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post-4-c3-1030x579“Um semeador saiu a semear…” (Mateus, 13:4).

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Profundamente sábio e utilizando-se de analogias com figuras pertinentes à Palestina de seu tempo, (figuras da pesca e agropecuária local), o Mestre das alegorias não agiria diferentemente na parábola do semeador. O Benfeitor Emmanuel trabalhará em cima de tais ensinamentos e aqui fazemos nossas próprias reflexões:

O primeiro ensinamento da parábola é aquele que nos adverte que a cada reencarnação temos deveres intransferíveis: na qualidade de ‘donos do campo’, somos os próprios lavradores. Não podemos contratar ‘peões’ e ordenar-lhes que evoluam por nós! Ou pedir-lhes que, enquanto descansamos ao pé da escadaria, galguem todos os degraus que nós próprios precisaremos subir.

Como segundo ensinamento, nós, na qualidade de cooperados – Espíritos não evoluem sozinhos – seremos convidados a abandonar personalismos ou pontos de vista e convocados a lavrarmos na “terra das almas, sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir em benefício de todos.” Pode-nos parecer até contraditória tal consideração se comparada à primeira, mas não é: uma coisa é ‘desejarmos’ evoluir, no sentido de utilizarmos nossa vontade de fazê-lo; outra coisa é a cooperativa fraternal.

Terceira e última consideração é a de que se o divino Semeador, da manjedoura de Belém ao Gólgota, se fez pequeno em suas lides, por que nós seus terceirizados não deveremos nos vestir com a túnica e sandálias da humildade? Se ele nasceu entre pastores; cresceu no anonimato de Nazaré; conviveu com a hipocrisia de sacerdotes, doutores da lei e fariseus; teve como colaboradores, humildes pescadores; e morreu cruelmente numa cruz entre malfeitores… Será óbvio que o tipo de berço que nos trouxer a esta reencarnação não será relevante; que o anonimato será o tempero de qualquer frente Crística que abracemos; que opositores se farão presentes na lavoura, travestidos de lavradores ou semeadores, desejosos de plantar cizânias; que dos que ombrearem conosco, nenhum será perfeito; e que a nós, cruzes se depararão sob os mais diversos aspectos.

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Impossível raciocinarmos com semeadura sem os naturais constrangimentos do Orbe: o vento que espalha as sementes; a diversidade dos solos a serem semeados; o orgulho e o egoísmo a desejarem a perfeição do plantio e a santidade das ajudas; as sementes de joio infiltradas; e o cansaço que gera deserção e desânimo no cultivo.

A parábola do semeador é só uma das provas da sabedoria de nosso divino Professor atento a este Planeta muito antes da manjedoura; da manjedoura ao Gólgota; e em Espírito de Verdade até que se faça necessário.

Sintonia com Xavier, Francisco Cândido, Fonte viva, ditado por Emmanuel, em seu Cap. 64, Semeadores, 1ª edição da FEB – (Primavera de 2016).

lava-pes1-300x207“Em todos os lugares do vale humano, há recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. Sirvamos, em qualquer parte, de boa vontade, como ao Senhor e não às criaturas, e o Senhor nos conduzirá para os cimos da vida.” (Emmanuel).

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Reencarnados na Terra, este vale humano – de muitas lágrimas, por sinal – somos regidos por Leis Divinas ou Naturais que nos chamam ao Trabalho, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade e principalmente à Justiça, amor e caridade. “Por ser [o trabalho] uma conseqüência da natureza corpórea do [homem]” (questão 676 de O Livro dos Espíritos), a humanidade, chamada ao progresso, à sociedade, à igualdade e liberdade e sustentada pela justiça amor e caridade, irá trabalhar – servir em qualquer parte – visando o “adiantamento na vida espiritual.” (idem, questão 648).

Nesta peregrinação, será melhor só provermos nossa subsistência ou providenciando-a nos tornarmos diretamente os servidores dos outros buscando recursos de ação como legisladores, administradores, no judiciário, autônomos, artistas e empregados? Legislarmos moralmente; administrarmos sem suspeitas; julgarmos retamente; sermos empregadores honrados; artistas iluminados; operários úteis e humildes… nos homologará como os legítimos servidores do Mestre.

Observemos bem: Somos servidores ‘do’ Cristo; servindo aos homens deste Planeta e a nós próprios; e visando nossa elevação individual, pois equilibrados perante as Leis Morais, que nos conduzem ao aprimoramento ou “adiantamento na vida espiritual.”

