Posts Tagged ‘Generosidade’

vida-simples-generosidade-560Emmanuel nos leciona que “fé representa visão [e] visão é conhecimento e capacidade de auxiliar.”

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Comporta-se, portanto, nossa fé de duas maneiras: dentro de uma introspecção entre quatro paredes, onde nos conectamos com nossa Divindade e Lhe votamos louvores, súplicas e agradecimentos; e aquela em que agimos perante nossas próprias necessidades e as dos que nos rodeiam:

Ambas possuem seu devido valor e a sua hora! Podemos dizer também que a segunda afirma a primeira.

O Benfeitor, entretanto, nos dará a entender que precisamos enxergar os fatos que nos rodeiam, compreendê-los e reunirmos em nós a capacidade do auxílio; e isso é a fé como visão. De forma nenhuma Emmanuel desconsiderará a introspecção, mas dá-nos o entendimento – ou ratifica – que nossa fé sem a obra do auxílio poderá ser vã.

Pitágoras afirmaria que “filosofia é a crítica do conhecimento.” Não desejaremos, – nem poderemos – estar filosofando perante as necessidades dos que nos cercam, mas para exercitarmos nossa fé também o conhecimento nos dará maior capacidade de auxílio.

Convém lembrar-nos que nem Jesus, nem os apóstolos e nem seus discípulos mais abnegados, se comportaram de forma estática: lutaram, serviram e sofreram pela causa Crística; percorriam, numa época de locomoção rudimentar, longas distâncias; para termos uma ideia, mais de 150 km separam Cafarnaum de Jerusalém. Percorrendo tais distâncias, eles interagiam com doentes do corpo e do Espírito, exercendo sua fé travestida de misericórdia. Esses homens também confraternizavam entre si e se reuniam em orações. É possível que na Casa de Pedro, às margens do lago de Genezaré, haja se realizado o primeiro Evangelho no Lar.

Se eles nos deram tal roteiro, será natural que nossa fé se evidencie na prática das ajudas efetivas, que bem caracterizam a fraternidade.

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Se por um lado a introspecção, reflexão e oração são nosso lubrificante sutil, nossos sentimentos, raciocínios, braços, mãos, pernas e pés, são as sagradas alavancas que irão validar a fé que dizemos possuir.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 69, Firmeza e constância, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

penaa (1)Assevera-nos Paulo de Tarso que a unidade do espírito – a fraternidade – está intimamente vinculada à paz. (Efésios 4:3). E a paz é o produto de alguns esforços. Algumas de suas reivindicações:

  1. Afirma-se que a guerra é feita por corajosos. Ao contrário, a paz é feita pelos destemidos.
  2. A rota da paz não gravita ao nosso redor. Nossa boa vontade deve se encadear ao esforço dos outros.
  3. Optando pelo útil, belo, santo e sublime, mesmo que seja só um começo, estaremos no encalço da paz.
  4. Regato, rio e mar subordinam-se, com respeito e humildade: Acatamento, deferência, razão e submissão são também ordeiros requisitos da paz.
  5. A grande ferramenta da paz é o serviço: Aos doentes, velhos, jovens, ao solo, aos animais… Honrar a esses servidores é entendê-los embaixadores do bem e da paz.
  6. Individualmente, nossos olhos enxergam uma cota mesquinha de paz; unidos a muitos, uma paz mais ampla e generosa.
  7. A paz reclama entendermos o degrau da evolução alheia: Isso é tolerância, ou o melhor tempero da paz.
  8. Nossa colaboração à paz deve ser a nossa melhor parte… mas unida à melhor parte dos outros.
  9. Não desejemos entender paz sem respeito e compreensão. O primeiro releva as diferenças; a segunda as entende.
  10. Parafraseando Paulo, todo o esforço na direção da paz, passa pela fraternidade que gera a unidade do Espírito.

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A paz pode ser um punhado de discussõezinhas, mas todas de boa vontade…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 49, União fraternal, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

DSC03882A caridade não depende da bolsa. É fonte nascida do coração. [Dessa forma] é deplorável a subordinação da prática do bem ao cofre recheado. (Emmanuel).

