Posts Tagged ‘Gratuidade dos dons’

0010b9c747e695d406a57ed20dd89a8cImaginemos Deus nos cobrando contas da luz do sol que nos aquece, da água límpida e gratuita do regato, ou enviando-nos a fatura da água da chuva necessária!…

Se a mediunidade é a luz/concessão que possuímos em característica e intensidade diferentes, como nos tornarmos dela mercadores? Como mercadores, seríamos ‘enquadrados’ pelo Mestre das Gratuidades, com a exortação de sua parábola: “Até que pagues o último ceitil, serás aprisionado!…”

Assim como são importantes todos os luzeiros postos à disposição da sociedade, do farol mais moderno à vela bruxuleante, também a luz interna que todos possuímos, – a mediunidade – servirá de iluminação a outras mentes, qualquer que seja a sua intensidade. Como não contribuir, gratuitamente, para a iluminação de indivíduos outros? E daí se nossa luz é fraquinha, se irmãos nossos às vezes só precisam de nossas fracas tremeluzências?

Toda luz é providencial. Toda mediunidade é importante. A resplandecência de determinada luz é diretamente proporcional ao grau de escuridão que se nos apresenta: O simples fósforo aceso terá a sua utilidade relativa à intensidade da escuridão. Espíritos desencarnados e encarnados precisarão, muitas vezes, de somente uma migalha de nossa atenção… Não desejarão muito mais que isso!

* * *

Assim como na iluminação, o espetáculo é acessório, vale o proveito; também na mediunidade o fenômeno é suplemento; o que importa é o serviço!

Entre a lâmpada apagada e a força das trevas, não há diferença!

(Sintonia: Cap. Ante a mediunidade, pg. 228, Livro da Esperança, Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Outono de 2015).

Criado simples e ignorante, em uma era remota, meu Pai não me fez bom nem mau. Baseado no “sereis Deuses” (João X, 34), transferiu-me, entretanto, uma ‘genética’ perfectível, ou utilizando-me de meu livre arbítrio, – uma espécie de faca de dois gumes – eu poderia, desejando ou não, lenta ou rapidamente, inclinar-me à perfeição e ficar o mais ‘parecido’ possível com Ele…

Apercebendo-me que somente um caminho me levaria à perfeição, um dia resolvi tomar as rédeas do bem… Mas quantas encarnações ‘gastei’ para me dar conta disso!?

Na rota da perfectibilidade, não está previsto comercialismo aos Espíritos. Embora responsável unicamente por minha destinação, não devo ignorar minha co-responsabilidade de gratuitos auxílios aos empreendimentos dos companheiros ao meu lado, filhos do mesmo Pai e também perfectíveis.

Mateus, no capítulo X, vv. 1 e 6-10, me conta que Jesus, quando escolheu os ‘herdeiros do Pai’ mais próximos a Si – os apóstolos – teria lhes passado várias recomendações sobre a gratuidade de suas tarefas, tais como “expulsar os espíritos imundos, curar todo mal e toda enfermidade; [enviou-os] às ovelhas que se perderam da casa de Israel [para anunciar-lhes] que o Reino dos céus está próximo.” Recomendou-lhes: “Recebestes de graça, de graça daí! Não leveis nem ouro, nem prata, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados…”

A sobriedade do viver, o desapego e a gratuidade dos dons, me levam a diversos questionamentos:

  • Fortunas transmitidas de gerações a gerações – ouro, prata, dinheiro nos cintos -, mas sem gerar empregos nem bem estar aos caminheiros não consangüíneos, não seriam talentos enterrados?
  • Os bens inservíveis acumulados à volta de minha casa, sem ‘circularem’, não seriam meu talento a se deteriorar?
  • A gratuidade de minha mediunidade não colocada à disposição para expulsar os espíritos imundos, curar todo mal e toda enfermidade, não seria desconsiderar o meu talento?
  • Desperdiçar a oportunidade de me envolver com as ovelhas que se perderam da casa de Israel [para anunciar-lhes] que o Reino dos céus está próximo, não seria enterrar meu talento?
  • Minha vaidade no me apresentar, vestir, calçar, locomover, contrariando a exortação da ‘quantidade’ de túnicas e calçados, não seria ‘esnobar’ o meu talento?
  • Minha sovinice da túnica e do calçado a mais em meu armário e sem reparti-los, não estaria contrariando a máxima da gratuidade?
  • Somente a razão e minha técnica utilizadas em minha profissão, sem aplicar-lhes meu coração, não estaria enterrando meu talento sem que ele frutificasse?

Professor, médico, dentista, policial, bombeiro, gari, estoquista, frentista, advogado… sempre que utilizar sua técnica e razão aliada ao coração, poderá ter algo mais a oferecer à sua clientela. Esse ‘algo a mais’, não faria parte de uma gratuita e Divina genética?

(Primavera fria de 2012).