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“Do trabalho do operário nasce a grandeza das Nações”, diria o papa Leão XIII; São João Bosco adotaria esta máxima como um dos seus lemas na condução das artes e ofícios como agentes da educação de seus meninos.

O trabalhador, entretanto, em quaisquer recursos de ação, precisará compreender que: é um co-criador do Pai em escala menor; serve indiretamente ao Cristo, servindo aos homens; eleva-se aos cimos da vida – evolui individualmente; e atua na promoção Planetária.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 29 Sirvamos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

Francesco De Vito 2Pedro, o apóstolo sobre o qual Jesus ergue a fortaleza de sua Boa Nova, era um homem extremamente rude: Diríamos hoje, em linguagem menos rebuscada, que num só momento, esse pescador de fé poderia ‘descer do céu ao inferno…’

Citando alguns de seus equívocos, numa ordem mais ou menos cronológica, perguntaria ele certa vez ao Mestre: “E nós, que deixamos tudo e te seguimos, que receberemos?” Por ocasião da prisão do Rabi, negaria ao seu amigo por três vezes, antes mesmo que o galo cantasse; e na hora derradeira, confunde-se, toma da espada e corta a orelha do soldado Malco, o que lhe vale séria reprimenda do Cristo. Mas…

… Este o amava! Tanto que a casa do apóstolo, em Cafarnaum, às plácidas margens do Mar da Galiléia era seu refúgio favorito, além de ficar bem afastada (aproximadamente 150 km) dos perigosos ‘desafetos’ de Jerusalém. Na casa do amigo, realizaria memoráveis reuniões de orações e aí se desenvolveria a fraternidade. É bem possível que aí tenham sido realizados os primeiros Evangelhos no Lar…

Mas Pedro era tosco! E alternando petruscadas equívocos, vacilos, claudicânciascom manifestações de fé, Simão Pedro ia conquistando o coração do Mestre e se preparando para a liderança de sua igreja, para um futuro em que não mais estivesse encarnado.

– Simão, lhe diria certa vez o Mestre, “tu és Pedro e sobre esta pedra – petrus – edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!”

Que consolo para nós, que queremos estar perto do Mestre, servi-lo, divulgá-lo, mas ainda nos equivocamos constantemente!

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Simão, Pedro, Cefas (pedra em aramaico), Petra (pedra em grego), Petrus (pedra em latim), príncipe dos apóstolos, pescador de homens, primeiro bispo de Roma, primeiro papa… todos nomes e títulos dedicados a este Espírito de muita fé, mas que, de quando em vez cometia suas petruscadas!

O Mestre não nos deseja trabalhadores perfeitos; só dedicados!

Em ato de humildade, aos ser martirizado, Pedro pediria e seria atendido na graça de ser crucificado de cabeça para baixo, em sinal de total submissão ao Mestre e Amigo de Cafarnaum.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 22 A retribuição, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

136200792“… Toda correção no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” (Paulo aos Hebreus, 12: 11).

Que Deus é sábio não temos a menor dúvida: A questão número 1 de O Livro dos Espíritos nos responde que “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” Mas a pergunta de Kardec também é proposital: Perguntaria ‘que’ é Deus e não ‘quem’ é Deus, pois quem poderia enquadrar Deus como algo comparável; e nossa Divindade é ‘incomparável’…

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Pois esse Deus, em sua sapiência, atrelada a todos os demais atributos – gosto de salientá-Lo como Onipotente e Soberanamente Justo e bom – estabelece para os seres e coisas por Ele criados exercícios corretivos:

O rio não se considera perfeito ao ser nascente: precisará antes contornar obstáculos; lançar-se em quedas audaciosas; e finalmente prestes a chegar ao grande mar perceberá toda sua majestade. Dá-se conta que todas as suas peripécias só fizeram fortalecê-lo.

A árvore sabe que para o seu crescimento precisará de esteios que a deixem ereta. Enfrentará podas a cada ciclo antes da produção, mas ao colocar novas folhas, galhos e flores se achará pronta para o fruto. Tudo resultado das correções recebidas.

E a terra para produzir? Será arada, gradeada, adubada e regada para que propícia produza todos os frutos, hortaliças e sementes necessárias ao abastecimento do homem. Consola-se, pois bruta nada produziria…

E os pássaros que nos avisam que os frutos estão prontos! Não serão os figos bicados, os mais prontos, mais doces, e os mais saborosos? Foi a Mãe Natureza, através dos seres menores da criação quem nos avisou!

