alcançará três metros de altura.

O zigoto, depois embrião, já animado por Espírito milenar, irá reverter-se em espetacular conjunto (corpo/perispírito/Espírito), dando origem a um/a belíssimo/a jovem.

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Nossa mente inimagina a grandiosidade do Relojoeiro referido por Voltaire; somente com aparelho sofisticado apreciará o zigoto; e, apesar da pequenez, consegue ter e ver, na palma da mão, o grão de mostarda: Deus, o zigoto e a semente, não vemos ou os vemos com dificuldade.

O Relógio (Universo), a mostarda majestosa e o belíssimo humano são o óbvio, incontestáveis; estão diante de nossos olhos; manifestos!

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Qual, então, o tamanho da nossa fé? A fé é uma enorme crença naquilo que não vemos, mas que o óbvio nos mostra. Quanto mais sentimos e experimentamos a evidência, maior a nossa fé!

Quando Jesus se faz ressuscitado (em Espírito) entre os seus; deixa-lhes o Santo Espírito (que era Ele próprio); e volve ao Plano Espiritual, os seus passam do estado receoso para a Fortaleza.

UMA FELIZ PASSAGEM PARA TODOS NÓS!

(Sexta feira santa; outono de 2017).

lavradorSe é difícil a produção na lavoura comum, para que não falte o pão do corpo, é quase sacrifical o serviço de aquisição dos valores espirituais [para] o alimento vivo e imperecível da alma. (Emmanuel).

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Fora a vilania de alguns atravessadores e inconsistentes ‘desculpas esfarrapadas’ para que alimentos cheguem à nossa mesa por preços excessivos, reconhecemos todas as dificuldades dos que produzem o alimento do corpo: chuvas desequilibradas; calor ou frio exagerados; geadas,  granizo, enchentes… Sem falarmos de outros obstáculos não naturais, que oneram e acabam influindo no preço final do mantimento que chega ao nosso lar.

Não é diferente na produção do alimento imperecível da alma: na aquisição de tais valores, (as virtudes) forças que não se podem medir nem pesar (as quebras de safra) se contraporão à nossa vontade de cultivar os canteiros do bem: a futilidade do material ainda nos é sedutora; ‘pragas e ervas daninhas’ sufocam nossas vontades; a inveja aniquila a produção; maldade, incompreensão e calúnia parecem chuvas de pedra; a irresponsabilidade esfria a nós e aos ‘meeiros’; nossas indiferença e desentendimentos são o frio e o calor demasiados; e preocupações são ‘nuvens prenhes’ de chuva…

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Tudo, porém, vale a pena! A obtenção do pão do Espírito é incessante! Todas as lutas do ‘lavrador’ são válidas, como os obstáculos que se lhe contrapõem são aprendizados. Empunhar arado ladeira abaixo é fácil; difícil é ladeira acima!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 52 Servir e marchar, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

2782457605_2d2fac88a0“Não se turbe o vosso coração (…). Há muitas moradas na casa de meu Pai (…). Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. (João XIV, 1 a 3).”

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Na citação de João, uma das mais notáveis e consoladoras promessas do Rabi, prestes a partir de sua breve encarnação missionária de trinta e três anos:

