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A despeito de os Iluminadores terem me afirmado que “pois que [tenho] a liberdade de pensar, [tenho] igualmente a de obrar” (Q. 843), tenho procurado todos os dias me vacinar contra certos apelos, pois “é fora de dúvida que o mundo tem suas exigências” (Q. 850).

As tentações que ainda penso serem de meu domínionovelinha das 18 [ainda me livro dela!], time do coração, comerciais insinuantes e sensacionalistas… –, são do senhorio do Planeta. Cabe-me, entretanto, o freio…

E assim afirmo que ‘vou tentando’ e meditando todos os dias; para não perder a viagem vou filosofando sobre heróis que por aí estão e que teimo em dizer ‘não serem meus’ e que me assediam diariamente:

  • Meus heróis verdadeiros estão muito próximos a mim; se fosse citar todos faltariam lápis ou cometeria injustiças e/ou nepotismo;
  • Ante tanta futilidade e coisas prontas publicadas, hercúleo é persistir em tentar publicar coisas que suponho úteis;
  • O bom cronista poderá não estar, necessariamente, a serviço do bem;
  • Não me iludo: Um Planeta de Provas e Expiações possuirá, sempre, heróis com a qualidade dos que por aí estão;
  • Pior que um herói medíocre é um fã tolo;
  • E os cientistas, embarcados e confinados nas naves de seus laboratórios… Por que a mídia não os promove a heróis?
  • Faltaria relho se Jesus ‘fosse gaúcho’ e adentrasse em certos segmentos de nossa profanada cultura!
  • Heróis exóticos atrairão, inevitavelmente, fãs afins;
  • Como diria sábio poeta gaúcho, “a abelha gosta do mel e a sarna da cachorrada”… Não que eu queira comparar meus amigos cachorrinhos a certos heróis!
  • Custo a reconhecer o atual panteão outrora constituído de líderes, pensadores, governantes, cientistas…

Como disse, vou meditando, filosofando e tentando reverter os heróis que se oferecem à minha liberdade. Hay que se ter coragem!

(Verão de 2011/12).

Na tentativa de abordar assunto com título tão desgastado, resolvo fazê-lo em três itens:

1. Herói, no sentido mais tradicional, é o homem – ou a mulher – notável por suas qualidades extraordinárias. Neste panteão, coloco governantes iluminados, filósofos, pensadores, líderes de resistência, cientistas dedicados… Até aqui, não falei nenhuma novidade, pois esses homens sempre foram considerados modelos a serem seguidos. Chamá-los-ia, simplesmente de… heróis, se é que ser herói é uma coisa simples!

2. Vivendo momentos de extrema turbulência no quesito herói, a humanidade vem questionando valores e rejeitando-os sem muita análise. A liberdade sem responsabilidade faz com que surjam personagens exóticos, facilmente alçados à condição de heróis. Dessa forma, modifica-se drasticamente o perfil dos ‘novos’ heróis, reverenciados por fãs inconseqüentes e irrefletidos:

  • ‘Reality Shows’ apresentados por cronistas inteligentíssimos – e isto é inegável! – apresentam bizarros e exóticos ‘heróis’ inescrupulosos. A rotina de suas ‘tarefas’ apresentará intrigas, brigas, antagonismos e libertinagens. Mas o público fã, em seu frenesi os manterá no ar porque a emissora estará vendendo… Nem que seja a alma para o ‘diabo’!
  • Artistas muito belos, mas desequilibrados, são mostrados pela mídia em seu apogeu e no seu declínio, este, na maioria das vezes lamentável, mas mesmo assim noticiado, ‘renoticiado’, em reportagens requentadas que a mim me dão asco!
  • Atletas regiamente remunerados, mas com padrão de comportamento pouco elogiável. Muitas vezes a mídia evidencia mais seu comportamento do que suas habilidades: O ‘topete’ é mais importante que o futebol.

3. Há, entretanto, uma terceira categoria de heróis. Anônimos eles contribuem para a construção de um mundo melhor:

  • O jovem que diz não às drogas e à promiscuidade;
  • O estudante atento a seus deveres e que não ‘cola’, mesmo tendo oportunidade;
  • O filho que cuida dos pais idosos ou enfermos;
  • O professor que leciona com dedicação, mesmo quando mal remunerado;
  • O empresário honesto, que não sonega tributos e nem lesa seus clientes.

Vejam amigos leitores que há heróis e ‘heróis’… Lamentavelmente os tradicionais são esquecidos, os anônimos não ‘vendem’ e ainda são chamados de ‘trouxas’ e os exóticos são endeusados.

‘Hay’ que virar este jogo!

(Todas as expressões em itálico, foram retiradas do cap. Os verdadeiros heróis, do livro Momento Espírita, vol. 7, editora FEP) – (Verão de 2011/12).