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O homem não escapa a tais correções: não serão as coisas fáceis que o tornará forte, mas todos os exercícios corretivos que, por força ainda de seus próprios equívocos o fará se emendar e crescer.

De onde lhe vem a experiência, o conhecimento e a compreensão da justiça, senão de todos os exercícios corretivos que o nosso Deus, lhe impõe? Aquele da questão número 1, a “inteligência suprema!”

(Sintonia: Fonte viva, Cap. Aceita a correção, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino; verão de 2016).

jesuscarregandosuacruz2Saco de cimento de 50 kg não possui alças. Entretanto profissionais da construção civil possuem uma técnica toda especial em carregá-los: Os mais ousados carregam-nos na cabeça; os mais experientes e sensatos, até para evitarem lesões graves, o fazem juntando-os ao tórax, abraçando-o…

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Carregamos, ao longo de nossas encarnações, cruzes muito mais pesadas que o nosso aludido saco de cimento. Verifiquemos que nenhuma delas possui, também, alças. Possuem, sim, uma forquilha resultante da intersecção do lenho maior com o menor; uma espécie de encaixe perfeito e apropriado ao cavado de nosso ombro.

Como nossas cruzes, não possuem alças de transporte ou argolas para serem arrastadas, a melhor maneira de transportá-las, será abraçá-las. O melhor exemplo ainda é o de nosso Guia e Modelo o qual não tendo nada a expiar, mas submetido a toda espécie de provas e também à da cruz material o fez com ‘técnica’ impecável.

Compreendermos os porquês de nossas cruzes, à luz do pilar espírita reencarnação, ainda é a melhor técnica para transportarmos nossas cruzes. Reencarnação – a nossa que não é missionária – sempre pressupõe reparos morais e tais ajustes advirão da técnica resignada de abraçarmos nossas cruzes ao invés de arrastá-las.

Compreendermos a necessidade e a intenção Divina através de nossas reencarnações, sempre será a melhor motivação e a melhor técnica para abraçarmos nossas cruzes.

Cirineus aparecerão ao longo de nosso caminho que poderão até tornar nossos pesos mais leves, todavia a responsabilidade final sempre será nossa. E nossa técnica, ou a compreensão dos porquês de nossas cruzes, sempre será fundamental para o sucesso do transporte.

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É Carla, já imaginastes se nossas cruzes tivessem alças e rodinhas, que barbada seria?! Mas assim não o são! São, exatamente, os efeitos de nossas próprias causas e como tal deverão ser abraçados, para que se não tornem tão pesados.

(Ensaio feito a partir da exposição de Carla Fabres, em 24 de agosto de 2015, tendo como tema Nossas Cruzes, um capítulo de Horizontes da vida, ditado pelo Espírito Miramez a João Nunes Maia).

9fx8ov38oyqxabxcexybg8i53O episódio do lava pés é eminentemente apostólico/instrutivo. Em João 13, 8-9, tomando a iniciativa de lavar os pés dos seus, trava-se o diálogo entre Jesus e Pedro:

– “Jamais me lavarás os pés!…”

– “Se eu não os lavar, não terás parte comigo.”

– “Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça…”

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Necessário se diga que Jesus não conseguiria higienizar cem por cento pés ‘encascurrados’ pelo uso contínuo de sandálias na poeirenta Galiléia. Trata-se, portanto, de episódio didático.

Emmanuel dirá que queria o divino Mestre testemunhar às criaturas humanas a suprema lição da humildade [e que] na coletividade cristã, o maior para Deus seria sempre aquele que se fizesse o menor de todos. Mais adiante, que quis proceder desse modo para revelar-se o escravo de amor à humanidade, à qual vinha trazer a luz da vida.

Termos parte com Jesus: Não somos mais os iniciantes das lides Crísticas. Embora nos consideremos eternos aprendizes dele, é-nos imperiosa a condição principal do Mestre para que sejamos conhecidos como seus lidadores e aprendizes:  a de que nos amemos uns aos outros e se nos amarmos que estejamos aptos a também escravizar-nos por sua causa junto a todos aqueles que precisam ter os pés, mãos e cabeças ‘lavados.’

Conduzir pés: Quantas vezes nós e nossos irmãos andamos ‘em círculos?!’ Mas se já conseguimos experimentar caminhos retos, por que não ajudarmos a tirar nossos irmãos ‘das quebradas?’ É possível que seus pés estejam precisando da água, toalha e os calçados de nossa generosidade.