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Há ainda neste Planeta, indivíduos que não admitem perder absolutamente nada; longe da crítica, é apenas uma constatação: são Espíritos ainda muito mesquinhos, que gostam de usufruir de altos juros de tudo aquilo que realizam; não admitem ‘perder para ganhar’… São usurários!

Por mais que plantemos e por mais que colhamos; por mais que manufaturemos; e por mais que armazenemos… não iremos comer, vestir ou usufruir de toda essa fartura, todavia ela precisará ser comercializada e parte dela chegar graciosamente a mãos menos afortunadas. É a fartura sem usura, ou todas as riquezas produzidas, gerando bem estar a todos; sem mesquinhez!

Todos os recursos que nascem do coração, são fontes de alegria e bem estar; aliás, segundo vários Espíritos Superiores, – São Vicente de Paulo é um deles – a única fonte de felicidade ainda neste mundo.

Vestir, morar, comer, locomover-nos… são todas necessidades básicas e naturalmente dignas; a fartura faz parte do trabalho e do progresso; o ‘pecado’ está no excesso representado pela usura que se traduz no equívoco de que somos donos de tudo; na verdade, somos, quando muito, apenas administradores desses benesses e como tal todos eles ficarão constrangidos a este plano. Para o ‘Outro’ plano levaremos, ironicamente, somente a fartura que distribuímos com o coração.

Fazem parte dessa fartura somente os recursos dependentes da bolsa ou do cofre recheado? Absolutamente! Todos aqueles que iluminarmos, balsamizarmos, alimentarmos e aquecermos com o coração, muitas vezes com o prejuízo da razão, constituir-se-á como a fartura de nossa alma, que não se perderá e será o passaporte para a nossa felicidade atual e futura.

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Digamos – e façamos! – como o apóstolo Paulo ao exortar a Timóteo: “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.” (I Timóteo, 6: 8).

(Sintonia: Fonte viva, Cap. Estejamos contentes, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

Amizade-criançasQuem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.

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Quando tínhamos nossos dez anos, ficávamos ‘de mal’ à toa, mas também ‘fazíamos as pazes’ com facilidade. Parecia-nos, então, que a amizade se fortalecia. Não nos aflorara, ainda, a maldade dos adultos. Nessa época, ainda pequeninos, possuíamos o benefício de esquecermos pequenos perrengues rapidamente. Éramos incondicionalmente generosos.

Todos os esforços sempre deverão ser feitos na direção do perdão; possível também é o perdão real, de coração; porém, dentro da naturalidade dos fatos, – e da Lei Natural não poderemos duvidar – a parte reservada ao esquecimento da ofensa sempre será a mais delicada. Somente com o passar do tempo uma chaga poderá cicatrizar por completo. Não se sentir ofendido ou esquecer rapidamente a ofensa faz parte de almas especiais…

Admitimos o perdão incondicional no sentido de perdoarmos o equívoco alheio e não ficarmos lamuriando em torno do fato; popularmente falando, não ficarmos ‘jogando em cara’ do ofensor seu mau feito no passado. Afinal de contas, se assim não procedermos, o caminho do esquecimento, preconizado no Evangelho, sempre será percorrido através de sagrados atalhos.

De mais a mais, é inegável que o olvido completo, sempre será diretamente proporcional ao tamanho do ‘estrago’ e também à nobreza da alma ofendida.

Emmanuel nos dá a entender, na questão de hoje, que o perdão deverá sempre vir automática e incondicionalmente antes do esclarecimento, pois desta forma este já poderá estar dissipado de possíveis mágoas e até de ódios.

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Que fique o esquecimento para ‘amanhã’, pois sua importância sempre será relativa perante o fato de as partes já terem dado o primeiro passo para ‘as pazes’; as afeições já terem retomado seu curso; e os laços reaverem a chance de se fortalecerem, exatamente como quando tínhamos dez anos e éramos, ainda, simples de coração.