  1. Despedidas – A passagem evangélica faz parte dos já adeuses de Jesus. Consola os seus (os doze e mais alguns discípulos próximos), acalmando os seus corações no sentido de que permaneceria com eles, ‘em Espírito’. Recomenda-lhes que seria importante se amarem, “pois nisto reconheceriam serem seus discípulos.” Finalmente diz a Pedro que “para onde vai, o discípulo não poderá ir agora, mas que irá mais tarde…”
  2. Lugar para cada um Na casa do Pai – no Universo – há muitas moradas, todas não necessariamente circunscritas, mas adequadas ao ‘estilo’ de avanços feitos nas diversas encarnações pelo Espírito imortal. Diríamos que ‘cada lugar’ é correspondente à mala que tenhamos preparada para a próxima viagem.
  3. A Boa Nova de Jesus – Jesus não poderia ficar para sempre – encarnado – com os seus. Deixa-lhes, entretanto, como guia, todas as mensagens proferidas e gravadas nos quatro escritos sinópticos. A vivência ou não de tais máximas, prepara-nos, indiscutivelmente, nosso apropriado lugar nas diversas moradas.
  4. O retorno – Após vários séculos de incompreensões sobre a Boa Nova, deturpações e equívocos, Jesus volta em Espírito de Verdade a fim de corrigir enganos de nossos sentidos ainda deturpados. Eis a doutrina dos Espíritos, a que esclarece e consola, mas que só nos “retirará para o Cristo”, sem assim o desejarmos, em virtude das escolhas de nosso livre arbítrio.
  5. A perfeição – Aqui o maior consolo ditado pelo Mestre: “onde eu estiver, também vós aí estejais” é a prenda mais alvissareira que o divino Rabi possa nos ter deixado, pois, evoluiremos mais ou menos rápido, mas todos somos destinados à perfeição, já que para merecer-Lhe o ‘costado’, precisaremos atingir a excelência moral.

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“Reconhecendo que o domicílio de seus seguidores – servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro lar – não se ergue sobre o chão do mundo, prometeu Jesus que lhes prepararia lugar na vida mais alta.” (Emmanuel).

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 44, Tenhamos fé, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

galrioacre5Hoje Emmanuel nos dirá que “o ideal mais nobre, sem trabalho que o materialize, em benefício de todos, será sempre uma soberba paisagem improdutiva.” E mais adiante: “A crença religiosa é o meio. O apostolado é o fim.”

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Compreendemos que a fé é uma difícil peregrinação entre a teoria e a prática cristã. Ou nossa fé enquanto teoria é nula e passa a ser viva no momento em que praticamos aquilo que acreditamos.

Agoniados, muitas vezes nos perguntamos ‘onde estarão essas obras’ que precisaremos realizar para vivificarmos nossa fé? Estarão do outro lado da cidade? Ou n’alguma atitude complexa? Muito pelo contrário, as oportunidades da prática cristã poderão estar ao nosso lado e nas coisas mais simples do dia a dia:

A fé se concretiza quando atendemos à ‘periferia moral’ que há dentro de nossa casa, junto à família que escolhemos. Não precisamos nos dirigir à periferia da cidade. Aí a fé viva!

Toda vez que negligenciamos os trabalhos com os quais nos comprometemos perante uma causa, através da falta de assiduidade, atrasos, desleixo e vulgarização, estaremos qualificando nossa fé como morta.

Quando, analogamente, funcionarmos como um motor; irradiarmos luz e, como a fonte, irrigarmos corações… a fé será viva!

Enquanto nossos talentos estiverem enterrados; nossa inteligência e genialidade for escondida; ou nossas capacidades não frutificarem… a fé será morta!

Se sementes guardadas, nossa fé será morta; Se semeadas, germinadas, florescidas e frutificadas… a fé será viva!

Automóvel reluzente, na garagem, para não sujar, é fé morta. Transformado em utilitário, serviço, ambulância, lazer… é fé viva!

Se madeiras armazenadas, mofaremos sem utilidades: é a fé morta! Se transformados pela enxó, martelo e serrote em utilitário, seremos tal qual a fé viva!

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O êxtase religioso exige o posto de serviço: Enquanto só no primeiro, teremos a morta; se aliarmos o primeiro ao segundo teremos a fé viva…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 39 Fé inoperante, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

tirando-as-duvidas“Não te concentres na fé sem obras (…), todavia não te consagres à ação, sem fé no Poder divino e em teu próprio esforço.” (Emmanuel).

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Dá-nos a entender Emmanuel que nossas obras são uma espécie de vitrine de nossa fé; que fé e obras estabelecem entre si uma dependência. Em analogia simples são como para os mineiros, queijo e goiabada ou para nós gaúchos churrasco e chimarrão, juntos…

Em dias bicudos que vivemos, mormente em solo pátrio, parece-nos que o devotamento individual às boas causas é abandonado; se não temos fé nas causas, desertamos delas, pois nem acreditamos em melhoras nem cumprimos nossa parte.

