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“As bênçãos da Providência divina [são mais enriquecedoras que] os lances espetaculares da boa sorte mundana.” (Emmanuel).

* * *

Diuturnamente somos contemplados pelo Criador com uma série de bênçãos que nos passam despercebidas:

“Forças, amizades, família, lar, aprendizados, palavra, audição, visão, raciocínio, locomoção, o ar… enfim, a vida…”

… Tudo isso nos “passa batido”, dado o automatismo de nossas vidas:

É o automatismo ingrato!

Parece-nos conveniente só mostrarmos gratidão perante os “lances espetaculares da boa sorte mundana.”

Enquanto não possuímos todos os “ídolos” do momento, nos mostramos infelizes.

E assim vamos idolatrando mídias; celulares; o fausto de comidas, bebidas e camas; calçados; roupas…

… E quando não os possuímos, infelizes, culpamos a deus e todo o mundo!

Esse automatismo ingrato fica escancarado quando não nos apercebemos das gratuitas e simples grandes coisas do cotidiano e já enumeradas. Somente nos damos conta quando as perdemos:

Falta-nos, já, forças; as amizades somem; família e lar se destroem; aprendizado e palavra ficam inibidos; visão, audição e raciocínio enfraquecem; falta-nos o ar e as pernas; e, finalmente, a vida carnal encurta!

Damo-nos conta, então, de como todas aquelas coisas simples, graciosas, eram grandes e importantes.

Quando percebemos essas perdas, e já tarde, lembramos da exortação de Paulo: “Em tudo daí graças!” (I Tessalonicenses, 5:18).

Então o tempo se escoa e perdemos a sagrada oportunidade da gratidão.

Recentemente nas parapan-olimpíadas, tomamos excelente aula de homens e mulheres dando demonstração continental de superação máxima.

Não esperemos ser engolidos pelas armadilhas de uma mídia que aí está a nos distrair:

Pois, com o iPod já não mais interagimos pessoalmente; com o Podcast já não mais ouviremos; e logo ali desejarão vendar nossos olhos!…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 155, Aprendamos a agradecer; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2019).

A afirmação é do Cardeal Morlot, François-Nicolas-Madeleine e data da época da Codificação: “A felicidade não é deste mundo”, dizendo ser uma máxima do Eclesiastes, livro do antigo testamento, cheio delas, mas de origem autoral incerta. Confesso que gastei todos os meus cliques e quase um mouse inteiro e não achei a frase ipsis litteris no aludido livro.

Também percorrendo os cap. 5, 6 e 7 de São Mateus – o evangelista que discorre sobre o Sermão da Montanha inteirinho -, em nenhum momento verifiquei esta máxima. Muito pelo contrário, o Mestre neste que é o resumo de sua Missão Messiânica – dizem que só o Sermão da Montanha bastaria como preceitos para a humanidade -, deixa as fórmulas que me evidenciam que posso, sim – e devo! -, conquistar a felicidade ainda neste mundo. Quando o Messias me diz que serão Bem aventurados os mansos, os misericordiosos e os puros de coração, – entre tantos outros – verifico estar exatamente aí o caminho. Dir-me-ão vocês: Mas isso não é fácil! Claro que não é! Mas é o caminho das possibilidades.

Mais do que convicção da possível felicidade tenho sérias restrições à infelicidade. Reuni alguns pensamentos sobre o assunto e gostaria de compartilhar com vocês:

  • Persigo sempre a felicidade; dificilmente adaptar-me-ei à infelicidade;
  • Não me taxem de pretensioso, mas se a felicidade não é deste mundo, e se já vivi na alternância de outros, devo ter trazido na mala um pouquinho dela de lá;
  • Se eu não tiver a compreensão sobre os motivos de meus momentos infelizes, tão pouco entenderei a ufania de meus momentos felizes;
  • A maior certeza: A felicidade passa, necessária e inevitavelmente pela prática do bem;
  • Dependendo de minhas atitudes, na mais completa infelicidade poderei estar feliz;
  • Quando mensuro – quando meço! – os motivos de minha felicidade ou de minha infelicidade, chego à conclusão que todos eles são relativos…
  • Fazendo um trocadilho, estar feliz é uma grande felicidade; estar infeliz, além de salutar pode não ser tão mau;
  • Muitos palhaços – curto-os! – administram a sua infelicidade fazendo a felicidade e a alegria de seu público; e
  • Concluindo com um novo trocadilho, quando não estou feliz, procuro entender a feliz mensagem que essa infelicidade temporária deseja me transmitir.

É, meus amigos, o caminho da felicidade está nitidamente delineado. Não acreditem ser fácil; mas também não tenham a menor dúvida, pois, se “o homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade…” – questão 921 de O Livro dos Espíritos -, por que não poderá sê-lo de sua felicidade… E ainda neste mundo? Eu a estou perseguindo – ou campeando -, como diz o gaúcho!

(Verão de 20112).