(Sintonia com a questão 334 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

patchadams“Há três décadas o médico Hunter ‘Patch’ Adams, travestido de palhaço, invade os quartos dos hospitais alegrando a vida de pacientes portadores de graves enfermidades, enchendo suas vidas com humor, compaixão e esperança. Autor de três livros, (…) dirige o hospital Gesundheit (saúde, em alemão), nos Estados Unidos, que atende de graça, renovando as esperanças de milhares de pessoas, além de ensejar melhoria no tratamento médico-psicológico”. 1

A filosofia de vida de Patch – médico, humorista, humanista, intelectual, escritor e ativista da paz mundial – é o amor, não apenas no âmbito hospitalar, mas nas relações sociais como um todo, independente do lugar. Defende que o objetivo do médico não é curar, mas cuidar, com muito amor, tocando nos doentes, olhando em seus olhos, sorrindo… 2

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Há dois mil anos, na poeirenta Galiléia, um Rabi empunhou esta bandeira e por lá andava travestido de… Hippie? Pobre? Andarilho? Pescador? Pastor? Professor? Legislador? Talvez em sua exterioridade, um pouco de tudo isso, mas com um interior obstinado e perseverante em sua Causa e com uma integral coerência entre o que lecionava e o que realizava.

Numa época em que as distâncias eram percorridas a pé, – quando muito em muares – visto não haver bicicleta, carro, motocicleta, ônibus, aviões… é possível que o Mestre, sua família, seus apóstolos e discípulos percorressem, por exemplo, quase 150 quilômetros para subirem de Nazaré a Jerusalém ou uns 50 para descerem até Cafarnaum, às plácidas margens do Mar da Galiléia, seu ‘pesqueiro’ favorito. Também é possível que no frescor dessas margens, muitas vezes, disfarçado de pescador, barqueiro, médico, curandeiro abnegado dos males do corpo e da alma, professor ou legislador… lançasse suas redes aos corações da esquerda e aos da direita de sua embarcação…

Tal qual Patch que diz “não precisar seguir religião alguma”, mas apenas “amar e agir”, o Divino Mestre amava e agia com seu jeitão despojado e versátil. Sem acesso a “comprimidos” ou a “intervenções cirúrgicas”, na dependência de blocos ambulatoriais de hospitais e suas UTIs, o Mestre realizava o que podia – e como podia! – em favor mais das almas do que dos corpos daqueles aos quais encantava com seus ‘disfarces’. Falava-lhes que deveriam ter fé e até fazia comparativos alegóricos ao grão de mostarda e à remoção de montanhas, para enaltecer a virtude tão necessária à saúde do corpo e do Espírito.

É possível que a história e a vida de Patch, ao longo destas décadas, tenha conclamado os cidadãos terrenos – independente  do jaleco, uniforme, hábito, toga, utilitário… dos quais se utilizam para desenvolver suas tarefas  terrenas – a se travestirem de semeadores do amor do Cristo.

Dessa forma, ações que:

  • Referendassem confortos espirituais análogos a todas as técnicas dos profissionais de saúde de todas as áreas, somadas ao entendimento, resignação e paciência dos doentes;
  • Lecionassem não somente matérias, mas toda uma dedicação complementar, maternal, paternal e fraterna, mesmo quando reféns de abjetas remunerações; e obtivessem uma imediata resposta por parte dos alunos no sentido de compreender-lhes os esforços, fazendo a diferença no sentido de não ‘colarem’, embora tendo essa oportunidade, abominassem o bullying e outras práticas indesejáveis, tais quais evitar drogas e outras promiscuidades;
  • Representassem atitudes sérias por parte de empresários que não só não sonegassem, mas evitassem lesar seus clientes, que tratassem com humanidade e lisura seus funcionários e que estes lhes retribuíssem com esforço dedicação e honestidade;
  • Significassem comprometimento das forças públicas para darem retorno aos cidadãos que recolhem em dia seus impostos;
  • Evidenciassem leis justas que conduzissem com harmonia uma Nação e que de forma nenhuma extorquissem o pão da mesa de seus filhos;
  • Estampasse nos rostos dos garis a paz da consciência do dever cumprido, a satisfação que sentem de ver seu trabalho usufruído por ordinários e anônimos usuários que compreendem, valorizam e agradecem a humildade de suas tarefas; e
  • Revelassem não somente uma coragem física, mas a guardiã coragem moral de imprimir um algo a mais às Forças Armadas e Auxiliares na promoção de Ações Cívico-sociais em diversos rincões do País com a cooperação fraterna e possível das populações desses lugares…

