Posts Tagged ‘Ilusão’

As coisas que vejo são exatamente do tamanho e da cor de meus olhos… Quando afirmo isto, me refiro ao meu ‘estado de ilusão’, ou fascinação; de não querer, ainda, ou não poder ver, ouvir, falar, tocar, andar, perceber coisas que ‘meu estado’ orgulhoso, fascinado, vaidoso, egoísta, ainda não me permite. Ou seja, minha atual evolução ainda vive ‘num estado’ orgulhoso, fascinado…  Quando digo ‘estado de’, significa que, apesar de tudo isso, fui criado perfectível; possuo o germe da perfeição.

Jesus, ao proferir a sentença do título, talvez quisesse ser mais amplo:

  • Não desejo ver porque tenho interesses em verificar coisas somente ao redor de meu umbigo. Quando fico mouco a verdades benfazejas que ecoam à minha volta;
  • Não quero ouvir porque somente a voz de minha razão impera;
  • Por que falarei se as pessoas não estão no meu patamar?
  • Não quero afagar as pessoas porque é perda de tempo e, de mais a mais, algumas me dão asco!
  • Não quero andar porque a paralisação de minha acomodação é mais confortável;
  • Não quero perceber – e aí a coisa pega! – porque a sensibilidade de meu coração ainda é ‘primária’; não galgou o ‘ginasial’.

Considero-me ‘meio’ cego quando não quero ver (ver, ouvir, falar, tocar, andar…) e cego ‘inteiro’ quando abandono a percepção, ou o olhar do coração.

Grandes personagens da história desejaram ardentemente ver: Zaqueu postou-se no camarote do sicômoro para ver o Mestre; a prostituta desejou o toque de Jesus; Tomé queria ver para acreditar; Chico de tanto querer ver, lastimou os olhos; João Bosco percebia a aflição de seus pequeninos abandonados; Kardec queria ardentemente ver e sentir o que os Amigos Espirituais lhe revelavam para que a posteridade também visse, andasse, falasse, ouvisse e ‘se tocasse’ a respeito de uma nova mensagem. Nenhum deles era ‘santo’, mas porque quiseram, ‘se tornaram’…

 Pois é, meus amigos, “o pior cego é o que não quer ver”, ouvir, falar, tocar, andar, perceber… Mas estou na luta. ‘Vamo’ nessa?!

(A sintonia é do capítulo Ilusão e realidade, pg. 83 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012; frio!)

Nada, na face da Terra, me é dado por milagre ou de ‘mão beijada’. A filantropia ainda não é atributo dos iniciantes deste Planeta. Se, o que é acordado, contratado, pago, muitas vezes já não me é fornecido, como me iludirei com aquilo que sequer me foi prometido?

“Somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem. As ilusões que criamos servem-nos de defesas contra nossas realidades amargas.” (Hammed – As dores da alma).

Falo-lhes, hoje, do abismo que há entre o glamour e a realidade. O glamour, aqui está representado por tudo o que me atrai, e que brilhantemente me é ‘empurrado’… O glamour são as promessas. A realidade é só a… Pura realidade, o que me é negado, a quimera, o engodo, o resultado de meu devaneio. A ilusão!

– Ser feliz, para a jovenzinha é ter o sapato da moda, a roupa e a bolsa de grife, o novo tom da tinta de cabelo que a mídia com capricho lhe oferece. Quem garante, porém, que na volta da balada e apesar de toda essa produção poderá estar feliz?

 – Todas as propagandas de cerveja expõem mulheres exuberantes ou artistas jovens sarados. Os malefícios, frutos dessa irresponsabilidade comercial poderão ser para o consumidor a tragédia que vai desde a inatividade temporária até o óbito.

– A competição para me oferecer um carro com novo design e mais potente é inescrupulosa e ‘ultra-secreta’. Muitas vezes, entretanto não me dou conta do perigo da máquina, da insanidade do outro condutor, da precariedade das estradas de meu País.

– O celular, o laptop, a linha telefônica, a TV a cabo… Tudo me é oferecido dentro do mais encantador marketing. Resolver os problemas posteriormente junto às operadoras é que vai ser o humilhante… Sabe? Tecle 2, tecle 4, tecle…

– Agora o pior: A mídia me oferece – com cara risonha -, todos os produtos. São glamourosos os garotos e garotas, possuem dentes brancos e brilhantes, seus cabelos são caprichados, maquiagem irretocável… É verdade que bem abaixo há umas quatro ou cinco linhas de letrinhas miudinhas que o idiota aqui – e tu que estás rindo também – não consegue ler. A mesma mídia que me oferece a cerveja, o sapato, o novo celular, o carro do ano, é a mesma que vai ‘vender’ a minha tragédia, a minha invalidez, a minha multa por embriaguês, o estupro da moça, aquela da balada. Noticiarão todas essas coisas ‘consternados’, e repetirão à noite e no outro dia também… Com as notícias risonhamente requentadas.

Vejam queridos amigos o ‘abismo’ que há entre o glamour e a realidade? Quem tiver olhos para ver que ‘enxergue’!

(Verão, já com frente fria, de 2011/12).