Mãos engessadas: A soberba engessa mãos. A boa vontade e humildade será sempre aquela escrava do amor que as liberará.

Cabeças lavadas: Não estamos mais sob ditaduras dogmáticas. Tão pouco, queiramos introduzi-las em nossa doutrina liberta, já que, a partir do século das luzes, – iluminismo, 1650 a 1790 – e precursor da codificação, a razão passa a não mais compactuar com dogmas. Poderemos equivocar-nos em questões doutrinárias, em direções e coordenações… mas não em fraternidade! Fé advém da razão e de obras; e para obrarmos impõe-se a virtude do humilde servir.

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Do ‘varredor’ ao diretor, quem é o maior em nossa coletividade cristã hoje? Não será o apequenado pela humildade e pelo serviço?

Queridos confrades: Que possamos lavar, diariamente, todos os pés, mãos e cabeças que sejam necessários!

(Sintonia: Questões 314/15 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).


57eytjnq“… Será só com o dinheiro que se pode secar lágrimas e dever-se-á ficar inativo, desde que se não
[o] tenha? Todo aquele de sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil ocasiões encontrará de realizar o seu desejo.” (ESE, XIII, 6).

“Não perguntes ‘quem sou eu?’ nem digas ‘nada valho!’ Honremos o serviço que invariavelmente nos honra (…) mesmo quando se expresse através de ocupação supostamente esquecida na retaguarda.”(Emmanuel).

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O Mestre Jesus, na ilustração de sua missão redentora, nos deixou os mais edificantes contos – parábolas, alegorias, sermões. Muitos deles nos convidam a ficarmos longe dos holofotes:

  • A viúva pobre colocaria na caixa de ofertas ‘as’ duas moedas que possuía; a maior parte ou tudo que tinha para seu sustento. Realiza tal oferenda no anonimato de seu templo interior;
  • O bom samaritano se compadeceu, atendeu e serviu nada cobrando moral ou materialmente ao assistido. Ao hospedeiro não fanfarreou; pagou toda a despesa de seu anônimo amigo e seguiu adiante;
  • “Senhor eu não sou digno que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e meu servo será curado” dir-lhe-ia em sua humildade o centurião romano, acostumado a duras lides perante mais de cem soldados;
  • “Não saiba a vossa mão esquerda o que doa a vossa direita”, elegendo o anonimato como principal característica da generosidade;
  • “Senhor, Senhor, tem piedade de mim que sou pobre pecador”, diria o publicano que no último banco do templo se penitenciava perante seus equívocos. Reconhecer-nos pequenos nos torna gigantes na Obra de Deus; e
  • O lava pés, o arrependimento do filho pródigo, a alegria de Zaqueu, a boa administração dos talentos, a resignação do pobre Lázaro, o pequeno grão de mostarda, a luz sobre o alqueire… são todas exortações à humildade, ao serviço ou repatriamento ao bem.

O serviço que realizamos, por ínfimo que seja, poderá ser o que falta para completarmos um todo. Vivemos num Planeta que clama por uma Regeneração e esta só se fará com o concurso de todos. Colocarmo-nos na posição de ‘quem sou eu?’ ou ‘nada valho!’, não ajudará muito.

A atual situação do Planeta é de dependência: Para que o mosaico da fraternidade se complete, peças menores, médias ou maiores serão necessárias. Não existem generosidades pequenas ou grandes; existem generosidades.

Serviços realizados à retaguarda, longe dos holofotes, são os que sustentam as grandes obras, assim como os degraus inferiores de uma escada servem de sustentáculo aos superiores.

(Sintonia: Cap. Deveres humildes, pg. 100, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno muito frio de 2014).

Pavao_Azul_Pavo_cristatus_Fazenda_Visconde_4 (1)São muito temerárias as expressões: ‘Fulano saiu-se muito melhor que beltrano’; ‘tal indivíduo é o melhor da classe’; ‘a equipe A levou enorme vantagem sobre a B’…

Num Planeta que depende de parcerias para seu progresso, promoção ou redenção o sentido de equipe é prioridade e as individualidades que a compõem possuem utilidades diferenciadas, cumprem deveres diferentes, incumbências diversas, mas todas interdependentes. A média da classe ou da equipe muitas vezes depende de trabalhos anônimos, realizados sem alarde e por pessoas consideradas de menor capacidade dentro do grupo.