… Travestiriam, a todos nós, – médicos, enfermeiros, agentes de saúde e pacientes; professores, alunos, pais e colaboradores; patrões, empregados e consumidores; legisladores, executores e fiscalizadores; funcionários comuns e humildes e os usufrutuários dessas árduas e diárias tarefas; militares, forças vivas da comunidade, agentes de trânsito, guardas civis…  em agentes a serviço do bem, da concórdia, da alegria e do bem estar.

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“Ao sorrir, esboçamos mensagens de amor” 3, conclui o autor do capítulo.

Bibliografia:

1. e 3. Cap. Humor e esperança auxiliam no tratamento, pg. 69 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME; e

2. Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Primavera de 2013) – Pub ‘O Clarim’ Fev 2014

felicidade1“… A inteligência não exerce papel preponderante na felicidade, mas a religiosidade das pessoas afugenta o desespero, incrementa a esperança e colabora para a felicidade”. (Martin Seligman, Felicidade autêntica).

Enquanto o ter uma religião poderá ser tão somente um rótulo, uma ‘marca de fantasia’ a religiosidade é o exercício efetivo, a substância, a essência ou o ‘sal’ dessa marca. Alegoricamente, “Sinvascor” é a religião – católica, evangélica, kardecista, luterana, anglicana… e “sinvastatina” é a religiosidade ou a substância que efetivamente combaterá os níveis de ‘lipídios da acomodação’ que teimo em armazenar em minha vida…

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Se a religiosidade pressupõe ações efetivas de um indivíduo dito religioso, está muito claro que essas ações influenciarão diretamente na minimização de desesperos, devolvendo as esperanças e contribuindo para a felicidade de outros indivíduos até então desligados dessas felicidades. São indivíduos “religando” (do latim religare/religião, amarrar) outros indivíduos através de suas benevolências.xande-nc3adger

Quem pratica tais ‘amarrações’, reservará menos tempo para as próprias infelicidades, pois estará muito ocupado com a felicidade alheia…

Se, declarar-me kardecista pode não significar muito, todas as ações resultantes desse rótulo e que promovam a felicidade, dirão tudo e validarão essa minha ‘marca de fantasia’.

Quando tristezas, angústia e raiva representam emoções que invalidam a minha religião, tolerância, mansuetude e interação social produtiva são sentimentos que me legitimam como um religioso; estarei sendo a “sinvastatina” a enxugar as ‘gordurinhas’ que me impedem de ser e fazer feliz!

(Imagem 2: Alexandre Canhoni (Xand), ex-paquito, hoje missionário no Níger – Sintonia: Cap. Ser feliz, pg. 77 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera quente de 2013).

 

É possível que na presente rota vivencial as pessoas – que vivem fazendo escolhas – optem pelo caminho do perdão ou da ofensa. Indubitavelmente antagônicos, o ofensor, por si só se envenena e auto-flagela, já o que perdoa, poupa, absolve… por não desejar aumentar o tormento do outro com sua condenação.

O ofensor é aquele camarada que aposta uma corrida contigo que costumas perdoar: Tua aceitas lhe dá cinqüenta metros de ‘luz’ e ainda rompes a fita primeiro que ele…

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 Não estou aqui dizendo que perdoar seja fácil para o indivíduo que ainda claudica nesse ofício, mas que pensar perdão poderá ser o primeiro passo na direção de uma ‘conspiração’ do Universo para tentar entender um ofensor que:

