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gentileza“Apresentemos ao Senhor as nossas oferendas e sacrifícios em cotas abençoadas de amor ao próximo, adorando-o, no altar do coração, e prossigamos no trabalho que nos cabe realizar.” (Emmanuel).

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Precisamos, outrora, em eras pagãs ou cristãs, de santuários grandiosos, entendendo neles, melhor agradar a Deus.

Precisamos que eles tivessem altares em mármore, ouro, ou madeira nobre, pensando melhor cultuar nossa Divindade.

Precisamos, para exteriorizar nossa fé, depositar sobre eles, oferendas palpáveis, visíveis ou mensuráveis.

Nossos ‘pais’ na antiguidade assim o faziam; herdamos-lhes tais circunstâncias e rituais.

O Divino Rabi chega, entretanto, e nos observa que “o sacrifício mais agradável a Deus” estaria numa série de compromissos para com os irmãos: dita-nos a Regra de Ouro “fazei aos homens tudo o que desejais eles vos façam”, que subentende respeitar, tolerar e servir, para que com ela nos aproximássemos do amor do Pai que está nos Céus. Ou, que o amor a Deus seria verdadeiro, se amássemos (realmente) nossos irmãos.

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Reconhecemos que sacrifícios, altares e templos do passado, não foram em vão; tinham propósitos àquela época, mas…

… Erigirmos hoje o templo de nosso Espírito (nossa evolução); aparelhá-lo com o altar do coração; e neste colocarmos o sacrifício de nosso serviço, já faz parte da era nova que ora vivemos. O que ficou para trás, possivelmente, sejam museus, lembranças e histórias de um tempo que saíamos do mais para o menos pagão.

Nossa piedade, assim, deixa de ser mero ato exterior. Piedade ou impiedade é medida pela disponibilidade do altar de nosso coração…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 93, Altar íntimo; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

f81f437fec57ae01a3463c4197711b82“Bem aventurados os que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus, 5:7).

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“Parábolas do Reino” é uma série de ensinamentos, do Evangelho de Mateus, onde o Mestre, através de analogias, enquadra os possíveis candidatos ao Reino dos Céus. Lógico que as ‘regras são claras’ – ao menos para os de bom ouvido – e nelas não nos são solicitados atos heróicos; apenas o Mestre das Alegorias nos solicita atenção diária na construção do reino íntimo através de pequenas misericórdias:

A moeda é útil; melhor, porém, acompanhá-la de palavra reconfortante.

Bom dia, boa tarde, parabéns, muito obrigado!… A um custo zero, levantam o ânimo até de um ‘desconhecido’…

Dizer ao serviçal de áreas comuns que seu trabalho ficou lindo, embora ele o saiba, o deixará alavancado para próxima tarefa.

Duas horas semanais de trabalho voluntário poderá curar várias feridas.

O verdadeiro óbolo da viúva não prevê só nos desfazermos do supérfluo, mas também do necessário.

Passarmos adiante o conhecimento que já temos é manifestação de gratidão para com aqueles que nos ensinaram.

O aconselhador fraterno poderá mostrar não uma luz no final do túnel a agoniados, mas um clarão inteiro.

Medicamentos com validade e já não usados enchem nossas gavetas e fazem falta aos que não podem adquiri-los.

Tratar de forma igual os diferentes é sermos, ao menos, ‘arremedo’ de Jesus no apreço que teve por Zaqueu, Madalena, pelos lunáticos, centurião, paralíticos…

Como sugere o P. Fábio de Melo, “pessoas são como livros; precisam ser lidas; não paremos em suas capas.” Vamos folheá-las!

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Não confundamos os heróis: Os há de todos os naipes! Estes, os verdadeiros, de grão em grão vão construindo o seu Reino interior, bem ao alcance das suas pequenas misericórdias.

(Sintonia: Cap. Donativo da Alma, pg. 78, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono frio de 2014).

Sábado, primavera de 2013. Em meio ao frenético vai e vem da pista central da Avenida Duque de Caxias, bairro Fragata, fazíamos, minha velhinha e eu, a caminhada que deveria ser mais amiúde, não fora os encargos da recente instalação.

A primeira constatação é que tal pista, construída inicialmente para ser um corredor de coletivos, continua à deriva do progresso, com imensas rachaduras, desníveis, mal sinalizada, e com inadequações em todos os seus retornos, como a própria avenida em seu todo.

Mas não é propriamente ao estado da pista que desejo me reportar, mas aos personagens que naquele momento a freqüentavam:

Muito próximo aos trailers de alimentação, as moças da limpeza realizavam suas tarefas, – árduas por sinal – de retirar todo o lixo que, sobretudo às sextas, sábados e domingos à noite é jogado inescrupulosamente naquela área. Também, aqui, e o deixo claro, não havia insatisfação por parte das profissionais; muito pelo contrário, exibindo todos e os possíveis looks próprios de suas feminilidades, cumpriam de forma risonha suas tarefas com o maior capricho possível.

