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Nada, na face da Terra, me é dado por milagre ou de ‘mão beijada’. A filantropia ainda não é atributo dos iniciantes deste Planeta. Se, o que é acordado, contratado, pago, muitas vezes já não me é fornecido, como me iludirei com aquilo que sequer me foi prometido?

“Somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem. As ilusões que criamos servem-nos de defesas contra nossas realidades amargas.” (Hammed – As dores da alma).

Falo-lhes, hoje, do abismo que há entre o glamour e a realidade. O glamour, aqui está representado por tudo o que me atrai, e que brilhantemente me é ‘empurrado’… O glamour são as promessas. A realidade é só a… Pura realidade, o que me é negado, a quimera, o engodo, o resultado de meu devaneio. A ilusão!

– Ser feliz, para a jovenzinha é ter o sapato da moda, a roupa e a bolsa de grife, o novo tom da tinta de cabelo que a mídia com capricho lhe oferece. Quem garante, porém, que na volta da balada e apesar de toda essa produção poderá estar feliz?

 – Todas as propagandas de cerveja expõem mulheres exuberantes ou artistas jovens sarados. Os malefícios, frutos dessa irresponsabilidade comercial poderão ser para o consumidor a tragédia que vai desde a inatividade temporária até o óbito.

– A competição para me oferecer um carro com novo design e mais potente é inescrupulosa e ‘ultra-secreta’. Muitas vezes, entretanto não me dou conta do perigo da máquina, da insanidade do outro condutor, da precariedade das estradas de meu País.

– O celular, o laptop, a linha telefônica, a TV a cabo… Tudo me é oferecido dentro do mais encantador marketing. Resolver os problemas posteriormente junto às operadoras é que vai ser o humilhante… Sabe? Tecle 2, tecle 4, tecle…

– Agora o pior: A mídia me oferece – com cara risonha -, todos os produtos. São glamourosos os garotos e garotas, possuem dentes brancos e brilhantes, seus cabelos são caprichados, maquiagem irretocável… É verdade que bem abaixo há umas quatro ou cinco linhas de letrinhas miudinhas que o idiota aqui – e tu que estás rindo também – não consegue ler. A mesma mídia que me oferece a cerveja, o sapato, o novo celular, o carro do ano, é a mesma que vai ‘vender’ a minha tragédia, a minha invalidez, a minha multa por embriaguês, o estupro da moça, aquela da balada. Noticiarão todas essas coisas ‘consternados’, e repetirão à noite e no outro dia também… Com as notícias risonhamente requentadas.

Vejam queridos amigos o ‘abismo’ que há entre o glamour e a realidade? Quem tiver olhos para ver que ‘enxergue’!

(Verão, já com frente fria, de 2011/12).