  • Veladamente só me está ‘retribuindo’ ofensas, maus tratos, grosserias… pois o mesmo Universo que planeja um entendimento, não pode deixar de agir com justiça;
  • Considerando que ofender é a desvantagem e perdoar seja a vantagem, meu ofensor amarga hoje o mesmo prejuízo que me azedava outrora, quando em pretérita situação eu o hostilizava;
  • Possivelmente ainda não mostra o mesmo aprendizado do que já sabe perdoar, cabendo a este minimizar-lhe a ignorância através da absolvição;
  • Provavelmente o mau hálito que suas ofensas exalem seja proveniente de obsessões e provações que tu talvez desconheças. Ponderar atitudes que vês provenientes de causas que não consegues enxergar poderão comprovar tua nobreza; e que
  • Via de regra um ofensor é mais doente e necessitado que o terno amigo que já compreende e que para atingir tal patamar precisou ser perdoado inúmeras vezes…

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Ao ofendido, lembrar da benevolência Divina em ‘esconder o passado’ e trabalhar com evidências, talvez seja a melhor receita para pensar perdão… Afinal de contas, os algozes de hoje poderão estar tão somente ‘cobrando a conta’!

Pensa nisso!

(Sintonia: Cap. Pense nisso, pg. 105 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 201).

LEITE233831

A generosidade (…) propõe ajuda ao próximo, validando, acima de tudo, sua realidade pessoal.

Uma cooperativa de laticínios – o assunto da moda… – se faz recolhendo o produto de inúmeros fornecedores e reunindo-os na sede para beneficiamento e produção de uma diversidade de itens. Também a partir da validação, recolhimento e utilização das verdades de cada indivíduo se constrói um conjunto maior, diferenciado e real de verdades, ou uma ampla visão de Mundo.

Sou de uma época em que as vizinhas pediam às outras um açucareiro de açúcar, quando este faltava e a venda era muito longe. Coisa muito natural naquela época era este recíproco exercício de generosidade, pois… logo ali adiante a que pediu o açúcar iria emprestar uma quota de farinha…

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No momento em que vou chegando ao final de mais uma relida em Prazeres da alma e cada vez me apaixono mais pelas obras deste querido Orientador, percebo que todas as virtudes, que constroem o Céu no interior dos indivíduos, convergem ao grande anseio do Pai a respeito de seus filhos: A evolução! A generosidade não ficará para trás, porque quando se pensa numa pessoa que já adquiriu essa virtude, imagina-se uma pessoa notoriamente doce, desprendida, de colaboração e convívio fácil.

Se alguém perguntar na escola ao menino baixinho, de cabelo e pele descuidados, negro e pobre, com quem ele desejará estar à hora do recreio, e ele responder que ‘com aqueles que não pegam de meu pé’, não tenham a menor dúvida que ele estará se referindo aos seus colegas generosos.zeca-pagodinho-chuvas

Dir-se-ia que o generoso não ‘manga’ dos diferentes ou não os bullyiniza, mas que possui uma profunda compreensão de seus gostos e maneira especial de ser. Generoso ‘e’ esperto porque ainda aprende com as diferenças.

Sendo os indivíduos distintos, – diversos, diferentes… – qual deles que não gostaria de ter sua diversidade validada, reconhecida? Partindo-se do pressuposto que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer e nem tão rico que não tenha algo a receber, a generosidade é a virtude que homologa este ditado tão popular quanto verdadeiro. Se a realidade pessoal é tão única e a maior verdade que um indivíduo possa ter no presente momento, reconhecê-la como proveitosa à minha vida poderá ser, ao mesmo tempo, além de atitude inteligente, um ato de nobreza.

Quando em janeiro último Zeca Pagodinho, que é de Xerém, Duque de Caxias, esteve em auxílio às vítimas das cheias da Baixada Fluminense, até levando desabrigados para sua casa, esteve lá ele como um comum… Ele não foi lá cantar ou fazer demagogia, mas, como todos os de boa vontade, se uniu a propósitos da maioria. Primeiros socorros não prevêem de mim o declinar de um acervo que eu possa ter ou que meu curriculum proporcione a socorridos discursos de uma moral humilhante; todas as minhas ‘verdades’, nesse momento, deverão ficar em segundo plano. A regra mais básica de minha generosidade nessa hora será eu me nivelar, o mais que puder à situação de penúria do socorrido.