Desejamos os benefícios de nosso credo, esperando dele o esclarecimento e o consolo, mas quando temos o primeiro e o segundo não vem, colocamos dúvidas na doutrina da terceira revelação.

Indisciplinamo-nos após assumir compromissos com o movimento e com os nele inseridos: trabalhos, reuniões, regras, horários, parecem-nos ditaduras criadas por sonhadores, quando deveríamos entender que somos ‘funcionários’ dum Mestre abnegado, nosso Guia e Modelo.

Por vezes fazemos tudo ‘mais ou menos’: assim dirigimos, coordenamos, facilitamos; e com obras mais ou menos, nossa fé se torna mais ou menos.

Entusiasmo e ação em pequenas ou grandes tarefas são sinais evidentes de fé verdadeira na causa e no Porvir. E que tais feitos não nos elevem o orgulho; e que tais tarefas venturosas não nos alcem a criadores, mas a simples instrumentos de serviço.

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Paradoxalmente, só nos tornaremos grandes na fé, através da perseverança nas pequenas tarefas. Que nossas obras sejam a vitrine de nossa fé; o mostruário mais razoável que irá autenticá-la como verdadeira.

Que acreditemos no Poder divino, mas que também acreditemos no potencial a nós conferido por esse mesmo Poder. Que acreditemos pelas obras e obremos pela crença!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 26 Obreiro sem fé, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

Francesco De Vito 2Pedro, o apóstolo sobre o qual Jesus ergue a fortaleza de sua Boa Nova, era um homem extremamente rude: Diríamos hoje, em linguagem menos rebuscada, que num só momento, esse pescador de fé poderia ‘descer do céu ao inferno…’

Citando alguns de seus equívocos, numa ordem mais ou menos cronológica, perguntaria ele certa vez ao Mestre: “E nós, que deixamos tudo e te seguimos, que receberemos?” Por ocasião da prisão do Rabi, negaria ao seu amigo por três vezes, antes mesmo que o galo cantasse; e na hora derradeira, confunde-se, toma da espada e corta a orelha do soldado Malco, o que lhe vale séria reprimenda do Cristo. Mas…

… Este o amava! Tanto que a casa do apóstolo, em Cafarnaum, às plácidas margens do Mar da Galiléia era seu refúgio favorito, além de ficar bem afastada (aproximadamente 150 km) dos perigosos ‘desafetos’ de Jerusalém. Na casa do amigo, realizaria memoráveis reuniões de orações e aí se desenvolveria a fraternidade. É bem possível que aí tenham sido realizados os primeiros Evangelhos no Lar…

Mas Pedro era tosco! E alternando petruscadas equívocos, vacilos, claudicânciascom manifestações de fé, Simão Pedro ia conquistando o coração do Mestre e se preparando para a liderança de sua igreja, para um futuro em que não mais estivesse encarnado.

– Simão, lhe diria certa vez o Mestre, “tu és Pedro e sobre esta pedra – petrus – edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!”

Que consolo para nós, que queremos estar perto do Mestre, servi-lo, divulgá-lo, mas ainda nos equivocamos constantemente!

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Simão, Pedro, Cefas (pedra em aramaico), Petra (pedra em grego), Petrus (pedra em latim), príncipe dos apóstolos, pescador de homens, primeiro bispo de Roma, primeiro papa… todos nomes e títulos dedicados a este Espírito de muita fé, mas que, de quando em vez cometia suas petruscadas!

O Mestre não nos deseja trabalhadores perfeitos; só dedicados!

Em ato de humildade, aos ser martirizado, Pedro pediria e seria atendido na graça de ser crucificado de cabeça para baixo, em sinal de total submissão ao Mestre e Amigo de Cafarnaum.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 22 A retribuição, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

1314232254[Há] diferença entre crer em Deus e fazer-lhe a sublime vontade (…). O único sinal que te revelará a condição mais nobre estará impresso na ação que desenvolveres na vida.

