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Pessoas há que não se consideram viciados por não fazerem uso de nicotina álcool, tóxicos… Considere-se, entretanto, que manias, trejeitos, cacoetes, hobbys, idolatrias… não isentarão a ninguém da vala comum da viciação. Apelidaria a todos esses ‘gostos’ de o cigarro de cada um.

Costumo dizer que um vício puxa outro: Se fizer um inocente churrasquinho, atrás virá a social bebidinha, a maionese caprichada – ou encorpada? -, o café fresquinho com a imperdível trufa, ‘bocadito negro’ ou o meio amargo… E isso é só um exemplo, visto que extravagância puxa extravagância!

Hammed me daria a entender, aqui, que o vício é algo que controla a pessoa, fugindo à corrente normal de que o vício deveria ser controlado e acolá, que o vício é o culto a uma mazela por falta de opção melhor. Neste caso, a terapêutica a oferecer-lhe será uma ‘opção melhor ainda’…

“Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao espírito”…

 …Ou, a alma que não acumular virtudes cederá espaço aos vícios. A que não desenvolver virtudes e nem vícios, por si só, estará acumulando uma mesmice ou cedendo vaga ao não aperfeiçoamento. Tanto as virtudes, os vícios e até a própria mesmice são tão somente exteriorizados pelo corpo, mas a alma é quem os dita.

Os vícios tradicionais – álcool, nicotina, tóxico… – levam o indivíduo à degradação moral e física. Há outros que os efeitos secundários serão os nocivos:

  • A inocente e rotineira rodada do brasileirão, poderá me tirar de programas familiares mais saudáveis ou altruísticos;
  • Manias por mim desenvolvidas poderão afastar os melhores amigos; afinal quem desejará estar junto a um chato;
  • Se eu falar mais que ouvir acabarei me tornando um inconveniente;
  • Se sistematicamente viver me lamuriando, acabarei solitário; e
  • Se me utilizar, rotineiramente, da lâmina da crítica e da maledicência, poderei ser ‘promovido’ à categoria de pessoa de difícil convivência.

Vício, mania ou hábito que possua, poderei tê-lo adquirido por simples clichagem ou estereotipagem – de clichê, padrão, mesmice… Por exemplo: de tanto meus ascendentes, desta ou de outras vidas dizerem que sou um inútil e burro, essa sensação acaba sendo impressa em meu corpo sutil e me vejo assimilando esse molde e achando que sou mesmo inútil e burro.

Em resumo, aos vícios não há como escapar, pois são ‘carga’ ou embaraços deste orbe… Qualquer que seja ele, sempre será o cigarro de cada um…

Substituí-los por ‘manias saudáveis’ – virtuosidades -, seria o ideal, tal como me tornar uma companhia agradável, de fácil convivência, conveniente, oportuno, decente…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Velhos hábitos, pag. 149 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012).