Considere-se que resultados obedecem a uma relatividade: A galinha polaca – aquela do pescoço pelado – será feia se comparada ao galo mais vistoso do terreiro; mas também o mesmo galo passará despercebido se colocado no ambiente em que estiver um pavão bem colorido…

Individualidade por si só já ‘mata a charada’, pois representa a singularidade do degrau de cada indivíduo, estágio único de evolução, capacidade diferente de executar tarefas, talento só dele ao desempenhar a missão.

Por que, então desconsiderar os feitos menores de indivíduos ainda menos capacitados? Não são esses feitos que ‘completarão’ o todo de uma tarefa?

Ninguém, portanto, é inútil, ou a utilidade em qualquer grau do indivíduo, desde que despretensiosa, sempre será de utilidade ao grupo.

“Será exaltado”, no dizer de Jesus, “aquele que a si mesmo se humilhar” (Lucas 14:11). E aqui o “se humilhar” não significa se menosprezar ou se achar incompetente pela humildade da tarefa, mas aquele que de forma nenhuma se pavoneia, qualquer seja a importância de sua missão.

“Pequeno como uma criança” é parâmetro, bitola ou molde de todos aqueles que se candidatam a construir o Reino dos Céus…

… Aliás, essa a receita para “ser o maior Nesse Reino”; ou, despretensiosos, será o título que lhes será mais adequado!

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“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro de seu coração…” (Mateus 12:35). Ou, independente do tamanho ou quantidade dessas boas coisas, colocá-las, silenciosamente, à disposição do grupo será fundamental!

O rio generosamente fornece a água; o motor levanta essa água; esta é conduzida pelos dutos até os tanques; alguém a trata; canos menores a conduzirá até o consumidor; e ela só chegará a este se aberta a torneira… Ah! Precisará de um copo!

(Sintonia: Cap. Ninguém é inútil pg. 56 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

Certificado ou diploma – do latim ‘diploma, atis’ e do grego ‘diploma, atos’ – é uma permissão por escrito emitida por instituição de ensino a qual testemunha que alguém completou, com sucesso, determinado curso. Em Portugal denominam-se ‘cartas’. Já a Carteira Nacional de Habilitação, carta ou carteira de motorista, confere a um condutor de veículo automotor terrestre a permissão legal para trafegar…

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Na vida também os indivíduos ‘colecionarão’ certificados, habilitações, diplomas, e os colocarão em suas paredes, normalmente para impressionarem ou se imporem sobre seus semelhantes, quando não para hostilizá-los.

A proposta de hoje é de se examinar a parede de cada um e, quem sabe, ‘fazer uma limpa’, descartando velhos, opressores e rabugentos atestados, diplomas, permissões, delegações, tais quais:

1. O certificado da felicidade – Felicidade não é algo que se adquire por decreto, concessão ou certificado; tão pouco ‘cai do céu’! A felicidade é um resultado diário de tudo aquilo que de bom eu dôo aos outros; quanto mais ofereço, mais me é acrescida a felicidade.

2. O diploma de bom pai, mãe, marido, esposa, filho, irmão – Também este é fantasioso e precisa ser retirado da parede. Familiares, na tentativa de acertarem irão errar todos os dias. Tentar acertar é ‘o’ certificado e único aceitável em um agrupamento que aqui está para corrigir, sanear ou reparar antigos e até milenares agravos.

3. Os certificados de grandeza – As pessoas – familiares, amigos, colaboradores – são como são; não se pode exigir-lhes certificado de grandeza. Depor tal certificado e amar incondicionalmente pessoas de ‘pequena, média ou grande’ evolução, é a receita!

4. O certificado da saúde perfeita – Tal certificado é incompatível com os terráqueos. Mais dia, menos dia, a saúde física irá falhar, a mental irá ficar atrapalhada por dificuldades ou provações. Dores físicas, morais, vicissitudes de qualquer ordem são a bênção da maquiagem de cada Espírito.

5. Atestado de equilibrado – Perseguir a estabilidade e a harmonia diariamente é uma meta. Os indivíduos, entretanto, fatalmente sairão do prumo principalmente sempre que o egoísmo do desserviço lhes rondar. Quando retomarem a utilidade e o ‘servir’, reaverão o caminho do equilíbrio.

6. Certificado de sábio – De qual escola? Partindo-se do pressuposto que sempre se terá algo a aprender ou a ensinar, nenhum indivíduo é formado nessa matéria ou suficientemente sábio. É possível que esse ‘diploma’ esteja restrito aos que estão na ponta de cima do roteiro evolucional.