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Os grandes gênios do bem creram muito e serviram muito; os grandes gênios do mal, também creram, alguns até muito, mas nada serviram…

E servir, aqui, significa servir aos desígnios do Eterno ou os que co-criam numa escala menor e adequada à sua evolução. Há os que nenhuma contribuição dão à Divindade em sua criação continuada.

Mas o que significa servir aos desígnios do Eterno? Como cidadãos ainda imperfeitos temos tal possibilidade? Jesus, o Cristo, o Governador Planetário, não só afirmou que sim, mas convocou-nos a essa tarefa através das expressões:

“A messe é grande, mas poucos os ceifeiros”; “vem e segue-me!” “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!” “Ide e pregai!” “Eis que vos mando…” “Resplandeça a vossa Luz!”

Não teria feito tais convocações se não nos quisesse como servidores aos desígnios do Pai.

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Indivíduos, em todas as épocas, mesmo não se dizendo ateus, crentes, pois, em muito pouco contribuíram com os desígnios divinos…

… Entretanto, todos os que se dispuseram a essa contribuição, não só creram, como serviram.

Emmanuel, ainda em outra citação – que ouvimos em algum lugar – nos perguntará: “Sabes?” “E fazes?”

Acreditamos mais nos ininteligentes e incrédulos que já servem do que nos inteligentes e crentes que ainda não servem…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 20 Diferença, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino, verão de 2016).

481678__open-book-of-love_pExistiu uma época, que aos poucos foi ficando para trás, em que a igreja (de Roma) tinha necessidade de ingerência sobre os Estados. Seu poder de decisão sobre eles era elevado. Confundia-se Estado e igreja. O poder era paralelo…

E o povo? Bem este era a massa manobrada por essa mesma igreja e o instrumento de tal astúcia chamava-se dogma: não precisariam os fiéis compreender determinadas coisas, mas que apenas ‘acreditassem piamente’ nelas, visto se tratar de um ‘dogma de fé…’ Aqui os dogmáticos!

Os espíritas devem evitar as expressões dogmáticas, compreendendo que a doutrina é progressiva, esquivando-se de qualquer pretensão de infalibilidade…

Kardec teria o maior cuidado de, em lutando contra a infalibilidade e o dogmatismo, declarar em A Gênese, Cap. I, item 55: “O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Não cabe ao trabalhador espírita inovar com rituais e formalismos. Na qualidade de dirigentes, coordenadores, facilitadores… iremos nos equivocar amiúde. Estudos doutrinários sempre serão uma explosão de novas idéias que deverão ser discutidas exaustivamente, mas conduzidas a um fecho sensato pelo facilitador no papel de mediador.

Equivocar-nos em questões doutrinárias, não significará demérito para a doutrina. Se, ao final de todos os equívocos, a fraternidade for preservada, o saldo sempre será positivo… Aqui os adogmáticos!

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Não existe mais a ingerência da igreja (o dogma). Estado e credos (religiões) precisarão ser mais harmônicos do que interferentes. A fraternidade (adogmática) impor-se-á como a crença comum da transição.

(Sintonia: questão 360 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

razão-e-coração-660x389De 1854, quando, pela primeira vez o professor Rivail ouviu falar em mesas girantes, passando por 1855 quando resolveu freqüentar reuniões com fenômenos espíritas a 1857 quando lançou a primeira versão de O Livro dos Espíritos, o tempo passou muito rápido para Allan Kardec – pseudônimo então adotado.

Descrente a princípio, Kardec trazia da escola Pestalozzi o raciocínio. Aquele pedagogo e educador suíço o estimularia e aos seus alunos o exercício do raciocínio. Com a implantação da nova doutrina não seria diferente: Todas as respostas Espirituais que reuniria, a partir de 1855, para a elaboração do Pentateuco Espírita seriam exaustivamente discutidas dentro da lógica da razão…

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Mas, que é sentimento e o que é raciocínio? Será fé acreditar sem raciocínio?