Quem generaliza, não socorre: Se eu encarar o problema de meu próximo como algo comum ou minimizá-lo ao compará-lo aos meus, dificilmente socorrerei, pois estarei a léguas da principal máxima evangélica.

Mas a generosidade, longe de somente prover, prevê o encorajamento, a capacitação, a singeleza no servir e um profundo respeito pela realidade pessoal do assistido material ou moralmente.criancas-na-escola-31062

É possível que muitos indivíduos não desejem grandes coisas de outros indivíduos, mas tão somente sua generosidade em forma de respeito à sua realidade de vida. Ou então cada qual não possuiria sua parcela de verdade! A missão do homem neste Planeta não é modificar o seu semelhante, mas a partir de uma modificação própria, promover a evolução da Terra e aí sim, com seu exemplo, levar de roldão, possíveis ‘retardatários’.

O que um não faz, o outro faz,assim se expressariam com sabedoria na questão 804 de O livro dos Espíritos os Benevolentes da Codificação, desejando informar que nem todos os espíritos possuem o mesmo adiantamento ou que tiveram vontade de desenvolver todas ou iguais faculdades; talentos diversos oportunizarão e estimularão o exercício do devotamento. Imagine-se um Mundo só de médicos, dentistas ou advogados… quem apagaria incêndios, quem construiria estradas, onde se comprariam mantimentos, quem fabricaria os móveis, quem cortaria ou pintaria cabelos?…

Cada talento não é melhor nem pior que os demais, apenas diferente e útil aos propósitos da Providência Divina ou Divinas Intenções.

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Em nada contribuirá ou influirá o acervo de um dentista que se coloca à frente de um carpinteiro e lhe encomenda uma mesa; como de nada valerá toda a capacidade profissional do carpinteiro que na cadeira do dentista lhe suplica que o livre de uma terrível dor. Sim, porque…

… O que um não faz, o outro faz!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 197 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Considerando que nenhum feito, sentimento ou pensamento passam despercebidos neste sistema de humanidade interdependente do qual fazemos parte, o mundo onde moramos depende de nossa colaboração. Todos [nós] temos que contribuir; ninguém está livre do devotamento à família, amigos e desconhecidos.

Foi sempre assim: O Planeta sempre contou e sempre contará com a generosidade de seus filhos, com seus feitos, sentimentos, pensamentos, criatividade, ousadias para uma evolução individual, grupal e planetária. Os devotados de hoje e possuidores de uma maior evolução são os mesmos que, na Idade da Pedra (3.500 a.C.), ainda rudes, mas colaboradores juntavam o ‘combustível’ para aquecer e iluminar suas famílias nas noites frias da Pré-História, lhes proviam segurança e desenvolviam outros atos generosos documentados em imagens e inscrições encontradas por pesquisadores…

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A generosidade é tão inata quanto as demais virtudes com as quais a Divindade brindou seus filhos. Ninguém fica generoso num estalar de dedos, mas é uma nobreza que se cultiva ao longo de vivências e que em algum momento, acompanhando a evolução, ficará madura na forma de devotamento ao semelhante, próximo ou distante. Ela é treinada no lar para se irradiar a pessoas ‘desconhecidas’.

Como, quanto e quando doar até reconheço ser um tanto complicado. Quanto a não se envolver emocionalmente com o beneficiado, variará de indivíduo para indivíduo. Já nem me refiro à frieza desse tipo de contato, pois quem é benevolente dificilmente será frio, mas há indivíduos que sempre se envolverão mais ante as penúrias materiais ou morais alheias.

Embora sabendo que não se deva carregar a cruz pelos outros ou pelo mundo, sempre haverá aqueles fatos que tocarão mais as pessoas que desejarão ser um pouco Simão Cireneu em suas vidas. Até porque, para ser solidário há que se ‘martirizar’ momentos que muitas vezes seriam de total lazer.

Uma coisa é certa: A intensidade de meu envolvimento ou o como, quanto e quando me devotar é infinitamente secundária comparada ao ato em si de generosidade. Generosidade só não poderá ser comparada a todos os seus antônimos, sovinice, indiferença, menosprezo, mesquinhez, avareza, apego… e todo um  séquito maldoso.