Após as cumprimentarmos e elogiarmos seus trabalhos, minha amada e eu comentávamos de como tal área deveria estar imunda nas primeiras horas das segundas feiras, ao que concordaram, referindo-se ao caos e ressaca no início da semana.

Nesse mesmo instante e olhando para os lados da avenida, distraí-me ao pensar na diversidade de seus moradores e de como a felicidade está desvinculada do possuir ou não possuir. Questionamentos me ocorreram, tais como: Será que na mansão próxima haveria felicidade e que tipo de felicidade seria? Ou nas casas mais humildes, qual seria o significado dela? Entre o ter e o ser, quanto distanciamento do conceito felicidade!

Desatento, voltei a encarar as ‘meninas’ da limpeza e seus rostos humildes, porém francos pareciam me declarar que ‘eram’ muito mais do que ‘tinham’: Eram responsáveis, eram caprichosas, eram habilidosas, eram verdadeiras, eram ou… pareciam ser felizes!…

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“A Nigéria é líder entre os países com maior porcentagem de pessoas que se consideram felizes. (…) Situada na África, continente considerado paupérrimo, [conclui-se que] nem sempre a condição econômica é motivo de felicidade.” (World Values Survey, investigadora de valores socioculturais e políticos a cada cinco anos).

Conclui a mesma pesquisa que Rússia, Romênia e Armênia são os países menos felizes, donde é forçoso se coloque em dúvida que a origem e influência marxista não tenham completado o quesito felicidade dos povos.

Mas qual, então a ‘receita’ da felicidade? É possível que seja ‘a’ dada pelas moças da limpeza da ‘minha’ Avenida? Sim! É possível! A paz da consciência do dever cumprido, a satisfação que sentem de ver seu trabalho usufruído por ordinários e anônimos usuários e caminhantes como eu, a humildade de suas tarefas, o sentirem-se pequeno-grandes obreiras… as fazem felizes e disso eu não tenho dúvidas.

É possível que se o Mestre por ali passasse, num flash back e ao verificar suas fainas, as incluísse em seu ‘time’, – o das pequenas criaturas – como o fez com Zaqueu, com o Centurião, com Madalena, com a Viúva do óbolo, com o Publicano em rogativa no templo, com a mulher do poço e com tantos outros pequeninos perdidos no tempo e nas vielas da poeirenta Palestina e capital Jerusalém de Seu tempo.

Pensa nisso, minha querida e meu querido!

(Sintonia: Cap. Países mais felizes, pg. 47 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

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Nestes tempos de movimento intenso em ‘minha’ praia em que pessoas se acotovelam em supermercados, farmácias, bancos… Estava eu na fila da fiambreria de meu mercado onde pedira à gentil funcionária duzentos gramas de queijo e mais duzentos de presunto sem capa. Após me entregar ambos a atendente, sorrindo, me perguntou:

– Algo mais, senhor?

– Sim! Respondi-lhe. Bom dia!…

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Entrando no assunto de ‘movimento intenso’, que é cíclico no Balneário Cassino, cabe-me salientar que todos são responsáveis em amortecer ou abrandar os ânimos, para que esta convivência se torne o mais saudável possível.

Em ambiente de fluxo intenso como o supermercado, cada qual possui sua razão: O veranista temporário tem pressa; ele acredita que o tempo gasto em cada fila do mercado é ‘o’ tempo a menos que ele estará aproveitando de um curto e caríssimo veraneio. O morador, que de certa forma vê ‘invadidos’ locais onde se acostumou a resolver seus problemas, se irrita, alegando que sua tranqüilidade durante o veraneio é quase nula.

‘Voltando à fiambreria’, sou de opinião que o equilíbrio, o bom ânimo e, principalmente, ‘me desarmar’ optando pela cortesia, será a melhor receita. Tentar manter a jovialidade no rosto, a boa educação, e principalmente a gentileza, poderá diminuir o ímpeto de ambas as partes.

Para mim que optei em adotar este lugar para morar, procuro encarar o assunto tentando me enquadrar na questão 388 de O livro dos Espíritos, acreditando que “os encontros que ocorrem, algumas vezes, de certas pessoas e que se atribuem ao acaso, [são] o efeito de uma espécie de relações simpáticas…” e que “há entre os seres pensantes laços que ainda não [conheço]…”Frases-de-amizade-verdadeira-para-amiga

Por que ao estacionar meu automóvel na orla acho o vizinho de minha direita tão simpático, cumprimento-o e ele responde? E por que o da esquerda não me dá a mínima chance de saudá-lo e acho-o tremendamente antipático? Primeiro: Ambos os encontros não são acaso. Segundo: Os laços da afeição e da antipatia não são gratuitos. Terceiro: Não se trata de brandura ou ‘birra’ com um ou com o outro, mas um puro magnetismo, que envolve este trio e que não é de hoje…

Dir-me-ia hoje Hammed que vivemos na atualidade a mais grave das privações humanas – a incapacidade de manifestar nosso amor e carinho de modo claro e honesto e sem nenhum receio de ser mal interpretados e que o amor, esse nobre sentimento somente se efetiva quando expressado em atos e atitudes.