7. Atestado de solidez – Aos fanáticos está reservado o direito de se dizerem sólidos. Mil vezes melhor guardar a humildade de ser flexível, moldável, e até submisso sem, contudo, perder a identidade.

8. Comprovante de auto-suficiência – A crítica sempre será o cilício contra as feridas da empáfia, do orgulho e da vaidade. Acolher a crítica e utilizá-la qual bálsamo nessas chagas é retirar da parede o certificado de auto-suficiente.

9. Diploma de procurador – Espíritos ímpares, as individualidades são responsáveis apenas por si; no máximo – e olhe lá! – co-responsáveis amorosos pelo próximo. Ninguém possui o diploma de procurador da vida alheia. Ajeitar a sua já é suficiente e difícil!

10. Certificado de melindrado – O susceptível é um cativo. Desalienar-me de quaisquer melindres, me assegurando de que ninguém me fará mal se não o permitir, é me libertar de influências ruins que me impedirão de viver feliz e independente.

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Depor da própria parede todos esses certificados, diplomas, comprovantes, auto-procurações… poderá deixar a parede de cada um mais livre e apta a receber um único diploma necessário a conduzir a sua Vida: O de aprendiz!

(Sintonia: Cap. Pessoa menos obsedável, pg. 109 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 201).

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Humildade, longe de ser um verbo é um substantivo feminino e abstrato; evidencia um estado de espírito, conquista interior, harmonização da alma, cenário de um Céu particular que um indivíduo já conseguiu construir…

Os ilustres André Luiz e Chico hoje se deleitam e me deleitam com alguns ‘verbos’ humildade, desejando informar que a virtude é muito mais do que desejar se fazer de pobrezinho, indefeso ou ‘vitimazinha’… Muito pelo contrário, ensinam eles que, dando suporte à humildade, existem ações – verbos! – muito fortes tais quais conhecer, silenciar, servir, ensinar, progredir… Se não menosprezam, minimizam e tão pouco envaidecem, denotam nobreza, modéstia e respeito dos que já os sabem ‘conjugar’:

  • Conhecer é tão simplesmente um estágio ou patamar. Nada conhecerá o indivíduo que assim não o entender; pressupõe-se que todos os viandantes que hoje ainda conhecem pouco, precisarão do concurso dos que já conhecem mais. Conhecer sem desprezar é, pois, a arte da humildade;
  • Silenciar não significa não estar em ação. Cabe aqui uma comparação um tanto chula: Experimenta ‘tosar’ uma ovelha e um porco… Qual o que faz mais barulho? E qual o que fornece mais lã? Silenciar não significa desajudar, mas ajudar sem apontar, esnobar, sem empáfia ou humilhação, mas ajudar a construir dentro da mais sacrossanta e caridosa modéstia;
  • O servidor cristão não é um escravo. O que serve empresta algo de si que presume possuir. Tudo o que dá ou empresta de si não se esvai, não se esgota. Escravo é o camarada que se deixa usurpar em sua dedicação; não é o caso do indivíduo que serve com consciência e equilíbrio;
  • Quem conhece e possui humildade, dedicação e equilíbrio, saberá ensinar. Qual a grande característica do professor vocacionado, porém mal remunerado se não sua generosidade e gosto pelo que faz? Que importarão as injustiças salariais se sabe manter a flama da dedicação, vontade e humildade? Por acaso fere alguém – alunos, colaboradores, pais… – porque seu salário não é digno? E
  • Progredir não é abdicar da simplicidade. O entusiasta, inovador, expansionista, entende que a Lei reivindica avanços, mas que a naturalidade e a simplicidade de empreender não poderá se tornar escrava do orgulho, mas, pelo contrário, a filha dileta da humildade; permanecer na esteira desta e progredir é uma arte!professora

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    Todos os verbos cristãos aqui utilizados ou não são os que, inafoitamente buscam, tal qual Cristo buscou e buscaria se encarnado estivesse hoje, silenciosa, humilde e cooperativamente. 

    É possível que a grande e comum característica dos grandes Missionários tenha sido aquela de modificarem o cenário em que conviveram sem no entanto nada exigir de seus coadjuvantes assistidos.

    Extremamente importante é buscar a luz do final do túnel; não menos importante será se manter tranqüilo até poder usufruir dessa luz…

    Finalizando, e se “o hábito não faz o monge”, não será a sandália ou o scarpin que produzirá um humilde devotado, mas o que ele conseguir ‘realizar de útil’ sobre esse calçado…

    (Sintonia: Cap. Verbos cristãos, pg. 29 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).