Posts Tagged ‘Filhos de Deus’

Criado simples e ignorante, em uma era remota, meu Pai não me fez bom nem mau. Baseado no “sereis Deuses” (João X, 34), transferiu-me, entretanto, uma ‘genética’ perfectível, ou utilizando-me de meu livre arbítrio, – uma espécie de faca de dois gumes – eu poderia, desejando ou não, lenta ou rapidamente, inclinar-me à perfeição e ficar o mais ‘parecido’ possível com Ele…

Apercebendo-me que somente um caminho me levaria à perfeição, um dia resolvi tomar as rédeas do bem… Mas quantas encarnações ‘gastei’ para me dar conta disso!?

Na rota da perfectibilidade, não está previsto comercialismo aos Espíritos. Embora responsável unicamente por minha destinação, não devo ignorar minha co-responsabilidade de gratuitos auxílios aos empreendimentos dos companheiros ao meu lado, filhos do mesmo Pai e também perfectíveis.

Mateus, no capítulo X, vv. 1 e 6-10, me conta que Jesus, quando escolheu os ‘herdeiros do Pai’ mais próximos a Si – os apóstolos – teria lhes passado várias recomendações sobre a gratuidade de suas tarefas, tais como “expulsar os espíritos imundos, curar todo mal e toda enfermidade; [enviou-os] às ovelhas que se perderam da casa de Israel [para anunciar-lhes] que o Reino dos céus está próximo.” Recomendou-lhes: “Recebestes de graça, de graça daí! Não leveis nem ouro, nem prata, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados…”

A sobriedade do viver, o desapego e a gratuidade dos dons, me levam a diversos questionamentos:

  • Fortunas transmitidas de gerações a gerações – ouro, prata, dinheiro nos cintos -, mas sem gerar empregos nem bem estar aos caminheiros não consangüíneos, não seriam talentos enterrados?
  • Os bens inservíveis acumulados à volta de minha casa, sem ‘circularem’, não seriam meu talento a se deteriorar?
  • A gratuidade de minha mediunidade não colocada à disposição para expulsar os espíritos imundos, curar todo mal e toda enfermidade, não seria desconsiderar o meu talento?
  • Desperdiçar a oportunidade de me envolver com as ovelhas que se perderam da casa de Israel [para anunciar-lhes] que o Reino dos céus está próximo, não seria enterrar meu talento?
  • Minha vaidade no me apresentar, vestir, calçar, locomover, contrariando a exortação da ‘quantidade’ de túnicas e calçados, não seria ‘esnobar’ o meu talento?
  • Minha sovinice da túnica e do calçado a mais em meu armário e sem reparti-los, não estaria contrariando a máxima da gratuidade?
  • Somente a razão e minha técnica utilizadas em minha profissão, sem aplicar-lhes meu coração, não estaria enterrando meu talento sem que ele frutificasse?

Professor, médico, dentista, policial, bombeiro, gari, estoquista, frentista, advogado… sempre que utilizar sua técnica e razão aliada ao coração, poderá ter algo mais a oferecer à sua clientela. Esse ‘algo a mais’, não faria parte de uma gratuita e Divina genética?

(Primavera fria de 2012).

Por vários anos na função de Identificador de Corpo de Tropa deparava-me, seguidamente, com certidões de nascimento nas quais constavam as expressões ‘filho de fulana de tal e de pai não declarado’. Ficava imaginado a ‘improcedência’ paterna de tais criaturas…

Os seres humanos, desde a mais tenra idade, sofrem chantagens em casa, na escola, em sociedade, em suas igrejas, em que o nome de Deus Pai é aviltado a carrasco, autoritário, zangado, ‘privilegiador’… ‘Papai do céu está vendo e vai te castigar’; ‘Deus premiará o aluno bom; ‘se Deus me ajudar, terei sucesso’; ‘se pecares queimarás no fogo eterno’… Ou seja, as pessoas, dessa forma, começam a crer serem filhos de pai não declarado, pois o pai que castiga, sentencia, discrimina, concede… seria melhor que nem houvesse.

A Terceira Revelação, tal qual um antídoto me orienta, que estão errados todos esses ‘intermediários’ incumbidos de me amedrontar e cabrestear no intuito de satisfazer seus interesses, pois afirma ser natural a “ligação direta da criatura com Deus”, esse Deus que a despeito de ser onipotente, onisciente, onipresente e para meus ‘algozes’ fiscalizador, vingativo, brabo, zangado… é o meu Pai declarado, onipotentemente justo e bom e que, eu e todos os meus irmãos, Seus filhos, “em germe todos somos frutos iguais da Paternidade Divina”.

(A sintonia e as expressões em itálico são do capítulo Mediunidade e religião, pg. 19 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).