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Fiel depositário dos anseios do Pai a meu respeito, o Mestre, nas rogativas do Pai Nosso me ensinou “perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos…” Do alto de meu orgulho, ainda prefiro, às vezes dizer-lhe ‘inútil me perdoares, Pai, pois ainda não quero perdoar meu irmão’; prefiro com ele duelar!

Ainda vibrando na faixa de meu ofensor, me deleito com a contenda; a vacina do perdão contra o vírus da inimizade… Essa eu prefiro deixar para depois!

Divino mediador, o perdão estabelece um divisor de águas entre o bem e o mal, entre o encarceramento e a liberdade, entre a vingança e a compreensão.

Tal qual um alvará de soltura o perdão me abre as portas do cárcere para a liberdade, para a luminosidade, para o sol, para a brisa no rosto…

O perdão é a sandália havaianas que coloco nos pés após uma longa jornada de sapato apertado. Raiva, ódio, contenda, incompreensão, apertam o sapato de minha alma.

Brisa no rosto, pés na areia, o chute da água, a sandália frouxa são analogias aos prazeres que me proporcionam o perdão, a complacência, a misericórdia, a benevolência.

Perguntaram certa vez ao Mestre das Levezas quantas vezes seria necessário perdoar… Foi categórico: “Setenta vezes sete”! Ele era leve porque, mais que ensinar, sabia perdoar…

Quando a gravata, ou o cinto, ou o sapato… Estiver apertado, o bom é fazer-lhes uma co-relação com o perdão. O perdão ‘desenosa’ gargantas, clareia vistas, desencarcera almas…

Só não venham me perguntar ‘se’ ou ‘dizer que’ é fácil!

Perante ‘apertos’ do duelo, da vingança, da inimizade… Havaianas, havaianas!

(Sintonia com os cap. Reconciliação com os adversários e Perdoar, perdoar, perdoar, pg. 65 e 66 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Inverno de 2012).