Necessário dizer que de povo para povo a fraternidade e a união entre os homens se manifestam de formas diferentes: O americano não ousa se tocar muito e os brasileiros que lá fazem isso, são mal vistos; o oriental se harmoniza e se saúda com reverências; já os brasileiros abraçam, beijam, falam tocando com as mãos… sem nenhum receio de ser mal interpretados!

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 Se eu te disser que sou religioso, tu poderás desconfiar de mim e desejar conferir através de minha religiosidade se, realmente, sou religioso…

… Explico: Conferir minha religiosidade significa verificar se o amor está expresso em meus atos e atitudes.

Se minha religião – do latim ‘ligare’ ou ‘religare’ – não servir para vincular ânimos acirrados, contendas, disputas, tumultos… à moral do Mestre Jesus, que diz que todos são irmãos e filhos de um Pai amoroso, minha religiosidade será de ‘meia pataca ou de pataca nenhuma’.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Amor, pag. 189 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013, indo ao ‘lotado’ supermercado Guanabara).

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier no capítulo do Livro da Esperança, intitulado Em louvor da alegria, se utilizariam da instrução de François de Genève,  item 25 do capítulo V do ESE, exortando que durante vosso [exílio] na Terra, tendes de desempenhar uma missão [imprevisível], quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou… Se sobre vós desabarem inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para [suportá-las].”

Tanto a instrução de François como o texto de nossos autores supracitados, dá-me a entender que:

1. Possuo, independente das inquietações e tribulações, representadas por todas as minhas dores físicas ou morais, ‘competência’ para produzir alegrias e bem estar tanto no meio familiar como tecnicamente na profissão que venha a escolher dentro de minha razão e livre arbítrio:

  • Pais de família, mães, filhos, avós… a despeito das dores e de todas as ‘TP’ que sentirem diariamente, precisarão contribuir com sua parcela de bem estar para que a família possua a maior quantidade possível de alegrias;
  • O vizinho que, apesar da amargura de ter visto o filho partir precocemente, não hesitará em cumprimentar-me diariamente, perguntar sobre os meus e, volta e meia, em atitude generosa me entregará, por cima do muro, o quitute que tanto aprecio;
  • O professor mal remunerado, mas que entende que a culpa não é dos aprendizes que estão à sua frente, mas de um sistema que não quer estabelecer prioridades a um País, poderá, apesar de suas dificuldades se tornar uma ‘máquina’ de produzir educação;
  • O médico que acompanha gestações durante os seus nove meses e ‘coloca no mundo’ crianças saudáveis, embora vendo em seu lar que sua amada não consegue engravidar ou perde um, dois, três bebês devido à necessidade de ‘encarnações relâmpago’, será aquele profissional que, mesmo dilacerado, colaborará com a alternância de Espíritos nos dois planos;
  • O policial e o bombeiro poderão estar dando uma segurança e prestando um socorro à sociedade que talvez lhes falte na própria casa;
  • O gari pode ter sua casa humilde rodeada por muitos resíduos, mas recolherá diária e impecavelmente o lixo que eu produza. É o gari gerando bem estar;
  • O político quer seja executivo ou legislativo que deseje ser correto – na contramão da contramão de muitos – e executar e legislar em favor ‘do povo’ precisará enfrentar a ira de uma maioria de seus pares;
  • O estoquista do supermercado que me informará com cara risonha onde estão localizados os produtos, objetos de meu desejo, poderá não tê-los ao alcance de seu salário… Isto não o impede de me produzir regozijo;
  • Da mesma forma, o frentista que ainda nem conseguiu adquirir seu automóvel, não deixará de ser solícito no trato ao meu carro; e…
  • …O profissional do riso? Por detrás de sua máscara talvez esconda amarguras mil, mas quando sobe ao picadeiro se transforma no agente do riso da alegria e do bem estar.

2. Cabeça, tronco e membros de meu organismo ainda classicamente assim dividido, serão se assim eu desejar, uma máquina de produzir bem estar e alegrias. Disse se eu o desejar porquê:

  • Se utilizar minha escassa razão, sem ‘envolver’ o coração, poderei estar utilizando ouvidos, olhos, olfato, boca e ainda as antenas de minhas mãos e braços ou as alavancas de minhas pernas e pés, tão somente para satisfazer meu próprio egoísmo… Mas,
  • …Pensamentos claros, olhares meigos, ouvidos caridosos, palavras construtivas, atrelados às alavancas e antenas de minhas pernas, pés, braços e mãos, poderão ‘fazer a diferença’ na máquina que eu deseje produza alegrias e bem estar.

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As sete maravilhas do Mundo ‘atualizadas’: Poder ver, poder ouvir, poder tocar, poder provar, poder sentir, poder rir e, sobretudo, poder amar, utilizando-me das seis primeiras na produção de afeto, alegria e bem estar.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Em louvor da alegria, pag. 43 do Livro da esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Primavera de 2012).