A pergunta seria formulada por Chico Xavier e sua equipe a Emmanuel na obra O Consolador em sua questão 355.

Inicialmente precisamos informar-lhes que, dentre os sete centros de força (xacras) que possuímos, três se relacionam ao nosso estudo: coronário e frontal referem-se à razão ou ao raciocínio; cardíaco está intimamente ligado ao sentimento.

Antes da codificação e de acordo com a ‘crença dominante’ imperavam os dogmas: Postulavam estes que pontos fundamentais, embora distantes do raciocínio, seriam indiscutíveis; traduzindo, pediam-nos que acreditássemos muito fora da razão…

O próprio codificador, a esse respeito, viria a publicar em A Gênese, Cap. I, item 55 que “o Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Quanto à resposta da pergunta de Chico, Emmanuel a espiritualiza e dulcifica dando-nos a entender que não somos somente raciocínio, mas que o ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio e é desejável que a razão esteja [sempre] iluminada pelo sentimento, de maneira que:

Primeiro: Admitirmos afirmativas estranhas será como exumarmos todos os velhos dogmas, nos quais acreditamos, em todos os tempos, sem nenhum concurso da razão;

Segundo: A razão sem o sentimento, ou sem a parceria do coração ficará às escuras e aí estaríamos buscando o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos equívocos.

Terceiro: Não desejamos mais os apelos dogmáticos; nem a negação impiedosa; sabemos que a fé é fruto das obras e do desejar (atração/inteiração fluídica); e sabemos que o importar-se e o servir sempre será, das obras, as melhores…

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Iluminar a razão significa muitas vezes nosso coração contrariar nosso raciocínio atendendo aos postulados mais sagrados da caridade, indulgência e compaixão…

Por que darmos a esmola ao infeliz quando sabemos que ele vai novamente se alcoolizar? Isso é razão!

Darmos a esmola ao infeliz mesmo sabendo que ele vai novamente se alcoolizar! Isso é sentimento! Ou sentimento e raciocínio, um iluminando o outro!

Em nossa pequena analogia, tão perigoso quanto necessário!…

(Sintonia: Questão 355 de O Consolador, ditado por Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, editora FEB) – (Primavera de 2015).

A-mulher-com-fluxo-de-sangueCremos – por crer – ou sabemos por que cremos?

Uma das mais fantásticas histórias sobre fé nos é contada no evangelho de Marcos a respeito de uma mulher que sangrava já há doze anos; dizia ela para si: “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.” Dessa forma “veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto…”

Fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar: “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento…

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A mulher doente não “cria” ser a fé uma virtude mística, mas “sabia” ser ela uma verdadeira força atrativa. Dessa forma, os fluidos curativos do Mestre, que estavam à disposição do restante da multidão, encontraram nela a atração suficiente para que fosse atendida. Também, entre tantos, somente ela buscou tocar direto na Fonte; digamos que mais que crer, ela sabia por que o tocava…

Jesus (através de Marcos), Emmanuel e Kardec, homologam-nos a verdade de que a fé, além de fazer parte de um entendimento (“eu sei”), precisará estar atrelada a um esforço que Emmanuel chama de trabalhar sempre para que intensifiquemos nossa iluminação através da dor e da responsabilidade, do esforço e do dever cumprindo.

Se a mulher doente houvesse permanecido estática, opondo-se à atração, em tendo repudiado a força curativa do Mestre, certamente o desfecho da história seria outro.

Está muito claro, então que: Primeiro, a fé precisa ser raciocinada (entendida, ou o “eu sei”), requisito que Kardec assimilou na escola Pestalozzi e aplicou amiúde na codificação. Segundo, “a fé sem as obras é morta”, nos dirá Tiago em sua epístola, dando-nos a entender que o esforço e o dever cumprido serão imprescindíveis à veracidade de nossa fé.

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Na fé raciocinada, o “eu sei” e o “eu me esforço”, poderá ser tão importante quanto o “eu creio”…

(Sintonia: Marcos, V, 27 e 28; questão 354 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB; e Cap. XV, item 11 de A gênese) (Primavera de 2015).