Se, num futuro próximo e como já orientado por Hammed nesta ou em outras obras, a religião do futuro será a fraternidade e que amar será tão simples quanto respirar ou beber em fonte translúcida, a generosidade estará no mesmo ‘pacote’, ou as pessoas generosas são criaturas que progrediram, uma vez que (…) já lutaram outrora e triunfaram. (…) Deve-se honrá-las, como velhos guerreiros que conquistaram suas posições. (Questão 894).

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Tal qual uma corrente do bem em círculo vicioso, toda a generosidade fornecida aos planetários influenciará diretamente no Planeta que por sua vez beneficiará os primeiros que a desenvolveram.

Todas as considerações aqui já feitas anteriormente ao ódio e ao amor, também serão válidas para o desdém e a generosidade: Do mais vil ao mais sublime há todo um percurso evolucional.

Tal percurso mostrará desde uma generosidade embrionária e imanente, passando pela rudimentar até chegar quase à sublime ou a generosidade dos grandes missionários.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 193 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Dotado de inteligência e liberdade, o ser humano se acha no direito de estabelecer juízos – ou verdadeiras inquisições – sobre episódios que vão acontecendo em seu pobre orbe de provas e expiações. Dessa forma cria sentenças cabalísticas e aparentemente irreversíveis tais como: Este mundo está perdido! Já não se faz mais as músicas de minha época; as que estão por aí são todas medíocres! Os realitys são despropósitos em horários nobres, pois neles só há sexualidade, rusgas e bebedeiras! No trânsito só se vêem barbaridades! De um noticiário não se aproveita nada; só falam em acidentes, assaltos e assassinatos! O Congresso Nacional é o apocalipse se explicitando!… E assim vai!

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Em meio a toda essa pugna, Orientações me diriam que quanto mais compaixão se tem pelos outros, mais nossa visão de mundo se expande, pois só podemos expressar uma autêntica compaixão se utilizarmos uma atmosfera de aceitação e respeito pelas dificuldades alheias. madre-teresa

Quando que passo a ‘ganhar’ o coração daqueles possuidores de profundas dificuldades ou a compreensão dos responsáveis por fatos que julgo estarem na contramão do bom senso? Quando, com uma visão expandida de mundo e com aceitação e respeito pelas dificuldades alheias eu conseguir evidenciar a pessoas e fatos que o que sinto por eles não é nem pena, nem dó; somente compaixão!

Não se trata aqui de compactuar com ações provenientes dessas fragilidades, mas de compreender que outrora incidi e ainda incido em idênticas fraquezas e que aquele Pai de outrora, tido pela ignorância como terrível, ciumento e vingativo, não é o mesmo Deus dos cristãos que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no lugar das primeiras virtudes… (Questão 1009).

Diferente da pena e do dó, profundamente horizontais e uma forma restritiva de ver, pois os sentirei simplesmente por senti-los não resolvendo nada, a compaixão, totalmente vertical poderá me mostrar desde a raiz do fato ou sua origem, até a sua solução. Essa maneira vertical de ver o fato exigirá de mim, entretanto, uma cadeia de generosidades que gravitam em torno da compaixão: Não estou aqui anunciando nenhuma novidade ao dizer que sensibilidade, percepção, emoção, entendimento, benevolência, solidariedade… farão parte do elenco de virtudes que produzirão umacompaixao compaixão efetiva evidenciada em alguma ação e no entendimento que os feitos desagradáveis das pessoas não serão eternos; que seus equívocos serão sempre o início de seus futuros acertos.

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Munido de generosidade abrangente e não restritiva; vertical e não horizontal, o compassivo, longe de compactuar ou ser complacente se compadece; longe de incentivar o desmazelo, demonstra honrada retidão e longe de possuir um olhar periférico sobre os fatos, possui uma visão expandida de mundo.

De mais a mais, o primeiro beneficiado com generosidade, entendimento e compaixão serei eu mesmo, pois meu peito se livrará das sobrecargas de fatos que não serão solucionados em curto prazo, dado a lenta e gradual transformação do Planeta.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Compaixão, pag. 115 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono lindo de 2013).